28/02/2013



HOJE NO
"CORREIO DA MANHÃ"

 Doentes vão ter menos remédios 

O Ministério da Saúde quer cortar a despesa nos medicamentos e nos exames médicos durante este ano. O CM apurou que a Administração Regional de Saúde do Norte pretende reduzir a despesa com os cuidados prestados à população. 

 "Quando a ARS declara que não vai negociar a contratação dos serviços prestados pelas unidades de saúde somos levados a crer que se trata de uma tentativa de racionamento na despesa dos medicamentos e meios complementares de diagnóstico", afirma Bernardo Vilas-Boas, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar (USF). 

Segundo o responsável, os médicos de família "não irão aceitar" a imposição unilateral da ARS quanto aos cuidados a prestar aos doentes. O CM contactou a ARS Norte para um esclarecimento mas não obteve resposta em tempo útil. Germano Couto, bastonário da Ordem dos Enfermeiros, afirmou que o Ministério da Saúde conseguiria uma poupança de 840 milhões de euros por ano caso toda a população portuguesa fosse atendida em USF. 

"Os números são de um estudo do ministério e apontam para os resultados que se podem obter num melhor acompanhamento de grávidas, crianças, doentes crónicos e idosos", explicou o bastonário, que falava num encontro em Lisboa, no qual foi apresentada uma carta aberta enviada à tutela para mais e melhores cuidados nos centros de saúde. 

José Manuel Silva, bastonário da Ordem dos Médicos, considera haver uma contradição no discurso do ministro da Saúde, Paulo Macedo, e as medidas implementadas. "A tutela defende uma maior aposta nos cuidados de saúde primários, mas depois não dá condições para um aumento do número de USF", afirmou José Manuel Silva. Fonte do ministério afirma que a "falta de dinheiro" leva a um crescimento lento de USF. 

* Quem sofre são os mais carentes

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