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Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
03/01/2011
ALMORRÓIDA CIENTISTA
Descoberto no Algarve insecto sem asas nem olhos
Nova espécie foi encontrada em grutas do
Algarve por jovem bióloga
Fica descrito para a ciência como litocampa mendesi, não excede três milímetros, é desprovido de visão e de asas. Vive em grutas do Algarve. Este é o insecto mais recentemente descoberto por Sofia Reboleira, bióloga e espeleóloga, a trabalhar no seu doutoramento.
Pela quinta vez, Sofia Reboleira desvenda a existência de espécies que vivem na profundeza de cavernas e sem acesso à luz. Esta especialista em bioespeleologia descobriu agora, numa gruta do Algarve, uma nova espécie de insecto sem olhos nem asas.
"Esta descoberta acrescenta uma nova ordem à fauna cavernícola portuguesa, uma vez que não se conhecia nenhum dipluro (insecto) exclusivamente cavernícola em Portugal", disse à agência Lusa esta jovem doutoranda da Universidade de Aveiro, que é bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A nova espécie está adaptada a viver exclusivamente nas grutas e deverá existir desde há vários milhões de anos, sendo "evolutivamente um percursor dos insectos actuais". A descoberta surge já descrita em revistas científicas, em artigos que Sofia Reboleira escreveu com a colaboração do especialista espanhol Alberto Sendra.
A nova espécie, a que foi atribuída a designação litocampa mendesi, torna-se assim "a representante mais ocidental do género litocampa na Europa, cuja espécie mais próxima se encontra nas grutas da Cantábria".
Com esta descoberta, aumentam para cinco as já descritas por Sofia Reboleira como novas espécies, resultado que decorreu do seu trabalho de campo, realizado em grutas da Serra d'Aire e Candeeiros, do Algarve e de Montejunto. Antes, a bioespeleóloga tinha descoberto três escaravelhos e um pseudoescorpião. Alguns destes seres vivem a cerca de cem metros de profundidade, num ambiente de total escuridão.
Sofia Reboleira está a especializar-se em ecologia das águas subterrâneas e conservação dos sistemas cavernícolas. A sua tese de doutoramento versa a última destas áreas.
Algumas das espécies descritas por Sofia Reboleira alimentam-se da matéria orgânica que as águas transportam quando se infiltram no subsolo. É esse o caso, por exemplo, do escaravelho trechus tatai, encontrado numa gruta de Montejunto, perto do Cadaval.
IN "JORNAL DE NOTÍCIAS"
03/01/11
JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA
A democracia
é autofágica?
Muito se tem escrito e dito sobre o escândalo WikiLeaks. O ruído é tão grande que a páginas tantas as pessoas têm a cabeça em água, já não sabendo bem o que pensar.
Ora a primeira coisa a dizer é que o WikiLeaks não difere nada de outros escândalos políticos a que assistimos no passado.
Em que consistiu o Watergate, tão celebrado por jornalistas, comentadores e simples cidadãos em todo o mundo?
Na entrega a um jornal de grande tiragem de documentação secreta sobre factos ocorridos numa campanha para a Presidência dos EUA
O resto foi a bola de neve.
No Wikileaks passou-se aproximadamente o mesmo.
Alguém se apropriou ilicitamente de toneladas de material diplomático e, depois de uma primeira hesitação, entregou-as a quatro grandes jornais e a uma revista de vários países do mundo.
E os jornais trataram o material com os seus critérios e têm-no publicado da forma como entendem.
Por cá, ainda há bem pouco tempo tivemos um caso semelhante.
O SOL conseguiu obter em primeira mão documentação do processo Face Oculta, os seus jornalistas seleccionaram aquilo que consideraram de interesse público, esse material foi dividido em lotes e publicado com o enquadramento jornalístico que se considerou necessário para a compreensão do leitor.
Tal como sucedeu com o WikiLeaks, houve quem se indignasse com a publicação.
Mas será possível pedir aos jornais que têm acesso a documentação relevante para não a publicarem?
Não é possível: o papel dos jornais é publicar informação.
Podem discutir-se depois os critérios de selecção e publicação.
Pode questionar-se se determinado facto tinha ou não interesse público.
Pode questionar-se se o tratamento e o enquadramento jornalísticos foram bem ou mal feitos.
Mas essa é outra história.
No que respeita ao caso Face Oculta, por exemplo, o SOL seguiu um critério diferente do que tem sido usado no WikiLeaks: de um modo geral, não usámos opiniões de umas pessoas sobre outras, porque nos pareceu coscuvilhice de pouco interesse para o entendimento dos factos.
Mas, se é possível discutir isto, já parece impossível pedir aos jornais que não publiquem nada.
É contra a sua natureza.
Até aqui não parece haver grandes dúvidas.
E as opiniões que se têm manifestado a favor e contra a divulgação dos documentos têm mais que ver com as simpatias ou antipatias políticas dos opinadores do que com outras questões.
Alguém contestou a publicação pelo Washington Post dos documentos do caso Watergate?
Ninguém. E porquê?
Porque Nixon era um mal amado - e a esquerda (que é predominante na imprensa mundial) o detestava.
Tudo o que fosse para derrubar Nixon (ou, mais tarde, Bush) era legítimo.
E o mesmo aconteceu em Portugal: levantou-se a questão das violações do segredo de Justiça no caso Face Oculta, mas ninguém as condenou no caso BPN.
Porquê? Por razões políticas.
Há mais duas conclusões a tirar.
A primeira é que, com o desenvolvimento brutal dos meios tecnológicos, escândalos como o WikiLeaks serão cada vez mais frequentes.
A tecnologia serve para o bem e para o mal.
Estamos já na sociedade do Big Brother: somos vigiados pelas câmaras de vídeo nas ruas e nos estabelecimentos, sabem onde estamos através dos telemóveis (que são autênticas pulseiras electrónicas), controlam o que compramos através dos cartões de crédito, etc.
Os emails, as chamadas telefónicas e os sms são interceptados.
Já nada é secreto.
Bramar contra isto é lutar contra moinhos de vento.
Não tem qualquer utilidade.
A segunda conclusão a tirar é que mais uma vez se prova que as democracias são autofágicas.
Elas transportam dentro de si os instrumentos da sua própria destruição.
E colocam os regimes democráticos em situação de desigualdade em relação aos outros.
Porque é evidente que um caso destes, que atinge os Estados Unidos e os seus aliados, não poderia acontecer no Irão, na China ou mesmo na Rússia.
Assim, a nossa civilização vai-se fragilizando, corroendo por dentro, ficando à mercê dos seus inimigos.
E nós somos agentes dessa corrosão.
A transparência, que é um dos ex libris do mundo ocidental, acaba por voltar--se contra o nosso modo de vida, dando sucessivas cartas a quem o ameaça.
E isto não tem saída.
Não podemos impor as nossas regras aos outros - e não podemos travar este progresso que nos vulnerabiliza cada vez mais.
A democracia está à mercê dos próprios mecanismos que criou.
IN "SOL"
27/12/10
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