30/03/2020

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MINUTOS DE
CIÊNCIA/274

#FiqueEmCasa e 
Lave as Mãos #Comigo 



FONTE:  Matemática Rio com Prof. Rafael Procopio

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XLIV - MEGA MÁQUINAS

2-CORVETTE ZR1



O título da rubrica MEGA MÁQUINAS não se conforma apenas com as enormes dimensões de algumas que temos exibido, abrange todas as que têm MEGA INFLUÊNCIA nas nossas vidas.

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


FONTE: Mega Buques

MIA COUTO

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O filho perpétuo

A guerra carregou as pessoas, os seus próprios filhos desapareceram como se fossem ondas, nuvens, plumas sem peso. A guerra é um mar que se afoga sozinho. Foi pelo regresso do mar que Baraza pediu a Deus pelo dia de hoje 

Baraza senta-se num velho tronco da mangueira. Ocupa aquele assento com a gentileza de uma sombra. Do outro lado do terreiro, à distância de uma vida, fica a improvisada maternidade da aldeia: quatro estacas de madeira sustentando uma casota de capim e adobe. Baraza espera que a sua mulher, Farai, dê à luz aquele que será, jura ele, o último dos seus filhos. Proclama alto essa certeza como se decretasse o fim de toda a humanidade.

Sentado nesse velho tronco, Baraza vai afiando o silêncio. Com essa lâmina ele irá golpear o tempo da espera. No casebre em frente abre-se, enfim, uma porta e emergem as parteiras cantando. É um rapaz, conclui. Se fosse uma menina elas dançavam. É assim que se procede na sua aldeia.
– Não entre já – manda uma das parteiras. – Deixe que os ossos da criança sequem mais um pouco.
– O parto já aconteceu – diz uma outra. E acrescenta – Mas esse menino ainda continua a nascer.
Baraza volta a sentar-se, surpreendido com a docilidade com que aceita as ordens das parteiras. Há momentos em que devemos obedecer às mulheres. Este é um deles, condescende ele. Retira do bolso uma velha garrafa de tontonto. Ergue a cabeça, leva a garrafa à boca. Enche os olhos de sol enquanto a garrafa se foi vazando. Quando os lábios se tornam vidro, Baraza faz estalar a língua nos dentes. Se a intenção era impressionar alguém, melhor teria sido ter ficado quieto. Não há ninguém naquele terreiro. Passam-lhe pela cabeça os seus cinco filhos. Todos nascidos naquele mesmo casebre, daquelas mesmas mãos, daquele mesmo ventre.

Os filhos estão a levar-me o rosto, pensa ele, fazendo deslizar os dedos pelas rugas da testa. Das vezes anteriores, aquele terreiro estava cheio de gente, a espera tinha sido partilhada. A guerra carregou as pessoas, os seus próprios filhos desapareceram como se fossem ondas, nuvens, plumas sem peso. A guerra é um mar que se afoga sozinho. Foi pelo regresso do mar que Baraza pediu a Deus pelo dia de hoje.

As parteiras finalmente se retiram. Passam por ele e executam uma espécie de vénia. Uma delas sugere que regresse no dia seguinte. Não se visita no escuro quem acabou de nascer. Baraza faz de conta que escuta. E permanece calado e quieto como se fosse feito da madeira do assento.

Deixa que a noite ganhe peso, aproxima-se da maternidade e abre a porta sem ruído. Quase tropeça na mulher, deitada numa esteira que ocupa todo o quarto. Está adormecida, vencida pela exaustão. Baraza ajoelha-se para separar o menino dos braços da mãe. Esforço vão. Não são braços que fundem os dois corpos. São lianas de uma árvore que sangra.

Confirma então aquilo que suspeitava: o filho era defeituoso. Tão escasso de tamanho que os dedos do pai se assustam e recuam no escuro. Como se diz na sua aldeia: há crianças que têm raízes nas pedras. E é mais a raiva do que a tristeza que faz Baraza crispar as mandíbulas.

De repente, ele se ergue, decidido. Embrulha o menino num pano, coloca-o num caixote e leva-o para fora do casebre. Atravessa os escuros atalhos até chegar ao pátio da casa onde reside. Amarra o caixote ao selim da sua velha bicicleta, toma a estrada de areia que vai até à cidade. No caminho, várias vezes parece escutar um choro ténue vindo das estranhas da caixa. Detém-se, preocupado.

Uma criança chorando no meio da noite terá a sua voz para sempre tomada pelas feiticeiras. Depois, volta a ficar tranquilo. Aquele pranto não passa de uma ilusão. Não é possível que o filho saiba chorar. Aquele recém-nascido ainda não começara a viver.

Uma semana depois, Baraza regressa à aldeia. Veio pedalando célere para chegar antes do fim do dia. Sabia que a esposa estaria dentro de casa, deitada como a tinha deixado na maternidade. Estava certo de que Farai não daria conta da sua chegada. As casas da aldeia não possuem janelas. As paredes são tão espessas que apenas os parentes as atravessam. Para isso, porém, é preciso que a travessia aconteça durante o dia. À noite, as paredes tornam-se ainda mais espessas. É por isso que ninguém chega depois do pôr do sol.

É nessa hora do poente que Baraza entra em casa junto com a bicicleta. Amarra-a nas traves do tecto com nós tão apertados como se nunca mais a fosse usar. Da penumbra emerge um fio de voz.

– Onde fostes, marido?
O homem não responde. Junto à fogueira prepara um chá. Sopra na chávena de alumínio, os olhos enevoados pelo vapor.
– Onde está o meu filho? – pergunta a mulher.

– Entreguei-o.
– A quem?
– A uma enfermeira. Uma do hospital. Disse-me que tratava dele.
– Conhecia essa enfermeira?
– O que interessa isso?
– Porque o levou de mim?
– Não fui eu quem o levou. Você sabe disso, mulher.

Farai levanta-se e pontapeia a chaleira. E logo se arrepende. Pede desculpa, diz que foi sem querer, que tropeçou. Está cansada. Não dorme há dias, o seu corpo ainda parece estar em trabalho de parto. O marido levanta-se para recolher a chaleira e volta a colocá-la sobre as pedras da fogueira.

– Quero ver essa mulher – declara Farai.
– Que mulher?
– Essa que ficou com o meu filho…
– Nunca mais me peça tal coisa.

Em silêncio, Baraza reúne pedaços de lenha e volta a acender o fogo. A mulher acena com a cabeça como se o homem lhe tivesse falado. E começa a preparar a refeição. Depois, o homem come sozinho enquanto a mulher o contempla. Sem dizer palavra, Farai estende a esteira para que, saciada a fome, ele se deite e repouse. Veio de longe, o marido. Veio empurrando o seu próprio corpo do outro lado do rio.

Quando o homem já dorme, Farai deita-se na mesma esteira. Enrosca-se no dorso de Baraza, esse é o seu modo de se ir embora. Porque é ela a enfermeira. É ela a mulher. É ela a mulher a quem o marido entregou o seu filho perpétuo.

IN "VISÃO"
27/03/20

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SEM ALARME
Quem nos enviou este vídeo é digno de credibilidade, os intervenientes no vídeo absolutamente insuspeitos. Não há necessidade de ser alarmista mas existe a conveniência de divulgar esta peça, faça-o por favor.




* Obrigada JCS por este aviso.

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2229.UNIÃO



EUROPEIA


PORTUGAL
GOVERNO DA REPÚBLICA



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HOJE NO 
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
Suspensão do pagamento ou empréstimo: as medidas do Governo para as rendas

Proposta do Governo cria uma moratória ao pagamento de renda para quem sofra uma redução de pelo menos 20% nos rendimentos. Medida abrange habitação e estabelecimentos comerciais. Inquilinos e senhorios também podem pedir um empréstimo ao IHRU.

Os arrendatários que tiverem uma quebra superior a 20% nos rendimentos do agregado familiar ou que atinjam uma taxa de esforço superior a 35% vão ter uma moratória ao pagamento da renda até ao mês subsequente ao fim do estado de emergência. A partir dessa altura as mensalidades que ficam em atraso terão de ser pagas durante os 12 meses seguintes. Após um ano, caso os valores não tenham sido repostos, o senhorio poderá avançar com a resolução do contrato de arrendamento.
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"O senhorio só tem direito à resolução do contrato de arrendamento, por falta de pagamento das rendas vencidas nos meses em que vigore o estado de emergência e no primeiro mês subsequente, se o arrendatário não efetuar o seu pagamento, no prazo de 12 meses contados do termo desse período, em prestações mensais não inferiores a um duodécimo do montante total, pagas juntamente com a renda de cada mês", refere uma proposta de lei que deu entrada esta segunda-feira na Assembleia da República e que tinha sido aprovada em Conselho de Ministros na passada semana. A medida aplica-se às rendas vencidas a partir do dia 1 de abril.

Além da moratória, os inquilinos poderão também pedir um empréstimo "sem juros" ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) para ajudar ao pagamento da renda. De acordo com o texto, podem optar por esta via os "arrendatários habitacionais e os fiadores de estudantes arrendatários sem rendimentos do trabalho" que tenham sofrido cortes significativos nos rendimentos. Mas o montante do empréstimo não será sobre o valor total da renda: aplicada uma taxa máxima de esforço de 35% ao agregado familiar (percentagem do rendimento que é usada para pagar a renda), o IHRU empresta o dinheiro que faltar para completar o valor da mensalidade devida ao senhorio. A proposta determina que o rendimento restante do agregado nunca pode ser inferior ao Indexante de Apoios Sociais (IAS) que é, atualmente, de 438 euros.

A possibilidade de empréstimo também é disponibilizada, igualmente sem juros, aos senhorios que vejam o seu rendimento baixar significativamente devido ao não pagamento de rendas - se os inquilinos não recorrerem ao IHRU, poderão ser os proprietários a fazê-lo, recebendo desta forma a renda que não está a ser paga pelo inquilino.

"Permite-se que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana conceda empréstimos para pagamento de renda a estes arrendatários [que sofram perda de rendimentos], garantindo-se deste modo um auxílio que permita às famílias o pagamento da renda devida e, deste modo, manter a estabilidade do seu agregado habitacional, e aos senhorios manterem o rendimento dos seus imóveis arrendados. Bem assim, semelhante apoio será estendido a senhorios que sejam colocados em situação de carência económica devido à falta de pagamento de rendas pelos seus arrendatários", justifica a proposta de lei.

As medidas também se aplicam ao arrendamento não habitacional, visando os estabelecimentos que encerraram ou viram suspensa a sua atividade normal devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Também nestes casos o arrendatário "pode diferir o pagamento das rendas vencidas nos meses em que vigore o estado de emergência e no primeiro mês subsequente", tendo que repor o valor em falta nos "12 meses posteriores ao término desse período, em prestações mensais não inferiores a um duodécimo do montante total, pagas juntamente com a renda do mês em causa.

* A medida parece justa mas além de mal parida será ineficaz, os arrendatários não vão ter  num ano capacidade para saldar dívidas. Não enganem nem proprietários nem inquilinos honestos.
A banca já esfrega vampiricamente as mãos, isto só lá vai com dinheiro verdadeiramente dado.
As crises, a vírica e a económica não conhecem o dia da retoma.

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Misterios Revelados

1- Briga Viking


Maurício Souza
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