03/07/2015

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HOJE NO
 "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"

A homenagem de Portugal: 
Eusébio chega hoje ao Panteão

Presidente da federação moçambicana pede estátua ou rua em Maputo
O presidente da Federação Moçambicana de Futebol defendeu hoje, em declarações à Lusa, que Eusébio deveria ter uma estátua ou o nome de uma rua em Maputo.

No dia em que o corpo de Eusébio é trasladado para o Panteão Nacional, em Lisboa, Feisal Sidat considera "justo e oportuno" dar-lhe "um lugar digno" e lamenta que o Governo moçambicano não tenha ainda prestado a devida homenagem à antiga estrela do futebol mundial que nasceu na então Lourenço Marques.
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Eusébio era uma "figura muito querida no país", à semelhança do antigo capitão do Benfica Mário Coluna, que morreu no ano passado em Maputo, e ambos "vão ficar para sempre no coração dos moçambicanos". Feisal Sidat destaca também a figura do 'pantera negra' no bairro da Mafalala, na capital moçambicana, onde cresceu e começou a jogar futebol e "onde mesmo os mais jovens recordam a sua memória".

"Representou Portugal no desporto e no futebol como ninguém"
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aproveitou o dia da trasladação de Eusébio para o Panteão Nacional, para evocar "a memória do "King" através dos testemunhos de quatro personalidades que também fazem parte da historia do futebol português".

O presidente da FPF, Fernado Gomes, considera que esta é "uma justa homengem", Humberto Coelho recorda a forma como Eusébio "representou Portugal no desporto e no futebol como ninguém", Fernando Santos lembra o primeiro jogo do futebolista pelo Benfica e João Pinto fala da importância do antigo jogador para a seleção.


Família convidou Dulce Pontes para homenagear Eusébio
"Um momento muito especial" e também complicado de gerir, é assim que Dulce Pontes vê a sua participação nas cerimónias de trasladação dos restos mortais de Eusébio do Cemitério do Lumiar para o Panteão Nacional. Sobretudo porque se cruzou algumas vezes com o Pantera Negra, uma delas para promover o Europeu de 2004 e outra num concerto de Andrea Bocelli. Vai cantar A Portuguesa depois de o caixão ser depositado no monumento, quase quatro horas depois da saída do cemitério, num cortejo que visita locais emblemáticos da capital e do futebolista.

"Ele adorava Andrea Bocelli - foi lindo vê-los os dois", lembra Dulce Pontes. "Há um sentimento de uma densidade muito grande ... o Eusébio irradiava humildade, com aquele fundo de dignidade muito forte, não precisava de abrir a boca. Depois, nós sabemos como foi o tempo dele, jogava mesmo por amor à camisola, não havia aquelas quantias chorudas. Ao mesmo tempo é um bocado estranho. É uma honra que é prestada e que é merecida, é uma homenagem, mas é denso. E, sendo o Hino Nacional, ainda mais denso se torna. Não sei como vai ser, mas vai ser com toda a alma." Palavras sobre o dia de hoje, antes de a cantora ensaiar a sua participação nas cerimónias.

Dulce Pontes foi convidada pela família de Eusébio e o seu será o primeiro momento musical após a chegada dos restos mortais do futebolista ao Panteão Nacional, pelas 19.00. O segundo pertence a Rui Veloso, que vai estar acompanhado de um coro para interpretar duas canções, uma das quais Irmã África.
O antigo internacional do Benfica e companheiro de equipa de Eusébio no clube da Luz António Simões faz o elogio fúnebre entre as músicas de Rui Veloso. Assunção Esteves e Cavaco Silva também usam da palavra, a que se seguirá a transmissão de um vídeo sobre o futebolista. Só depois é assinado o "termo de sepultura" e ouvir-se-á novamente o Hino Nacional, ao som da banda da Guarda Nacional Republicana.

As cerimónias de "concessão de honras de Panteão Nacional a Eusébio da Silva Ferreira" têm início às 15.15, com a saída dos restos mortais do Cemitério do Lumiar, prevendo-se que terminem às 20.10, depois da retirada do Presidente da República, da presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro.

Missa no Seminário da Luz, visita ao Estádio da Luz, passagem ao Parque Eduardo VII e paragem junto à Federação Portuguesa de Futebol e ao Parlamento são alguns dos momentos do cortejo com os restos mortais de Eusébio, tantas vezes apelidado de rei.

A trasladação vai provocar não só o encerramento ao público do Panteão como o condicionamentos do trânsito em artérias das freguesias de Carnide, Lumiar, São Domingos de Benfica, Campolide, Santo António, Misericórdia, Santa Maria Maior, São Vicente e Estrela, em Lisboa. A circulação nos arruamentos de acesso ao Panteão Nacional estará também encerrada.

Eusébio da Silva Ferreira é a terceira figura nacional a morrer depois do 25 de Abril que fica no Panteão Nacional, depois da escritora Sophia de Mello Breyner e da fadista Amália Rodrigues. O monumento foi mandado construir por decreto a 26 de setembro de 1836, para homenagear e acolher "os túmulos de grandes vultos da história portuguesa".

* EUSÉBIO fica no Panteão Nacional não por ter sido futebolista, mas pela dignidade com que exerceu a profissão.

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