25/11/2018

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EM NOVEMBRO NO 
"MOTOR24"
Truques indispensáveis 
para conduzir no inverno

Chuva, nevoeiro e até gelo e neve vão passar a oferecer permanentes perigos e ameaças a quem anda na estrada. Certamente julga que é um condutor experiente e que está perfeitamente apto a enfrentar o inverno na estrada, mas será que é mesmo assim?

Uma coisa é certa, ao volante o excesso de confiança pode matar e em estrada molhada ou congestionada, o excesso de confiança mata muito mais.
Aqui ficam sete dicas úteis e práticas, sem paternalismos, que no Motor24 não somos instrutores de condução.
Siga-as se quiser, se não quiser não as siga, mas depois não se queixe.

1 – Pneus carecas são a morte do artista – o teste da moeda
Você pode ter o melhor carro do mundo, cheio de eletrónica e sistemas de segurança ativa e passiva, você até pode ter um seguríssimo Volvo, mas não há crash-test que lhe valha se não tiver os pneus em condições. Toda a poderosa tecnologia automóvel assenta sobre quatro rodelas de borracha, que são hoje também produtos de alta tecnologia.
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Para verificar se os pneus do seu carro não o vão meter em números de patinagem artísitica verifique os sulcos do pneu. Os sulcos são as linhas mais centrais da roda. Uma das funções dos sulcos é, em dias de chuva, expelir a água por debaixo dos pneus, garantindo mais estabilidade na hora da travagem e evitando a tristemente famosa aquaplanagem. Use uma moeda de um euro para meter nesse sulco, se a dobra dourada da moeda desaparecer é porque o pneu ainda está bom, se vir o dourado da moeda, o melhor é ir trocar de pneus.
Gasta em borracha, mas pode poupar em chapa e ossos.

2 – Uma batata para desembaciar
O vidro do seu carro passa a vida a embaciar e você passa a vida a esfregá-lo com a mão (péssima e gordurosa ideia, sobretudo se acabou de vir do McDonalds) ou com a manga do casaco? Liga a chauffage (quem ainda tem disso no carro) ou o ar-condicionado no máximo, assa ali um bocado e lá desembacia durante 9 segundos o vidro do seu carro.
Pois bem, uma simples batata resolve-lhe o problema. Corte uma batata em duas metades, esfregue bem os vidros por fora e por dentro, que o amido do simpático e versátil tubérculo irá absorver a humidade e permitir-lhe ver a estrada como se estivesse num aquário cristalino. Isto se as escovas do limpa pára-brisas não datarem do tempo das invasões napoleónicas, porque nesse caso não há batata que lhe valha. Se não confiar em mezinhas (usadas por pilotos de ralis, por exemplo), coloque o ar-condicionado no automático que com sorte ele regula o desembaciamento do vidro.

3 – Kit de emergência de inverno
Não é tradicional estojo de primeiros-socorros (que aliás deve andar sempre no seu carro), mas um conjunto de “ferramentas” que deve levar para viagens longas onde o inverno seja rigoroso. A começar por umas correntes para os pneus, que deve usar apenas em condições extremas de aderência – piso gelado ou neve. Deve também considerar investir numa espátula de borracha para tirar as camadas de gelo do pára-brisas (nunca usar água quente, que o vidro pode estalar) e um pequeno martelo para ter no porta-luvas, caso precise de partir o vidro a partir do interior do carro.
Depois deve levar um kit de sobrevivência para o caso do seu carro avariar no alto da Serra da Estrela numa noite de inverno. Uma manta, casacos, luvas e gorros., agua e barritas energéticas, uma lanterna, um jerrican e um carregador de isqueiro para o seu telemóvel,são adereços elementares para ter no porta-bagagens do seu carro. Finalmente lembre-se de andar com o depósito cheio, porque nem sempre há uma área de serviço no meio de uma serra perdida.

4 – Ver é o melhor remédio
A visão é o sentido mais importante para a condução (isso e o tacto para lidar com os outros condutores). Cerca de 80 por cento da informação relevante para a condução passa pela visão. Por isso, deve primeiro tratar da sua e consultar um oftalmogista e depois da “visão” do seu carro. Verifique as escovas dos limpa pára-brisas, os faróis e utilize-os corretamente. No inverno os faróis do seu carro não servem apenas para ver a estrada, servem para os outros o verem a si. Circule sempre de médios acesos e tenha cuidado na utilização dos máximos que podem encandear o condutor que circula na faixa contrária e provocar um choque frontal com o seu carro. Os faróis de nevoeiro, como o próprio nome indica, devem apenas ser usados em condições de nevoeiro, porque caso contrário atrapalham mais do que ajudam. Se o nevoeiro estiver cerrado deve orientar-se pelas linhas da faixa exterior e tentar manter-se atrás de um outro condutor, a uma distância segura que não o perturbe a ele, nem a si. Com chuva forte ou uma tromba de água o melhor mesmo é encostar num local seguro até que o dilúvio passe, porque quando se vai ao volante e não se vê nada é como se nos sentássemos numa mesa de roleta russa do filme “O Caçador”.

5 – Sabia que você não é o Ayrton Senna ?
Muitos condutores estão perfeitamente convencidos de que são uns ases do volante e não temem a “pista molhada”. Ora o único homem que conseguia guiar à chuva tão depressa como quem guia em piso seco era Ayrton Senna. Como você não deve ser o Ayrton Senna o melhor é cumprir aquele velho chavão da prevenção rodoviária – “adapte a condução às condições de circulação”. Quer isto dizer que deve reduzir substancialmente a velocidade a que circula, triplicar a distância a que normalmente circula do carro da frente e fazer todas as manobras com suavidade. Nada de acelerações, travagens ou mudanças de direção bruscas, especialmente em piso molhado ou com o traiçoeiro gelo. Uma coisa que deve fazer sempre é tentar antecipar ocorrências na estrada e anunciar aos outros o que pretende fazer. Não se trata apenas de fazer o pisca, é mais do que isso, é ir mostrando que pretende mudar de faixa ou sair num desvio. Isso alerta os outros condutores, permitindo-lhes “ler” o seu comportamento na estrada e antecipar decisões e reações.

6 – O seguro morreu de velho e o distraído morreu tão novo
A esperança de vida dos norte-americanos está a baixar e uma das razões são os acidentes rodoviários. As distrações ao volante são fatais. O fenómeno do “texting” e de tirar fotos ou fazer vídeos com os smartphones enquanto se guia, ocupam hoje o topo das causas de acidentes nos EUA e provavelmente nos países ocidentais. Conduzir é um ato de concentração, conduzir no inverno deve ser quase um exercício zen de absoluta concentração .O melhor conselho que temos para lhe dar é – desligue ou coloque o telemóvel no silêncio – mais vale adiar ou perder uma chamada do que receber uma chamada para a morte. Quando estiver ao volante, meta na cabeça que não está sozinho na estrada e a sua principal responsabilidade é estar atento aos outros. Moderar a velocidade e estar permanentemente a ler a “estrada” é mais importante do que atender aquele telefonema para cuscar sobre o jantar de natal da sua empresa, caso queira ir ao do ano que vem.

7 – Nem muito depressa, nem muito devagar
Se você é daqueles aceleras que gosta de ir a abrir na auto-estrada, colado ao carro da frente, a fazer sinais de luzes a um quilómetro de distância para lhe estenderem a “passadeira” o único conselho que temos para lhe dar é que consulte um especialista em imbecilidade.
Por mais domínio que ache que tem da máquina, as estradas não são uma pista de corridas. Pode ir a um track day num autódromo para ser provavelmente humilhado, porque os pilotos e os condutores rápidos e seguros não fazem essas cenas tristes na estrada.
Por outro lado, se você é o vagaroso que circula a velocidades homólogas às de uma carroça numa via rápida, saiba que há alternativas mais seguras para viajar – comboios, camionetas ou táxis. Porque além de estar a infringir o código da estrada, é uma ameaça para si e para os outros. A velocidade na estrada é uma questão de bom senso. Cumprir os limites de velocidade ajuda, mas saber que com chuva e trânsito intenso a condução deve ser absolutamente cautelosa é a melhor forma de não engrossar os tristes números da sinistralidade rodoviária.

Boas viagens, e já sabe, mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

* Cautela que a estrada é um grande cemitério.

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