06/12/2012

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HOJE NO
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Políticas do Governo põem em causa direito à saúde, alerta Ordem dos Médicos 

 A Ordem dos Médicos considera que as políticas do Governo estão a pôr em causa o direito à saúde, referindo-se aos bebés alimentados com leite de vaca, que correm o risco de sofrer graves consequências, até no futuro.

“Alimentar bebés com leite de vaca pode trazer consequencias graves para a sua saúde, nomeadamente em termos de futuro, e são situações que depois o país vai pagar, com maior despesa, para tratar as consequências na saúde desses jovens, que não tiveram acesso a um leite que lhes evite problemas de saúde no futuro”, afirmou à Lusa o bastonário, José Manuel Silva.

O bastonário comentava uma notícia da Lusa, que revelou que há mães a dar leite de vaca a bebés de poucos meses por falta de dinheiro para comprar leite em pó, e outras notícias que mostram as crescentes dificuldades de acesso da população a cuidados de saúde, medicamentos e alimentos.
“Os cidadãos mais desfavorecidos estão a ser colocados perante o dilema de terem de passar fome e de não poderem ter recursos suficientes para tratar da sua saúde”, afirmou, considerando que é necessário que haja racionalidade no sistema e que o direito à saúde não seja posto em causa.

José Manuel Silva lembrou que a própria União Europeia já alertou que o racionamento em saúde e os problemas de acesso à saúde se refletem no aumento da despesa em saúde, porque passam a ser mais doentes, [a haver] mais patologias crónicas, as condições clínicas dos doentes agravam-se porque não são tratados, nem eles se tratam atempadamente porque não têm recursos, e depois aparecem nos hospitais já descompensados.

Lembrando que a Ordem dos Médicos há muito que tem vindo a alertar para o aumento das dificuldades dos cidadãos nos cuidados básicos de saúde, o bastonário diz não entender que Portugal esteja a ser sujeito a um programa que vai agravar essas condições, que levam a um aumento da dívida pública, dos juros a pagar, a uma redução do PIB, a um amento do desemprego e a um corte nos apoios sociais.

“Não faz sentido. Na saúde temos de preservar a máxima qualidade dos cuidados e a capacidade de os doentes acederem aos cuidados de saúde sempre que necessitem e de prevenirem as consequências negativas para a saúde, que redundam no futuro em maior despesa”, afirmou.

Questionado sobre a leitura que faz da forma como o Ministério da Saúde está a acompanhar estas situações, José Manuel Silva considerou que “o acompanhamento é completamente insuficiente” porque a tutela não tem recursos.
“O problema está no Ministério das Finanças e na incapacidade de perceção social e dos problemas sociais do ministro das finanças”, afirmou.

* A incapacidade é o denominador comum de quase todos os ministros deste governo

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