sexta-feira, 16 de junho de 2017

JOSÉ MANUEL RIBEIRO

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O sacrifício final 
de André Silva

O dinheiro manda, mas o Milan está longe de ser o clube mais reconfortante para o ponta de lança/milagre da Seleção 

Desde ontem, a Seleção é o porto seguro de André Silva. Em circunstâncias normais, ou seja, podendo o FC Porto ser esquisito no negócio, a transferência para um clube doente como o Milan seria uma maldade que lhe faziam. 

Nos dias que correm, o Milan não é o pai adotivo, nem a mãe, a quem Portugal gostaria de entregar o seu ponta de lança/milagre, o bebé nacional que abre horizontes e que ainda vigiamos com cuidado, por medo de que lhe venha a falhar um passo. 

Para o Milan, André Silva são quarenta milhões de euros, cambiáveis em x golos que terão de ser marcados. Para a história do futebol português, é o primeiro ponta de lança contratado por um gigante europeu (o mais próximo foi Pauleta, mas o PSG era outro). 

Era a única posição em campo que faltava na rota da seda entre Benfica, FC Porto, Sporting e os tubarões de Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha: a última peça do grande puzzle, depois do Euro"2016. Portugal/produto de qualidade está completo; quanto a André Silva, não sabemos. 

Até agosto, vai escalar duas montanhas. Começará pela primeira fase final que joga com a Seleção (carregando as tais expectativas) e prosseguirá em Milão, num clube às apalpadelas, ainda mais confuso e perdedor do que o atual FC Porto. Apesar de tudo, será melhor do que o desterro russo no Zenit (a alternativa) e os 40 milhões de euros encerram uma folha de serviços imaculada no Dragão. 

O sacrifício final de um jogador que se especializou nisso.

IN "O JOGO"
12/06/17

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