Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
07/12/2010
2 - ALMORRÓIDA ESPERANÇADA
Cancro.
doses baixas de aspirina
podem reduzir mortes entre 20% a 30%
Ricardo da Luz, da Sociedade Portuguesa de Oncologia, alerta para os riscos da automedicação
A toma diária de doses baixas de aspirina pode reduzir entre 20% a 30% as mortes provocadas por alguns tipos de cancro. Novos resultados da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), publicados hoje na revista médica "Lancet", alargam os benefícios do ácido acetilsalicílico quando utilizado na prevenção do cancro: a tese já tinha revelado potencial no cancro colorrectal e agora a equipa liderada pelo epidemiologista britânico Tom Meade adianta que o analgésico também parece ser eficaz noutros cancros comuns como o do esófago, pulmão, estômago ou pâncreas. Poderá também trazer benefícios para doentes com tumores cerebrais.
A investigação compilou resultados de diferentes ensaios clínicos para a aspirina, que envolveram mais de 14 mil participantes. O objectivo inicial dos investigadores era consolidar o conhecimento sobre o impacto do medicamento na prevenção de ataques cardíacos, mas os registos clínicos permitiram outras conclusões. De acordo com o novo artigo, os benefícios são visíveis cinco anos após a toma diária de aspirina a partir dos 75 miligramas, independentemente do sexo ou de factores de risco como ser ou não fumador. Tendem também a aumentar com a idade, esclarecem os investigadores num comunicado da instituição.
A aspirina só era recomendada como medicamento quimioprofiláctico em doentes em risco de ataque de coração, depois de um primeiro episódio. Mas com bastantes reservas. No final de 2009, especialistas britânicos alertaram mesmo para o facto de o medicamento poder causar hemorragias letais e não contribuir para a prevenção das mortes provocadas por doenças cardiovasculares. No final de Outubro, a conclusões dos mesmos autores - e também publicadas na "Lancet" -, de que a aspirina reduzia em um quarto a incidência de cancro colorrectal, geraram algumas dúvidas sobre a sua aplicação clínica.
Ricardo da Luz, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, sublinha que os resultados são relevantes mas importa conhecer melhor a metodologia utilizada pelos investigadores. "A metodologia da meta-análise é muito utilizada na área do cancro, por permitir amostras maiores de doentes." Contudo, é preciso ter em conta que os participantes em ensaios clínicos têm à partida a saúde mais vigiada do que a restante população. Há também a velha questão dos números: salvar 20% dos doentes não significa salvar todos.
"O efeito da aspirina e outros medicamentos semelhantes na multiplicação das células tumorais era conhecido na biologia mas só agora o impacto clínico parece começar a ser evidente." Tal como os investigadores britânicos, o especialista sublinha que os resultados, embora possam parecer positivos, não devem levar à automedicação. "Embora sejam doses pequenas, a aspirina só deve ser tomada por prescrição médica", alerta.
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07/12/10
LUÍS FILIPE BORGES
Cinco breves numa crise longa
Parece mal um guarda-redes celebrar uma defesa. Há uma nobreza na função que desaconselha tais atitudes. Por Deus, o homem tem um equipamento diferente e tudo!
I - O ingrato enfado de ser brilhante
Se gosta de futebol, certamente já viu isto: o guarda-redes faz uma extraordinária defesa e, acto contínuo, desata a barafustar com os seus colegas, normalmente os da defesa. Vai o público afecto nem a meio de um brutal aplauso e o adversário de mãos na cabeça e olhar siderado, e já o keeper dispara numa diatribe contra tudo e contra todos, mundo aparentemente incluído.
Excepcionalmente, é verdade, vemos um guardião celebrar a sua grande estirada (às vezes nem tão notável quanto isso, as chamadas defesas para a fotografia ) mas este é um acto isolado e pindérico que só alguns se permitem fazer. Vítor Baía, por exemplo, fê-lo algumas vezes. Parece mal. Há um romantismo naquele cargo, uma nobreza naquela função, o último reduto antes do golo, que desaconselha tais atitudes. É por isso que só a um guarda-redes se podem entender os calduços e impropérios distribuídos a eito por ter sido obrigado a ser brilhante. Como se ele afirmasse amiúde que, para intervir, é só porque alguém antes na jogada fez asneira. Não o chamem à acção por dá cá aquela palha. Por Deus, o homem tem um vestuário diferente e tudo!
Ou alguém imagina um avançado, após roubar o esférico, driblar meia equipa contrária e fazer um chapéu ao porteiro adversário, começar aos berros mal encarados, mandando vir para com os colegas que correm para abraçá-lo?
II - Três pérolas escutadas em cafés
«Vi o 9 Semanas e Meia em 18 minutos».
«Com o bem dos outros posso eu mal».
«O meu sonho é dormir num colchão integralmente composto por mamas».
III - Criatividade à portuguesa
Contou-me esta história um amigo músico, membro de uma banda extinta mas que correu o país de norte a sul, por tudo o que era cidade ou vilarejo, na década de 90. Nessa vida de estrada era habitual partilhar palco com bandas locais ou semi-anónimas a fazer pela vida. E foi então, algures num ou noutro vilarejo, que se tornou comum encontrar o grupo dos amigos Joaquim, António e Guedes. Decorou os nomes deles não exactamente pela qualidade ímpar da sua música mas pela originalidade do seu título, com direito a inscrição na carrinha dos instrumentos - fazendo furor por onde passava. Talvez não fossem sequer os maiores fãs de Talking Heads, mas não quiseram desperdiçar a oportunidade de, por um lado, adoptar a bem nacional prática de colocar os próprios nomes no das respectivas empresas e, por outro, provocar sorrisos cúmplices em quem entendia a piada. Como se chamava então este mítico agrupamento musical que talvez ainda exista, tocando covers num arraial perto de si? A banda dos amigos Joaquim, António e Guedes?...(ler depressa) TÓ QUIM GUEDES.
IV - Os vizinhos dos assassinos
É dito e feito, certinho como o Natal em Dezembro. Há-de reparar o amável leitor nas entrevistas aos vizinhos de recém-apanhados assassinos ou violadores - ver os casos do Rei Ghob ou do Violador de Telheiras. Ponham-lhes um microfone à frente para saber, em pleno Jornal Nacional, se alguma vez desconfiaram do agora comprovado psicopata do prédio limítrofe e as respostas são consensuais: Era um moço pacato, educado, amigo do seu amigo. Um óptimo cliente, silencioso, respeitador. Ainda no outro dia ajudou uma velhinha a atravessar a rua e deu boleia à minha mãe doente para o hospital . Juro que parecem seguir um guião, tal a unanimidade.
Dá vontade de propor um desafio a uma espécie de para-polícia, uns batedores de bairros com autoridade para dar voz de prisão. Era de pesquisar cada rua portuguesa e bater às portas com uma única e singela pergunta: o seu vizinho é boa pessoa? Todos os que recebessem encómios semelhantes aos supracitados iam dentro, imediatamente de cana com direito a sol aos quadradinhos; quem fosse enxovalhado de filho-da-mãe para baixo continuava em liberdade. O inferno são os outros?
V - Delírio de restaurante
Embora custe a acreditar pela fotografia ali em cima à esquerda - e passe a ocasional mousse de chocolate -, o escriba nunca foi homem de sobremesas. Por isso nutro sempre um saudável carinho pela pergunta mais repetida pelos convivas pouco antes de dar por encerrado o banquete. Olham o atento empregado com ternura infantil e questionam, enquanto arranjam um espacinho aconchegante no estômago para o que aí vem: O que é que tem? .
Nos últimos tempos dou por mim a imaginar diálogos alternativos, na duração do rol de sobremesas, na esperança de que um dia apareça um empregado sarcástico ou apenas com vontade de, bem a preceito, gozar o prato:
- O que é que tem?
- . Ora bem, tenho um pequeno mas simpático apartamento no Dafundo, um Ford Cosworth velhinho mas estimado que é uma máquina, e uma esposa doméstica que amo como no primeiro dia em que a vi.
- A esposa é caseira?
- É sim senhor, somos muito caseiros!
- Então pode ser.
IN "SOL"
03/12/10
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