quinta-feira, 20 de abril de 2017

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HOJE NO  
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Menos chuva leva a queda de 15% da produção da EDP em Portugal e Espanha

No início de 2016, a produção hídrica representava mais de metade da produção eléctrica. Um ano depois, fica atrás do carvão e nem chega a corresponder a um terço da electricidade total produzida.

A (falta de) chuva prejudicou os primeiros três meses do ano para a EDP. Esta é a principal justificação para a queda de 15% da produção de electricidade por parte da EDP em Portugal e em Espanha.
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No mercado ibérico, "a produção total diminuiu 15% no primeiro trimestre de 2017 face ao primeiro trimestre de 2016, reflexo da diminuição dos recursos hídricos". Segundo os dados previsionais enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a produção total foi de 9.079 gigawatts/hora quando, um ano antes, se situava acima de 10.632 gigawatts/hora.

Observando a origem, a produção hídrica da empresa comandada por António Mexia (na foto) cedeu 56%. Se entre Janeiro e Março de 2016, esta era a área mais relevante para a eléctrica, representando mais de metade da produção, um ano depois fica atrás do carvão e nem chega a corresponder a um terço da electricidade total produzida.

Para justificar este ponto, a companhia - que vai aumentar o dividendo pago aos accionistas pela primeira vez desde 2012 - explica que os volumes hídricos ficaram, em Portugal, 36% abaixo da média nos primeiros três meses de 2017. No período homólogo, tais volumes estavam 45% acima da média.

A evolução negativa da produção hídrica ocorre apesar de a capacidade instalada ter subido. Contudo, o factor de utilização da capacidade foi de 20%, abaixo dos 47% verificados um ano antes.

Ainda na produção eléctrica, a maior subida foi registada no ramo de central de ciclo combinado a gás natural (CCGT), com uma mais que triplicação dos valores alcançados um ano antes. O carvão também melhorou (30%), tal como o nuclear, ainda que este último muito ligeiramente (0,1%). O ramo de mini-hídricas, cogeração e resíduos, menos representativo, perdeu 50% da produção.

Como a produção eólica aumentou 2%, conforme anunciou a EDP Renováveis, a produção total incluindo todos os mercados resvalou 9% em termos homólogos.

Com a queda da chuva a ofuscar as novas centrais que funcionam com a força dos ventos, as energias verdes perderam peso nos primeiros três meses: "a produção hídrica e eólica representou 63% da produção total no primeiro trimestre face a 76% no primeiro trimestre de 2016".

Comercialização recua mas clientes aumentam
No que diz respeito à comercialização de energia no mercado ibérico, os volumes recuaram 5% na electricidade e 19% no gás, ainda que o número de clientes finais tenha aumentado nos dois campos. A diminuição é explicada, pela eléctrica liderada por Mexia (cujo ordenado poderá ascender a 2,6 milhões este ano), pela "queda de 15% dos volumes em Espanha, especialmente no sector industrial".

Já observando a electricidade distribuída na Península Ibérica, o aumento foi de 0,2%, abaixo do avanço de 14,2% na distribuição de gás.

Estes dados constam dos números previsionais divulgados pela EDP, que antecipam os resultados que serão apresentados a 3 de Maio.

Em bolsa, a eléctrica recuou 1,23% para 3,047 euros, um dia depois da assembleia-geral de accionistas, onde António Mexia defendeu a bondade da sua oferta pública de aquisição pelo capital que não controla na EDP Renováveis. 

* Portugal precisa de muita chuva até fins de Maio.

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