14/01/2019

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HOJE NO 
"A BOLA"
Jogadores do Casa Pia interrogam presidente da Federação

Em carta aberta publicada nas redes sociais, os jogadores do Casa Pia a questionar o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, em torno do castigo aplicado ao treinador Rúben Amorim.

«Carta aberta dos jogadores do Casa Pia ao presidente da FPF

Caro Presidente, escrevemos-lhe estas palavras para lhe colocarmos algumas questões sobre o estado do futebol português e para demonstrar a nossa incredulidade por nos terem retirado seis pontos no Campeonato de Portugal, referentes a dois jogos. Dois jogos difíceis, em que tivemos de nos aplicar ao máximo e que ganhámos com toda a justiça, dentro de campo. Dois jogos que colocam toda a época desportiva e os nossos objetivos em causa. Relembramos-lhe que somos um plantel amador e que joga futebol essencialmente pela paixão que temos pela nossa modalidade.
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Qual é o seu sentimento ao saber que o que está em causa é o nosso treinador estagiário, por acaso um ex jogador profissional e internacional pelo nosso país, ter estado em pé ocasionalmente no banco durante estes dois jogos?

Não conseguimos compreender como é possível a retirada dos pontos, além de todas as sanções de que o clube vai ser alvo.

14 mil euros de multa para o clube, Presidente? Como é possível a aplicação destas multas pela instituição que mais deveria proteger os interesses do futebol português não profissional? A mesma instituição que apregoa a defesa e promoção destes mesmos clubes?!

14 mil euros dá, seguramente, para pagar mais de um mês de subsídios do plantel, equipa técnica e restante staff. O que acontecerá se o clube não tiver capacidade financeira até ao fim do ano? Quem toma estas decisões tem noção da magnitude deste valor relativamente ao orçamento anual do clube?

Deparamo-nos, todos os fins de semanas, com situações graves com clubes da primeira e segunda ligas, que se resumem a multas de pouco mais de mil, dois mil euros. Situações que muitas vezes envolvem violência, ataques de ódio a agentes do futebol e que mancham gravemente a imagem do nosso futebol.

Como justifica a aplicação destas multas a um clube que, como é natural, não tem a saúde e robustez financeira dos clubes profissionais?

Como é possível a suspensão de um jovem treinador português que na prática vai ficar suspenso durante dois anos, sem provas factuais de incumprimento das leis existentes? Relembramos-lhe que é um profissional que representou a nossa Seleção como jogador por 14 vezes e que aceitou o desafio de nos ajudar diariamente com a sua experiência. Será o estar de pé ocasionalmente durante os jogos a dar indicações aos jogadores uma atitude assim tão grave?

A nossa grande questão, Presidente, é como é que justifica o facto de nunca ter existido a aplicação de sanções idênticas a todos os treinadores adjuntos/estagiários, diretores ou médicos que fazem o mesmo, semana após semana, ano após ano, na primeira e segunda ligas? Será isto a promoção e defesa do futebol português de que a instituição desportiva que preside tanto se orgulha?

Será que os órgãos de soberania do futebol português têm dois pesos e duas medidas?

Esperamos que o recurso para as instituições competentes ajude a limpar mais uma situação no mínimo vergonhosa no futebol português, que altera a verdade desportiva e que coloca em risco toda a credibilidade do Campeonato de Portugal e o futuro de um jovem treinador português.

O futebol, no sentido mais puro, joga-se nestas divisões secundárias. Por favor, Presidente, não deixe que estraguem o que resta dele.»

* O futebol é para endinheirados, não tenham ilusões. O sr. Fernando Gomes não quer futebol para pobres, não dá alvíssaras.

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