sexta-feira, 9 de junho de 2017

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HOJE  NO
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Quem são os futuros parceiros de May

Conservadores nos costumes, cépticos nas alterações climáticas, querem devolver o "orgulho" à Irlanda do Norte e reconstruir o território com novas infra-estruturas. É assim o DUP, o partido com que os Conservadores se deverão aliar.

Depois do deslize eleitoral que colocou os conservadores sem maioria absoluta no parlamento britânico, a candidata Theresa May leva no bolso à reunião com a rainha Isabel II o princípio de acordo com os unionistas (pró-Reino Unido) democráticos.

O Democratic Unionist Party (DUP) é o maior partido político da Irlanda do Norte e conseguiu nestas eleições de 8 de Junho eleger 10 deputados, mais dois do que detinha até aqui, o que permitirá pelo menos 328 lugares dos 326 necessários para garantir a maioria e a governabilidade.
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É esperado que, em troca do apoio a um governo conservador liderado por May, os unionistas garantam maior apoio financeiro para a Irlanda do Norte.

Depois do resultado do referendo de há um ano, em que o Reino Unido votou pela saída da União Europeia, o partido (pro-Brexit) vem defendendo uma retirada branda que respeite as circunstâncias da Irlanda do Norte e a sua relação com a Irlanda. Isto apesar de a Irlanda do Norte ter votado a favor da permanência no bloco europeu, por uma maioria de 56%.

Entre as propostas eleitorais do DUP estão o aumento dos salários e do emprego, um serviço de saúde de qualidade mundial, a reconstrução da Irlanda do Norte – nomeadamente através de novas infraestruturas e tecnologias -, ruas mais seguras e justiça mais inteligente, além de uma postura amiga da agricultura e da natureza e devolver o "orgulho na Irlanda do Norte". O partido propõe ainda aliviar os custos da energia para as famílias.

No campo social as posições são muito conservadoras. A líder eleita em Janeiro passado, Arlene Foster, de 46 anos (na foto), opõe-se à aplicação das lei da interrupção voluntária da gravidez no território – mais estritas do que as de Inglaterra. "Eu não quero que o aborto se torne tão disponível aqui como em Inglaterra," afirmou, citada pelo The Guardian. A interrupção da gravidez só é permitida em caso de perigo de vida ou de risco grave para a saúde e entre 2013 e 2014 só foram realizado 23 abortos no território.

O partido é ainda contra a introdução na Irlanda do Norte do casamento entre pessoas do mesmo sexo e em Março do ano passado viu-se envolvido em polémica devido a afirmações racistas de um dos seus membros, Sammy Wilson, que se mostrou favorável à saída das minorias étnicas do território. O DUP veio depois condenar oficialmente a afirmação.

O site OpenDemocracyUK dá conta das ligações históricas desta formação política a grupos paramilitares lealistas - esbatidas depois do início do período de paz no território - além do cepticismo em relação às alterações climáticas no planeta.

* A senhora May perdeu a maioria absoluta mas tem acordo com outro partido para governar e os trabalhistas não tiveram argumentos para conquistar o eleitorado.


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