quarta-feira, 7 de junho de 2017

LINA SILVEIRA

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Contrapor o terror

O terrorismo é um problema que não vê solução à vista desde o ataque às Torres Gémeas em 2001, deste traumatizante acontecimento que se procura soluções à escala global para combater o terrorismo. O terrorismo tem mudado a sua forma de atuar, mas sempre com o propósito de matar em massa, de provocar medo, destabilizar e pressionar governos e atacar o modo de vida “ocidental”. O primeiro impulso de combate global foi a via bélica - ao mesmo nível do problema – pós 11 de Setembro. No entanto a questão só se agravou por essa via. O terrorismo ganhou novas formas e globalizou-se ainda mais. Como prova o recente ataque em Manchester, que teve como alvo jovens e crianças, ao ataque em Cabul em frente à embaixada alemã, com mais de 80 vítimas mortais. A estratégia de eliminação do daesh tem de mudar, essa é cada vez mais a perspetiva global.

No dia 30 de Maio a Comissão do Parlamento Europeu para as Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos (LIBE) organizou, em Bruxelas, um debate aberto às entidades envolvidas na área do contraterrorismo e deu espaço à troca de ideias, meios e progressos.

Nesta iniciativa do LIBE houve espaço para a participação de entidades da alçada da UE e não só. Com a participação de representantes da Europol e da Frontex – agências de controlo de fronteiras e no combate ao crime organizado e terrorismo – assim como de outras organizações que combatem o crime organizado - como o Centro de Inteligencia contra el Terrorismo y el Crimen Organizado (CItCO), com sede em Madrid ou a divisão das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e Prevenção do Terrorismo. Procura-se em conjunto debater medidas que atinjam a fonte de sustento das redes terroristas, como seja o crime organizado, nas suas várias vertentes.

Na 29.ª cimeira bilateral entre Portugal e Espanha, que terminou dia 30 de Maio em Portugal, a cooperação transfronteiriça, para um combate mais eficaz ao crime organizado e ao terrorismo foi também um dos eixos centrais do debate. Firmou-se consensos do reforço de troca de informações e do controlo da fronteira ibérica.

Já se começa a encarar as medidas de “contra-ataque” ao terrorismo por outro prisma: a prevenção, o reforço de cooperação de informação entre países, ir à raiz da causa. Veicula-se agora mensagens, aquando da ocorrência de ataques como o de Manchester e Nice, mensagens de coragem e união. Uma resposta que contrapõe o medo e a violência que o daesh pretende perpetrar, invés de o tratar ao mesmo nível, pela violência.

Já se reconhece a necessidade urgente do reforço da troca de informação e uma monitorização partilhada e reforçada de casos de “risco”. Para que não se repita o drama de Manchester, em que os diversos avisos para a linha antiterrorista não bastaram para que se evitasse a morte de crianças e jovens.

Uma empresa de telecomunicações do Kuwait lançou em Maio um anúncio para assinalar o mês sagrado do Ramadão. Neste anúncio, sobreviventes de atentados, oriundos de diferentes países, desde o Kuwait à Jordânia, dirigem-se ao “potencial bombista suicida”. A música do anúncio é de amor, paz e de distanciamento da religião muçulmana do terrorismo. E termina com a seguinte frase: “Vamos atacar os ataques de ódio deles com canções de amor”. Uma mensagem que apela à paz e união dos povos. O vídeo já soma quase três milhões de visualizações só no Médio Oriente.

Albert Einstein afirmou “Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou” e bem se pode aplicar a esta questão. A união diplomática e de políticas comuns entre o Ocidente e o Médio-Oriente, com o reforço de políticas, tanto a nível de prevenção de cyberataques, como na gestão e asilo de refugiados, tal como o combate conjunto ao crime organizado, é essencial. O caminho para derrotar este flagelo global, que é o terrorismo, é pela união, de organizações governamentais, não-governamentais, e povos, sem deixar que provoquem uma guerra de civilizações, reduzindo-os ao que são (apesar do que se autointitulam): um grupo de criminosos.


* Lina F. Marques da Silveira é formada em Estudos Europeus e Política Internacional, com mestrado em Política Internacional do Centre Européen de Recherches Internationales et Stratégiques (CERIS) em Bruxelas. Conta no currículo com organizações como o Parlamento Europeu, a Bensaude SA. e a European Market Research Center (EMRC). A experiência profissional internacional proporcionou oportunidades de trabalhar na Guiné-Bissau, Uganda, Angola, Suíça, Holanda, Israel, entre outros.
Fundadora da plataforma de serviços PIC – Progress Inovation and Change (www.piccoaching.com), onde para além de serviços de Coaching oferece também serviços como consultora em projetos europeus, assim como de relações públicas e comunicação empresarial.
 
IN "AÇORIANO ORIENTAL"
06/06/17

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