sábado, 27 de maio de 2017

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ESTA SEMANA NA 
"VISÃO"

A arte de bem fugir à penhora

Uma imobiliária "despachou" para terceiros, em dois dias, sete imóveis de que era dona na Grande Lisboa, colocando-os assim a salvo de uma penhora decretada por um tribunal. Também é desconhecido o paradeiro de dois Porsches, um dos quais Panamera, que vale mais de €100 mil

Nos meios dos agentes de execução portugueses, é tida como uma operação de antologia. "Um leigo não imagina como é difícil conseguir 'transacionar' em dois dias, para os mais variados titulares e sociedades, sete prédios que valem milhões", diz à VISÃO um desses agentes. Mas a imobiliária KSHG-Real Estate Investments, Ld.ª, logrou fazê-lo recentemente, colocando a salvo, num par de dias, sete imóveis que detinha na Grande Lisboa, os quais se encontravam em risco de penhora.
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A DIRECÇÃO DOS VÍGAROS

Essa execução resulta de uma sentença da 1.ª Secção Cível da Instância Central da capital, que condenou a empresa a pagar um vultosa indemnização a uma ex-cliente, cidadã chinesa, que adquiriu por €510 mil dois apartamentos num edifício da Rua Braamcamp, no centro de Lisboa, em busca do visto dourado, mas cuja escritura nunca se concretizou - notícia já dada pela VISÃO.

Neste momento, por ordem judicial, a execução ascende a cerca de €1 100 000, com juros a somarem diariamente. A KSHG-Real Estate Investments, Ld.ª, propriedade de um casal de empresários de Macau, tem um grande movimento de capital e trabalha quase em exclusivo com cidadãos chineses que pretendem investir em Portugal para a obtenção do visto gold. A imobiliária, por exemplo, foi notícia em 2015 quando, em apenas três meses, adquiriu imóveis em Lisboa por quase dez milhões de euros à Estamo, empresa da Parpública incumbida de gerir o património do Estado, de forma a rentabilizá-lo. Estava também muito ativa, desde 2013, na compra de património à autarquia da capital.

Mas, agora, os agentes de execução penhoraram duas contas bancárias da KSHG-Real Estate Investments, Ld.ª e o que lá encontraram foram "valores ridículos para o tipo de empresa que é", diz fonte bem informada. Na lista de penhoras estão igualmente nove automóveis topo de gama. No entanto, quanto aos documentos da maioria dos veículos, os funcionários interpelados pelos agentes de execução na sede da imobiliária, ao Campo Grande, em Lisboa, disseram nada saber sobre o seu paradeiro. Aliás, afirmaram desconhecer quase tudo e recusaram-se a assinar qualquer documento. E sobre a possibilidade de contacto, mesmo telefónico, com um responsável da empresa, foi alegado o obstáculo da falta de tradutor.

Há dias, à porta da sede da KSHG-Real Estate Investments, Ld.ª, observou-se uma equipa de quatro agentes de execução numa operação de espera na rua. Quando viam um automóvel da empresa que constásse na lista de penhoras, a sair ou a entrar na garagem do edifício, colocavam-se à frente do veículo e apreendiam-no. E assim conseguiram "imobilizar" (como dizem os agentes de execução na sua linguagem técnica) quatro automóveis da imobiliária. Difícil, como já se referiu, é chegar aos documentos dos veículos.

Os agentes de execução estavam (e estão) sobretudo de olho em dois Porsches que se encontram na "lista negra", um dos quais Panamera, que vale mais de €100 mil. Mas essas bombas parecem ter levado sumiço. Aliás, apenas uma garagem, de valor patrimonial reduzido, ainda foi localizada em nome da KSHG-Real Estate Investments, Ld.ª. Provavelmente, houve aqui uma distração.

* Estes FdP aprenderam bem com outros da mesma igualha que mandaram nisto tudo.

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