sábado, 6 de maio de 2017

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HOJE NO 
"RECORD"

Reação tocante de Buffon a arrasar 
quem ofendeu memória das vítimas
 da tragédia do Torino

A Juventus pode celebrar o título da Serie A neste fim-de-semana, mas a receção ao Torino neste sábado (19h45) fica desde já marcada por actos de desrespeito pela memória das vítimas do acidente de Superga, a 4 de maio de 1949, no qual morreu toda a comitiva do Toro que regressava a Turim depois de um particular com o Benfica. As frases pintadas no muro que ladeia a estrada perto do local mereceram uma resposta arrasadora por parte Gianluigi Buffon, guarda-redes da Vecchia Signora, que considerou que os autores das ofensas estão "mais mortos do que os mortos".
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"Num dia lindo após a nossa vitória [sobre o Monaco, na Liga dos Campeões], o meu pensamento está com os nossos parentes do Toro, com os seus adeptos e com aqueles gloriosos jogadores que encheram de orgulho toda uma nação e todos os tifosi granata. Honra aos grandes campeões do Grande Torino e perdão para os que se mancharam a si mesmos com actos injustificáveis, que de vós fizeram troça e vos desrespeitaram quase 70 anos depois", começa por lembrar o capitão de equipa de Juventus na extensa mensagem que escreveu nas redes sociais.

"Os mortos estão mortos e não incomodam ninguém. Devem ser deixados em paz e ser respeitados, mesmo se foram o mais feroz que pode ser um inimigo ou rival. Porque os mortos têm mulheres, filhos, netos e é inumano provocar-lhes mais sofrimento atroz depois do que já passaram. Viva a rivalidade, vida a brincadeira, viva a rivalidade local, viva o desportivismo, viva a vida, com todos os seus ricos sentimentos, alguns nobres, outros nem tanto. Mas quando se escrevem coisas indignas e inoportunas, provavelmente sem noção, é porque se está mais morto do que os mortos", prosseguiu, recordando depois os adeptos da Juve que morreram no Heysel Park, a 29 de maio de 1985, onde teve lugar a final da Taça dos Campeões Europeus, frente ao Liverpool:

"Ainda hoje me magoa e irrita quando os nossos 39 anjos de Heysel são torturados: não nos corrompamos cometendo os mesmos crimes. Somos humanos. Temos de ser diferentes se queremos deixar algo duradouro e construtivo. Não nos podemos contentar em ser vis e medíocres. Em determinadas situações, é melhor ser vítima do que carrasco, porque os carrascos serão condenados em vida a rastejar no inferno das suas existências vazias."
"Adeptos da Juve, dirijo-vos esta mensagem porque sei que tenho o direito de o fazer depois de tudo o que partilhámos. Adeptos da Juve, façam com que me sinta verdadeiramente orgulhoso de vocês, porque se acreditamos que o estilo da Juve é representado pelos valores que nos caracterizam, é inconcebível profanar e violar a sensibilidade dos que sofreram e continuam a sofrer", encerrou.

* A lição de humanidade de Bufffon!

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