sexta-feira, 23 de junho de 2017

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HOJE NO 
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS/ 
/DA MADEIRA"

339 idosos sofreram quedas
 em 2016 no SESARAM

No ano de 2016 foram registadas 339 quedas de idosos no SESARAM, destas 18 com lesão severa/grave, dez resultaram em fractura do colo de fémur, revelou Ricardo Silva, enfermeiro supervisor do Hospital Dr. Nélio Mendonça e gestor do Projecto de Prevenção de Quedas, ontem, durante a apresentação nesta unidade de saúde. Desde 2007, quando começou este trabalho, até ao ano passado, foram contabilizadas 2.127 ocorrências deste tipo.
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A mortalidade de quem cai no primeiro mês é de 4 a 11% e sobe para 16 a 35% no primeiro ano, diz ainda o trabalho de análise de dados do enfermeiro. 17% ficam dependentes, mais de metade das pessoas que sofrem quedas passam a precisar de ajuda para caminhar e 30 a 35% perde a mobilidade. Um internamento por fractura do fémur representa um custo médio de 4.100 euros.

O maior número de quedas foi registado nas chamadas Unidades de Internamento de Longa Duração (Hospital João de Almada e o Atalaia), 46,6%. Daí também a recomendação para treino de equilíbrio nestas locais. Mas o maior índice de quedas, tendo em conta os dias de internamento, regista-se na Unidade de Cuidados Especiais, 3,06 comparado com o 0,91 do serviço anterior.

Os que mais caem são maiores de 75 anos, até aos 89; caem mais durante a manhã e caem sobretudo na enfermaria/quarto. A maioria dos utentes que caiu estava só, resultado também da falta de recursos humanos, referiu. 28 utentes caíram duas vezes. Um caiu seis.

O número de quedas notificadas em 2016 foi o maior desde que há registo, revelou Ricardo Silva. Isto não quer necessariamente dizer que mais pessoas caiam, pode querer dizer que mais pessoas registam a queda no sistema. O enfermeiro confessou ter medo dos serviços que apresentam zero quedas.

O projecto de prevenção de quedas foi iniciado em 2007, nesse ano foram notificadas 41. Agora ganha nova força agora com uma equipa própria que pretende dinamizar e promover estratégias de prevenção de quedas de utentes do SESARAM e nos idosos da região, em geral, um trabalho transversal que vai passar do hospital aos internamentos de longa duração, dos centros de saúde às casas das pessoas.

Nos hospitais são requeridas também algumas mudanças e melhoramentos, nomeadamente em termos de intervenções básicas de segurança. Ricardo Silva destacou por exemplo a renovação de equipamentos, como camas, que devem ser reguláveis, colocação de barras de protecção e colocação de antiderrapantes nas zonas de duche.

Deixar os corredores livres de obstáculo ou quando não é possível colocar os equipamentos apenas de um lado é outra das medidas sugeridas, juntamente com uma boa iluminação, objectos ao alcance fácil do doente e protecção durante o transporte. A colocação de alarmes e alertas consta da lista de sugestões.

As medidas preventivas devem ser tomadas de acordo com o grau de risco. Há uma lista de cuidados acrescidos para os doentes com elevado risco de queda. Colocá-los em área de vigilância da enfermagem e mantê-los amarrados com cinto quando sentados numa cadeira são medidas a adoptar.

Mais do que penalizar, importa corrigir o que está mal e por isso defendeu a promoção da notificação anónima. Com o actual sistema é possível apurar trimestralmente não apenas o número de quedas, como também as quedas repetidas, e as quedas por idade, o local, por grupo de risco, por intervalo de tempo ou turno, e o número de óbitos após queda.

O projecto pretende diminuir o número de quedas, as consequências clínicas para o doente e os custos em saúde, referiu Luísa Lopes, médica de medicina interna afecta ao Centro de Saúde de Gaula, que com Ricardo Silva, que com outros dois médios e duas enfermeiras constituem o núcleo duro. É lá que vai arrancar o projecto-piloto, um centro de saúde com poucos utentes, 800 deles com idade superior a 65 anos. Será de entre este será escolhida a amostra para trabalhar. O objectivo é depois estender a todos os concelhos da Madeira.

O projecto vai chegar não apenas aos idosos, mas igualmente aos cuidadores formais (contratados) e não formais (família e amigos), assim como aos profissionais de saúde que contactam com os idosos, nas casas, nos centros de saúde e unidades hospitalares.

O objectivo é avaliar o riso de queda, pelo menos uma avaliação por ano; promover a segurança do idoso na sua casa, aumentando o número de cuidadores formais e informais com formação, assim como a formação dos próprios idosos nesta área; melhoria das suas condições se segurança nas habitações, com avaliação dos factores de risco; e fazer uma avaliação clínica do idoso.

“Este programa surgiu na continuidade daquele que já existe no hospital do Funchal e que fez parte do programa para acreditação para a qualidade da nossa instituição”, referiu Pedro Ramos, á margem da apresentação. “E surgiu também numa sessão clínica aqui no hospital do Serviço de Ortopedia, sobre as fracturas nos idosos sobre os dinheiros e os custos que estas fracturas têm e o enorme peso na saúde pública que representa para a Região autónoma da Madeira e naturalmente que tínhamos de tomar medidas, e esta medida, a apresentação deste programa hoje é a consequência disso”.

O secretário regional da Saúde explica que o programa vai passar por visitas domiciliárias, recomendações, campanha nos media e por uma auscultação de quais são as necessidades, concelho a concelho, no sentido de ver qual o tipo de intervenção que a Secretaria Regional da Saúde deverá assegurar.

* Algo vai mal na prevenção de quedas de idosos na Região Autónoma da Madeira. 

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