BIOGRAFIA
Começou os seus estudos musicais na Academia de Amadores de Música de
Lisboa mas, sem perspectivas de progressão e por ser opositor do regime ditatorial,
prosseguiu os estudos musicais na Alemanha e na França (mestres:
Francine Benoît e Fernando Lopes Graça em Portugal, nos Darmstädter
Ferienkurse com Pierre Boulez, e na Hochschule für Musik Köln com Henri
Pousseur, Jaap Spek, Georg Heike e Karlheinz Stockhausen). Defendeu na
Sorbonne uma tese de musicologia sobre Anton Webern.
Utilizava nas suas composições as mais variadas técnicas, mantendo-se
próximo da linguagem tonal. Foi professor de composição e de música de
câmara em Paris no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris
entre 1992 e 2006, tendo antes ocupado um lugar de professor de
composição no Institut für Neue Musik da Hochschule für Musik Freiburg
(1986-1992), dando também cursos na Fundação Calouste Gulbenkian, na
Universidade de Harvard, e em Darmstadt.
Obteve vários prémios, dos quais se destaca o 1º prémio de Estética
Musical (classe de Marcel Beaufils) do Conservatório Nacional Superior
de Música de Paris, em 1971, e o Prémio do International Music Council
(UNESCO) para compositores, em 1999[1]. Nomeado em 1986 Oficial da Ordem das Artes e das Letras pelo Governo de França, e condecorado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, de Portugal, a 10 de Junho de 1991
Música dramática
A peça, é inspirada numa novela do escritor russo do Século XIX Fiódor Dostoiévski, A Submissa.
Música orquestral
- Fermata, orquestra e banda magnética (1973)
- Ruf, orquestra e banda magnética (1977)
- Chessed I, 4 grupos instrumentais(1979)
- Chessed II, 6 instrumentos solistas e orquestra (1979)
- Sequencias, clarinete, 2 vibrafones, violino e orquestra (1982/1983–88)
- Quodlibet, 28 instrumentos, 6 percussionistas e orquestra (2 maestros) (1990–91)
- Chessed IV, quarteto de arcos e orquestra (1992)
Música de Câmara
- Wandlungen, ensemble e live electronics (1986)
- Clivages I e II, 6 percussionistas (1987 e 1988)
- Lichtung I, clarinete, trompa, trombone, tuba, 4 percussionistas e violoncelo (1988/91)
- Chessed III, quarteto de arcos (1990–91)
Instrumento solista
- Litanies du feu et de la mer I, piano (1969)
- Litanies du feu et de la mer II, piano (1971)
- Einspielung III, for solo viola (1981)
- Ludi concertati no. 1, flauta baixo(1985)
- Aura, flauta (1983–89)
Música vocal
- Machina Mundi, 4 instrumentos solistas, coro, orquestra e banda magnética (1991–92)
Referência no "PÚBLICO"
Vencedor do prémio Composição da UNESCO em 1999 e
do Prémio Pessoa em 2000, era uma das mais relevantes figuras da música
contemporânea europeia, tendo dividido a sua vida entre Lisboa e Paris.
Autor de uma vasta obra – que se divide entre ópera, coros e
composições para diferentes instrumentos –, recebeu, em 1971, o Prémio
de Estética Musical do Conservatório de Música de Paris, cidade onde
passou a viver a partir de 1964, quando se exilou por oposição ao Estado
Novo.
Nunes começou por estudar harmonia e contraponto na
Academia de Amadores de Música de Lisboa, e depois Filologia Germânica
na Universidade de Lisboa. Os seus estudos em composição foram feitos
sob orientação de Fernando Lopes-Graça mas, em 1964, exilou-se em Paris
por oposição ao regime: "Não havia mais nada que alguém me pudesse
ensinar. E por isso saí do meu país. O meu estatuto político também me
deixava inseguro e por isso passaram vários anos até regressar", disse
em entrevista.
Nunes nunca deixou, ao longo de todo o seu
trabalho, de perseguir novos modos de compor. Quando, numa entrevista,
lhe perguntaram o que era mais importante, Nunes respondeu: "Para mim é
mais importante saber o que não quero, do que saber o que quero". Em
1970 o compositor começou a introduzir música electrónica no seu
trabalho. António Jorge Pacheco, director artístico da Casa da Música,
dizia numa entrevista publicada no programa do Huddersfield Contemporary
Music Festival que "o papel da electrónica havia sido criticado como
sendo superficial noutros compositores", mas que na obra de Nunes, "a
sua integração é evidente e necessária para a [construção] da imagem
sonora".
Grande parte da sua obra tem sido objecto de atenção pelo Remix Ensemble, da Casa da Música.