sábado, 15 de julho de 2017

MANUELA PARENTE

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A política está assim!

Porque é que a política é assim, falsa, incoerente, inconsistente e hipócrita? 

Entre incêndios, furtos e outros acontecimentos, continuo a ver os políticos mais preocupados com jogos de poder do que realmente unidos a tentar encontrar soluções.

A tragédia de Pedrogão precisa de respostas, mas porque pretendem os políticos respostas rápidas? Respostas rápidas não são efectivas e na maior parte das vezes nem verdadeiras. Precisamos de respostas seguras que permitam a médio e a longo prazo encontrar estratégias preventivas eficazes.

O fast food do discurso político já esgotou. Poucos são os que acreditam no entusiasmo das repostas alternativas que alguns partidos da oposição apresentam, no imediato, quando algo de negativo acontece com os governos em função. A razão é muito simples: quando constituíram governo os mesmos partidos e pessoas não foram coerentes com o discurso que agora transmitem, nem ágeis na procura de soluções. A agilidade surge quando pressentem que os acontecimentos trágicos podem servir de rampa de lançamento para aumentar a visibilidade e ganhar espaço político para crescer nas audiências e quiçá começar a ganhar votos para as próximas eleições.

Os próprios jornalistas já nem conseguem esconder o incómodo ou irritação que esta atitude lhes provoca. Há políticos completamente despersonalizados que agem como se fossem máquinas pré-programadas não conseguindo sair do conceito político de oposição e assumir uma atitude que contrarie a tendência e acrescente algo de novo. A mudança só acontece, em alguns casos, quando abandonam as carreiras de políticos de alta competição e assumem o papel de analistas.

Depois vem o espanto com a abstenção e a falta de interesse da comunidade na vida politica. Roupa suja por roupa suja serve o love on top, pelo menos estamos certos que não vão decidir aspectos essenciais da nossa vida e da nossa segurança e só ocupam espaço num canal.

Na região, o tema Savoy reapareceu na boca de alguns como: a oportunidade.
O Savoy? O que há mais para dizer que já não se tenha percebido? E porque surgem agora discursos a criticar o que já defenderam ou silenciaram em tempos não tão distantes. Porque é que a política é assim, falsa, incoerente, inconsistente e hipócrita? Será que com o tempo a maioria dos políticos perde a noção do certo e do errado e só conseguem raciocinar em ciclo fechado olhando as suas responsabilidades na lógica de alguns adeptos de futebol?

O Salvador falou do “peido”. Percebo que chocou alguns, mas é possível perceber o que ele queria dizer lá dentro da sua imaturidade, estilo próprio e factores que o obrigam a crescer de forma diferente, imune à hipocrisia que alimenta um lado significativo da cultura e da sociedade atual.

O que me intriga é que todos os dias o discurso político entra de forma profundamente incomodativa nas nossas vidas, contribuímos para a sua subsistência, com vontade e sem vontade, e apesar do fedor os “peidos”, na lógica do Salvador, são aclamados.


IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA"
08/07/17

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