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HOJE NO
"JORNAL DE NOTÍCIAS"
Relações sexuais com embaixador
para entrar em Portugal
O embaixador português em Dacar em 2007 e 2008 foi condenado a quatro anos e meio de prisão por auxílio à imigração ilegal, corrupção passiva, abuso de poder e falsificação de documento.
Em
comunicado divulgado esta quinta-feira, o Serviço de Estrangeiros e
Fronteiras (SEF) adiantou que a sentença do Tribunal da Comarca de
Lisboa pode ficar suspensa se o embaixador pagar 10 mil euros a
associações de imigrantes.
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O DONO DA EMBAIXODA
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Além
do antigo embaixador António Montenegro, também a encarregada de
negócios na embaixada portuguesa na capital do Senegal foi condenada a
dois anos e meio de prisão pelos crimes de auxílio à imigração ilegal e
abuso de poder, pena que pode ficar suspensa com pagamento de 2500 euros
a associações de imigrantes.
O tribunal considerou que os
arguidos tiveram "procedimentos ao auxílio efetivo à entrada de
imigrantes ilegais em Portugal e na Europa", tendo estas práticas
trazido benefícios claros para os arguidos, sobretudo para o antigo
embaixador.
Segundo o comunicado do SEF, a investigação a estes
crimes, cometidos em 2007 e 2008, foi desencadeada "por um relatório que
apontava para desvios à normal tramitação dos processos de visto que
corriam termos no respetivo consulado".
Foram feitas buscas à
residência oficial e ao escritório do embaixador em Dacar que levaram à
apreensão de centenas de processos de vistos suspeitos.
Grande
parte dos processos de visto eram recebidos em mão pelo embaixador que
os fazia chegar à encarregada de negócios, que, por seu lado, mandava os
funcionários da secção consular processá-los em entrevistas prévias aos
requerentes, ficando imediatamente a emissão de visto garantida.
Isto originou, refere o SEF, um aumento das recusas de entrada no aeroporto de Lisboa de estrangeiros com vistos emitidos pela embaixada de Dacar, por não cumprirem os requisitos mínimos exigidos.
Os processos tratados pessoalmente pelo embaixador eram-lhe dados por senegaleses com quem mantinha relações pessoais. Estes senegaleses recebiam dos requerentes a vistos "elevadas quantias monetárias".
"Alguns
dos processos eram referentes a jovens senegalesas que eram visita
frequente da residência oficial do embaixador e com as quais este mantinha relações sexuais", acrescenta o comunicado.
O
SEF sublinha que a missão diplomática em Dacar se revestia "da maior
importância no que à imigração diz respeito, uma vez que representa
Portugal não só para o Senegal mas também para outros países", como
Guiné-Conacri, Burkina-Faso, Mali, Mauritânia, Costa do Marfim, Libéria
ou Gambia.
* Como é que um representante de Portugal no topo da hierarquia diplomática pode, se pagar 10 mil euros, ficar em liberdade depois de vexar o país desta maneira.
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