05/11/2015

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HOJE NO
"OBSERVADOR"
Chemsex
a prática sexual que está 
a alarmar os especialistas

Chemsex é uma nova prática sexual que pode provocar sérios danos físicos e emocionais, segundo os especialistas. Esta moda sexual leva as pessoas a fazer sexo nonstop sob o efeito de drogas.

Há uma nova moda no que respeita a fazer sexo. Mas muito perigosa, segundo os especialistas. “Chemsex” é o termo utilizado para descrever as práticas sexuais potenciadas pelo consumo de drogas e de várias substâncias químicas, mas também para descrever um tipo de festas que podem prolongar-se durante horas, ou mesmo dias, graças ao consumo dessas drogas, revela o El Confidencial.

O British Medical Journal dedicou um número especial ao tema, revelando que os riscos associados à ingestão de uma mistura de drogas para ser possível ter sexo durante várias horas ou dias seguidos são uma questão de saúde pública. A maioria das pessoas pratica sexo nonstop sob o efeito de três substâncias: mefredona, cristais e GHB. Estas drogas são combinadas para facilitar as relações sexuais entre vários pares, durante dias.
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Segundo o EL Confidencial, o objetivo passa por prolongar as orgias durante muito tempo, mas os riscos são vários. A possibilidade de serem contraídas doenças sexualmente transmissíveis como SIDA, gonorreia, sífilis ou hepatite C aumentam em larga escala, segundo o The Guardian, e os efeitos negativos das drogas podem ainda dar origem a problemas mentais associados à ansiedade, psicoses e ainda tendências suicidas ou ataques de pânico.

Os cristais e a mefredona aumentam o ritmo cardíaco, a agitação sexual e impulsionam os estados eufóricos, ao passo que o composto químico GHB é um grande desinibidor e analgésico. A maioria dos utilizadores quer reprimir sentimentos negativos como a falta de confiança e autoestima, afastar o estigma da SIDA ou da homossexualidade.

Os autores do artigo publicado no British Medical Journal explicam também os efeitos secundários que esta mistura de estimulantes provoca no corpo. A mefredona e os cristais podem criar uma grande dependência psicológica e o GHB uma dependência fisiológica. As pessoas passam horas sem dormir ou comer, o que irá provocar consequências graves na saúde.

O El Confidencial explica que já existem alguns serviços especializados para tentar combater os efeitos desta moda sexual, como por exemplo a clínica de drogas Antidote, que recebe vários pacientes que confirmam a utilização deste tipo de drogas. Se antes as festas de Chemsex eram essencialmente um exclusivo de homens homossexuais, agora a prática generalizou-se. Estreou inclusive o documentário intitulado “Chemsex”, dirigido por Will Fairman e Max Gogarty, que procurou explorar a vida de um grupo de homens que se dedicavam a um estilo de vida baseado no Chemsex e como sobrevivem a esse ciclo de vício e dependência.

Os especialistas mostram-se preocupados e alertam para os perigos e os estragos que esta prática pode provocar quer na saúde, quer nas próprias relações, frisando que quando alguém precisa de recorrer a substâncias para satisfazer as suas necessidades tem algum tipo de problema e deve mesmo procurar ajuda.

* Já só lá vão de empurrão...


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4- JARDINAGEM E

HORTICULTURA

FAÇA UM REPELNTE CASEIRO

CONTRA PRAGAS NO JARDIM




* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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Senso d'hoje
MIA COUTO
ESCRITOR E BIÓLOGO
Temos medo do “não humano”
que está dentro de nós


Fala-se do passado como coisa acabada, e no singular 
Essa castração é quase um "historicídio", um matar uma parte da história. Tem a ver com a nossa posição como sujeitos da História. Começou muito atrás. Os passados que não convêm, que renovam grandes medos e fantasmas, são anulados. Esta é uma operação que vai sendo feita sempre. E quanto mais recente, maior é a necessidade de que essa extirpação seja eficiente. Tem que ser um corte mais radical.

Estamos a negar ou a criar distância em relação à nossa condição animal?
Temos medo. Temos medo do "não humano" que está dentro de nós. É uma coisa absurda, devia haver uma estátua a esse nosso antepassado comum, esse Homo Erectus, ou ao primeiro Homo Sapiens, em cada cidade. Seria uma grande homenagem à paz.  
orque esse homem, essa mulher, deu origem a esta grande saga. Inventámos a espiritualidade, a religiosidade, o sentido cooperativo, os códigos simbólicos. Mas essas grandes coisas que nos fazem ser quem somos hoje estão lá atrás. Estão lá atrás e não nasceram na escrita – mesmo que esta visão tenha sido imposta com a ajuda da escrita. E depois até com a ajuda da ciência. Houve um momento em que a ciência foi cúmplice dessa anulação dos outros saberes que estão dentro de nós. Esses saberes estão ligados a esse passado que nunca passou. Há um lado nosso que é profundamente supersticioso, que está disponível para outras linguagens, para o que é o oculto.

E que é domesticado pela racionalidade?
É. É preciso que nos esqueçamos. A fabricação do esquecimento é uma coisa fantástica. 

* Excertos de notável entrevista a ANABELA MOTA RIBEIRO, "JORNAL DE NEGÓCIOS" em 30/10/15 .

** É nossa intenção, quando editamos pequenos excertos de entrevistas, suscitar a curiosidade de quem os leu de modo a procurar o site do orgão de comunicação social, onde poderá ler ou ver a entrevista por inteiro. 
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