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Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
04/04/2025
AGOSTINHO ABRUNHOSA
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Planear para que nada aconteça
Os ciberataques tornaram-se uma ameaça invisível e constante, impondo custos significativos a acionistas, clientes e gestores. Um estudo de 2023, com 6700 líderes em 27 mercados, mostrou que 85% dos participantes considera que as suas organizações não estão bem preparadas para um ciberataque. Entretanto, as regulamentações NIS2 e DORA impõem às empresas e aos administradores práticas rigorosas de gestão do risco e segurança cibernética.
À medida que a digitalização avança, implementar estratégias robustas de segurança da informação deixou de ser opcional – é essencial para a sobrevivência e resiliência das empresas no cenário atual. No caso português, com predominância de micro, pequenas e médias empresas com parcos recursos técnicos e de conhecimento, isso ainda é mais preocupante.
O planeamento da cibersegurança pode começar com a identificação dos riscos e a avaliação do seu possível impacto, etapas que permitem reconhecer ameaças potenciais e avaliar possíveis consequências. Com base nessa análise, é possível identificar opções de resposta adequadas para mitigar ou evitar os riscos identificados. Em seguida, desenvolve-se um plano de continuidade de negócio, detalhando procedimentos e recursos necessários para assegurar a continuidade das funções críticas durante e após incidentes.
A preparação implica criar políticas e procedimentos claros para identificar e responder a eventos de segurança. Isto inclui, por exemplo, a formação contínua das pessoas, políticas de backups regulares bem estruturadas e segundo a regra do 3-2-1, ou seja, três cópias diferentes, dois formatos distintos e um fora das instalações. É crítico fazer avaliações regulares de vulnerabilidades e a implementação de medidas preventivas, como firewalls e sistemas de deteção de intrusões.
Nesta fase, é preciso identificar as joias da coroa em termos de dados, ou seja, aqueles que são core para o negócio e que devem ser preservados a todo o custo. Também é importante pensar nos serviços técnicos especializados externos a quem se possa recorrer na crise.
Um plano de resposta a incidentes detalha as ações específicas a serem tomadas em caso de ataque cibernético, quem faz parte da equipa de resposta ao incidente e como a mesma é organizada. As principais etapas do plano incluem: deteção rápida; medidas de contenção e isolamento imediato das ameaças; remoção dos elementos maliciosos dos sistemas afetados; restauração segura e monitorizada das operações normais. Em caso de ataque é importante fazer uma análise forense para identificar os vetores de ataque, que sistemas foram comprometidos, que informação pode ter sido roubada, identificar as lições aprendidas para aprimorar futuras respostas e fortalecer a segurança.
O papel da gestão de topo
A gestão de topo desempenha um papel central na proteção da informação, sendo responsável por estabelecer uma cultura de segurança robusta e implementar estratégias eficazes de cibersegurança, como o modelo de zero trust. Isso inclui a definição de políticas claras de segurança, alinhadas com a estratégia e objetivos da organização, assegurar a criação de planos de resposta a incidentes, a identificação e gestão dos riscos e a garantia de conformidade com a lei. O governo eficaz da segurança da informação é essencial para proteger os ativos e assegurar a continuidade. Muitas vezes é informação pessoal de clientes ou fornecedores que, sendo roubada, tem sérias implicações legais.
A alta direção deve assegurar a disponibilidade de tecnologias avançadas de segurança, como firewalls, sistemas de deteção de intrusões e soluções de monitoramento contínuo. A formação contínua dos colaboradores em práticas seguras e a contratação de profissionais especializados reforçam a postura de segurança da organização.
É imperativo que a gestão de topo aloque os recursos financeiros e humanos necessários para essas iniciativas, reconhecendo que os investimentos em segurança são compensados pela mitigação de riscos e prevenção de perdas financeiras e reputacionais significativas no futuro. A promoção de uma cultura organizacional que priorize a cibersegurança é outra responsabilidade crucial da liderança. Isso envolve a consciencialização e a formação regular dos colaboradores sobre as melhores práticas e políticas de segurança.
* Associate Dean da AESE Business School
IN "DINHEIRO VIVO" - 01/04/25.

putin é um canalha