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"OBSERVADOR"
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Constitucional declara prova dos
. professores inconstitucional
. professores inconstitucional
O Tribunal Constitucional declarou inconstitucional a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades dos professores. Fenprof exige saber como se vai indemnizar os docentes.
O Tribunal Constitucional declarou inconstitucional a Prova de
Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) dos professores,
implementada em 2013. A notícia foi avançada esta sexta-feira de manhã
pela Fenprof, em comunicado, e o acórdão já está disponível no site do TC.
Em
conferência de imprensa, em Coimbra, o líder da Fenprof, Mário
Nogueira, mostrou o seu contentamento face à decisão dos juízes do
Palácio Ratton.
“A PACC morreu. A PACC caiu e isto tem um simbolismo
extremamente forte e cai no momento em que cai a equipa de Nuno Crato”,
começou por afirmar Mário Nogueira. “Estamos muito satisfeitos com esta
decisão. Sabíamos que a prova tinha os dias contados porque hoje a
Assembleia da República tem uma maioria que já se tinha pronunciado em
vários momentos contra esta prova.”
O secretário-geral da Fenprof deixou ainda várias perguntas ao ministro Nuno Crato:
1ª –
“Quando é que o senhor ministro Nuno Crato, e de que forma, é que vai
devolver o dinheiro que os professores pagaram para se poderem submeter a
uma prova inconstitucional?”
2ª – “Vai ou não
vai o ministro da educação criar uma comissão para fazer o levantamento
dos professores que foram excluídos dos concursos por não terem a PACC e
que teriam sido colocados, no sentido de os professores serem
indemnizados?”
3ª – “O senhor ministro já está a
pensar como é que vai devolver aos professores os salários que lhes
tirou por terem feito greve por uma prova inconstitucional?”
4ª – “Quanto é que custou ao erário público a realização da PACC?”
Contactado,
o especialista em direito administrativo Bruno Soares Ferreira “em
abstrato pode haver responsabilidade civil por atos da função
legislativa”, neste caso contra o Estado.
O Ministério da Educação
não deu resposta a nenhuma destas questões, referindo apenas, em
comunicado, que “os serviços jurídicos do Ministério da Educação e
Ciência encontram-se já a estudar possíveis soluções para sanar esta
questão, que naturalmente terá de ser sanada em sede parlamentar”.
A apreciação sobre a PACC foi parar ao Constitucional depois de
tanto o Ministério Público como o Ministério da Educação terem
recorrido da decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra que,
perante a providência interposta pelo sindicato do centro levantou
alguns “vícios de inconstitucionalidade”. Nomeadamente “o facto de haver
professores que foram excluídos das listas de colocação por não terem
realizado uma prova que no momento do concurso ainda não existia”,
lembra Mário Nogueira. Outro dos aspetos prendia-se com o facto dos
requisistos para o exercício da profissão docente estarem estabelecidos
na Lei de bases do sistema educativo e “em momento algum a lei de bases
refere que para ser professor é preciso fazer uma prova deste tipo”.
Pelo que a ser criada teria de ser uma lei da Assembleia da República e
nunca um decreto-lei do Governo, sublinha Mário Nogueira.
O TC
considera inconstitucional esta prova por considerar que “essa exigência
só poderia ter sido aprovada pelo Governo no exercício da sua
competência legislativa autorizada (cfr. os artigos 165.º, n.º 1, alínea
b), e 198.º, n.º 1, alínea b), ambos da Constituição)”.
“Consequentemente, os dois artigos do Estatuto da Carreira Docente aqui
sindicados, na parte em que se referem à prova de avaliação, foram
aprovados pelo Governo sem base competencial para tanto, pelo que
enfermam de inconstitucionalidade orgânica”. Ou seja, a introdução desta
prova teria de ter partido de uma iniciativa do Parlamento, uma vez que
a lei de bases do sistema educativo não prevê a sua existência.
Desde
o início que a PACC está envolta em grande polémica e encontrou desde
sempre oposição por parte dos vários sindicatos dos professores
(excetuando a Federação Nacional de Educação que chegou a um acordo com o
Governo), mas acabou mesmo por avançar, apesar das greves e das
providências interpostas no final de 2013 pela Fenprof.
A PACC,
inicialmente prevista para todos os docentes contratados, destina-se a
professores contratados com menos de cinco anos de serviço e é composta
por duas provas: uma de caráter geral e outra de caráter mais
específico. Quem chumba fica impedido de se candidatar a um lugar nas
escolas nos concursos de colocação de professores.
Lembre-se ainda
que os partidos da oposição (PS, PCP e BE) – e que poderão ainda vir a
formar governo – defendem a suspensão desta prova que, apesar de estar
prevista na lei desde 2007 só foi implementada em 2013 por Nuno Crato,
que entende que esta é uma forma de selecionar os melhores para dar
aulas.
* Mais um inconseguimento das "cratinices" do ministério da Educação. O ministro que pouco fez de razoável quer remeter a solução desta asneira para o novo parlamento, mas ele tem de ser responsabilizado por este "crime" contra os professores.
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