sábado, 3 de junho de 2017

FÁTIMA ASCENSÃO

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Grande trampa!

Trump, um “impreparado”, contra-atacou com mais ódio. Visitar o Papa não lhe cria uma auréola de anjo

O mundo está uma grande trampa! Já ninguém se sente seguro em lado nenhum e sentimos que navegamos num barco sem rumo.

Os terroristas descobriram que os atropelamentos em massa são suficientes para criar o pânico nas pessoas. Por quê? Porque temos medo de morrer e, no nosso subconsciente, temos a perfeita lucidez de que todas as cidades e locais estão vulneráveis a este tipo de atuação.

A comunicação social, no seu papel de informar, dá-nos conta destes atos tresloucados. Consequência da globalização, acedemos à informação em tempo real.

Com o ataque suicida no Manchester Arena, os terroristas voltam a dizer-nos que não abdicam de nenhum método de violência. Estão dispostos a tudo. O seu ódio é tão cego que não se importam de organizar ataques cujos alvos são crianças e adolescentes.

Este clima de medo e de ódio está a contaminar todas as sociedades do mundo. Trump, um “impreparado”, contra-atacou com mais ódio. Visitar o Papa não lhe cria uma auréola de anjo.
Esqueceu-se que para comandar há que ter nervos de aço e usar sabedoria. Mas também todos se esquecem de que foi o ódio dos americanos face à situação interna do seu país que os fez votar por rebelião. E agora? Agora temos o Trump.

Também foi o ódio aos emigrantes, extensivo aos refugiados e a ausência de respostas da União Europeia face aos desafios, bem como o populismo político de alguns deputados britânicos que ditaram o resultado do Brexit. E agora? Agora o Reino Unido está perante uma crise política com ameaça de ser desmembrado.

A inteligência emocional ensina-nos a perceber as emoções e a reagir conscientemente e a analisar o impacto de certas atitudes nas reações das pessoas. É curioso que nos últimos tempos temos vindo a assistir a atos de violência extrema que conduziram à morte de algumas pessoas na nossa terra e que nunca pensamos que tal pudesse ocorrer.

Psicólogos já alertaram para o impacto de jogos violentos na formação da personalidade das crianças. O que todos se estão a esquecer, é que este mesmo princípio aplica-se à totalidade da população.
Todos nós estamos a ser vítimas do terrorismo porque estamos a ser influenciados. Quando se usa o ódio para combater ódio, ensinamos que é legítima a vingança. É o princípio - comportamento gera comportamento.

Entretando, no meio deste turbilhão de acontecimentos, a comunicação social apresenta-nos notícias que faz ter esperança no futuro, fazendo-nos pensar.

Sem qualquer dúvida, o protagonista desta semana foi Steve Jones, o sem-abrigo que prestou auxílio às vítimas do Arena Manchester. Vagueava nas imediações do concerto. Não tinha casa, nem carro, nem trabalho. Um excluído socialmente como tantos outros, numa sociedade igual à nossa. Esta 2.ª feira, foi à procura de moedinhas e acabou por nos dar uma lição de moral.

As suas declarações foram de um verdadeiro ser humano: “Não é porque sou um sem-abrigo, que signifique que eu não tenha um coração e que eu não seja um ser humano. Eles precisavam de ajuda e eu gostaria de pensar que alguém me ajudaria se eu precisasse de ajuda.” Acrescentou “Foi instinto. Foi lá e ajudei”. “Se eu não ajudasse, eu não seria capaz de viver com a minha consciência. Não podia virar as costas e sair dali para fora e deixar as crianças assim”.

Sem nada, voltou a dar tudo o que tinha – a sua ajuda.
Esta história teve um final feliz. Graças à sua humanidade, está a receber ajuda para recuperar a sua vida. Mas, se agora lhe estão a ajudar, porque não foi ajudado antes?

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA"
28/05/06


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