segunda-feira, 22 de maio de 2017

.
HOJE  NO 
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Portugal é “chão que dá metal” 
no investimento estrangeiro

A metalurgia e metalomecânica, que já era o sector mais exportador da economia nacional, começam a consolidar-se como destino de investimento para empresas internacionais que fabricam desde peças para automóveis até sanitários em inox.

Portugal entrou no radar do investimento estrangeiro no sector da metalurgia e da metalomecânica. Nos últimos dois anos houve mais de duas dezenas de empresas de capital estrangeiro a instalarem-se, sobretudo, nos distritos de Viana do Castelo, Porto e Aveiro, provenientes desde a vizinha Galiza até à Índia e especializadas em diferentes segmentos. 
 .
Só na área do fornecimento da indústria automóvel, dez novas unidades abriram neste período no Alto Minho, a maior parte delas para abastecer a fábrica da PSA (Peugeot e Citroën) em Vigo. Também a saltar a fronteira estão várias empresas de França – mercado forte nas peças técnicas de alto valor acrescentado –, incluindo de pequena e média dimensão, dedicadas à subcontratação industrial. Tal como na Galiza, a instabilidade laboral é um dos factores que tem levado algumas unidades francesas a transferir a produção.

É o caso da multinacional Eurocast, que abriu em Arcos de Valdevez uma primeira unidade dedicada à fundição injectada de alumínio para componentes automóveis e que investiu mais 50 milhões de euros numa outra em Estarreja, inaugurada este mês, que é a maior do grupo francês. Caminho similar está a seguir a indiana Sakthi, que já explora na Maia a maior fundição em solo português, e que está a aplicar 30 milhões de euros na construção de uma segunda fábrica em Águeda, onde vai gastar mais energia do que o resto do concelho em conjunto.

A Joinsteel, criada em 2015 em Arouca, resultou, por outro lado, de uma parceria entre a JPM, empresa de automação e equipamentos industriais de Vale de Cambra, e a belga Timmerman, de sistemas de ventilação e arrefecimento para a indústria. Além de "joint ventures" e novas empresas, tem havido compras de estruturas portuguesas, pelo saber e reputação no mercado. Foi o que fez a francesa Delabie com a Senda, fabricante aveirense de sanitários e acessórios em inox. O próximo investimento internacional no sector, que já é o mais exportador (14.600 milhões de euros em 2016), pode chegar do Japão, sede da Denso, que já detém o grupo João de Deus & Filhos.

A par da qualificação dos trabalhadores, da ligação às universidades e da qualidade de vida das cidades, um dos factores de atractividade apontados pela associação do metal (AIMMAP) é a "qualidade, rapidez de resposta e grande versatilidade" da indústria portuguesa. Como é que ela lida com mais concorrência à porta de casa? "Sofre apenas pela questão da mão-de-obra, que já é escassa e tem de ser partilhada por mais. Faz rapidamente negócio com os estrangeiros que aqui se instalam, que são normalmente excelentes clientes", responde Rafael Campos Pereira.

E se antes "era cada um por si, a querer recolher os louros", o porta-voz da indústria identifica nos anos mais recentes "um esforço articulado – ou, pelo menos, não atabalhoado – para ganhar investimentos". Como o da Vestas, fabricante dinamarquesa de aerogeradores para parques eólicos, que se prepara para investir dez milhões de euros num centro de desenvolvimento tecnológico no Porto.

Março com recorde nas exportações

Mil quinhentos e quarenta e três milhões de euros. É este o valor mensal mais alto de sempre a ser exportado pela indústria metalúrgica e metalomecânica e foi alcançado em Março. Representou uma subida de 22% face ao mesmo mês de 2016 e contribuiu para um crescimento homólogo de 16% no primeiro trimestre. Espanha continua a ser o melhor cliente e a aumentar as compras, mas o maior destaque vai para os EUA – onde as empresas não estão a sentir o efeito Trump – e também para a Alemanha. Este, que é o segundo maior destino, interrompeu em Março um período de decréscimo que se arrastava desde o ano passado, quando algumas marcas automóveis começaram a deslocalizar fábricas para a República Checa ou Eslováquia. E "embora seja prematuro retirar conclusões", diz Rafael Campos Pereira, em Março as exportações voltaram a crescer em Angola, o que não acontecia há dois anos.

* Esta notícia é boa mas vem-nos à lembrança a indústria metalúrgica portuguesa do  final do secXX, obrigada a fechar por causa dos subsídios.

.

Sem comentários: