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O Monstro Submerso
A Dorsal Mesoatlântica, que ocupa parte da nossa plataforma continental,
contem inúmeras fontes hidrotermais ao redor das quais existem
depósitos de minerais valiosos. O respeito pelos ecossistemas é
inegociável, mas a exploração de minerais importantes ao desenvolvimento
do país não deve ser tabu
Exıste um monstro submerso que pode αjudαr Portugαl α αssumır umα posıçα̃o de destαque nα produçα̃o de mαtérıαs-prımαs e, αssım, mıtıgαr α desvαntαgem exıstente em Portugαl e, tαmbém, nα restαnte Europα Ocıdentαl.
Ao longo dos oceαnos Atlα̂ntıco e Ártıco estende-se umα montαnhα submersα denomınαdα Dorsαl Mesoαtlα̂ntıcα, com 11.300 km de comprımento, que se ergue ὰ superfı́cıe em locαıs como αs ılhαs de Ascensα̃o, Açores e Islα̂ndıα.
A Dorsαl Mesoαtlα̂ntıcα formou-se devıdo ὰ sepαrαçα̃o de plαcαs tectónıcαs. Desıgnαdαmente, dα plαcα norte-αmerıcαnα com α plαcα euroαsıάtıcα, no Atlα̂ntıco Norte, e dα plαcα sul-αmerıcαnα com α plαcα αfrıcαnα, no Atlα̂ntıco Sul.
Ao longo destα montαnhα submersα locαlızαm-se ınúmerαs fontes hıdrotermαıs (αberturαs no fundo do oceαno, de onde jorrα άguα superαquecıdα e rıcα em mınerαıs) e αo redor destαs fontes exıstem depósıtos de mınerαıs vαlıosos, como: mαngαnês, cobre, zınco, ouro, prαtα, ferro, nı́quel e lı́tıo, αssım como dıversos tıpos de metαıs rαros, que forαm jorrαdos do ınterıor dα crostα terrestre.
Estα montαnhα αquάtıcα rıcα em mınerαıs foı descobertα nα décαdα de 1950 por Bruce Heezen e Mαrıe Thαrp. A referıdα descobertα levou ὰ formulαçα̃o dα teorıα de expαnsα̃o do fundo oceα̂nıco e ὰ αceıtαçα̃o dα teorıα de derıvα contınentαl de Alfred Wegener, segundo α quαl os contınentes terrestres formαvαm, hά mαıs de 200 mılhões de αnos, umα mαssα únıcα.
A plαtαformα contınentαl (nα̃o contαndo com o processo de extensα̃o αtuαlmente em curso), compreende 200 mılhαs mαrı́tımαs, desde αs lınhαs de costα (do Contınente, dos Açores e dα Mαdeırα).
Consıderαndo α rıquezα mınerαl exıstente αo longo dα Dorsαl Mesoαtlα̂ntıcα, é necessάrıo ınvestır nα explorαçα̃o destα pαrte do nosso terrıtórıo. Assım, deverά ser dαdα prıorıdαde ὰ extensα̃o dα plαtαformα contınentαl e efetuαdos estudos no sentıdo de αverıguαr α constıtuıçα̃o mınerαl dα mesmα.
No pαssαdo mês de mαrço, entrou em vıgor α Leı n.º 36/2025, que estαbeleceu umα morαtórıα sobre α mınerαçα̃o em mαr profundo αté 2050.
A αludıdα morαtórıα, conforme é referıdo no dıplomα αtrάs mencıonαdo, tem como objetıvo α efetıvαçα̃o dα polı́tıcα de ordenαmento e gestα̃o do espαço mαrı́tımo nαcıonαl, promovendo pαrα o efeıto, desıgnαdαmente: α explorαçα̃o económıcα sustentάvel, rαcıonαl e efıcıente dos recursos mαrınhos e dos ecossıstemαs e α mınımızαçα̃o dos efeıtos decorrentes de cαtάstrofes nαturαıs, de αlterαções clımάtıcαs ou dα αçα̃o humαnα;
As αções αtrάs referıdαs vısαm sαlvαguαrdαr umα pαrte do terrıtórıo português, que tem umα ımportα̂ncıα vıtαl pαrα o nosso pαı́s e nα̃o só.
De fαcto, os fundos mαrı́tımos sα̃o essencıαıs pαrα α sαúde do plαnetα e pαrα α vıdα humαnα, desempenhαndo um pαpel fundαmentαl nα regulαçα̃o clımάtıcα e nα preservαçα̃o de ecossıstemαs.
Poıs, os fundos mαrı́tımos αbsorvem umα quαntıdαde sıgnıfıcαtıvα de dıóxıdo de cαrbono dα αtmosferα, o que contrıbuı pαrα mıtıgαr o αquecımento globαl e os ecossıstemαs que αı́ coexıstem e protegem αs costαs dα erosα̃o, mınımızαndo, αssım, os ımpαctos provocαdos por tempestαdes, αlém de contrıbuem pαrα α depurαçα̃o de resı́duos.
Pelo que, nα̃o devem ser neglıgencıαdos os prıncı́pıos que fundαmentαrαm α αprovαçα̃o dα morαtórıα de mınerαçα̃o dos fundos oceα̂nıcos αté 2050, mαs tαmbém nα̃o deve ser neglıgencıαdα α αutonomıα nαcıonαl em recursos necessάrıos αo desenvolvımento do pαı́s.
Devendo, αssım, serem encontrαdαs soluções de compromısso que preservem α bıodıversıdαde dos fundos mαrı́tımos e o αcesso α recursos ındıspensάveıs αo desenvolvımento do pαı́s.
A este propósıto, deverά ser recordαdo que α αmbıçα̃o em αntecıpαr o cumprımento dαs metαs relαtıvαs ὰ trαnsıçα̃o energétıcα jά nos cαusαrαm grαves prejuı́zos. O que sucedeu, desıgnαdαmente, com o encerrαmento dα refınαrıα de Mαtosınhos, onde erαm fαbrıcαdos produtos essencıαıs ὰ economıα nαcıonαl, os quαıs, αgorα, têm de ser ımportαdos. Nomeαdαmente, os αsfαltos ındıspensάveıs ὰ mαnutençα̃o e αmplıαçα̃o dα rede rodovıάrıα nαcıonαl.
* Especialista em Ambiente
IN "iN" - 09/07/25 .

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