sábado, 24 de junho de 2017

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  HOJE NO
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
A advogada que escapou aos nazis e
.agora derrotou os ultraortodoxos

Tribunal de Jerusalém deu razão a Renée Rabinowitz e obrigou a companhia aérea El Al a rejeitar pedidos de ultrarreligiosos para trocar de lugar quando sentados ao lado de mulheres.

Renée Rabinowitz tem 81 anos. Viúva de um rabino, a antiga advogada, cuja família fugiu da Europa para os EUA nos anos 40 para escapar à ocupação nazi, não dispensa a ida à sinagoga e a comida kosher. Mas isso não impediu esta avó, cujos joelhos obrigam a usar uma bengala, de desafiar os judeus ultraortodoxos, ao apresentar uma queixa contra a El Al, contra a política da companhia aérea israelita de pedir às mulheres que mudem de lugar quando sentadas ao lado de um judeu ultraortodoxo. Agora, o tribunal deu-lhe razão e obrigou a companhia a emitir uma ordem que considere estes pedidos ilegais. Renée vai receber uma indemnização de 6500 shekels (1640 euros).
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Renée, que em 2000 trocou Nova Iorque por Israel, estava tranquilamente sentada, no inverno de 2015, no seu lugar na coxia na classe executiva do voo 028 da El Al entre Newark e Telavive quando surgiu um homem de uns 50 anos, de chapéu negro, da mesma cor do fato, e barba comprida. O lugar dele era o da janela, na mesma fila de Renée. E como acontece muitas vezes com os praticantes do judaismo mais ortodoxo, recusou sentar-se ao lado de uma mulher que não seja a sua. Tudo para evitar qualquer contacto que possa provocar uma atração extramarital - um conceito conhecido na lei judaica como negiah.

Rapidamente surgiu uma assistente de bordo, que propôs a Renée um lugar melhor, à frente, junto à primeira classe. A ex-advogada aceitou, de forma relutante. Mas acabou por processar a El Al. "Apesar de todos os meus feitos - e a minha idade é um feito - senti-me diminuída", disse na altura ao New York Times. "Aquele homem não tinha outra razão de queixa além do meu género - e isso é discriminação. Não é diferente de uma pessoa de outra religião que não se queira sentar ao lado de um judeu", explicou.

Renée estava decidida a não deixar passar essa "humilhação" em branco. Por isso levou o caso aos tribunais, com o apoio legal do Israel Religious Action Center - um grupo ligado ao Movimento pelo Judaísmo Progressista. O tribunal de Jerusalém considerou agora que ao aceitar os pedidos dos passageiros ultraortodoxos para que as mulheres mudem de lugar, a companhia aérea está a violar as leis antidiscriminação. "Sinto-me bem pelo facto de a El Al ter de dizer aos haredim (os judeus ultraortodoxos) que queiram forçar as mulheres a mudar de lugar que não o podem fazer e que os assistentes de bordo também não", explicou Renée na rádio israelita citada pelo Times of Israel.

Profundamente religiosos, os haredim representam perto de um milhão dos 8,5 milhões israelita (que incluem 1,5 milhões de árabes). Mas a sua elevada taxa de natalidade - quase sete filhos em media por mulher - faz com estudos a estimarem que em 2059 representem um terço da população.
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Nos últimos anos multiplicaram-se os casos de judeus ultraortodoxos que recusaram sentar-se ao lado de uma passageira, alguns obrigando o avião a ficar parado na pista e adiando a descolagem. Mas poucos incidentes tiveram tanta atenção como o de Renée. Desde que veio a público, foram enviados mais de 7500 emails para a El Al a exigir que ponha fim à sua política de troca de lugares.

Passageira frequente dos voos da El Al entre Israel e EUA, onde tem família, Renée não gosta de ser ver como uma "cruzada", mesmo se admite ter sido "perturbador". E saúda a decisão da juíza, que soube "perceber que não era uma questão de dinheiro, era uma questão de levar a El AL a mudar de política". Esta é uma mulher que já passou por muito. Nascida na Bélgica dos anos 30, escapou ao Holocausto ainda criança. Primeiro a família foi para Cuba, antes de seguir para os EUA. Licenciada em Psicologia Educacional, mais tarde estudou Direito, tendo exercido até à reforma, há 17 anos.

* GRANDE SENHORA! Grave é perceber que a El Al tem deferências com os ultra-xenófobos judeus, tão maus como os nazis.

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