Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
08/11/2010
MAGADALENA »»»» CONTORCIONISTA
ALMORRÓIDA ESPERANÇADA
Português cria primeiro fígado
em laboratório
Pedro Baptista espera conseguir fazer um transplante em humanos daqui a cinco a dez anos. Hepatologistas dividem-se quanto à funcionalidade do órgão agora criado
Um investigador português é o líder da equipa que promete revolucionar o transplante de fígado. Pedro Baptista criou pela primeira vez em laboratório um fígado humano. Para já só tem 2,5 centímetros e pesa pouco mais de cinco gramas, mas o objectivo agora passa por descobrir a fórmula para o fazer crescer.
"Se as coisas correrem bem nas experiências com os ratos, ou seja, se o órgão tiver a função que nós esperamos, então começaremos a tentar aumentar o seu tamanho e o transplante numa espécie maior", explicou Pedro Baptista, que publicou a sua investigação no jornal Hepatology. O investigador realçou ainda que "este é um passo importante para os doentes porque são os primeiros fígados alguma vez feitos em laboratório que têm a função de um fígado humano".
Pedro Baptista, de 33 anos, está a trabalhar nos Estados Unidos, no Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade de Wake Forest, na Carolina do Norte. Este instituto tem-se destacado nesta área e foi nos seus laboratórios que foi criado o primeiro órgão implantado em humanos, nomeadamente, a bexiga.
Com o problema de falta de órgãos para transplante a aumentar, com grande incidência no fígado, "esta descoberta de Pedro Baptista é muito relevante" na opinião do médico Manuel Guilherme Macedo. O hepatologista espera que se torne realidade o objectivo de criar um fígado que possa ser transplantado, mas salientou que já houve projectos em que houve grande entusiasmo mas que depois não se concretizaram.
"Com este avanço passa a existir um modelo para que se possa testar a toxicidade de novos fármacos no fígado. Será uma forma de optimizar esta investigação", disse ao DN o especialista. Isto é, pode ser uma forma de evitar testes em humanos e Pedro Baptista confirma que este é um dos primeiros objectivos da sua investigação, já que o ter um fígado pronto para transplante pode demorar cinco a dez anos, na perspectiva do português.
"Para o metabolismo de drogas e de toxicidade de químicos faz mais sentido usar este tipo de tecido, com células humanas, do que os tecidos de células animais, porque nem sempre os órgãos animais metabolizam as drogas e os químicos da mesma maneira do que os humanos", referiu o investigador de 33 anos.
O hepatologista Rui Tato Marinho mostra-se mais céptico quanto à possibilidade de se conseguir criar um fígado para ser transplantado, mas referiu ao DN que esta investigação poderá ser importante para ajudar os doentes a ganharem tempo enquanto esperam pelo transplante de um órgão verdadeiro (ver entrevista).
Mas Pedro Baptista avisou em declarações à Lusa: "Enquanto não tentar o transplante, que é o que estou a fazer, não vou arredar pé daqui [do instituto]."
IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
08/11/10
MARTIM AVILEZ FIGUEIREDO
Pense oblíquo
Há um caminho que pode tirar Portugal da crise, mas obriga a pensar oblíquo. Um economista teorizou e o Dubai experimentou. Siga esta linha.
Portugal é hoje um país onde todos têm razão. Benjamin Franklin, o chefe de correios que acabou pai fundador dos Estados Unidos da América, disse assim um dia: "Que conveniente é ser uma criatura racional, isso permite-nos encontrar sempre justificações para as nossas ações". Parece que adivinhava.
É preciso lembrar: um orçamento do Estado é um compromisso com os cidadãos, uma negociação sobre a forma como um Governo se propõe gerir os recursos que são de todos. Ou seja, é um documento político, não um manual de finanças. E esta diferença importa: pode estar aqui a saída para a crise. Repare-se.
Primeiro: Portugal, os portugueses todos sabem que o aumento do IVA é inevitável e que as reduções dos salários dos funcionários públicos um problema que vem sendo adiado desde que eles dispararam (no pós -25 de Abril).
Segundo: Todos percebem, igualmente, que o Orçamento precisa de sinais do lado da economia. A redução da taxa social única, que o PSD e os principais economistas pedem, é uma solução boa. George Soros, esse mago de fazer dinheiro, disse esta semana: "Não se pode querer resolver o problema das finanças públicas de uma vez. Procurar o equilíbrio num ano é a receita para o desastre". Pois: mas quem empresta dinheiro tem medo de o fazer a Portugal - quer ver o país a acertar os seus gastos com aquilo que ganha. A cumprir o défice. O que permite avançar no raciocínio.
Terceiro: O défice é uma criação política. Nenhum financeiro, ou nenhum credor, empresta dinheiro a quem tem saldo negativo na conta. Politicamente, porém, decidiu-se outra coisa: não faz mal se o saldo negativo for inferior a 3%. E aqui está o ponto: politicamente aceita-se que os Estados apresentem saldos negativos. Aconteceu na Irlanda - politicamente encaixou-se um défice de 30%. Disparate?
Quarto: John Kay, o mais desconhecido entre os conhecidos economistas geniais, escreveu há uns meses um livro curioso. Nome: "Obliquity". Obliquidade, em engenharia de sistemas, é a teoria que diz que a melhor forma de atingir um objetivo quando se intervém sobre sistemas complexos consiste em tomar um caminho indireto - nunca o mais óbvio e direto. Kay aplicou-o à economia - quando a solução mais direta parece a melhor, procure-se a indireta, a linha oblíqua. Qual?
Quinto: Em novembro do ano passado o faustoso Dubai disse assim aos credores: é preciso renegociar a dívida, ganhar tempo para pagar os quase 40 mil milhões de euros combinados. Os credores estranharam: viram depois o novo Plano Estratégico do País, com um plano de crescimento até 2015. E aceitaram a solução oblíqua: injetar o dinheiro da dívida nessa estratégia de crescimento. Disse em setembro o xeque Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, celebrando a obliquidade: "É claro que estamos de volta".
Sexto: Portugal, em 2011, tem de pagar 6,3 mil milhões de euros de juros sobre a dívida. O PEC II, esse documento esquecido, prometia investir pouco mais de um terço em três anos. A linha oblíqua diz: invistam-se os 6 mil milhões já - para animar a economia. Falta cá um xeque, para que os credores acreditem? Mude-se obliquamente o nome da chanceler alemã: El Mer kel. Aposto: ela prefere comprar uma dívida dilatada do que uma economia que, para pagar este ano, não paga a seguir. Não é fácil - é política, a arte de fazer os outros acreditar. Mas do Conselho de Estado, ontem, saíram linhas retas - essas que nada valem perante problemas complexos.
IN "EXPRESSO"
06/11/10
ALMORRÓIDA APADRINHADA
Apadrinhamento civil.
O Simplex da adopção?
Dentro de dias vai ser possível acolher crianças, mas sem que estas quebrem o vínculo com os pais biológicos. Especialistas duvidam da eficácia
Menos demorado do que um processo de adopção e mais duradouro e estável do que um processo de acolhimento familiar. O apadrinhamento civil - a nova figura jurídica que permite acolher uma criança ou jovem em risco desde que não se quebrem os laços com a família biológica - entra em vigor dentro de 50 dias e é uma espécie de Simplex da adopção. Resolve os casos em que os menores não reúnem as condições para ser adoptados e é, pelo menos, mais rápido do que um processo de adopção: no prazo de seis meses, quem apresentar candidatura terá resposta a indicar se está ou não habilitado a ser padrinho civil. Só que é necessário que os pais biológicos concordem com o apadrinhamento. E que, depois de estabelecido o compromisso, os padrinhos civis aceitem receber visitas da família de origem do afilhado em casa, concordem com o envio de fotos ou outros documentos de imagem a documentar o crescimento da criança e, ainda, se esforcem para que o vínculo aos progenitores não seja quebrado.
Falhas A obrigatoriedade da manutenção dos laços com a família de origem é um dos pontos que os especialistas criticam nesta nova figura jurídica. Luís Villas-Boas, psicólogo e director do Refúgio Aboim Ascensão, alerta para "o efeito perturbador" que o contacto com as duas famílias pode ter na criança ou no jovem apadrinhado. "Essa divisão por pais e padrinhos pode dificultar a construção de um projecto de vida", avisa. Villas-Boas - que foi responsável pela Comissão de Revisão da Lei da Adopção - socorre-se ainda do fracasso da adopção restrita (modalidade que prevê continuação dos contactos com a família biológica mas que quase não é escolhida pelos candidatos a adopção) para mostrar que "poucos serão os que querem adoptar uma criança, mantendo a família de origem por perto".
IN "i"
06/11/10
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