15/06/2014

HELENA GARRIDO

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Capital e classe média

A Avenida da Liberdade em Lisboa pode ser a imagem do agravamento da desigualdade em Portugal. As dificuldades que as economias ocidentais estão a enfrentar para saírem da crise pode ser um sintoma do esmagamento da classe média. O sucesso de 'Capital no século XXI', do economista francês Thomas Piketty, revela o reconhecimento de um problema.

Mesmo que parte dos economistas discordem da proposta de Piketty para combater a tendência de agravamento das desigualdades, o facto de se falar do Capital, a ponto de o comparar com o outro, de Marx, é um abalo para as consciências.

Na versão simplificada do trabalho do economista francês, as desigualdades agravam-se sempre que a rendibilidade do capital ultrapassa o crescimento da economia. E esta desigualdade verifica-se especialmente em tempos de estagnação.

Ignorar aquilo que está a acontecer à classe média nos países desenvolvidos, com especial relevo para os periféricos do euro e para os Estados Unidos, é colocar em risco o regime em que temos vivido.

O distanciamento dos cidadãos em relação à política tem de ser igualmente lido como o resultado do que aconteceu à classe média durante a última década meia. Primeiro foi incentivada a endividar-se. Depois recebeu a factura em dinheiro e culpa. Nem o capitalismo nem a democracia sobrevivem sem classe média.

IN "SÁBADO"


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