sexta-feira, 2 de junho de 2017

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HOJE  NO 
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Chegou um seguro para reformados
.portugueses em França

Os 500 mil portugueses que se reformaram em França e estão inscritos na Segurança Social gaulesa e os 30 mil franceses que residem em Portugal vão passar a contar com um seguro de saúde que pode ser utilizado nos dois países, numa parceria entre a mutualista Adrea e a Advancecare.

O empresário português Paulo Maurício e o empresário francês Charles Vaquier, que reside em Portugal, descobriram uma oportunidade de negócio: os portugueses que emigraram para França para trabalhar e se reformaram por terras gaulesas têm de desembolsar montantes avultados sempre que têm de ir ao médico no privado em Portugal.
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Para evitar que estes cerca de 500 mil reformados tenham de suportar a totalidade do preço das consultas e exames no nosso país, perguntaram à mutualista Adrea se não seria possível fazer um seguro comum aos dois países.

A Adrea juntou-se à Advancecare e criou o seguro de saúde Lusoflex, que está disponível para todos os reformados portugueses em França com inscrição na Segurança Social desse país, bem como para os cerca de 30 mil portugueses que já estão a residir em Portugal. Este seguro de saúde, que começa com mensalidades a partir de 70 a 80 euros por mês (e tem três modalides), não tem qualquer limite de idade, franquias nem exclusões.

Este novo serviço foi apresentado esta manhã em Lisboa pelos gestores da mútua francesa Adrea e por responsáveis da Advancecare, bem como pelos dois homens que tiveram a ideia e a apresentaram à empresa francesa.

"Se um português que esteja reformado em França vier para Portugal pode ter de pagar muito para ir ao médico no privado", descreve Charles Vacquier. E na maioria dos casos, esses portugueses "têm cá casa ou apartamento", além de manter "a residência oficial em França, porque é mais vantajoso do ponto de vista fiscal", acrescenta o empresário, que foi CEO de um dos maiores fundos de pensões de França, o UMR.

Dominique Chaignon, director-geral da Adrea, diz que "a forma como as pessoas viajam entre Portugal e França fez-nos considerar esta ideia". A Adrea não é uma companhia de seguros de sociedade anónima; é uma mútua, o que significa que presta contas a cada um dos seus mutuários e não há lugar a distribuição de lucros. "Também não é suposto dar prejuízo, mas os lucros são investidos para o futuro", acrescentou Dominique Chaignon.

Além dos 500 mil reformados, existem ainda cerca de 480 mil portugueses emigrados em França, que estão recenseados junto da embaixada portuguesa em Paris, de acordo com dados apresentados esta manhã. Adicionalmente, há cerca de dois milhões de luso-descendentes que "deverão herdar os bens imobiliários dos pais em Portugal" e que poderão eventualmente beneficiar deste produto nessa altura.

Uma aposta nos reformados portugueses
Neste momento, contudo, o objectivo da Adrea é "apostar nos reformados, porque os portugueses que ainda não se reformaram passam menos tempo em Portugal", de acordo com Charles Vaquier. Actualmente, estes portugueses já podem ser reembolsados pela Segurança Social francesa de uma parte dos gastos médicos que apresentem em Portugal (ou noutros países), mas o valor que é devolvido não cobre todos os custos.

Isto porque o acesso aos prestadores de saúde privados "é difícil e oneroso", rondando os 75 a 85 euros, quando em França oscilam entre 25 e 35 euros, lê-se num comunicado da Adrea. Daí que seja mais vantajoso optar por este seguro de saúde: os beneficiários poderão utilizar toda os prestadores que estão dentro da rede da Advancecare e pagarão os preços convencionados. Depois, pedirão reembolso desses montantes à Segurança Social francesa, pelo que não terão de pagar qualquer valor.

Até ao final do ano, as previsões de adesões rondam as "200 a 600 pessoas", antecipa Paulo Maurício, realçando que são "estimativas prudentes". O montante que foi investido neste produto não foi avançado, mas Charles Vaquier diz que o "break-even" será atingido quando se conseguirem "entre dois mil a três mil aderentes".

Esta será a primeira experiência internacional da mutualista Adrea, que tem cerca de um milhão de mutuários em França e que registou um volume de negócios de 563 milhões de euros em 2016.

* A parceria inteligente com um nicho de mercado estável.

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