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Homossexuais sentem-se
discriminados nos serviços de saúde
Perto de duas em cada dez pessoas lésbicas, gay e bissexuais sentiram-se discriminadas nos serviços de saúde, revela um estudo da ILGA, que mostra que estas pessoas se sentem invisíveis e obrigadas a mentir sobre a sua orientação sexual.
Segundo o estudo da ILGA (Intervenção
Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) Portugal, a que a Lusa teve
acesso, entre as 547 pessoas inquiridas, 17% "já foi alvo de
discriminação ou tratamento desadequado em contexto de saúde".
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"Os episódios de discriminação
aconteceram em maior número nas áreas de medicina geral e familiar e
ginecologia - e 87% das situações envolveu a participação de um/a
profissional de saúde" -, lê-se no documento.
Os episódios incluem
"comentários considerados desadequados", "episódios de discriminação na
doação de sangue por homens gays ou bissexuais" ou quando o
profissional de saúde "presumiu a existência de comportamentos sexuais
de risco pelo facto de o/a utente ser lésbica, gay ou bissexual".
Por
outro lado, os resultados da investigação "mostram, de modo inequívoco,
que a invisibilidade das pessoas LGB tende a ser a regra também no
contexto de saúde", sendo que a maioria dos participantes (72%, numa
amostra de 558 inquiridos) "já foi consultada por um/a profissional de
saúde que pressupôs que ela ou ele é heterossexual".
Em
declarações à agência Lusa, o coordenador do estudo afirmou que este
resultado era esperado, apontando que a invisibilidade relatada "é o
substrato da discriminação que incide sobre esta população", algo que
"tem consequências práticas ao nível da prestação dos cuidados e do
acesso das pessoas LGBT aos cuidados de saúde".
Segundo Nuno
Pinto, a abordagem por parte do profissional de saúde é assente na
presunção da heterossexualidade, o que obriga a que sejam as pessoas
LGBT a terem de quebrar o silêncio sobre a sua vida privada.
De
facto, 29% dos inquiridos nunca falou sobre a sua orientação sexual com
profissionais de saúde e 31% (entre 485) já mentiu sobre a sua
orientação sexual ou comportamentos sexuais.
Por outro lado, 47%
(entre 574 inquiridos) afirmou que o seu médico de família não conhece a
sua orientação sexual e entre estes 16% admitiu que não se assumiu "por
receio de quebra do sigilo profissional".
As dificuldades
estendem-se também aos cuidados prestados aos filhos menores com os
inquiridos a admitir que o pediatra não sabe a sua orientação sexual ou a
composição da família e 13% diz que a família já foi discriminada por
causa da orientação sexual de um dos membros.
De entre 537
inquiridos, 38% afirmou já ter tido um problema de saúde relacionado com
a sua orientação sexual e destes, 81% recorreu a serviços de saúde. 43%
optou por não dizer qual era a sua orientação sexual.
Já no que
diz respeito às pessoas transexuais, a maioria (69%) não está, nem
esteve, a ser acompanhada em serviços de saúde, porque não sabe a que
serviços dirigir-se ou porque tem receio de falar sobre a sua identidade
de género.
"É preciso implementar políticas públicas que garantam
que a estigmatização e a discriminação sobre estas pessoas LGBT não
possam ser uma condicionante no acesso a cuidados de saúde", defendeu o
responsável da ILGA.
Acrescentou que os serviços de saúde têm de
ser "adequados" e "competentes" e defendeu que os profissionais de saúde
que estão no terreno a trabalhar com pessoas LGBT têm que ter formação.
O
estudo, "Saúde em Igualdade -- Pelo acesso a cuidados de saúde
adequados e competentes para pessoas lésbicas, gays, bissexuais e
trans", foi realizado entre junho de 2014 e março de 2015.
Para o
efeito foram efetuados dois questionários, um dirigido a pessoas
lésbicas, gays e bissexuais (LGB) e pessoas que têm comportamentos
sexuais com pessoas do mesmo sexo, que foi preenchido por 600
inquiridos, e outro dirigido a pessoas transexuais, ou seja, pessoas
cuja identidade de género não corresponde ao sexo de nascimento, ao qual
responderam 29 pessoas.
* Gente xenófoba não pode trabalhar no SNS, do mesmo modo que se faz uma lista de pedófilos porque não fazer outra equivalente para xenófobos?
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