20/11/2011

10 - VULTOS DA CULTURA DA TERCEIRA REPÚBLICA »»» natália correia


Natália de Oliveira Correia(Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993[ foi uma intelectual, poetisa e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. 

 Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC).
A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas publicações portuguesas e estrangeiras. 

Foi uma figura central das tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960. Ficou conhecida pela sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.

Biografia
Quando tinha apenas onze anos o pai emigra para o Brasil, fixando-se Natália com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde faz estudos liceais no Liceu D. Filipa de Lencastre. Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao público infanto-juvenil mas rapidamente se afirmou como poetisa.
Notabilizada através de diversas vertentes da escrita, já que foi poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora[3], tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, com o programa Mátria, onde advogou uma forma especial de feminismo (afastado do conceito politicamente correcto do movimento), o matricismo, identificador da mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.

Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo, tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969). 

Foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia, uma das grandes editoras portuguesas do tempo.

A sua intervenção política pública levou-a ao parlamento, para onde foi eleita em 1980[3] nas listas do PPD (Partido Popular Democrático), passando a independente. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares, das quais ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a réplica satírica que fez a um deputado do CDS sobre a fertilidade do mesmo.

 Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira ("a irmã que nunca tive"), José-Augusto França ("a mais linda mulher de Lisboa")[2], Luiz Pacheco ("esta hierofântide do século XX"), Almada Negreiros, Mário Cesariny ("era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo"),[4] Ary dos Santos ("beleza sem costura")[5], Amália Rodrigues, Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento do espectáculo de café-concerto em Portugal, na figura do polémico travesti Guida Scarllaty, o actor Carlos Ferreira, na época um jovem arquitecto de quem era grande amiga. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.

Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Ordem da Liberdade; era já detentora da Ordem de Santiago.

Natália Correia casou quatro vezes. Após dois primeiros curtos casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luiz Machado (1904-1989), a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já viúvo, casamento este que durou até à morte deste, a 17 de Fevereiro de 1989. (São já notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo Luiz Machado.) Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, celebrou um casamento de conveniência com o seu colaborador e amigo Dórdio Guimarães.

Morte
Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada, instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca privada.

Cronologia
* 1923 - A treze de Setembro, nasce na Fajã de Baixo (Ilha de São Miguel) Natália de Oliveira Correia. É filha de Maria José de Oliveira e de Manuel de Medeiros Correia. A mãe é professora primária e virá a publicar alguns romances nos anos 40.
* 1929 - O pai emigra para o Brasil. Natália e a sua irmã Cármen tornam-se alunas da própria mãe.
* 1934 - Vivendo já em Ponta Delgada, Natália inscreve-se no 1º ano do Liceu Antero de Quental. No entanto, em Outubro, Maria José pede pede transferência das filhas para o Liceu D. Filipa de Lencastre, em Lisboa, cidade onde passam a residir com a mãe.
* 1935 - A partir de Janeiro frequenta o Liceu D. Filipa de Lencastre.
* 1938 - Maria José de Oliveira funda um colégio particular na Rua Moraes Soares, onde passa a morar com as filhas.
* 1942 - a 14 de Setembro, Natália casa com Álvaro dos Santos Dias Pereira e fica a residir na Rua Rodrigo da Fonseca.
* 1944/5 - Jornalista no Rádio Clube Português, Natália conhece Tomaz Ribas, Mário Soares e assina as listas do M.U.D. (Movimento de Unidade Democrática). O escultor Martins Correia (outro amigo de juventude) oferece-lhe o busto intitulando-o Poeta.
* 1946 - A 7 de Abril, publica o seu 1º poema («Manhã Cinzenta») no jornal Portugal, Madeira e Açores, bem como o romance Anoiteceu no Bairro.
* 1947 - Colabora em diversas publicações e dá à estampa o seu primeiro livro de poemas - Rio de Nuvens.
* 1949 - Após um casamento efémero com o norte americano William Creighton Hylen (celebrado em Marrocos), visita com ele a costa leste dos Estados unidos. Convive em Lisboa com Isabel Meyrelles e Cruzeiro Seixas. Apoia a candidatura de Norton de Matos à Presidência da Républica.
* 1950 - Desfeita a relação com William, casa com Alfredo Machado (17 de Agosto) e passa a morar na Rua Marquès de Fronteira. Conhece Mário Cesaryni e Eugénio de Andrade.
* 1951 - Publica o livro de viagens Descobri que era Europeia.
* 1952 - Conhece David Mourão-Ferreira. A mãe de Natália parte para o Brasil com a filha Cármen, curiosamente no mesmo navio em que regressará Manuel Correia.
* 1953 - Natália instala-se definitivamente com o marido na Rua Rodrigues Sampaio, nº 52, 5º andar, onde permanecerá até à morte.
* 1955 - Publicação de Poemas. Natália convive assiduamente com David Mourão-Ferreira, Urbano Tavares Rodrigues e Mário Cesariny, de quem apresenta Manual de Prestidigitação em sua casa.
* 1956 - Morte da mãe de Natália no Brasil.
* 1957 - Publica o livro de Poesia Dimensão Encontrada.
* 1958 - Publica Passaporte e Comunicação (ambos de poesia) e o ensaio Poesia de Arte e Realismo Poético. Apoia a candidatura do Gen. Humberto Delgado à Presidência da Républica.
* 1960 - Grava o disco Natália Correia diz poemas de sua Autoria. Visita à Suécia e a Paris. Amizade com Fernanda de Castro.
* 1961 - Publicação de Cântico do País Emerso.
* 1962 - Natália conhece Dórdio de Guimarães e participa no congresso da «Comunitá Europea degli Serittori», em Itália.
* 1965 - Publicação d' O Homúnculo (texto dramático).
* 1966 - Natália Correia publica a Antologia de Poesia Erótica e Satírica, que na altura causa escândalo.
* 1968 - publica Mátria (poesia), a Madona (romance) e colabora no Diário de Notícias com a série de crónicas «O Poeta e o Mundo».
* 1969 - Publicação d' O Vinho e a Lira (poesia) e da pela O Encoberto que foi logo apreendido pela censura. Ao lado de Mário Soares, integra a C.E.U.D. (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática).
* 1970 - Natália é julgada pela publicação da Antologia de Poesia Erótica e Satírica, sendo condenada a três anos de prisão com pena suspensa. Publica ainda As Maçãs de Orestes (poesia) e antologias de poesia medieval.
* 1971 - Natália cria com Isabel Meyrelles a sociedade que dará origem ao bar «Botequim». Torna-se também directora da editora Estúdios de Cor.
* 1972 - publica a Mosca Iluminada (poesia) e escreve o libretto da cantata D. Garcia, com música de Joly Braga Santos.
* 1973 - Natália Correia deixa os Estúdios Cor e torna-se directora da Arcádia. Publica duas antologias (A Mulher e O Surrealismo na Poesia Portuguesa), além do livro O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (poesia).
* 1974 - Natália acolhe o 25 de Abril com entusiasmo. Publica o ensaio Uma Estátua para Herodes e inicia as «Crónicas Vagantes» no vespertino A Capital. O «Botequim» passa a ser frequentado por muitos políticos.
* 1975 - Publicação de Poemas a Rebate. N'A Capital a comissão de trabalhadores censura uma das suas crónicas e o director, David Mourão-Ferreira, demite-se por solidariedade. Durante o processo Revolucionário o «O Botequim» torna-se um dos centros do debate político em defesa da democracia pluralista. Aí se reúnem, por exemplo, Ramalho Eanes, Helena Roseta, Mota Amaral, Fernando Dacosta e os militares do «Grupo dos Nove».
* 1976 - Natália Correia Torna-se assessora do gabinete de David Mourão-Ferreira, então Secretário de Estado da Cultura, e directora da revista Vida Mundial. Publica ainda outro livro de Poemas (Epístola aos Iamitas).
* 1977 - Escreve um livro sobre Mário Cesariny, em colaboração com Lima de Freitas. A peça O Encoberto, é estreada no Auditório de Ponta Delgada, numa encenação de Carlos Avillez.
* 1978 - Publicação de Não Percas a Rosa - Diário e Algo Mais. Viagens a Inglaterra e aos Estados Unidos, onde lê poemas e faz conferências.
* 1979 - Desloca-se à ilha de São Miguel para acompanhar as filmagens de Santo Antero, filme de Dórdio de Guimarães, e proferir uma palestra sobre Vitorino Nemésio. Convive com Francisco Sá Carneiro e Snu Abecassis. É eleita Deputada à Assembleia da República, como independente, nas listas do P.P.D. Publica ainda o Dilúvio e a Pomba (poesia).
* 1980 - Natália Correia distingue-se por uma intensa actividade parlamentar. Acompanha o Presidente da República, Ramalho Eanes, na visita oficial à Áustria.
* 1981 - É condecorada pelo Presidente Eanes com a Ordem Militar de Sant' Iago Espada (Grande Oficial). Publica a peça teatral Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente.
* 1982 - Desloca-se aos Açores e à Alemanha Federal. Estreia na R.T.P. o programa «Neste Lugar Onde», de que é autora. Publica a Antologia de Poesia do Período Barroco e mantêm-se muito activa como deputada.
* 1983 - Continua a participar em vários programas televisivos e publica três livros: O Armistício (poesia), A Pécora (teatro) e a Ilha de Circe (romance).
* 1984 - Convidada pelo Presidente Ramalho Eanes (a quem se liga cada vez mais), profere o discurso do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (10 de Junho). É nomeada membro do Conselho de Imprensa e do Conselho para a Comunicação Social (cargos que ocupará até 1988).
* 1985 - Desloca-se à antiga União Soviética numa delegação portuguesa, saudando a Perestroika de Gorbatchov.
* 1986 - Escreve o Hino dos Açores. A R.T.P. começa a emitir a série «Mátria», concebida e apresentada por Natália Correia.
* 1987 - É de novo eleita deputada à Assembleia da República mas desta vez como independente nas listas do P.R.D. (próximo de Ramalho Eanes). Publica Onde Está o Menino Jesus? (ficção). A 8 de Março (dia Internacional da Mulher), o Centro Cultural Emmerico Nunes organiza em Sines uma exposição sobre a obra de Natália Correia.
* 1988 - representação da peça Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente pelo Teatro Experimental de Cascais (enc. de Carlos Avillez). Publicação do ensaio Somos Todos Hispanos.
* 1989 - A 17 de Fevereiro, morre Alfredo Machado, marido de Natália Correia . Deslocações à ilha de São Miguel (integrada na Presidência Aberta de Mário Soares), a Espanha, a França e ao Brasil, onde é homenageada. O Grupo de teatro «A Comuna» estreia em Outubro a sua peça de teatro A Pécora.
* 1990 - Publica Sonetos Românticos (poesia). A 17 de Março casa com Dórdio Guimarães, amigo de sempre. Viaja pela Galiza, onde profere diversas conferências.
* 1991 - Natália Correia recebe o Grande Prémio da Poesia A.P.E. pela publicação de Sonetos Românticos, sendo condecorada pelo Presidente Mário Soares com a Ordem da Liberdade (Grande Oficial). Efectua deslocações aos Açores, a Macau e a Bruxelas, onde participa na Europália dedicada a Portugal. deixa de ser deputada à Assembleia da República.
* 1992 - Publica As Núpcias (romance). Desloca-se de novo aos Açores para dar conferências. Juntamente com outros escritores, cria a Frente Nacional para a Defesa da Cultura.
* 1993 - Em Fevereiro efectua a sua última viagem - neste caso a Marrocos (Rabat), onde participa num Encontro Luso-Marroquino de Cooperação. Depois de ter estado na noite de 15 de Março no «Botequim», acompanhada de Dórdio de Guimarães, Natália Correia morre na sua casa de Lisboa na madrugada de 16 de Março. Nesse mesmo ano o Círculo de Leitores publica a sua obra poética completa em dois volumes (O Sol nas Noites e o Luar nos Dias).
* 1994 - O Círculo de Leitores publica o volume Retrato de Natália Correia.

Bibliografia activa
* Grandes Aventuras de um Pequeno Herói (romance infantil), 1945
* Anoiteceu no Bairro (romance), 1946 ; 2004
* Rio de Nuvens (poesia), 1947
* Descobri Que Era Europeia: impressões duma viagem à América (viagens), 1951 ; 2002
* Sucubina ou a Teoria do Chapéu (teatro), em colab. com Manuel de Lima, 1952
* Poemas (poesia), 1955
* Dimensão Encontrada (poesia), 1957
* O Progresso de Édipo (poema dramático), 1957
* Passaporte (poesia), 1958
* Poesia de Arte e Realismo Poético (ensaio), 1959
* Comunicação (poema dramático), 1959
* Cântico do País Emerso (poesia), 1961
* A Questão Académica de 1907 (ensaio), 1962
* Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade (Antologia), 1965 ; 2000
* O Homúnculo, tragédia jocosa (teatro), 1965
* Mátria (Poesia), 1967
* A Madona (Romance), 1968 ; 2000
* O Encoberto (Teatro), 1969 ; 1977
* O Vinho e a Lira (Poesia), 1969
* Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses (Antologia), 1970 ; 1998
* As Maçãs de Orestes (Poesia), 1970
* Trovas de D. Dinis, [Trobas d'el Rey D. Denis] (Poesia), 1970
* A Mosca Iluminada (Poesia), 1972
* O Surrealismo na Poesia Portuguesa (Antologia), 1973 ; 2002
* A Mulher, antologia poética (Antologia), 1973
* O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (Poesia), 1973
* Uma Estátua para Herodes (Ensaio), 1974
* Poemas a Rebate, (poemas censurados de livros anteriores) (poesia), 1975
* Epístola aos Iamitas (poesia), 1976
* Não Percas a Rosa. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975) (Diário), 1978 ; 2003
* O Dilúvio e a Pomba (poesia), 1979
* Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente (teatro), 1981 ; 1991
* Antologia de Poesia do Período Barroco (antologia), 1982
* Notas para uma Introdução às Cantigas de Escárnio e de Mal-Dizer Galego-Portuguesas (ensaio), 1982
* A Ilha de Sam Nunca: atlantismo e insularidade na poesia de António de Sousa (antologia), 1982
* A Ilha de Circe (romance), 1983 ; 2001
* A Pécora, peça escrita em 1967 (teatro), 1983 ; 1990
* O Armistício (poesia), 1985
* Onde está o Menino Jesus? (contos), 1987
* Somos Todos Hispanos (ensaio), 1988 ; 2003
* Sonetos Românticos (poesia), 1990 ; 1991
* As Núpcias (romance), 1992
* O Sol nas Noites e o Luar nos Dias (poesia completa), 1993 ; 2000
* Memória da Sombra, versos para esculturas de António Matos (poesia), 1993
* D. João e Julieta, peça escrita em 1959 (teatro), 1999
* A Ibericidade na Dramaturgia Portuguesa (ensaio), 2000
* Breve História da Mulher e outros escritos (antologia de textos de imprensa), 2003
* A Estrela de Cada Um (antologia de textos de imprensa), 2004

Apontamentos poéticos
1 -
Em 1966 é condenada a três anos de cadeia – com pena suspensa – pela publicação da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica. O livro foi editado em 1966, pela Afrodite, com selecção, prefácio e notas de sua autoria.

“A Natália tinha preparado um texto – A Defesa do Poeta – para ler no tribunal [Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de tenebrosa memória(…)]. Mas o Manuel João Palma Carlos, advogado dela, disse-lhe que não o fizesse. É claro que os livreiros não podiam ter um único exemplar do livro [Poesia Erótica e Satírica]. Nessa altura, tive dezenas de exemplares escondidos em minha casa, e nem o meu marido sabia disso. O Fernando Ribeiro de Mello vinha cá de vez em quando buscar alguns.”

A defesa do poeta

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.

2 -
João Morgado, Deputado do CDS disse na Assembleia da Republica, no Dia 3 de Abril de 1982, no debate sobre a Despenalização do Aborto, assim:

«O acto sexual é para ter filhos»

A resposta de Natália Correia, Deputada, disse como resposta e em poema, o a seguir descrito que fez rir todas as bancadas parlamentares, sem excepção!
Foi publicado depois, pelo Diário de Lisboa em 5 de Abril desse ano, tendo os trabalhos parlamentares sido interrompidos por isso:

“Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;

e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -

Uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.”

(Natália Correia - 3 de Abril de 1982)

WIKIPÉDIA
.
CUBA
DISTRITO DE BEJA





O Concelho de Cuba pertence ao distrito de Beja, situando-se a 18 km desta e a uma altitude média de 187 metros. É um dos Concelhos mais pequenos do Distrito, com uma área de cerca de 170 Km2.

Limitado pelos Concelhos de Viana do Alentejo e Portel, a Norte; pelo de Vidigueira, a Este, pelo de Beja, a Sul; e pelos de Ferreira do Alentejo e Alvito, a Oeste; é constituído pelas Freguesias de Cuba (a mesma Sede de Concelho), Vila Alva, Faro do Alentejo e Vila Ruiva. Esta última freguesia é constituída pelas aldeias de Vila Ruiva e Albergaria dos Fusos.


O Concelho de Cuba situa-se numa zona de Pediplanície, com relevo suave, onde os declives dominantes oscilam entre os 0% e os 16% (PDM de Cuba:1983). 

Apesar do seu tamanho, apresenta alguma diversidade de paisagem que define áreas de morfologia distintas:

* Uma zona plana onde o relevo possui pouca ondulação e os solos são, no geral, espessos e barrentos (incluindo-se nos barros de Beja), com altitudes que oscilam entre os 100 e os 200 metros;
* Zonas mais onduladas particularmente a Norte de Vila Ruiva e Vila Alva em direcção a Alvito, pontuada por pequenas rechãs e vales encaixados, oscilando as altitudes em tornos dos 200 a 400 metros;
* Uma zona de tipo estepe que corresponde de grosso modo à Freguesia de Faro do Alentejo onde, curiosamente, no decorrer da Carta Arqueológica se verificou tratar-se da área com menor densidade de Jazidas arqueológicas identificadas.

Salienta-se ainda a cadeia de relevo orientada E - W, que constitui o prolongamento da Serra de Portel, de forte impacto na paisagem, o que marca a transição entre a Pediplanície e as zonas de relevo mais ondulado. É ao longo desta cadeia montanhosa, que constitui como que uma barreira entre as zonas de relevo mais acidentado e a planície, que se implantaram os povoados de altura Calcolíticos.

Hidrograficamente implantam-se entre as bacias hidrográficas do Sado e do Guadiana. As linhas de água são de regime torrencial, existindo caudal significativo apenas durante e após a ocorrência de precipitação, sendo quase nulo, durante a maior parte do ano.

Apresenta-se um clima de feições mediterrânicas, com Verões muito quentes e secos e Invernos frios e húmidos.
Gentílico Cubense
(o gentílico cubano refere-se geralmente aos cidadãos da ilha das Caraíbas)
Área 171,32 km²
População 4 674 hab. (2009[1])
Densidade populacional 27,28 hab./km²
N.º de freguesias 4
Presidente da
Câmara Municipal
Não disponível
Fundação do município
(ou foral)
1782
Região (NUTS II) Alentejo
Sub-região (NUTS III) Baixo Alentejo
Distrito Beja
Antiga província Baixo Alentejo
Orago
Feriado municipal Segunda-feira após o Domingo de Páscoa
Código postal 7940
Endereço dos
Paços do Concelho
Rua Serpa Pinto, n.º 84 - Cuba
Sítio oficial C.M. Cuba
Endereço de
correio electrónico
 

Geologicamente trata-se de uma zona maioritariamente de gabrodioritos (complexo de Cuba), atribuídos ao Carbónico, ainda que surjam outras formações, nomeadamente de natureza sedimentar constituída por solos areno-argilosos terciários, por vezes com intercalações de seixo quartozos ou burgau, com níveis lenticulares de arenitos argilosos avermelhados. Encontram-se ainda solos argilosos residuais resultantes de alterações da rocha base, acompanhados por depósitos aluvio-coluviais, principalmente nas zonas de linhas de água.

O Concelho de Cuba é ainda atravessado pela falha da Vidigueira de orientação WNW - ESSE, que faz a separação do maciço de Portel da plataforma de Beja, cujo Bloco meridional é coberto por depósitos do terciário.

A capacidade do uso do solo apresenta uma clara dicotomia Norte/Sul. A norte das Freguesias de Vila Ruiva e Vila Alva temos as chamadas terras galegas, com predominância de solos de classe C e E. A Sul, conforme anteriormente referido, temos os barros de Beja, constituídos por solos de Classe A e B, cuja produtividade pode atingir índice muito elevados.


Caracterização do Concelho de Cuba
A origem do nome de Cuba assume duas versões distintas: a primeira refere que após a conquista aos árabes no tempo de D. Sancho II, teria sido encontrada grande quantidade de cubas para guardar vinho. Daí o nome. Já a segunda versão diz que a origem do topónimo é muito anterior à Reconquista e deriva do árabe Coba, diminutivo de “torre”.
Fonte dos Leões

A ocupação humana do concelho é muito antiga. Existem registos arqueológicos que provam, por si só, a existência de uma civilização megalítica cerca de 3000 anos antes da nossa era. Várias antas foram encontradas, umas situadas nos arredores de Vila Alva e outras próximas de Albergaria dos Fusos. Vários achados de sílex, machados e outros utensílios também foram encontrados, o que evidencia uma ocupação do período paleolítico. Da época romana abundam os vestígios, desde a ponte sobre a ribeira de Odivelas, a represa de Vila Alva, vilas rústicas da Panasqueira e do Monte do Outeiro. Vários pequenos objectos há muito que são por aqui encontrados, lembrando André Resende, que na sua História da Antiguidade de Évora refere isso mesmo.

Câmara Municipal
Edifício do século XIX
Antiga casa de João Maria Peres, é um prédio de dois andares, no piso térreo, janelas de guilhotina, e portal cornijado e adintelado, no andar superior, janelas apilastradas de arcos plenos coroados por cimalha encrespada, terminando em ponta.
O seu interior apresenta-se hoje, completamente remodelado e modernizado para o conforto de quem o utiliza.
Aqui encontram-se sediados todos os serviços municipais

Do tempo do domínio árabe não se encontram monumentos ou ruínas porque as lutas da Reconquista, na maioria dos casos, arrasaram vilas e cidades. A povoação, eminentemente rural, iniciou-se no Monte do Outeiro e depois passou para uma zona mais plana, nas proximidades do primeiro lugar. Os registos que referem a existência de Cuba são do Século XIII, quando a povoação pertencia ao concelho de Beja e depois ao de Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Os direitos de Cuba ficaram depois na posse de D. Dinis e de D. Fernando, que fez doação ao fidalgo castelhano Afonso de Carvajal, tendo-lhe pertencido até 1374, data em que este abandonou o reino. Seguidamente deu-a de “jure e herdade” a Vasco Martins de Melo, seu guarda-mor.
Ermida de
N.ª S.ª da Conceição da Rocha
A Ermida está localizado no Rossio de S.Brás (Jardim das Piscinas).
Foi a sexta igreja a ser construída na Cuba, no séculoXVI. Não se sabe o ano da sua fundação, mas já existia em 1585, ano em que foi visitada pelo Reitor de Viana, João de Sá.

No Século XVI pertenceu ao Infante D. Luís, quarto filho do segundo casamento de D. Manuel. Foi este infante que mandou construir o chamado Paço dos Infantes, de que hoje apenas resta um portal manuelino colocado como porta da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Rocha. Nesta Palácio jantou D. Sebastião em 1573. O concelho foi criada em 1782, por alvará de D. Maria I, e passaram para o concelho de Cuba, as freguesias de Pedrógão, Marmelar, Selmes e parte de S. Matias. Nessa época, Vila Alva, Vila Ruiva, Faro do Alentejo e Albergaria dos Fusos ainda constituíam concelhos independentes. A situação manteve-se até 1839, quando os últimos quatro concelhos foram extintos.

Vila Ruiva (Concelho de Cuba)
Foi vila e sede de concelho até ao início do Século XIX. Pertenceu ao Real Mosteiro da Conceição de Beja. Tem uma bonita Igreja Matriz, de invocação de Nossa Senhora da Encarnação. Ostenta uma ponte romana sobre a Ribeira de Odivelas, também denominada por “Ponte de Vila Ruiva” e uma barragem também romana, conhecida como Barragem de Nossa Senhora da Represa.

Vila Alva (Concelho de Cuba)
Tem como orago Nossa Senhora da Visitação e merecem uma visita os seguintes locais: antas, adegas rústicas, Igreja Matriz, Museu de Arte Sacra e Arqueologia, Igrejas de São João e de Santo António.


Cuba, Terra de Colon
Foi sob o nome de Cristóvão Colon que se consagrou, nos quatro cantos do Mundo, o homem que descobriu a América, em finais do Século XV. A partir dos anos 80, a questão da nacionalidade do navegador adquire uma nova dimensão, a par da notoriedade, através das obras de Mascarenhas Barreto. Este autor abriu caminho a uma nova perspetiva: Cristóvão Colon não só seria português, como da Cuba do Alentejo! 

Em Outubro de 2006 colocou-se em frente ao edifício do Tribunal da Comarca, no centro da Vila de Cuba, uma estátua de bronze do almirante.

Cristóvão Cólon, o navegador nascido na Cuba:

"O navegador Cristóvão “Colon” será português, alentejano, nascido na Cuba? A tese, algo surpreendente para quem se habituou à versão oficial, tem alguns defensores, entre os quais se destaca o investigador Mascarenhas Barreto. A polémica promete alastrar, já que oficialmente aquele descobridor, de origem humilde terá nascido em Génova, Itália. Estranho é que um homem do povo possa ter embarcado numa cruzada de magnitude inquestionável, e que tivesse sido recebido pelos Reis Católicos de Espanha e pelo nosso Rei D. João II, como poucos nobres o eram. Mistérios que começam no próprio nome do descobridor das Américas: Cristoforo Colombo, Cristobal Colón ou Cristóvão Colom? 

Igreja Matriz de S. Vicente
séculos XVI - XVIII
Foi a segunda e a mais imponente igreja a ser construída em Cuba.
É a Jóia Maior, foi reconstruída em 1572 e desde aí mantém a sua traça.

A tese de Mascarenhas Barreto é o resultado de 15 anos de uma verdadeira epopeia em busca do verdadeiro “Colombo” – que nem italiano sabia falar ou escrever.
A crença de que o navegador afinal Salvador Fernandes Zarco terá nascido em Cuba no Alentejo tem atraído muitos curiosos ao concelho, Cuba alberga desde 2011 o Centro Cristovão Colon que reúne um espólio de telas, livros e mapas, que pretendem demonstrar a veracidade desta tese.

Caracterização Económica
O desenvolvimento de um país, concelho, depende em grande escala da sua estrutura económica. Uma economia local e dinâmica, é geradora de emprego e riqueza, promovendo igualmente o desenvolvimento social do Concelho de Cuba.


 Tribunal da Comarca de Cuba
Edifício de dois andares. A fachada principal é formada por nove arcadas, que repousam sobre pilares de secção quadrangular, suberpostas por nove janelas cornijadas, com balcões de ferro forjado. Porta principal em ferro forjado, ladeada pelas janelas gradeadas da antiga cadeia. Frontão de lanços em tímpano foi colocado um relógio. No alçado lateral leste, sobre a cimalha, campanário onde se encontra o sino e o antigo relógio da povoação.
Ao longo dos tempos este edifício tem sido alvo de varias remodelações e restauros.

A actividade económica com maior tradição é a agricultura, que apresenta um progresso tecnológico relativo. Devido a este progresso e às imposições económicas de grande escala, tem-se observado, neste concelho, uma diminuição dos postos de trabalho no sector primário, que se reflecte nos dados estatísticos (Censos 2001).

No âmbito do sector primário, constata-se que este emprega um maior número de pessoas do sexo masculino, atendendo à sazonalidade dos trabalhos agrícolas, é muito variável ao longo dos anos, estando-lhe necessariamente associada a precariedade de emprego. 


Centro Cultural de Cuba
Localiza-se no Largo Fialho de Almeida (Passeio da Estrela ), lá encontramos no interior uma sala de espectáculos (cinema, teatro, conferências ...), café e a sala Fialho de Almeida e no exterior, um anfiteatro e a escultura em homenagem a Fialho de Almeida

Acresce ainda a componente de mecanização de trabalhos agrícolas que tem contribuído para uma cada vez menor necessidade de contratação de mão-de-obra. Por outro lado, a relação desfavorável entre rentabilidade de algumas produções e o custo de mão-de-obra também tem contribuído para a redução de efectivos agrícolas.

Cante Alentejano
A agricultura, tem sido desde sempre a grande actividade económica da população do concelho de Cuba, mas a crise no sector agrícola tem vindo a diminuir o número de pessoas que se dedicam a esta actividade. Em 1981, os trabalhadores agrícolas representavam 35,8% da população activa, enquanto que em 1991, só representavam 22,9% e em 2001 representavam 14,42%.

A superfície agrícola utilizada (SAU) abrange cerca de 78% do território, (13.500 ha) de superfícieBarragem de Albergaria dos Fusos agrícola utilizada, do qual apenas 8% é arrendado. Os terrenos são na sua maioria aproveitados (apenas 1% da superfície agrícola não é utilizada). A diminuição de mão-de-obra exigida pelo sector agrícola, levou a um aumento do desemprego neste concelho.
A Bica
Todos os Cubenses têm grande orgulho na sua Bica
 A Bica do Largo Conde da Esperança ( Largo da Bica ) foi mandada construir por volta de 1923 pelo Sr. Constantino Taborda Morais - Presidente da Câmara de Cuba e  foi executada pelo Mestre Elias (canteiro) de Cuba.
Nos anos 80, o Largo foi mandado remodelar pelo Sr. Francisco Felgueiras - Presidente da Câmara de Cuba de então.

A principal cultura são os cereais para grão, como o trigo, cevada e aveia, ocupando 31,7% da superfície agrícola total. Os prados e pastagens permanentes ocupam também uma área significativa. As culturas industriais (Girassol, Algodão, Linho Têxtil, Soja, Plantas aromáticas entre outros) são também relevantes em termos de ocupação de solo, sendo a cultura do girassol, a que tem maior presença no concelho. Culturas permanentes, como o olival e a vinha, têm ainda alguma representatividade. Com menor expressão surgem as culturas hortícolas (0,5% da área agrícola total), as leguminosas secas para grão, os frutos frescos e citrinos, e as hortas familiares (0,1% da área total).
O sector industrial compõe-se de pequenas unidades familiares da área do calçado, carpintaria, serralharia civil e produtos alimentares, que ocupavam em 1991, 23,13% da população activa e em 2001, 23,22%. O número de trabalhadores neste sector pouco se alterou desde os censos de 1991. Existem também um conjunto de pequenas unidades de produção/transformação especificamente relacionadas com o pão, doçaria, bolos, queijos, vinhos, entre outros, que apesar da sua baixa empregabilidade, não deixam de desempenhar um papel importante ao nível do emprego, principalmente se atendermos ao facto de se tratar exclusivamente da população residente no concelho.

Poder-se-á afirmar, que as indústrias agro-alimentares, mais especificamente as do pão, queijos e bolos, embora se caracterizem por unidades de pequena escala e de estrutura familiar, assumem-se como componentes da economia local, pois existem, em todo o concelho, 5 unidades de fabrico de bolos, 4 queijarias e 8 unidades de panificação.

O sector terciário, que em 1991 ocupava 53,9% da população activa, aumentou a sua taxa de ocupação para 63,35% em 2001. Os principais empregadores neste sector e sem actividade económica no concelho de Cuba são: a Câmara Municipal, IPSS e os estabelecimentos de ensino; com menor relevância podemos ainda referir o pequeno comércio e a restauração.

 A nível do comércio, restauração e hotelaria, os estabelecimentos existentes são em termos genéricos, de pequena dimensão e apresentam um baixo número de empregados ou mesmo a sua inexistência. Não deixam contudo de contribuir para a dinamização do mercado de trabalho, sendo de destacar a sua importância em termos de trabalho feminino. Constata-se que um número significativo destes estabelecimentos, de âmbito familiar, é gerido por mulheres, constituindo, assim uma oportunidade de trabalho, num território onde os homens têm tendencialmente, uma maior facilidade de empregabilidade, quer pela existência de trabalhos mais direccionados para a população masculina, quer pela sua maior disponibilidade de deslocação relacionada nomeadamente, com o menor impedimento familiar, pois o acompanhamento dos filhos constitui, ainda em muitos casos, uma função da responsabilidade da mulher.

Caracterização Social
A realidade da população de Cuba não difere muito da realidade do Alentejo, sendo que a sua tendência é para diminuir e envelhecer. De acordo com os Censos de 2001, a sua população residente é de 4994 habitantes, distribuídos pelas quatro freguesias, sendo a densidade populacional de 29 hab/km2.
Convento

Da evolução da população do concelho nos últimos dez anos, correspondentes aos censos de 1991 e 2001, verifica-se que na década de 1991 a 2001, houve um decréscimo na população residente tanto no sexo feminino como no sexo masculino, quer na sede de concelho como nas respectivas freguesias, sendo Vila Ruiva a freguesia que perdeu maior número de residentes.

Na realidade, durante esta década houve uma perda de cerca de 9,1% da população, correspondendo a uma perda de 500 habitantes em termos absolutos. Considerando as várias freguesias, é em Cuba onde se verifica a maior perda populacional (304 habitantes). Curiosamente, a freguesia de Vila Ruiva perdeu de forma significativa a sua população feminina (61 mulheres num total de 81 habitantes), assim (como se pode verificar) em Faro do Alentejo (27 mulheres num total de 43 habitantes), ao contrário das restantes freguesias em que a maior perda se verifica no sexo masculino, nomeadamente em Cuba (181 homens em 304 habitantes) e Vila Alva (59 homens dos 72 habitantes). No universo da população residente no concelho de Cuba, o número de mulheres é superior ao número de homens, com menor diferença em Vila Ruiva.

Ainda no que respeita ao universo populacional do concelho, verifica-se que a diferença entre homens e mulheres se tem acentuado na última década, pois em 1991 havia uma diferença de 1,6% e em 2001 essa diferença é de 2,8%. Outra característica demográfica do concelho de Cuba é quanto à densidade populacional, verificando-se que 62,6% da população encontra-se concentrada na freguesia de Cuba, sede de concelho, enquanto que apenas 37,4% se repartem pelas restantes 3 freguesias.
Vendedor de galinhas

No que respeita à estrutura etária do concelho, apresenta uma predominância do grupo etário entre os 25 e os 65 anos (população activa), em cerca de 50% em quase todas as freguesias, seguindo-se o grupo etário dos 65 e mais anos, sendo Vila Ruiva que apresenta maior número de idosos (30,9%). O grupo etário dos 0 aos 14 anos é o que se faz representar em 3º lugar, com as freguesias de Faro do Alentejo e Vila Alva a ter a maior percentagem de crianças (16,6%).

Ainda assim, e em comparação entre os Censos 1991 / 2001, verificamos que o peso relativo ao grupo etário das crianças na população total tem diminuído (de 17,01% para 14,01%) e o peso do grupo etário dos idosos tem aumentado (de 22, 49% para 25,05%). De 1991 a 2001, o grupo etário dos 0 - 14 anos teve um crescimento negativo de - 25,13%; o grupo dos 15 - 24 anos de -6,06%; o grupo dos 25 - 64 anos de - 9,90% e o grupo dos 65 e mais anos, teve um crescimento positivo de 3,07%. Verifica-se um envelhecimento demográfico da população, sendo previsível a tendência para o aumento do número de idosos no concelho.

Recorrendo à análise dos indicadores demográficos, deparamo-nos com uma taxa de envelhecimento de 182%, significando que para cada 100 crianças existem 182 idosos e verificamos também uma taxa de mortalidade superior à taxa de natalidade em 7,4%, sendo que em cada 1000 residentes houve cerca de 11 nascimentos e 19 óbitos.
Se compararmos o índice de envelhecimento, e segundo os dados fornecidos pelos Censos, houve um crescimento significativo nesta última década, pois em 1991 este índice era de 132% e em 2001 passou para 182%. Sem dúvida, que outra das causas desta perda populacional é a baixa taxa de natalidade que, com a elevada taxa de mortalidade, leva a uma taxa de crescimento natural negativa.

Temos um gradual agravamento da realidade demográfica desta região do Alentejo, pois se em 1997 tínhamos uma taxa de natalidade de 7,9%o e uma taxa de mortalidade de 17,1%, significando que, por cada 1000 residentes, houve cerca de 8 nascimentos e 17 óbitos, deparando-nos com uma taxa de crescimento natural de -9,2%.

Em 2001 houve um aumento em termos de taxa de natalidade, aumentando um pouco a taxa de crescimento natural, contudo este factor agravou-se no ano de 2002, elevando a taxa de crescimento natural para -11,4%º. Relativamente aos índices de dependência, verifica-se que o índice de dependência total apresenta valores muito elevados, 65,36%, com um peso maior do índice de dependência de idosos (42,18% contra 23,17% do índice de dependência de jovens), denotando uma população envelhecida. Sendo que o índice de envelhecimento em 1991 era de 132,2%, e em 2001 aumentou para 182,0%.


Parque Manuel António de Castro
( Poeta Popular de Cuba )

Parque conhecido por " A Mata ", também já foi o Jardim dos Heróis de Goa, Damão e Diu e Parque Adriano Correia de Oliveira.
Um belo jardim onde se encontra o coreto, parque de exposições (Feira), parque infantil, campos de ténis, parque de merendas, o complexo Gimnodesportivo e a Escola Básica Fialho de Almeida de Cuba

Com base nestes indicadores é de prever que as tendências de diminuição e envelhecimento da população se irão manter no futuro. Esta tendência generalizada do envelhecimento da população verifica-se em todas as sociedades modernas.

Fazendo a análise da década, houve um decréscimo significativo quanto ao nível de analfabetismo na década de 1991 a 2001, sendo que em 1991 tínhamos 24,5% da população sem qualquer nível de instrução e em 2001, apenas 18,2%. Ainda que este valor seja preocupante, a sua diminuição é considerável. Salienta-se ainda que houve um aumento da instrução da população do concelho, como se pode verificar ao analisar os dados relativos aos anos de 1991 e 2001.

  Poço de São Vicente
Contam  que, quando S. Vicente ainda andava pelo Mundo, passou por Cuba. Nessa altura era uma terra despovoada, com muito pouca gente; as pessoas só vinham para cá na época das vindimas e das colheitas. Como estava com sede, procurou onde beber uma gotinha de água. Encontrou uma nascente à entrada da Cuba e bebeu da sua água. Achou-a uma maravilha, fresquinha, limpa, ... mesmo boa. Gostou tanto da água que resolveu dar-lhe um dom e protagonizou 

No concelho de Cuba predominam as famílias clássicas constituídas por dois residentes - 562, das quais 325 se localizam na sede de concelho. Ainda assim também existem bastantes famílias com três (390) e um (325) residente, sendo que, das freguesias a que se destaca é a de Vila Ruiva. Faro do Alentejo sendo a freguesia que contem menor número de famílias clássicas, é aquela que tem maior número de famílias com mais de cinco residentes.

Segundo os dados, podemos verificar uma perda do número de famílias em todas as freguesias, ou seja, de 166 famílias no período de dez anos. Além da localidade de Cuba, que perdeu 53 famílias, a freguesia que mais sentiu esta situação foi Vila Alva com menos 46 famílias em 2001, relativamente a 1991. Contudo, contrariamente à informação estatística, e de acordo com o testemunho dos parceiros envolvidos, assistiu-se a um aumento a nível de famílias residentes, nestes últimos dois anos, na sede de concelho, o que se confirma pelo aumento da população escolar na sede de concelho (contrariamente às freguesias). Este aumento de residentes, deve-se ao desenvolvimento do parque habitacional da Vila de Cuba e ao facto de muitas famílias das localidades circundantes terem optado por adquirir a sua habitação nesta localidade.

Roteiro Cultural

Roteiro 1 - “ Vila de Cuba”
Inicio do percurso junto á Estação do Caminho de Ferro – no Jardim dos Combatentes.
Alguns pontos de interesse na vila de Cuba:

•Jardim dos Combatente, Monumento aos Combatentes
•Largo do Tribunal – Edifício do Tribunal (antigo Paço de D. Manuel I e antiga Cadeia local)
BIBLOTECA
•Rua Dr. João Vaz, Casa do escritor Fialho de Almeida (ao lado do edifício da Junta de Freguesia de Cuba e Finanças Locais)
•Largo da Igreja – Igreja Matriz de S. Vicente de Cuba, séc. XVII - XVIII, vista à Igreja e ao Tesouro
•Adega do Arrufa, adega típica alentejana
•Largo da Igreja, Rua Longa e Rua de Lisboa – Casa Senhorial Morais de Almeida e Palacete da Família Borralho
•Parque António Manuel de Castro e Parque de Merendas
•Jardim 25 Abril, ao fundo do jardim situa-se a Igreja N. Sra. da Rocha, que possui um magnifico portal manuelino, séc. XVI
•Convento e Igreja N. Sra. do Carmo (é possível visitar a igreja do Carmo, a chave está na Santa Casa da Misericórdia)
•Rua da Mouraria e Rua do Carmo, é a parte mais antiga da vila.
•Largo da Bica em direção ao bebedouro Fonte dos Leões (tanques públicos)
•Centro Colon
•Artesanato : António Bicho (Mestre Caluta) , Rua Fonte do Leões
•Mário Grilo : Rua do Penedo, n1
•Centro Cultural Fialho de Almeida, Monumento a Fialho de Almeida – Os Gatos
•Visita ao jazigo de Fialho de Almeida no Cemitério de Cuba.

Nas Freguesias:
Roteiro 1 •Faro do Alentejo
•Igreja de S. Luís, Sec. XVII – As paredes laterais e o arco do triunfo encontram-se cobertas por pinturas a fresco, coloridas da época de seiscentos do período tardo-maneirista.

Roteiro 2 : Vila Alva
É considerada a mais típica aldeia do concelho, devido ao seu casario típico alentejano de arquitetura popular.
•Igreja da Misericórdia, séc. XVII –
Com destaque para o púlpito de talha dourada, e altares em talha polícroma estilo rocócó (está ligada internamente com a capela do Senhor dos Passos) e onde se encontra a maior parte do espólio do Museu de Arte Sacra e Arqueologia de Vila Alva.
•Capela N. Sr. dos Passos, séc. XVIII -
A ver o núcleo de pintura a óleo sobre tela, com temas alusivos à Paixão de Cristo. A destacar a imagem setecentista do Senhor dos Passos.
•Igreja N. Sra da Visitação, -
Com fundação nos primórdios da idade média, é hoje essencialmente dos sécs. XVII-XVIII. Altares de talha dourada de gosto Rocócó, a destacar o frontal do altar com aves e ramagens da N. Sª do Rosário e para os azulejos seiscentistas.

Roteiro 3 : Vila Ruiva
•Igreja N. Sra. da Encarnação, de origem possivelmente árabe, é uma construção do séc. XVI, e apresenta belíssimas pinturas a fresco, únicas no concelho e que se situam entre os séculos XVI e XVIII.
•Ermida de N. Sra. da Represa (S. Caetano), Séc. XVI e Séc. XVII, a 4 km da aldeia.
Esta pequena ermida reúne duas características únicas no concelho, onde a pintura a fresco se mistura com o azulejo, criando um cenário único de arquitetura religiosa alentejana.
•Ponte Romana - considerada monumento nacional, fez parte da via romana que ligava Beja a Évora. Tem um cumprimento total de 120m e 26 arcos e fundação visigótica e árabe.
•Represa Romana – Perto do entroncamento da estrada Cuba – Vila Alva - Vila Ruiva e a poucos metros da Ermida encontra-se o grosso paredão com os restos da represa romana utilizada para fins agrícolas.

•Albergaria dos Fusos
•Ermida N. Sra. do Outeiro, séc. XVI-XVIII
•Barragem de Albergaria dos Fusos – Local aprazível para a prática de desportos náuticos, pesca e lazer.

Percursos de Natureza


Percurso de Caminheiros
Inicie a sua caminhada no Parque Manuel de Castro, conhecido por “mata”, siga pela estrada em direcção a Vila Ruiva. Alguns metros à frente volte à direita, em direcção ao estaleiro municipal, e percorra a estrada de terra batida, até ao final, entretanto, delicie-se a apreciar a imensidão dos campos, em toda a sua amplitude.
Chegando à estrada de alcatrão (percorreu 1Km e 600m), vire à direita até encontrar a estrada Cuba -Vidigueira, atravesse essa estrada. Suba a estrada de terra batida até aos moinhos, onde pode usufruir de uma vista  fabulosa sobre a vila de Cuba. É ainda, de acrescentar que dependendo da hora, apreciará um magnífico pôr-do-sol. (andou aproximadamente 3 km).
Desce a estrada, e vire na primeira à direita. Mais uma vez, poderá “absorver” a beleza dos campos alentejanos, avista a bonita Quinta da Esperança ou Quinta do Conde, do séc. XVII-XX, vulgarmente chamada entre os habitantes de Cuba como “Quinta da Espanhola”.
Ficha técnica:
Tema: Percurso indicado para observação de alguma fauna e flora
Tipo de Percurso: Pedestre
Cartografia: Carta Militar de Portugal nº 499
Distância: Aproximadamente 6 km
Duração média: 1h30m
Grau de dificuldade: Fácil

Percurso BTT
Partir à descoberta e apreciar a natureza, é o que se pretende com este passeio, assim, há que apurar todos os sentidos, para que as bonitas paisagens dos campos, o cantar das mais variadas espécies de pássaros e até o silêncio que ecoa a natureza, se possam absorver na sua totalidade.
Inicie a trajectória no parque Manuel de Castro, “mata”, seguindo pela estrada da Escola Básica Integrada Fialho de Almeida, passe o estaleiro municipal, vire à esquerda em direcção ao Monte da Boa Vista, onde pode observar a sua arquitectura característica, volte novamente, à esquerda até apanhar a estrada 258 (estrada de alcatrão). Vire à direita em direcção ao Monte da Azurria, também muito agradável de apreciar, e segue essa mesma estrada, encontrará uma ribeira (Ribeira de Mac Abraão), onde pode parar para admirar a serenidade com que as suas águas “abraçam” a terra e refrescam a alma. A vegetação passa a ter outras cores, depois deste momento de placidez, pode seguir em direcção ao Monte da Panasqueira, onde se encontram vestígios de uma Villa Romana.
Percorreu nesta altura aproximadamente 7 km.
Seguindo sempre na mesma direcção encontramos o Monte de Delicada, onde vai aparecer um cruzamento de estradas, siga pela da direita em direcção à Ermida da Nossa Sr.ª. da Represa, paredão hoje em ruínas, edificado pelo povo romano, que reúne duas características únicas no Concelho, a pintura a fresco que se mistura com o azulejo, criando um cenário único de arquitectura religiosa alentejana.
Siga pela estrada ao lado da Ermida de N. Sr.ª da Represa, em direcção ao Moinho doOuteiro, acompanhado de graciosas vinhas.
Assim, chega a Vila Alva, dentro da vila, passa a igreja, saindo pela estrada junto ao  cemitério.
Siga em direcção às Antas, onde encontrará um corredor de acesso e laje de cobertura. A Anta da Fareloa tem cinco esteios no seu lugar, mas espalhados pelo solo vêm-se blocos semelhantes. O esteio de maior altura tem à volta de 1.90m.
A Anta de Cima, tem 4 esteios na sua posição primitiva, estando um deles quebrados. Deve ter tido nove esteios. A sua altura máxima acima do solo é de cerca de 2 metros.
Nesta altura terá percorrido aproximadamente 20 km, passa ao Monte das Antas de Cima e segue em direcção à Horta dos Marreiros, continua até cruzar a estrada 258 e passa novamente a ribeira de Mac Abraão, já em direcção a Cuba.
Quase a chegar, passa ao Poço da Panasqueira e reencontra o local onde começou esta aventura.
Ao cruzamento, vire à direita já quase a entrar na vila de Cuba, pela Urbanização das Oliveiras.
Chegando à vila, vire novamente à direita até à estrada da circunvalação, depois da rotunda, encontra o local de partida.
Ficha técnica:
Tema: Percurso indicado para observação de alguma fauna e flora
Tipo de Percurso: BTT
Distância: Aproximadamente 30 km
Duração média: 2h
Grau de dificuldade: Média

GASTRONOMIA

Cereais
O Alentejo é a área do Pais com maior importância no cultivo de cereais e no Concelho de Cuba as culturas mais importantes são o Trigo e o Girassol. 
 O nosso clima temperado mediterrânico e as férteis terras de barro são condições essenciais para o cultivo destas duas espécies.
O Trigo, cereal base da nossa alimentação, é um dos produtos locais mais sui géneris da região, o Pão Alentejano, um pão de textura e sabor tradicional, que é “conhecido em todo o mundo”.
O Concelho de Cuba promove anualmente, em ocasião da sua feira anual, a “Festa do Nosso Pão”, certame que já conta com diversas edições e que tem como objetivo promover o Pão Alentejano, assim como, difundir a herança bem antiga do mesmo, que remonta ao nascimento da civilização nas práticas alimentares.
O Girassol, por sua vez, é uma espécie bastante versátil, sendo utilizado pelo homem na sua alimentação, na alimentação animal e, até mesmo, em energias alternativas, como é o caso do Biodiesel. A principal utilização do girassol é como matéria-prima, para a produção de óleo de consumo humano.

Queijo
O Queijo de Serpa, classificado sob o designativo comum DOP (Denominação de Origem Protegida), é possivelmente o queijo tradicional de maior fama no Alentejo, sendo o seu singular aroma forte e sabor picante, proveniente do cardo, parte fundamental do Património Cultural das gentes do Baixo Alentejo.
 A sua origem perde-se na arte dos tempos, tratando-se de um queijo de ovelha curado, de pasta meio amanteigada.
É obtido pelo esgotamento lento da coalhada após a coagulação do leite cru de ovelha por ação de uma infusão de cardo.
Depois de produzidos, são armazenados, pelo menos, durante um mês nas "rouparias" (denominação tradicional atribuída ás queijarias) em ambiente fresco e húmido até atingirem o ponto certo de maturação.
O Queijo de Cabra é também característico do Concelho de Cuba. É fabricado a partir de leite de cabra e pode ser consumido fresco ou seco (após o processo de cura).
Quando fresco, o queijo apresenta uma cor branca e um sabor ligeiramente salgado. O queijo seco, preferencialmente de cor branca, pode também surgir com uma cor acinzentada ou acastanhada.
O Queijo de Cabra é um alimento muito apreciado, não só na zona de produção, como também nos grandes centros de consumo. Na região de origem é muito utilizado, enquanto fresco, na confeção de várias sopas regionais, como na sopa de beldroegas por exemplo.

Azeite
Os Azeites do Alentejo primam pela sua qualidade que começa no processo de transformação da azeitona. São classificados de azeites virgens, isto é, obtidos exclusivamente através de processos mecânicos ou outros meios físicos, em condições de baixas temperaturas, de modo a não provocarem alterações no azeite.
 Basta percorrer o Alentejo para não restarem dúvidas sobre a importância da cultura do olival. Os amantes da fotografia podem deliciar-se a captar imagens de verdadeiras esculturas das muitas oliveiras centenárias que, ainda, perduram no Concelho de Cuba.
No nosso Concelho localiza-se a sede de um grande produtor de Azeite Nacional, a Herdade da Manantiz, onde pode conhecer a história da sua produção e ainda fazer compras na loja. Existe ainda a empresa Joaquim Costa VargasEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar , que para além de vinho, também comercializa Azeite.

Ervas
As ervas aromáticas transformam positivamente os alimentos e algumas combinações parecem ter nascido para serem utilizadas, o tomilho e o alecrim com borrego, os orégãos com queijo e ovos, entre muitas outras.
 Todas as plantas ou ervas cujos caules, folhas, flores ou sementes são utilizados em culinária, para temperar, melhorar ou realçar o sabor dos alimentos, tornando-os mais saborosos e digeríveis, são popularmente designadas por aromáticas. Quem não conhece a famosa açorda de alho, a sopa de favas, a sopa de cação, entre muitos outros pitéus alentejanos, bastante apreciados, não só no Alentejo, como também no resto do país e até mesmo por aqueles que nos visitam pontualmente. Para temperar e aromatizar estas confeções e muitas outras, plantas como a salsa, os coentros, a hortelã, o poejo, os orégãos ou o louro, tornam-se indispensáveis.

Pão Alentejano
O Pão tem especial relevância na cozinha tradicional alentejana, onde é um elemento imprescindível em quase todos os pratos da nossa gastronomia, tais como açordas, migas, gaspacho e ensopados.

 A Festa do Nosso Pão - evento integrado na Feira Anual de Cuba pretende promover um dos produtos locais mais sui géneris da região, esta festa conta com a mostra e venda de Pão e Bolos Tradicionais de padaria, bem como exposições alusivas ao tema do Pão e trabalho ao vivo, demonstrando as suas diferentes fases de execução.

Artes Tradicionais
As mãos dos nossos artesãos ainda trabalham a madeira, a cortiça e a pele de animais, confecionando uma gama variada de produtos que podem ser comprados localmente. 

De realçar os móveis rústicos, as botas e os sapatos em pele feitos à mão, numa tradição que passa de geração em geração, as típicas capas e capotes alentejanos, bem como as miniaturas de alfaias agrícolas


IN
- SITE DO MUNICÍPIO
- WIKIPÉDIA
- http://cuba.no.sapo.pt/paginas/cuba-1.htm

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A Arte de Descortiçar




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1 - DOMINGUICES




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BOM DOMINGO