08/05/2011

22- ILUSTRES PORTUGUESES DE SEMPRE »»» joão crisóstomo



Retrato de João Crisóstomo de Abreu e Sousa.
João Crisóstomo de Abreu e Sousa (Lisboa, 27 de Janeiro de 1811 — Lisboa, 7 de Janeiro de 1895), mais conhecido por João Crisóstomo, foi um militar e político que, entre outras funções, foi deputado, ministro e Presidente do Conselho de Ministros durante a fase final da monarquia constitucional portuguesa. Oficial de Engenharia Militar, atingiu o posto de General. Foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados em 1861. Foi Ministro da Marinha e Ultramar, das Obras Públicas, Comércio e Indústria e da Guerra, tendo promovido importantes iniciativas legislativas, entre as quais a reforma do ensino industrial. Após o ultimato britânico de 1890, e a consequente demissão do governo de José Luciano de Castro, presidiu a um governo extrapartidário de unidade nacional que governou de 1890 a 1892.

Biografia
João Crisóstomo foi filho de José Joaquim de Sousa e de Inácia Lima de Abreu.
Em 1861 fez parte da Câmara dos Deputados e entre 1864 e 1865 foi Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria. Nesta pasta procedeu a uma importante reforma do ensino industrial, que perduraria por décadas[1].
Membro da Liga Liberal, presidiu ao governo entre 14 de Outubro de 1890 e 17 de Janeiro de 1892, acumulando a pasta de Ministro da Guerra, num governo extrapartidário.

WIKIPÉDIA

Governo de João Crisóstomo 1890-1892

Pouco tempo durou o governo de Serpa, depois de ter sido assinado o Tratado de Londres em 20 de Agosto de 1890. Em Setembro, já caía o gabinete, pressionado, sobretudo pelo aparecimento de uma Liga Liberal, participada, sobretudo, por militares e presidida pelo deputado Augusto Fuschini e que tinha como objectivo pressionar o governo no sentido da defesa dos legítimos interesses de Portugal. Pensou-se na manutenção dos regeneradores no governo, chamando o velho Martens Ferrão, então embaixador em Roma, mas a solução acabou por ser o recurso a um outro octogenário João Crisóstomo de Abreu e Sousa que, de 14 de Outubro 1890 a Janeiro de 1892, vai formar um governo extra-partidário, apoiado pela Liga Liberal. Numa primeira fase, o gabinete reúne nomes ilustres como António Cândido, no reino, António Enes, na marinha e ultramar, Tomás Ribeiro, nas obras públicas, e Barbosa du Bocage, nos estrangeiros. Em 25 de Maio de 1891 mobilizou para a pasta do reino Lopo Vaz e para a da fazenda, Mariano de Carvalho, enquanto Júlio de Vilhena surgia na marinha e ultramar e João Franco, nas obras públicas. Continuou a dança de personalidades que as circunstâncias iam queimando, contra a pretensão de Crisóstomo que pretendia um governo de apaziguamento e concórdia, mas que não conseguiu concretizar um grande 



Governo de João Crisóstomo.
 
De 14 de Outubro de 1890 a 17 de Janeiro de 1892.
462 dias
 
20º governo depois da Regeneração
7º governo do rotativismo
3º governo do reinado de D. Carlos
 
·Presidente acumula a pasta da guerra e em 25 de Maio de 1891 são substituídos todos os ministros anteriores.
·António Cândido no reino
·António Emílio Correia de Sá Brandão na justiça
·José de Melo Gouveia na fazenda
·António Enes na marinha e ultramar
·José Vicente Barbosa do Bocage nos estrangeiros
·Tomás Ribeiro nas obras públicas
·O governo vai ser apoiado pela Liga Liberal. Sofrerá os efeitos da revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891.
·Os republicanos estão divididos, especialmente pela campanha jornalística de Homem Christo contra Elias Garcia. mas a unidade é estabelecida no congresso realizado no Porto de 5 a 7 de Janeiro de 1891. Aprovado novo programa para o partido que foi publiacdo em 11 de Janeiro de 1891.
·Revolta republicana do 31 de Janeiro de 1891. Conforme salienta Lopes d’Oliveira, desde o 31 de Janeiro todo o programa republicano é Revolução
 
Em 24 de Novembro de 1890: ·Augusto José da Cunha substitui José de Melo Gouveia na fazenda
·Cortes reabrem em Março de 1891 para votarem as bases do monopólio do tabaco e um grande empréstimo de 10 milhões de libras. Conde de Burnay emprestara 3 milhões de libras, com a condição de lhe ser concedido o monopólio do tabaco.
·Adiado o parlamento no dia 1 de Abril. Governo anuncia que vai governar em ditadura.
·No dia 3 de Abril, sentenças contra os implicados no 31 de Janeiro. Dividem-se os monárquicos. Lopo Vaz, no Diário Ilustrado fala num erro judiciário. Contra ele, assumem-se Emídio Navarro no Novidades (já pedira o restabelecimento da pena de morte); Carlos Lobo d’Ávila no Tempo; Pinheiro Chagas no Correio da Manhã e Hintze Ribeiro n’O Português.
·Em 7 de Maio é suspensa por 90 dias a convertibilidade das notas de banco. Depois de uma corrida à conversão das notas, uma corrida ao levantamento dos depósito. O papel-moeda fica desvalorizado em cerca de 10%
·Sucessivas prevenções militares
 
 
Em 25 de Maio de 1891:
·Lopo Vaz de Sampaio e Melo substitui António Cândido no reino e passa a exercer a pasta de ministro da instrução pública, então restaurada;
·Alberto António de Morais de Carvalho substitui António Emílio Correia de Sá Brandão na justiça;
·Mariano de Carvalhp substitui Augusto José da Cunha na fazenda;
·Júlio de Vilhena substitui António Enes na marinha e ultramar;
·Conde de Valbom substitui José Vicente Barbosa do Bocage nos estrangeiros;
·João Franco substitui Tomás Ribeiro nas obras públicas;
·Perante a crise, o rei consulta por escrito José Luciano e António Serpa. Estes preferem a continuidade de Crisóstomo à chamada de Dias Ferreira. São Januário ainda foi encarregado de formar novo governo, mas não consegue mobilizar Mariano de Carvalho. Este jornalista, ligado à ala radical dos progressistas e grande amigo do prior da Lapa, havia regressado de Moçambique em 1890 e dizia ter planos financeiros para salvar o Estado. A recomposição levada a cabo por Crisóstomo assentava numa efectiva aliança de Lopo Vaz e Mariano de Carvalho e o governo deixa de ser extrapartidário.
·No tocante à frente britânica, Valbom vai conseguir ajustar as bases do tratado de Londres em 28 de Maio e apresentá-las na Câmar dos Deputados em 2 de Junho. Apesar de tudo, José Falcão ainda proclama: eu supunha que havia coisas que não se podiam vender…Mas, depois da questão inglesa, ia desabar a questão financeira que se jogava entre banqueiros de Paris.

·Mariano parte imediatamente para o estrangeiro. Acredita que a situação é um poço sem fundo, para onde me lanço de olhos abertos. Faz uma sucessão de adiantamentos, sem conhecimento dos seus colegas de governo, à Companhia Real, ao Banco Lusitano e ao Banco do Povo. A quebra da bolsa de Paris no Outono impede que se concretize uma operação de grande empréstimo a Portugal.

·Aires de Gouveia na Câmara dos Pares critica a perseguição aos republicanos, considerando-os como pequena minoria (23 e 25 de Junho)

·Decretado o curso forçado das notas de banco, em 9 de Julho de 1891.

·Conflitos entre os ministros Lopo Vaz e Mariano.

·Em 15 de Janeiro de 1892, João Crisóstomo confirma que Mariano fez adiantamentos à Companhia Real dos Caminhos de Ferro sem conhecimento do restante governo. Trata-se de um golpe de Lopo Vaz que terá dito: fodi o Zé Luciano e o Serpa. Mariano apresenta a demissão, proclamando: suponho que a minha carreira política está finda; esteja ou não esteja, há uma coisa para que fico vivo.

·Começa a falar-se num governo de Lopo Vaz, mas este adoece e acaba por morrer em 1892. Chega a ser sondado o conde de Valbom, mas acaba por ser chamdo José Dias Ferreira, tendo na fazenda Oliveira Martins, um dos grandes inimigos de Mariano.

 IN " © José Adelino Maltez. Todos os direitos reservados. Cópias autorizadas, desde que indicada a proveniência: Página profissional de José Adelino Maltez ( http://maltez.info)"
AVEIRO
DISTRITO DE AVEIRO



Aveiro , conhecida como a "Veneza de Portugal" e durante algum tempo chamada de "Nova Bragança", é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Aveiro, na região Centro e pertencente à sub-região do Baixo Vouga, com cerca de 55 291 habitantes (2004).
Fica situada a cerca de 58 km a noroeste de Coimbra e a cerca de 68 km a sul do Porto, sendo a principal cidade da sub-região do Baixo Vouga com 398 467 habitantes, a sub-região mais populosa da região Centro[3] e a segunda cidade mais populosa no Centro de Portugal, depois de Coimbra.


É um município com 73 100 habitantes (2008)[1] e 199,77 km² de área, subdividido em 14 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Murtosa (seja através da Ria de Aveiro, seja por terra), a nordeste por Albergaria-a-Velha, a leste por Águeda, a sul por Oliveira do Bairro, a sudeste por Vagos e por Ílhavo (sendo os limites com este último concelho também feitos por terra e através da ria), e com uma faixa relativamente estreita de litoral no Oceano Atlântico, a oeste, através da freguesia de São Jacinto. É um importante centro urbano, portuário, ferroviário, universitário e turístico.

Gentílico Aveirense
Área 199,77 km²
População 73 100 hab. (2008[1])
Densidade populacional 366 hab./km²
N.º de freguesias 14
Presidente da
Câmara Municipal
Não disponível
Fundação do município
(ou foral)
1515
Região (NUTS II) Centro
Sub-região (NUTS III) Baixo Vouga
Distrito Aveiro
Antiga província Beira Litoral
Orago
Feriado municipal 12 de Maio
Código postal 3800-___ Aveiro
Endereço dos
Paços do Concelho
Praça da República, Apartado 244, 3810 - 156 Aveiro
Sítio oficial Município de Aveiro
Endereço de
correio electrónico
[1]
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

HISTÓRIA DE AVEIRO
No documento de doação testamentária efectuada pela condessa Mumadona Dias, ao mosteiro de Guimarães em 26 de Janeiro de 959, consta a referência a "Suis terras in Alauario et Salinas", sendo esta a mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro.

No século XIII, Aveiro foi elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel e situada onde é, hoje, a Praça da República, vindo esse templo a ser demolido em 1835.




Mais tarde, D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas que, já no século XIX, foram demolidas, sendo parte das pedras utilizada na construçào dos molhes da barra nova.
Em 1434, D. Duarte concedeu à vila privilégio de realizar uma feira franca anual que chegou aos nossos dias e é conhecida por Feira de Março.
Em 1472, a filha de D. Afonso V, Infanta D. Joana, entrou no Convento de Jesus, onde viria a falecer, em 12 de Maio de 1490, efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do Rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.
O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.
A magnífica situação geográfica propiciou de Aveiro, desde muito cedo, a fixação da população, sendo a salinagem, as pescas e o comércio marítimo factores determinantes de desenvolvimento.
Em finais do século XVI, princípios do XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto (veja Porto de Aveiro) e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da laguna, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes - muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa - e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filípina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.

Execução do Duque de Aveiro.
Em 1759, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado por traição, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, e 1547 , por D. João III. Por essa razão à nova cidade foi dado o nome de Nova Bragança em vez de Aveiro. Esse nome foi mais tarde abandonado, voltando a cidade à denominação anterior.

José Estêvão

Em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente XIV instituiu a Diocese de Aveiro.
No século XIX, destaca-se a activa participação de aveirenses nas Lutas Liberais e a personalidade de José Estêvão Coelho de Magalhães, parlamentar que desempenhou um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, muito especialmente, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto, obras estas de capital importância para o desenvolvimento da cidade, permitindo-lhe ocupar, hoje em dia lugar de topo no contexto económico nacional."

MOSTEIRO DE JESUS
O Mosteiro de Jesus localiza-se em Aveiro, Portugal. Fundado por D. Brites Leitoa em 1458 como convento de religiosas dominicanas. Por Breve do Papa Pio II de 1461, foi o convento integrado na Observância, isto é, aceite como cumprindo todas a regras estritas, podendo portanto as religiosas professar legitimamente como monjas, de acordo com a Regra de vida Dominicana. O antigo Mosteiro de Jesus foi edificado no século XV, está cheio de recordações de Santa Joana de Portugal que ali veio a falecer em 1490, tendo levado sempre uma vida de modesta monja, embora nunca lhe tenha sido autorizada a realização dos votos solenes, por ser princesa e sempre hipotética sucessora real. Filha de D. Afonso V, retirou-se para o convento em 1472 e aí passou o resto da sua vida. Foi beatificada em 1693. O seu túmulo barroco de mármore, terminado 20 anos mais tarde, encontra-se no coro inferior.

Em 1834 o ministro Joaquim António de Aguiar decretou a extinção de todos os conventos de religiosos e religiosas. No entanto, estes últimos apenas se consideravam extintos com o falecimento da sua última monja. O que no Mosteiro de Jesus apenas sucedeu em 2 de Março de 1874, com o falecimento da madre Maria Henriqueta de Jesus.
Embora de acordo com a lei todo o património passasse automaticamente para a posse do Estado, tinha sido previamente autorizada a instalação em parte do edifício de uma aula (escola) às pupilas das antigas monjas, destinada ao ensino de crianças pobres. Enfrentando muitas dificuldades financeiras, recorreram à ajuda de D. Teresa Saldanha, fundadora (em 1865) da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, que ali se instalaram em 1884 e passaram a dirigir o Colégio, que assumiu a designação de Santa Joana, e de onde viriam a ser expulsas em 1910, com a implantação da República.[1].
De estilo mais simples são as pinturas do século XVIII, na capela, que mostram cenas da vida de Santa Joana Princesa. A capela foi, naquele tempo, a sala de costura onde Santa Joana morreu. Entre as pinturas primitivas portuguesas há um retrato da princesa, com um trajo da corte, do século XV.
No Mosteiro foi criado em 1911 o Museu Regional de Aveiro, por iniciativa do crítico e erudito F. A. Marques Gomes. Nele está actualmente instalado o Museu de Aveiro. O museu inclui um coro de talha dourada, claustros do século XV e um refeitório coberto de azulejos de Coimbra. Entre o refeitório e a casa do capítulo encontra-se o túmulo gótico do cavaleiro D. João de Albuquerque.
O mosteiro foi classificado pelo IPPAR como Monumento Nacional em 1910 .

 Teatro Aveirense


Teatro Aveirense é um teatro situado em Portugal, entre a Rua 31 de Janeiro e a Rua de Belém do Pará, na freguesia da Glória, em Aveiro, e classificado pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, desde ano de 2002, como Imóvel de Interesse Público, o Teatro Aveirense vai buscar o início da sua história ao ano de 1854, altura em que a Câmara Municipal de Aveiro adquire um terreno para a construção de uma sala de espectáculos e cultura.
Já há muito tempo que em Aveiro se sentia esta lacuna, já que os dois teatros existentes até aí – o das Olarias e o da Rua do Carril – estavam longe de satisfazer as necessidades, tanto de público como dos actores. A primeira pedra é lançada em 1855. No entanto, pouco tempo depois, as obras tiveram que ser interrompidas devido a dificuldades financeiras, situação esta que se arrastou até finais da década dos anos setenta.
Por essa altura -1879-, tinha-se formado uma Sociedade que ficava responsável pela construção e administração do futuro espaço de espectáculos e cultura, com a designação de "Sociedade Construtora e Administrativa do Teatro Aveirense". Grande parte das verbas obtidas para a retoma dos trabalhos foi recolhida através da entrega de acções da "Sociedade Construtora e Administrativa do Teatro Aveirense" "às figuras mais abastadas da cidade, a toda a família Real e aos vultos mais eminentes da política e do comércio", a que se juntou o trabalho braçal de muitos habitantes da cidade.
No ano de 1881 foram concluídos os trabalhos e o Teatro Aveirense estava pronto para a sua inauguração, o que veio acontecer em finais desse mesmo ano. No dia 5 de Março de 1882 realizou-se a estreia da primeira peça de teatro, tarefa esta a cargo da Companhia do Teatro Nacional D. Maria II, a qual se manteve alguns dias em Aveiro com representações diárias.
A partir daqui imensos foram os espectáculos levados a cabo, quer por prestigiados companhias e actores portugueses, quer por consagrados actores estrangeiros, no palco do Teatro Aveirense, não só a nível teatral mas também na área da música, dança e ópera. Após 1910, o teatro encerra para receber obras de adaptação e modernização, reabrindo em 1912, tendo como uma das novas funcionalidades o cinematógrafo. Contudo, as dificuldades financeiras voltaram a estar presentes nos anos posteriores, estando na base destas a pouca afluência de público aos espectáculos. Assim, no ano de 1947, as suas actividades são interrompidas procedendo-se a uma nova reformulação do seu interior (trabalho este executado sobre a responsabilidade de Ernesto Camilo Korrodi), após o que reabre as suas portas em finais de 1949, agora com uma capacidade superior a mil lugares.
Entre altos e baixos, o Teatro Aveirense foi cumprindo a sua missão de casa de cultura, de espectáculo e de cidadania, o que não impediu que novos problemas voltassem a surgir, até porque a oferta de novos espaços e novas formas de cultura iam aparecendo em outros locais da cidade de Aveiro. Assim, em 1998, a Câmara Municipal de Aveiro adquire o imóvel, com o objectivo de o preservar como parte da história e do património da cidade, ao mesmo tempo que se propôs a realizar uma profunda renovação e ajustamento às necessidades e exigências actuais.
No ano de 2000 o Teatro Aveirense encerra as suas portas e a concretização dos trabalhos de renovação, interior e exterior, começam pouco depois. Em 23 de Outubro de 2003, as suas portas voltaram a reabrir, dando-se continuidade ao serviço que tem prestado à sociedade aveirense em geral.

WIKIPÉDIA

Estação de Caminhos de Ferro

O edifício da estação é constituído por três sectores: um central, de três pisos apresentando três portas amplas ao nível do plano inferior; e dois laterais simétricos, de dois pisos, com uma porta e dois postigos de secção rectangular. Obedece a uma gramática estilística que se designa por “casa portuguesa”, sendo um bom exemplar ao nível regional. Mas, mais do que a arquitectura, é a azulejaria que torna o edifico notável. Este, apresenta uma riquíssima colecção de painéis de azulejos que revestem as paredes das suas fachadas. 


O seu objectivo é, não só, ilustrar as fachadas do edifício, mas também transmitir, através de um discurso visual de leitura fácil e assegurada (Calado, 2001, p.245), os principais monumentos culturais da região e do país aos viajantes e utentes em geral que por ali passam. Deste modo, entre os principais painéis encontram-se essencialmente, motivos etnográficos e monumentais, tais como: figuras, fainas e paisagens tipicamente características da região; as armas da cidade; figuras ilustres que contribuíram para a construção da linha ferroviária, monumentos de carácter regional e nacional.


A Ria

A Ria de Aveiro estende-se, pelo interior, paralelamente ao mar, numa distância de 47 km e com uma largura máxima de 11 km, no sentido Este-Oeste, desde Ovar até Mira
A Ria é o resultado do recuo do mar, com a formação de cordões litorais que, a partir do séc. XVI, formaram uma laguna que constitui um dos mais importantes e belos acidentes hidrográficos da costa portuguesa.
Abarca 11 000 hectares, dos quais 6 000 estão permanentemente alagados, desdobra-se em quatro importantes canais ramificados em esteiros que circundam um sem número de ilhas e ilhotes.
Nela desaguam o Vouga, o Antuã e o Boco, tendo como única comunicação com o mar um canal que corta o cordão litoral entre a Barra e S. Jacinto, permitindo o acesso ao Porto de Aveiro, de embarcações de grande calado.

Rica em peixes e aves aquáticas, possui grandes planos de água locais de eleição para a prática de todos os desportos náuticos.
Ainda que tenha vindo a perder, de ano para ano, a importância que já teve na economia aveirense, a produção de sal, utilizando técnicas milenares, é, ainda, uma das actividades tradicionais mais características de Aveiro, havendo, actualmente, dezenas de salinas em laboração.
Muito especialmente no Norte da Ria, os barcos moliceiros, embarcações únicas e de linhas perfeitas, ostentando polícromos e ingénuos painéis decorativos continuam a apanhar o moliço fertilizante de eleição, bem dentro dos mais exigentes e actuais parâmetros ecológicos, que transformou solos estéreis de areia em ubérrimos terrenos agrícolas.

AVEIRO TURISMO 

Gastronomia

Pratos típicos da cidade de Aveiro:
  • Ovos moles
  • Derivados de Ovos Moles: Castanhas de Ovos, Fios de Ovos, Lampreia de Ovos, etc.
  • Caldeirada de Enguias
  • Bolachas Americanas e Tripas (doces)
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    9 - VULTOS DA CULTURA DA PRIMEIRA REPÚBLICA »»» vitorino nemésio



    Busto de Vitorino Nemésio em Praia da Vitória (Álvaro Raposo França, 1994).
    Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Praia da Vitória, 19 de Dezembro de 1901Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978) foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

    Biografia

    Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.
    Com 16 anos de idade, Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, em 16 de Julho de 1918, com a qualificação de dez valores.
    A sua estadia na Horta foi curta, de Maio a Agosto de 1918. A 13 de Agosto o jornal O Telégrafo dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao director de O Telégrafo, Manuel Emídio.
    Apesar da tenra idade, Nemésio chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário.
    Em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, a Horta possuía um intenso comércio marítimo e uma impressionante animação nocturna, uma vez que se constituía em porto de escala obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num "nó de comunicações" mundiais. Esse ambiente cosmopolita contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja acção decorre nas ilhas Faial, Pico, São Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta.



    Este romance evoca um período (1917-1919) que coincide em parte com a sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como o Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso, o padre Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta, e Osório Goulart, poeta.
    Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.
    Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde.
    A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (final de 1931).
    Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a leccionar literatura italiana. A partir de 1931 deu inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola.
    Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.
    Entre 1937 e 1939 leccionou na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado, neste último ano, ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.
    Em 1958 leccionou no Brasil.
    A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas.
    Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.
    Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.


    Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.

    Obra

    Vitorino Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.
    Levou a cabo, na sua obra, uma transformação das tendências da Presença (que de certa forma precedeu), que garantiu a eternidade dos seus textos. Fortemente marcado pelas raízes insulares, a vida açoriana e as recordações da sua infância percorrem a obra do escritor, numa espécie de apelo, revelado pela ternura da sua inspiração popular, pela presença das coisas simples e das gentes, e pela profunda humanidade face à existência e ao sofrimento da vida humana.
    casa das tias na Praia da Vitória
    Entre as suas principais obras contam-se:

    Poesia

    • O Bicho Harmonioso (1938)
    • Eu, Comovido a Oeste (1940)
    • Nem Toda a Noite a Vida (1953)
    • O Verbo e a Morte (1959)
    • Canto de Véspera (1966)
    • Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)

    Ficção

    Ensaio e Crítica

    • Sob os Signos de Agora (1932)
    • A Mocidade de Herculano (1934)
    • Relações Francesas do Romantismo Português (1936)
    • Ondas Médias (1945)
    • Conhecimento de Poesia (1958)

    Crónica

    • O Segredo de Ouro Preto (1954)
    • Corsário das Ilhas (1956)
    • Jornal do Observador (1974).

    A Ficção em Vitorino Nemésio

    Os trechos de inspiração açoriana são bastante significativos na sua obra notando-se a presença de infantis lembranças, e amores, dores e agoiros de figuras de humildes que nestas páginas ficam vivendo, sob a obsessão circundante do mar, na opinião de Afonso Lopes Vieira. A sua experiência de ilhéu encontra-se presente na sua obra em geral, cuja vida no domínio da ficção se inicia em 1924 com a publicação do volume de contos Paço do Milhafre prefaciada por Afonso Lopes Vieira, e mais tarde rebaptizada com o título O Mistério do Paço do Milhafre, tendo sido publicada em 1949.
    Vitorino Nemésio ao longo de toda a sua carreira literária nunca deixou de surpreender os demais. O escritor nos seus romances conseguiu transmitir uma certa originalidade de escrita, sobretudo na descrição dos lugares e no desenho das personagens, e até dar uma certa generosidade humana que se pode presenciar em Varanda de Pilatos, (obra publicada em 1927) e no volume de novelas A Casa Fechada, constituída por três histórias: O Tubarão, Negócio de Pomba e A Casa Fechada Em relação a esta última história, a crítica foi bastante positiva e unânime, tendo sido considerada uma obra excepcional.
    Contudo houve uma obra romanesca, mais complexa, variada, densa e subtil que é Mau Tempo no Canal, obra incomparável na literatura portuguesa do século XX. Este romance havia já sido "ensaiado" pela novela Negócio de Pomba, isto é, esta possui muitos aspectos que irão ser tratados a posteriori naquele romance.
    Depois de ter escrito Mau Tempo no Canal, pode-se afirmar que Vitorino Nemésio nunca mais voltou aos trilhos do romance. Ele próprio afirma num inédito do seu espólio Morro autor de um romance único. Mau Tempo no Canal corresponde ao momento mais alto da sua vasta produção literária e é uma das obras-primas da literatura portuguesa.
    Ao visitar a Horta pela segunda vez, em 1946, escreveu em Corsário das Ilhas: Gosto da Horta como de nêsperas. Tinha saudades do que fui, já nem sei bem como, aqui. Todo o imaginado é mais ou menos frustrado quando o realizamos; mas na Horta não é bem excedido […]. Matriz no alto onde foram as casas do donatário flamengo e que os jesuítas adaptaram, como sempre, cubicular e faustosamente, mais duas ou três igrejas conventuais nos altos; a cada ponta, ou sainte, as paróquias da Conceição e das Angústias, e o mais que é preciso para completar uma cidadezinha airosa alva como uma noiva – Horta, ou seja, trinta anos depois, Nemésio continuava a recordar os primores do acolhimento, a hospitalidade patriarcal, a gentileza em tudo e por tudo.

    Outros géneros narrativos

    Dentro do género narrativa, para além da obra de ficção, Vitorino Nemésio escreveu e publicou obras de natureza biográfica: desde logo o seu doutoramento tratou a vida de Alexandre Herculano. Escreveu igualmente uma biografia de Isabel de Aragão, a Rainha Santa.
    Também escreveu crónicas das viagens que fez ao Brasil, aos Açores e à Madeira e publicou ensaios sobre temas diversos, como temas portugueses e brasileiros, um ensaio sobre Gil Vicente e também crítica de poesia.

    A Poesia em Vitorino Nemésio

    Nemésio é sobretudo um poeta, tal como ele próprio o afirma, uma vez que escrever poesia foi uma actividade ininterrupta mantida desde 1916 (com o Canto Matinal) até 1976 (Era do Átomo Crise do Homem). Entre as suas principais obras poéticas contam-se:
    • O Bicho Harmonioso (publicada em 1938)
    • Eu, Comovido a Oeste (publicada em 1940)
    • Festa Redonda (publicada em 1950)
    • Nem toda a Noite a Vida (publicada em 1952)
    • O Pão e a Culpa (publicada em 1955)
    • O Verbo e a Morte (publicada em 1959)
    • Sapateia Açoriana (publicada em 1976)
    Na opinião de Óscar Lopes, falando a respeito da poesia nemesiana, ele diz-nos que os volumes de versos se podem agrupar em dois ciclos distintos e que se intersectam na obra Nem toda a Noite a Vida que é o mais heterogéneo de todos.
    No primeiro ciclo a temática está relacionada com a insularidade, com a saudade à ilha, à infância, à adolescência, ao pai e ao seu primeiro amor proibido. Toda esta temática está bem visível em O Bicho Harmonioso e em Eu, Comovido a Oeste.
    No segundo ciclo já se nota uma transmutação de temas, enveredando para uma temática religiosa e metafísica. Coloca questões acerca da vida e da morte, do ser (devir e permanência do ser), e da busca de sentido para a existência. Por isso o poeta é identificado com a corrente filosófica existencialista. A par desta poesia erudita o poeta cultiva também uma poesia popular profundamente marcada por símbolos de açorianidade, pelo que muitas vezes é acusado de regionalismo literário na sua obra.

    Outras actividades

    A par da sua actividade literária e de docência, Vitorino Nemésio dava conferências (foi numa das viagens à Espanha para dar uma conferência que acabou por conhecer pessoalmente Miguel Unamuno), colaborava com a RTP (Se Bem Me Lembro), bem como em várias revistas e jornais ( Seara Nova, Presença, O Diabo e Diário Popular), fundou e dirigiu em conjunto com outros jornais e revistas Gente Nova), foi redactor de jornais e assumiu a direcção do jornal O Dia, no fim da sua carreira profissional.

    O conceito de Açorianidade

    O conceito de "Açorianidade" foi definido por Nemésio em 1932 e, desde então, foi amplamente divulgado em contextos bem diferenciados, desde estudos de âmbito literário a intervenções de ordem política. Naquele ano, por ocasião do V Centenário do Descobrimento dos Açores, afirmou:
    "(...) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.
    Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições, com um temperamento e uma forma literária cépticos, - o basco espanhol Baroja, - escreveu um livro chamado Juventud, Egolatria 'O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio'. Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto do mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes (...)
    Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (...)
    (...) Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo - e o tempo é espírito em fieri (...)
    Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.
    Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba."
    Posteriormente, em 1975, em quatro novos textos publicados no Diário Insular, o mesmo foi retomado e aprofundado. É o próprio Nemésio que recorda:
    "Outro sintoma linguístico da impulsividade afirmativa dos Açores como etnia ou espaço geográfico originais está no emprego da palavra 'açorianidade'. Quem escreve estas linhas passa por inventor desse vocábulo, há bons quarenta anos. Luís Ribeiro, o insigne etnógrafo e jurisconsulto açoriano de 'Os Açores de Portugal' - opúsculo de grande valia, pela posição de contraste, para o emancipalismo de hoje - foi um dos que generosamente me 'patentearam' por tão pobre criação vocabular. Porque lia então muitos ensaístas espanhóis, incluindo o clássico Pi y Margall de 'Las nacionalidades', decalquei sobre 'hispanidade e argentinidade' (Unamuno) o meu 'açorianidade' ".
    IN "WIKIPÉDIA"
    8– POSTAIS DE HÁ CEM ANOS
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