quinta-feira, 22 de junho de 2017

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HOJE NO 
"JORNAL DE NEGÓCIOS"
Horta Osório: 
Crédito malparado é principal 
problema da banca portuguesa

O presidente do britânico Lloyds Bank, António Horta Osório, considerou hoje que o crédito malparado é o principal problema dos bancos portugueses e que é necessário resolvê-lo para libertar capital e financiar a economia.

Num almoço-debate hoje na Câmara de Comércio, em Lisboa, o gestor considerou que "os problemas que o sector financeiro tinha há três anos em termos de solvência melhoraram muito" e recordou os recentes aumentos de capital da Caixa Geral de Depósitos e do BCP e a compra do BPI pelo espanhol CaixaBank, que ajudaram a aumentar a solvabilidade da banca portuguesa.
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Contudo, acrescentou, "falta resolver outro problema", o do crédito malparado e em risco, recordando que os 'non-performing loans' (termo em inglês usado na gíria do sector) face ao crédito total estão, em Portugal, acima da média europeia.

Para Horta Osório, os activos de crédito malparado "deviam ser vendidos a quem pode tomar conta deles", para os bancos poderem libertar, reciclar capital para "emprestarem a quem precisa".

O presidente do grupo bancário inglês Lloyds Bank destacou que o problema é ainda mais necessário de resolver quando o malparado representa a "quase totalidade dos capitais próprios" dos bancos.

O elevado nível de crédito malparado nos bancos em Portugal tem dominado as preocupações sobre o sector, até porque diminui a capacidade de a banca emprestar dinheiro à economia, sendo frequentemente referido pelas agências de 'rating' como uma das causas para a baixa notação atribuída a Portugal.

A necessidade de criação de um 'veículo' para retirar crédito malparado e em risco do balanço dos bancos há já alguns anos, tem sido muito falada.

No início do mês, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou no Parlamento que houve uma reunião entre o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal (BdP) e os três maiores bancos que visa preparar uma solução para o crédito malparado.

Da parte dos bancos, vários presidentes de instituições têm afirmado que um veículo especificamente para o malparado não é necessário, mas caso seja criado irão avaliar se vale a pena recorrer a ele.

Horta Osório é líder do Lloyds Banking Group, banco que foi resgatado pelo Tesouro britânico em 2009, quando o Estado inglês ficou com uma participação de mais de 40% no banco.

O Tesouro britânico anunciou em Abril deste ano que já recuperou o total do investimento feito no banco, de 20,3 mil milhões de libras (cerca de 24,4 mil milhões de euros).

* O crédito malparado da banca portuguesa é fruto de campanhas absurdas de "entregas" de dinheiro a pessoas que não tinham o mínimo de hipóteses de cumprir as obrigações perante os bancos. Era uma manobra forjada para encobrir vigarices orquestradas pelos banqueiros que conhecemos.
Horta Osório, um dos poucos enormes crânios da alta finança mundial, tem razão no que diz mas não põe o dedo na ferida, teria de denunciar os seus pares portugueses.

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