R E G I M E S
Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
24/04/2011
2 - NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR
Zeca Afonso. O Homem e a Obra marcaram toda uma geração de portugueses. E deixaram uma herança social e cultural às gerações seguintes. Todos temos um pouco de Zeca Afonso, um homem cujo génio ultrapassa qualquer época ou catalogação. Um homem cuja mensagem é veiculada por letras que se revelam sempre actuais.
Eu sou aquilo que fiz. Zeca Afonso deu-nos tanto que agora é a nossa vez de lhe darmos algo. Este programa de homenagem ao Zeca Afonso é uma retribuição por tudo aquilo que ele nos deu.
A SubFilmes convidou por isso vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso um filme, uma música, um desenho, uma animação de motion graphics. Será essa a interpretação, a homenagem, o tributo de cada um desses artistas.
Assim, podemos ter uma colagem de um artista de street art, uma reinterpretação de um tema do Zeca ou uma produção de teatro. Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5, Raquel Tavares na música; a companhia de teatro Primeiros Sintomas; a dupla de videojamming Daltonic Brothers; Target e Mosaik no street art; Quebra-Diskos no turntablism; etc.
Além disso, foram gravadas várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância do Zeca enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana que foi o Zeca.
A aposta forte deste programa reside numa abordagem de conteúdos que pretende captar por um lado a actualidade da mensagem do Zeca e por outro a faceta mais humana da sua vida.
De: AssociacaoJoseAfonso | Criado: 14 de Mar de 2009
Primeiro contacto técnico do FMI
com um Tuga taxista
Hotel Tivoli ? Daqui, do aeroporto, é um tiro...
- Então o amigo é o camone que vem mandar nisto? A gente bem precisa. Uma cambada de gatunos, sabe?
- E não é só estes que caíram agora. É tudo igual, querem é tacho. Tá a ver o que é? Tacho, pilim, dólares.
Ainda bem que vossemecê vem cá dizer alto e pára o baile...
O nome da ponte? Vasco da Gama. A gente chega ao outro lado, vira à direita, outra ponte, e estamos no hotel.
- Mas, como eu tava a dizer, isto precisa é de um gajo com pulso.
Já tivemos um FMI, sabe? Chamava-se Salazar.
Nessa altura não era esta pouca-vergonha, todos a mamar. E havia respeito... Ouvi na rádio que amanhã o amigo já está no Ministério a bombar. Se chega cedo, arrisca-se a não encontrar ninguém.
É uma corja que não quer fazer nenhum.
Se fosse comigo era tudo prá rua. Gente nova é qu'a gente precisa.
O meu filho, por exemplo, não é por ser meu filho, mas ele andou em Relações Internacionais e eu gostava de o encaixar.
A si dava-lhe um jeitaço, ele sabe inglês e tudo, passa os dias a ver filmes.
A minha mais velha também precisa de emprego, tirou Psicologia, mas vou ser sincero consigo: em Junho ela tem as férias marcadas em Punta Cana, com o namorado. Se me deixar o contacto depois ela fala consigo, ai fala, fala, que sou eu que lhe pago as prestações do carro...
Bom, cá estamos. Um tirinho, como lhe disse.
O quê, factura? Oh diabo, esgotaram-se-me há bocadinho.
enviado por CAMY
HUGO GONÇALVES
O senhor
da casa de meninas
Quando a empresa ainda não tinha falido, ele chegava com estrangeiros que fechavam negócios enquanto passavam as mãos nas pernas de Sheila, que tinha um filho em Fortaleza, de Alessandra, que tinha mamas verdadeiras, de Margarete, que trabalhara num hospital em Manaus, ou de Nicoleta, cujo avô fora torturado pelos carrascos de Ceausescu. Ele tinha garrafa na casa e deslizava o cartão de crédito como quem barra manteiga numa carcaça.
Também tinha mulher e filhos e ninguém se atrevia a faltar aos jantares de família, porque conheciam o seu apego pelas tradições do clã, o cabrito na Páscoa, os churrascos na piscina, a voltinha pela cidade quando comprava um carro e o cheiro dos estofos por estrear o faziam tão feliz como os mimos de Alessandra ou a devassidão da língua de Nicoleta. Julgava que elas eram as suas namoradinhas, as afilhadas que precisavam de um senhor que as ajudasse.
Mas depois as contas não bateram certo, o fisco apareceu, os bancos foram atrás dele como os capangas das cobranças difíceis e, certa noite, pôde ver - de mãos entrelaçadas com Sheila - que a garrafa com o seu nome chegara ao fim. Há pouco tempo, voltou a visitar a casa como um velho que regressa à aldeia onde cresceu. Havia menos meninas. Ninguém o conhecia. Passa agora mais noites na moradia familiar (em nome de um primo), procurando o regaço da legítima esposa. Ela, que sempre soube das afilhadas, continuará ali. Tem esperança de ser, por fim, menos empregada do senhor da casa e mais mulher do seu marido.
IN "i"
20/04/11
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