16/04/2015

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HOJE NO
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Investigação. 
Projectos do Banco Mundial estão
 a provocar “rasto de miséria”

O Banco Mundial desrespeita com frequência as suas próprias regras sobre a protecção de pessoas em detrimento dos projectos que patrocina e com consequências devastadoras para as populações mais vulneráveis, refere uma investigação hoje divulgada.

Um trabalho de investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), do diário digital norte-americano The Huffington Post e 20 outros parceiros mediáticos concluiu que pelo menos 3,4 milhões de pessoas foram física e economicamente afectadas desde 2004, em particular através de deslocações forçadas, devido a projectos apoiados pelo Banco Mundial. 
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Considerado o mais prestigiado credor dos países em desenvolvimento, o Banco Mundial financia anualmente centenas de projectos governamentais com o objectivo de “combater a propagação da pobreza através do apoio à construção de sistemas de transporte, centrais eléctricas, barragens e outros projectos”, teoricamente dirigidos às populações mais pobres do planeta.

No entanto, os trabalhos de investigação divulgados a partir de hoje pelo Huffington Post ( http://projects.huffingtonpost.com/worldbank-evicted-abandoned) denunciam o “rasto de miséria” que os projectos patrocinados pelo Banco Mundial impuseram em diversas regiões do mundo. 

Barragens, centrais eléctricas e outros projectos apoiados pela instituição financeira forçaram milhões de pessoas a abandonar as suas casas, as suas terras ou a colocar as suas vidas em perigo, sustenta a investigação.
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A primeira reportagem, hoje divulgada, relata as condições de comunidades indígenas do oeste do Quénia que dizem ter sido forçadas a abandonar as suas florestas ancestrais devido a um programa de conservação do Banco Mundial.

Este projecto mediático também indica que o Banco Mundial e a International Finance Corp. (IFC, membro do Grupo Banco Mundial e a maior instituição de desenvolvimento global voltada para o sector privado nos países em desenvolvimento) financiaram governos e companhias acusadas de violações dos direitos humanos incluindo violação, rapto, assassínios e tortura. Em alguns casos, os credores continuaram a financiar estes responsáveis após terem sido divulgadas provas dos abusos. 

A investigação permitiu ainda detectar que entre 2009 e 2013 os credores do Grupo Banco Mundial canalizaram 50 mil milhões de dólares (47 mil milhões de euros) em projectos que resultaram num elevado risco de impactos sociais e ambientais “irreversíveis e sem precedentes”, e que duplicaram em relação ao anterior quinquénio.

A equipa global coordenada pelo ICIJ congrega mais de 20 organizações mediáticas, incluindo o The Huffington Post, The Guardian, El País, Fusion, o GroundTruth Project, o Investigative Fund, a Agência Pública do Brasil ou o BalkanInsight.com, entre outras.
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Estas reportagens serão publicadas num “microsite” divulgado pelo Huffington Post e que também inclui fotografias e vídeos de comunidades deslocadas em todo o planeta.

Neste projecto participaram 50 jornalistas de 21 países, que durante 11 meses investigaram o falhanço do Banco em proteger diversas populações do globo, marginalizadas em nome do progresso.
Os organizadores sublinham que este trabalho implicou a análise de milhares de documentos do Banco Mundial, entrevistas a centenas de pessoas e reportagens no terreno em 14 países (Albânia, Brasil, Etiópia, Honduras, Gana, Guatemala, Índia Kosovo, Nigéria, Peru, Quénia, Sérvia, Sudão do Sul e Uganda).

* Quem são os patrões da administração do Banco Mundial, os "donos do dinheiro"!
Bem-haja ao jornalismo de investigação.

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