domingo, 9 de abril de 2017

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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25.6- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES



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X-PEDRAS QUE FALAM
1- QUEM BUSCA A RIBEIRA
A RIBEIRA VEM BUSCAR



A RTP Madeira produziu um excelente documentário, numa série de 12 programas, sobra a temática dos recursos naturais com incidência nos recursos geológicos, a que denominou "Pedras que falam", de autoria do Engº Geólogo João Baptista Pereira Silva.
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25.5- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES



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XIII -ERA UMA VEZ

O ESPAÇO


2- OS INCAS



* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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25.4- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES




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Ani Liu

"Smelfies" e outras experiências

em biologia sintética



E se pudessem tirar uma "selfie" com cheiro, uma "smelfie"? E se tivessem um batom que fizesse crescer plantas onde damos um beijo? 
Ani Liu explora o cruzamento entre a tecnologia e a perceção sensorial, e o seu trabalho situa-se entre a ciência, o "design" e a arte. Nesta palestra rápida e inteligente, ela partilha os seus sonhos, as suas especulações e experiências, perguntando: 
"O que acontece quando a ficção científica passa a ser um facto científico?"
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25.3- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES




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VÍTOR RAÍNHO

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Figura da semana. 
Canelas 2010: 
Vale tudo menos tirar olhos

Ganham jogos por falta de comparência dos adversários e aqueles que os enfrentam sujeitam-se às regras de outro desporto que não o futebol: a luta livre sem regras. No último fim de semana, a cara de um árbitro serviu de bola...

A história estava anunciada desde que começou a época futebolística, mas praticamente ninguém quis ver o óbvio: não ia acabar bem. Com traços medievais, descobrimos que em Portugal um clube de futebol poderia subir de divisão por desistência das outras equipas, alegadamente por não se sentirem seguras. Sabiam, e bem, que a sua integridade física ficava em causa sempre que entrassem em campo para jogar com o Canelas 2010, formada por vários dos homens que lideram a claque dos Super Dragões. A história é tão surreal, que só a publicação de um vídeo há uns largos meses deu a conhecer a especialidade dos craques do Canelas: artes marciais. Os árbitros, temendo pela sua vida, iam fechando os olhos às agressões dos craques da equipa liderada por Fernando Madureira, o rosto dos Super Dragões.

Com a recusa das outras equipas em entrar em campo estranhou-se a apatia da Federação Portuguesa de Futebol, bem como do ministério que tem a tutela do Desporto. Foi preciso um árbitro ser selvaticamente agredido no passado fim de semana para, finalmente, as sirenes serem ligadas. As imagens difundidas pelo canal Minuto 90 TV passaram a fronteira e o Canelas passou a ser apelidado de o clube mais perigoso do mundo. Além da agressão ao árbitro, depois de este ter expulsado um jogador que agredira um do Rio Tinto, alguns colegas ‘cresceram’ para os polícias e estes quase correram à frente dos craques que se enganaram no desporto. Um espetáculo decadente para um país dito civilizado. Os jogadores do Canelas podiam ter ido para lutas marciais e aí não haveria nada a dizer, mas o futebol é uma atividade cujo objetivo é marcar golos na baliza adversária e não um ringue de boxe ou de luta ‘Vale Tudo’.

Passada uma semana, sabe-se que o jogador agressor foi expulso do clube, mas o emblema em questão continuará a disputar o campeonato da Divisão D’Elite, tendo ou não adversários. Curiosamente, na mesma semana que a equipa de Vila Nova de Gaia se tornou famosa um pouco por toda a Europa, um agente da PSP agrediu um adepto do Benfica de uma forma selvática, mas não provocando metade dos danos que o jogador do Canelas infligiu ao árbitro. Alguns deputados exigiram explicações à ministra da tutela - o polícia em causa já tem um processo disciplinar - mas ainda ninguém exigiu a presença do ministro que tem a pasta do Desporto para explicar esse fenómeno chamado Canelas. Estranho país este...

IN "SOL"
08/04/17


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1196.UNIÃO



EUROPEIA



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25.2- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES



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VI-DESTINO EDUCAÇÃO

1- CANADÁ



* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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XXI-VISITA GUIADA


Museu do Chiado

Pintor Joaquim Rodrigo/2
LISBOA - PORTUGAL



* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores. .
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25.1- NOIVAS


SOFISTICADAS

PROVOCAÇÕES



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António Pinho Vargas

'Tom Waits'


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ESTA SEMANA  NO
  "SOL"

Morreu Carme Chacón, 
a primeira ministra espanhola da Defesa

Carme Chacón morreu este domingo. A primeira mulher a chefiar o Ministério da Defesa de Espanha foi encontrada sem vida no seu domicílio de Madrid, onde os seus amigos a foram procurar, pois não tinham notícias dela desde a noite de sábado. Tinha 46 anos e sofria de uma cardiopatia congénita que – suspeita-se – terá sido a causa da morte.
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“Tenho 35 pulsações por minuto e o coração ao contrário, um bloqueio auricular e ventricular completo”, dizia numa entrevista ao “La Vanguardia”, em 2015, citada este domingo pelo “El País”. “Isso faz-me pensar que todos os dias são um presente”, contava a ex-ministra socialista, que teve um filho apesar dos alertas em contrário dos médicos. 

* Lembramo-nos da ministra de Zapatero, foi uma senhora que se impôs ao machismo do generalato espanhol.

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 HOJE NO
"EXPRESSO"

Pelotão Memória

Todas as quartas-feiras têm encontro marcado com a guerra. Vivem entre o vazio da reforma e as emboscadas de África. O mais velho tem 96 anos, o mais novo 67. Guardiões da memória, escrevem para que a sua história da Guerra do Ultramar sobreviva. Somam 30 livros publicados que ninguém conhece

Há uma mosca às turras na janela e não há quem a veja. Seis livros e um bolo fechados em cima da mesa. O general Nascimento Garcia está sentado à cabeceira, mãos magras em livros grossos. Folheia o primeiro volume da coleção, a que dedica a vida há mais de três décadas, desde que embarcou na odisseia de resgatar a memória da guerra. Integrou o núcleo fundador da Comissão para o Estudo das Campanhas de África (CECA) e por aqui ficou. 

Todas as quartas-feiras, lidera o grupo de militares reformados que põe no papel as andanças da tropa portuguesa nas então colónias, entre 1961 e 1974. Campanhas de África, diz. Guerra do Ultramar, reforça: “Vocês gostam do termo guerra colonial, eu detesto. Tem uma forte carga política e a nossa visão é puramente militar.” Ao seu lado, dois coronéis caminham em Moçambique.
— Foi perto de Mueda.
— Ao pé de Mueda, não foi!
— Já lhe disse que foi morto perto de Mueda!
— Ó coronel, o senhor está a baralhar tudo!
— Desculpe, se já me esqueço das coisas...
— Você é que sabe, você é que conhece essa zona. A minha guerra foi no Niassa.
— Ó filho, já sabe que aqui cada um tem a sua guerra.

As palavras do general Nascimento Garcia são ponto final no diálogo. A comissão, que funciona na alçada da Direção de História e Cultura Militar do Exército, ocupa uma sala do antigo Palácio do Lavradio, no Campo de Santa Clara, portadas para a Feira da Ladra. Uma mesa comprida, meia dúzia de secretárias, passos lentos no soalho de madeira. Junto à parede, um móvel escuro é morada dos seus escritos. 

A “Resenha histórico-militar das campanhas de África, 1961-1974” soma 30 livros publicados, mais três prontos para combate. Páginas a perder de conta. “Estão aí a criar bolor, ninguém sabe que existem”, admite o general. Para comprar um destes livros, só há um caminho — contactar a Direção de História. Encosta a canadiana à cadeira, encara os seus homens — sete combatentes pela memória.
— Ó meu general, pode ser que as gerações vindouras tenham interesse em conhecer o passado — lança Cardoso Alves, coronel de engenharia reformado, um dos mais novos do grupo.
— Ó meu jovem, a guerra morreu para toda a gente há muitos anos, só existe para uns tipos como nós, que ainda aqui andam a pestanejar.

Acabou de soprar 96 velas, mas não há tempo que lhe belisque o pensamento. Nasceu num segundo andar do bairro da Graça, em Lisboa, fez a instrução primária no Campo de Santana. Ainda lá está o prédio, ainda lá está a escola. Também a guerra. O pior dia foi em Cabinda, árvores “até ao céu” e nem um raio de sol a vencer as copas, quando uma coluna pisou uma mina. Tinham ido buscar o correio, vinham embalados nas palavras da metrópole. De repente, um estrondo. As cartas em sangue: “Perdi nove homens, havia pernas em cima das árvores.” Silêncio na sala, um suspiro e logo baixas em catadupa, acidentes e emboscadas. Já se sabe, aqui cada um tem a sua guerra. “Estes encontros são muito bons, o único senão é que já conheço as histórias todas”, sorri o general, que apanha três autocarros, da Praça de Londres ao Campo de Santa Clara, para relembrar a guerra. E o espírito de camaradagem que “só existe na caserna”. 

Reformado “há uma vida”, tem nestes momentos, o elixir da juventude. “Antes, escrevíamos mais, até tínhamos umas senhoras que batiam à máquina.” Até há dois anos, marcava o ponto todas as manhãs, depois decretou “eclipse” à sexta-feira. Agora, vem apenas uma vez por semana. Está casado há 66 anos, a mulher caiu doente e ele cumpre o dever de a acompanhar.

Nos dias que sobram, o grupo encontra-se à roda da sua cadeira vazia ou noutras velhas paragens de oficiais. As reuniões são bem mais do que trabalho, perpetuar a memória é perpetuar a vida. Juntos, estão em casa. O presente é só uma extensão do passado. “O nosso general é a alma desta comissão. O presidente de facto”, sublinha Cardoso Alves. “Damo-nos todos bem uns com os outros, é uma briga pegada!” O verbo segue risonho: “Menos com o senhor general, claro.” Patente não prescreve.

Filho de Setúbal, Cardoso Alves traz no currículo a vitória da corrida dos 100 metros, na inauguração do Estádio do Vitória, e uma comissão em Moçambique. “Meu general, está aqui o livro que pediu, com o mapa.” Aproxima-se a voz de outro coronel: “Também quero ver, onde é que estão os meus óculos?” Cardoso Alves entra em ação: “Os de perto ou os de longe?” As armas de hoje não são as de ontem. Entrega os óculos, o livro: “Sou dos mais novos, vou ajudando a fintar as partidas da memória.” Chegou da Madeira há um dia, tem lá um par de netos que visita volta e meia: “Trouxe um bolo típico e temos aqui um abafado caseiro.” Falta faca, faltam pratos. Sobram vozes: “Parte à mão! Estamos em campanha, pá!” Quase todos os dias, viaja de Setúbal até Lisboa para “ter com quem conversar”. O plano de operações traçado — reunir, almoçar e passear com os amigos da comissão. 

Regressa a casa às quatro da tarde, “hora de ser avô”. A reforma não pode ser batalha perdida.
— Estou calado há 17 minutos, agora é a minha vez de falar — reclama o coronel Vaz Serra.
— Isso é um recorde absoluto! — agita-se, sorridente, o general.
— Eu corri a Guiné toda! — volta à carga Vaz Serra.
— E eu corri o Niassa, que é do tamanho de Portugal — responde, Cardoso Alves. — Lembra-se de quando atirou a relva para dentro de casa do governador?
— Mas por que é que está a lembrar isso agora? Estava a levantar voo e a pista era mesmo colada à casa. Foi em Fulacunda, perto de Tite, não é?... Ai a minha cabeça! Deixe lá ver o mapa.
— Está aqui — o indicador de Cardoso Alves aterra na geografia.
— Caramba, não vejo — lamenta Vaz Serra.
— Nem eu... — entra no coro o general.
— Já vi!
— Eu não o engano! Você queixa-se, mas eu é que tenho de lhe lembrar tudo! — atira Cardoso Alves, voz de graça.
— O que eu tenho de aturar! — remata Vaz Serra, numa gargalhada.

Quase meio-dia no relógio do general. O coronel Vaz Serra, símbolo do colégio militar ao peito, chama a si atenções: “Vocês nem sabem o que encontrei!” Comanda o momento. O interesse das tropas é a melhor das medalhas. “Encontrei o livro da escola primária da Guiné, onde está a lição sobre o Domingos Ramos!” O anúncio cortado pela voz do general: “Lá vem você outra vez com essa história! A generosidade portuguesa é extraordinária, só nós para falarmos como herói de um tipo que se voltou contra nós!” Mas o coronel só tem sentidos para o livro. Recebeu-o povoado de dedadas de estudo, não se lembra quando. Mandou pôr-lhe uma capa branca, guardar com afeição. A mesma que emprega nas cores do autorretrato: “Sou oficial do exército por acaso e arquiteto por engano. Mas vivi bem vividas as duas vidas.”

O livro na mão hasteada, sorriso a bater continência. Cumpriu quatro comissões em África, a primeira na Guiné, ainda a guerra não tinha estoirado. Foi lá que teve como homem de sua confiança o soldado Domingos Ramos. Muito alto, muito escuro, “muito vivaço”. Passou a comissão com uma espingarda ao seu lado, e o português depressa lhe arranjou alcunha: “Era o Calcinhas, chamávamos assim aos mais espertalhaços do recrutamento local.” Tempos depois, já a Guiné a ferro e fogo, havia de ter notícias do antigo subordinado: “Tornou-se braço direito do Amílcar Cabral, era um tipo importante no PAIGC. Morreu num ataque em Madina do Boé.” Ficou na História, o manual é a prova. Lição número 23: “Um grande patriota.” A matéria dada numa conversa entre mãe e filha: “Mamã, hoje o professor falou-nos do Domingos Ramos.” E a mãe a sublinhar aprendizagens: “É um exemplo para todos os filhos da nossa terra. Era um dos dirigentes do nosso grande partido.”

Vaz Serra não esconde entusiasmos. Triunfante, saca da pasta uma fotografia: “Olhem!” Fardado, o camarada que havia de se fazer inimigo. No embalo da descoberta dos livros, passou um pedaço da noite com um lápis na mão. “Meus senhores, ouçam lá o que escrevi!” Os outros gracejam, ele enceta leitura. Conta-lhe a vida, a morte em combate, a trasladação de herói: “O meu guarda-costas voltou à terra onde nos conhecemos.” Dobra os papéis. “Você é um fala-barato, daqui a pouco está a lembrar coisas que lhe fazem mal”, adverte, em jeito de brincadeira, Cardoso Alves. Sabe do que fala, já lhe escutou o passado vezes sem conta.

Mas Vaz Serra não abandona o púlpito: “A minha única grande tristeza é a morte do meu soldado mais querido, o Barcelos”. Tinha o costume de viajar a seu lado, mas na pior das horas seguia noutro veículo. Uma emboscada, a algazarra dos tiros e uma voz sem retorno: “Meu capitão, o Barcelos está morto!” Correu ao encontro do homem, mas já nem sopro encontrou, só uma bala debaixo do braço e o corpo tingido de encarnado. “Uma pessoa nunca mais esquece...” O cantar de um galo interrompe o luto. É o telemóvel, o coronel de regresso ao presente: “Ah, está bem. Então, vais almoçar lá a casa, querida.” Tem três filhos e sete netos, há sempre quem puxe cadeira à hora da refeição. O general agarra a deixa: “Estes jovens já são todos avôs, mas querem que pensem que ainda têm 20 anos.” Vaz Serra termina a chamada, o presente: “A minha neta, no outro dia, queria levar o meu carro para sair à noite, vejam lá.” Encolhe os ombros, retorna à mesa:
— Eu nunca digo quantos anos tenho, meu general!
— A idade é bonita mas tem muitas limitações — constata o general.
— A gente devia viver até aos 100 anos, mas só envelhecia até aos 35 — sonha Vaz Serra.
— Pois, queria ficar na idade em que cantava de galo! — brinca Cardoso Alves.

 O sol de março bate discreto na janela. Em África, haveria de escaldar. Como naquele dia, há 56 anos, em que a UPA (União dos Povos de Angola) catanou dezenas de vidas. Homens, mulheres e crianças. Brancos, mestiços e negros. 15 de março de 1961, início da guerra. Nesse dia, o general, que já muito andara por África, estava na então chamada metrópole. Soube da chacina pelos jornais. 

Vaz Serra desembarcara da Guiné, estava de casamento marcado. “Os outros andavam de bibe”, graceja o general, olhar nos rostos da mesa. Mais difícil é olhar para trás. À distância, a guerra continua assunto com demasiadas frentes de combate. O general desassossega-se na cadeira: “Há uma forma de ver a guerra antes, outra durante e outra depois. Certo é que foi uma decisão política e os militares cumpriram a sua obrigação. Continuo a não saber se teria havido outra forma.” Vaz Serra fecha o velho manual escolar guineense: “A guerra teria sido evitável, se o regime fosse diferente. A ideia de que Portugal ia do Minho até Timor acabava por ser indefensável... Muito aguentou a tropa.” Respira fundo: “Nós não perdemos a guerra, mas eles conseguiram os seus objetivos.”

Arruma a gravata, afasta o corpo da cadeira com cuidados dobrados: “A data de começo da guerra é muito polémica. Ainda não sei quando é que começou.” Tem 83 anos, o presente atracado em África. 

Todos os dias almoça com velhos camaradas, quase sempre militares. Aproximou-se da CECA no dia em que leu um texto sobre um dos primeiros “acontecimentos” em Moçambique. As linhas asseguravam que tinham cortado a cabeça a um padre da missão de Nangolo, de seu nome Daniel, e atirado para “cima de um altar”. O episódio marca a história da guerra e também a sua, algo lhe dizia que não podia deixar o engano seguir adiante. Bateu à porta da comissão para contar a sua verdade: “Por azar, tinha sido eu a ir buscar o corpo. Lembro-me bem... tinha os braços todos cortados de se tentar defender das catanadas, mas estava inteiro.” O ataque aconteceu a 24 de agosto de 1964: “Ficámos com a ideia de que era para mostrar como era fácil matar um branco.” Acredita que, por essa altura, já a guerra se fazia em Moçambique: “Como em Angola, a data de início é discutível. 

Dizem que foi o ataque ao Chai, em setembro, mas isso é porque os ataques anteriores não foram feitos pela Frelimo!” Os ânimos voltam a aquecer.
— Deixe lá isso, não se enerve — apazigua Cardoso Alves.
— Portugal escolheu sempre a versão dos outros! Neste caso, da Frelimo — intervém o general.
Silêncio. Uma lufada de sol na mesa e a mosca ainda às turras na janela.
— Sabe, meu general, hoje não estou nada bem dos olhos — regressa Vaz Serra.
— Ó filho, está com dificuldade em ver ao perto ou ao longe?
— As duas coisas.
— Mas almoça connosco?
— Não sei se estou tonto, se estou a ver mal. Um tipo chega a velho e é terrível.
— Vocês estão velhos, eu estou gasto — remata o general.

Quase uma e meia no relógio de pulso do general, o almoço marcado na messe de oficiais. Fica a meia dúzia de passos de distância, mas “com a idade tudo fica mais difícil”, constatam uns e outros. A voz de Cardoso Alves voa até ao último palmo da sala: “Ó Cação, olha que ao almoço é proibido falar de canhões.” Todos sabem bem que o coronel de engenharia palpita pelas velhas armas. As noites coladas ao computador, a vaguear mundo atrás de canhões portugueses. “É uma paixão que tenho, mas na comissão já não me deixam falar”, sorri. “Estar aqui é bom para desopilar, para sair de casa e fazer uma coisa útil.” Registar as lembranças da guerra é a sua última missão.
— Ó Cação, não venhas cá com canhões! — continua Cardoso Alves.
— O nosso general diz que hoje posso falar, é dia de festa.

Entre os coronéis de engenharia não há estranhezas, percorreram a vida a par e passo, sempre Cação no encalço de Cardoso Alves. Agora, reencontram-se na comissão. Há livros sobre os mortos da guerra, as operações militares, as unidades enviadas da metrópole... A eles, cabe escrever sobre as obras da engenharia. Cação está sentado na última secretária da sala, no ecrã do computador, uma foto de uma ponte em construção. Daqui a pouco mais de um mês, há de ter a primeira versão do livro pronta para mostrar ao general, já vai em mais de 300 páginas. Nunca disparou um tiro, mas fez explodir toneladas de explosivos: “O que nós construímos e com aquelas dificuldades!” 
O general sacode a cabeça lentamente: “Ninguém quer saber disso, filho...” Cação atravessa a sala, olhos postos na estante: “Querem apagar a nossa História.” Custa-lhe a falta de pilares, nem promoção nem livraria. A falta de leitores. Há muito carrega certezas: “Se uma pessoa escrever um livro e oferecer aos amigos, 90 por cento não lê e 50 por cento nem abre.” O general volta à carga: “Há livros que não têm interesse para o público em geral, mas não há nenhum sem valor histórico.” O futuro é a sua esperança: “Talvez um dia...” A mesa em silêncio e a mosca às turras na janela. Um pensamento em cada olhar, a pior morte é o esquecimento.

O coronel Henrique de Sousa aproxima-se. É o autor dos três livros mais recentes, todos à espera de lançamento. Juntou-se à comissão no começo do milénio, pouco depois de passar à reserva. Tinha 58 anos e os dias desertos. Uma manhã, disse à mulher: “Não posso continuar fechado em casa.” Cruzou o umbral e foi à procura de ocupação. Tentou trabalhar numa ou noutra função, mas o espírito militar cola-se à alma, sobretudo para quem traz o exército no sangue — já o pai e o avô vestiam farda. 

Conhece o general desde os oito anos, por essas e por outras, pensou oferecer-se para a comissão. Desde então, nunca mais parou de escrever sobre as operações na Guiné. Como todos os outros, os seus livros baseiam-se nos registos oficiais do exército, nos documentos que povoam o arquivo. Apoia-se numa cadeira: “Há muitas obras com a visão pessoal de antigos militares, nós temos os factos, a versão oficial. Também recorri a alguns testemunhos, mas o mais importante são os documentos.” Confia no tempo: “Hoje, há muita gente interessada na I Guerra Mundial, quem sabe se não se lembram da nossa daqui a 30 anos?”

O começo da guerra apanhou-o na Academia Militar. Lembra-se como se fosse hoje do discurso de António de Oliveira Salazar acerca de Angola, na televisão: “Andar rapidamente e em força!” As palavras do estadista valiam como guia de marcha: “Sendo eu militar do quadro, ficou claro que seria mobilizado.” Esteve na paz de São Tomé e Príncipe e no calvário da Guiné. “Quando vamos para uma comissão, sabemos que podemos morrer, mas nunca se pensa nisso. Sempre achei que estava a cumprir o meu dever, quando morresse, morria.” Um dia, adivinhou a sua hora. Foi em Bula, quando um foguetão de fabrico soviético rebentou demasiado perto. O efeito de sopro levou a vida de uma mulher que caminhava à sua frente. Ele abrigou-se o melhor que pode, certo de que o próximo o apanhava: “A impotência é o que mais custa, não dá para ripostar, podem ser disparados a quilómetros de distância.”

O 25 de Abril encontrou-o de novo a estudar, desta feita, no curso do Estado-Maior. Desde 16 de março e do falhado Golpe das Caldas, sabia que a caserna não dormia. Na manhã de todos os cravos, sorriu crenças ao ver tantos camaradas da Guiné ao lado de Salgueiro Maia, no Terreiro do Paço: “Estávamos há muito à espera de uma solução política para a guerra, era a única possibilidade mas nunca mais chegava.” O coronel Vasco Valdez, anos a fio ajudante de campo do Presidente Mário Soares, junta-se à conversa. É o mais novo da comissão e o único que nunca carregou uma G3 em África. Veio parar à comissão para ocupar o tempo, para continuar a sentir-se militar. A sua primeira missão foi ajudar a terminar um livro sobre Moçambique. O autor principal tombou doente e ele assegurou a vida da memória. Da guerra que ajudou a acabar. “Fui um dos capitães de Abril, integrei a coluna que veio de Mafra para ocupar o aeroporto.” A coluna que ficou conhecida por chegar atrasada, tão atrasada que um homem só já havia irrompido aeroporto adentro. Valdez, então capitão, seguia à frente no seu Fiat 850, à laia de batedor. 

O general escuta cada palavra: “Fala-se de tudo, menos dos homens que viveram a guerra. Não somos odiados nem amados, simplesmente ignorados.” Segura a canadiana, levanta-se:
— Meus senhores, vou almoçar.
— Vamos lá, senhor general — respondem a uma só voz.

Já a mosca voou por uma janela, já o bolo se fez migalhas e os livros continuam em cima da mesa. A conversa segue escadaria abaixo, azulejos oitocentistas na parede do palácio. “Faça favor, meu general.” Dois andares de sorrisos. Os netos, as doenças, as histórias. A guerra. Recordar África é reviver a juventude. Aquietam-se à porta, sol nos rostos apaziguados. O general cerra as pálpebras um instante. Parece embalado pelo verbo de um antigo escritor escocês: “Deus deu-nos memória para que possamos ter rosas em dezembro.” O tempo poda os piores espinhos.

* Existirá sempre muita informação para ser tratada sobre a "Guerra Colonial" pena é que por poucas vezes se tenha dado voz aos milicianos que obrigados a ir para a guerra a viveram de modo mais verdadeiro no que respeita a carências, teatro de guerra e desonestidade  das hierarquias. 
Sempre que se falar de "Guerra Colonial" é-se obrigado a destacar a obra prima da comunicação social que foi o trabalho de  JOAQUIM FURTADO para a RTP.

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A CÂMARA LILY



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ESTA SEMANA NO 
"DINHEIRO VIVO"
Falsear contas? 
Sim, responde um em cada 
cinco gestores em Portugal

Gestores dispostos a falsear informação financeira em Portugal acima da média da Europa Ocidental, revela inquérito da EY

As empresas têm cada vez mais obrigações legais e regras a cumprir, por exigência dos reguladores, para garantir a ética nos negócios. Mas a perceção dos gestores é de que a corrupção e o suborno ainda são prática comum. 
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 De acordo com um inquérito sobre fraude da consultora EY, 60% dos inquiridos em território nacional consideraram que as práticas de corrupção “ocorrem amplamente” nos negócios e no meio empresarial. Mais do que isso, quando questionados sobre se estariam dispostos a falsear informação financeira para atingir objetivos, 21% disseram que sim. Inquiridos sobre se pagariam subornos para ganhar ou manter um negócio, 12% responderam afirmativamente. Estas percentagens são bastante mais altas do que a média dos países da Europa Ocidental, de 6% e 10%, respetivamente.

“Portugal tem vindo a melhorar a sua posição, mas continua distante dos melhores países classificados neste inquérito”, sublinha Pedro Cunha, partner da EY em Portugal para a área de investigação de fraude e serviços de contencioso. 
No inquérito anterior, de 2015, tinham sido 82% os inquiridos que consideraram que as práticas de corrupção ocorriam amplamente nos negócios. Ou seja, Portugal passou do quinto país com a percentagem mais elevada, para o 19.o, o que demonstra, segundo Pedro Cunha, “uma crescente consciencialização da importância que estas matérias têm hoje na nossa sociedade”. 
O inquérito da EY revelou ainda que 30% consideram que a regulamentação teve um impacto positivo na dissuasão de comportamentos menos éticos e 91% concordaram que um aumento das ações legais contra pessoas singulares ajudaria a diminuir a fraude, suborno e corrupção. 
Apesar da melhoria registada por Portugal, o responsável da EY considera que “os resultados do inquérito mostram que existe ainda um longo caminho a percorrer”. 
As empresas devem “criar os mecanismos necessários para apostar numa comunicação regular, quer através de formação, de newsletters ou jornais, de modo a procurar consciencializar e sensibilizar, não só colaboradores internos como entidades terceiras sobre comportamento ético e íntegro”, afirma Pedro Cunha. 
Há empresas que têm canais de denúncia, mas os números indicam que apenas 14% dos inquiridos portugueses afirmaram saber da sua existência. “É de extrema importância para as empresas dotar os colaboradores de meios para que os mesmos denunciem alegados comportamentos menos éticos.”

* Os gestores  terão sempre a esperança de ver um hipotético processo em que sejam arguidos, devidamente arquivado.


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EM MARÇO NA
  "DELAS"


Desafio: 30 dias de sexo

O site australiano Stay at Home Mum, que se apresenta como uma plataforma de informações para mães reais, concebeu o desafio que quer aumentar a libido, a autoestima e a alegria lá em casa.

Mas deve ou não fazer-se sexo todos os dias?
Mais a sério, são múltiplos os estudos que apontam nesta direção, mas também os há que indicam a direção contrária. Dos que advogam a primeira teoria, ouvem-se bem longe os benefícios que apregoam: felicidade, alivio da dor e produtividade.

A dopamina é um dos principais ingredientes deste bem-estar. O sexo ativa a libertação deste neurotransmissor que promove a sensação de recompensa, tal como a cafeína ou o chocolate também trazem, lembra Timothy Fong, professor associado de psiquiatria da David Geffen School of Medicine.

Há depois a sensação do alívio de dores. Portanto, se lhe dói a cabeça, o melhor mesmo é… fazer sexo. De acordo com uma análise alemã de 2013, 60% dos inquiridos que diziam sofrer de enxaquecas e 30% dos que reportavam cefaleias, garantiam a sensação de alívio após a relação sexual.
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A ler com mais cuidado e com todas as precauções para os que não têm relações duradouras, uma investigação de 2002 – levada a cabo na Universidade de Albany e que estudou 300 mulheres – concluiu que quando fazem sexo sem preservativo têm tendencialmente menos sintomas de depressão. Para os investigadores, a presença de estrogéneo e de prostaglandina no sémen, e que podem ser absorvidos, têm aquelas propriedades.

A Associação Portuguesa do Sono alertou recentemente para a importância do sexo nas noites bem dormidas, vincando que as práticas não geram efeitos iguais em homens e mulheres. O presidente daquela entidade, Joaquim Moita, contou ao Delas.pt que quem dorme melhor, tem mais apetência sexual e melhor sexo. Mas, no caso das mulheres, nem sempre ter sexo antes de dormir favorece um sono descansado. Leia em detalhe aqui.

Orgasmo é “encontro com Deus”
A religião não se demarca deste tema. O sacerdote polaco Ksawery Knotz veio defender que o sexo “é um caminho para chegar a Deus”. No livro ‘Apóstolo do Kama Sutra’, o autor defendeu que “os casais podem demonstrar o seu amor de todas as formas possíveis, incluindo o estímulo oral”.

Por ser também professor de educação sexual, Knotz – que dá aulas a casais no mosteiro de Stalowa Wola, no sul da Polónia – ensina, e consta no livro, que “todo o ato, carícia ou posição sexual que tem como objetivo a excitação do cônjuge é permitido, e agrada a Deus. Durante o sexo, o casal pode demonstrar seu amor de todas as formas possíveis, e dar um ao outro as carícias mais desejadas”, defende o sacerdote no livro. E vai mais longe, defendendo que o orgasmo é o “encontro com Deus no Céu”, crendo que “o amor de um casal, com expressão no sexo, aproxima o corpo humano do Paraíso”.

Conhecido como o apóstolo do Kama Sutra católico, o padre lembra que se o criador permitiu que os casais sentissem prazer físico e espiritual, então tal seria uma herança que deveria ser respeitada e promovida. Estes e outros ensinamentos sobre família, amor e sexo podem ser encontrados no site da sua autoria – apenas em polaco – e que pode consultar a partir daqui.

Sexo uma vez por semana chega?
Apesar de a prática frequente de relações sexuais estar associada a maior boa disposição, a ligação parece não ficar reforçada se a base com que se parte é a de ter sexo uma vez por semana.
De acordo com o estudo levado a cabo junto de 30 mil americanos ao longo de quatro décadas, “é importante manter uma conexão íntima com o parceiro, mas para que tal aconteça não é preciso fazer sexo todos os dias”, diz a coordenadora da investigação Amy Muise, psicóloga social e pós doutorada da Universidade de Toronto-Misissauga. A análise focou-se sobretudo em casamentos heterossexuais e relações duradouras.

Num outro estudo bianual liderado pela Universidade de Chicago – e mais amplo do que apenas sobre sexo -, homens e mulheres falam em estilo de vida mais feliz quando o sexo é frequente, mas reportam a existência de uma média semanal. Esta investigação, conhecida pelo General Social Survey (1989 to 2012) passou pelo acompanhamento de 25 mil americanos. Curiosamente, esta mesma investigação veio deitar por terra estereótipos como os homens gostam de fazer mais sexo do que as mulheres e que os mais velhos têm menos relações sexuais.

* Nós pensamos o sexo como a porção mágica da vida.

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Os exemplos sustentáveis 
do Japão e as metas da ONU



FONTE: EURONEWS


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HOJE NA
"SÁBADO"

Já se faz hipnose nos
 hospitais portugueses

Um centro de pesquisa inédito altera estados de consciência pela meditação guiada e simula o túnel de quase morte

À medida que percorre um túnel imaginário, Mário Simões  cruza-se com os antepassados e visualiza os avós quando eram jovens. A luz branca desta passagem quase mística torna-se cada vez maior, ocupando todo o espaço de visão. Sente-se sereno, perde a noção do espaço e do tempo. Até que alguém conta até quatro: acorda e regressa ao estado inicial. Os papéis invertem-se: um dos maiores especialistas nacionais em hipnose clínica é induzido, numa sala, por um hipnoterapeuta. 
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A experiência-limite é a de quase morte, simulada em meia hora, tal e qual os relatos de quem passou por ela - e sobreviveu. O médico não ouviu músicas celestiais, como tantas vezes dizem. Mas o despertar é unânime. "Os efeitos são fantásticos. Há uma mudança de comportamento destas pessoas, tornam-se mais espirituais", explica à SÁBADO o psiquiatra de 67 anos, desde os 18 fascinado pela Parapsicologia científica. "Comecei a fazer isto há quase 10 anos, induzindo plateias de 100 pessoas. É possível em grandes grupos, já fiz com colegas médicos e em encontros de Psicologia Transpessoal."

A comunidade científica por vezes não o entendeu, mas Mário Simões distanciou-se sempre da hipnose de palco (a dos programas de entretenimento de efeitos duvidosos). "Nunca hostilizei os colegas. Aceitei as críticas sem ser militante." E aliou estas áreas de fronteira às suas consultas e congressos.

Mas faltava dar o salto para a investigação científica: um think tank, credenciado, que disseminasse este campo, um laboratório onde a hipnose clínica, a meditação e a imaginação guiada estivessem inseridas nas pesquisas.

O sonho de Mário Simões começou a ganhar forma entre 2012 e 2013, em parceria com a fundação Bial. As instalações de 50 m2, inauguradas em 2015, são no mesmo edifício onde dá aulas de Psiquiatria e de Introdução às Ciências da Consciência: a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa cedeu o espaço, paredes-meias com o hospital de Santa Maria. Um casamento improvável no meio académico. "Pelo menos com esta abertura, é sem dúvida pioneiro em Portugal."

O nome, LIMMIT, traduz o esforço: não só é a sigla de Laboratório de Interacção Mente-Matéria de Intenção Terapêutica, como faz alusão às experiências limite que ali nascem - cerca de 15 em duas salas, num corredor labiríntico do edifício.

Transmissão de pensamentos
Com 15 colaboradores, uma extensão no hospital de Castelo Branco, outra na Universidade dos Valores, em Mafra, e quatro projectos em curso, o LIMMIT além de reproduzir o túnel de quase morte em pessoas saudáveis, testa outras áreas. Exemplo: transmissão de pensamento à distância entre dois voluntários - o emissor tenta influenciar positivamente o receptor na melhoria de uma tarefa, sem interacção directa. A três quilómetros, o segundo só sabe em que momento o emissor começa a transmitir a sua intenção quando os investigadores recebem um "ok" por telemóvel, para iniciar o processo. Os resultados, monitorizados por um electroencefalograma, têm sido os pretendidos.

A felicidade está subentendida nas pesquisas do LIMMIT, atesta o projecto de Jorge Emanuel Martins, 30 anos, chefe deste laboratório, médico e doutorando em Neurociências. "Estamos a usar redes de proteínas para medir um determinado estado cognitivo", diz o cientista à SÁBADO.

Será que a felicidade, quando induzida através de boas memórias, interfere na composição proteica da saliva? A indução é feita a uma amostra de 128 participantes, através de meditação guiada. "A ideia é caracterizar o indivíduo saudável, ao nível molecular. Caso haja fundo de investigação, alarga-se o estudo a patologias."

Outra actividade passa pelo movimento criado por Mário Simões e pela psicóloga Marisa Oliveira: os agentes activos da felicidade, inseridos numa psicoterapia breve. A Psicologia Positiva é transmitida em estados alterados de consciência, atingidos por relaxamento, meditação guiada, hipnose e exercícios respiratórios. O voluntário entra neste ecossistema - com léxico e práticas próprias - e aplica-o no quotidiano.

"Inicia o que na Psicologia Positiva se diz optimismo aprendido. Depois vem a etapa da esperança. A seguir re-significa positivamente o seu passado para atenuar traumas. Segue-se a fase de 'o corpo fala' [zonas em sofrimento devido a maus hábitos]", diz a psicóloga e depois o perdão e a gratidão, a que a co-autora chama "plus". "São itens mais subtis. Estudos dizem que manter um diário de gratidão [três pequenos apontamentos diários] por 30 dias atenua uma depressão leve e o nível de ansiedade diminui." Por fim, a metamorfose: "O processo em que a borboleta ainda não o é e tem de repensar todas as outras fases. E ou voa ou recua." Se voar muda de comportamento e de perspectiva de vida.

Projecto de uma cidade feliz
E se profetizassem esta mudança numa cidade de 30 mil habitantes? Marisa Oliveira lançou a proposta a um município da Beira Baixa e aguarda resposta. Já tinha aplicado o modelo no Brasil, a 500 alunos (de 10 a 12 anos) de Caeté, a 70 km de Belo Horizonte. Melhoraram comportamento, cidadania e o sucesso escolar.

Rosário Mexia, 61 anos, é adepta da corrente. A médica-dentista e docente na Faculdade de Medicina de Lisboa defendeu, em Fevereiro, a tese de doutoramento, em que analisou dores ósseas e musculares provocadas pela profissão - os dentistas têm altos níveis de stress . Quis relacionar estes parâmetros com escalas de felicidade. Concluiu que o stress está associado à felicidade variável, mas não à autêntica e durável. A escala da felicidade-padrão da tese inspirou-se nos ensinos do monge budista Matthieu Ricard, declarado o homem mais feliz do mundo pela Universidade de Wisconsin: o seu cérebro tem a área responsável pelas emoções de felicidade muito desenvolvida. Rosário visitou-o no Nepal. Nunca mais quis estudar outra coisa.

* Ainda não há milagres, mas longe  dos ruidosos bufarinheiros religiosos a ciência  está muito perto.

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Tortilha de Batata


De: Necas de Valadares
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HOJE  NO
"A BOLA"

Portugal bate Ucrânia e ganha acesso ao play-off para Grupo Mundial da Taça Davis

Portugal conseguiu a qualificação para o play-off de acesso ao Grupo Mundial da Taça Davis, depois de João Sousa ter batido o ucraniano Artem Smirnov, conquistando o terceiro e decisivo ponto para Portugal (3-1).
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Sousa venceu pelos parciais de 7-6 (7-3), 7-6 (7-2) e 6-2 no quarto encontro da segunda eliminatória do Grupo I da zona euro-africana. Este ponto foi decisivo depois a dupla nacional ter perdido ontem o encontro de pares.

Esta é a apenas a segunda vez que a seleção nacional vai disputar o acesso ao Grupo Mundial, que se jogará em setembro, o que não acontecia desde 1994.

O quinto e último encontro seria entre Gastão Elias e Nikita Mashtakov, mas com a eliminatória decidida houve alterações e entrou Pedro Sousa por Portugal e Illia Biloborodko pela Ucrânia.

* Muito desejamos o ténis português no topo, um dia será viável dada a evolução dos resultados nos últimos anos.

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QUASE PROFISSIONAIS
















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