13/11/2011

39 - ILUSTRES PORTUGUESES DE SEMPRE »»» caldas xavier


Alfredo Augusto Caldas Xavier (Lisboa, 25 de Setembro de 1852 — Lourenço Marques, 8 de Janeiro de 1896) foi um militar, engenheiro, explorador e administrador colonial português que se distinguiu nas denominadas campanhas de pacificação de Moçambique nas últimas décadas do século XIX. No dizer de Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque, outros dos militares que ganharam fama nessas campanhas, o major Alfredo Augusto Caldas Xavier, foi o mais ilustre de todos os oficiais que têm honrado o nome português em África, modelo de virtudes militares de coragem e abnegação. Teve um papel de destaque no projecto da linha de caminho-de-ferro de Maputo ao Transvaal e na delimitação das fronteiras do sul de Moçambique.

BIOGRAFIA
Alfredo Augusto Caldas Xavier nasceu na freguesia lisboeta das Mercês, filho de Henriqueta Pereira Caldas Xavier e de António do Prado Xavier, industrial e dono de uma oficina de canteiro. Dotado de grande habilidade manual, a família pretendeu que seguisse uma carreira de escultor, mas, por influência do avô materno, Pereira Caldas, oficial superior do exército, em casa de quem vivia desde muito novo, decidiu-se por seguir a carreira das armas.

Com esse objectivo, tendo terminado o curso no Liceu Nacional de Lisboa, em 1871 pretendeu entrar para a marinha de guerra, tendo contudo acabado por assentar praça no Regimento de Caçadores n.º 5, tendo requerido matrícula no curso de Infantaria da Escola do Exército.

Aluno distinto, terminou o curso em 1875, sendo então promovido a alferes e colocado no Regimento de Caçadores n.º 3. No ano seguinte casou com Amélia do Nascimento Conti.

A primeira comissão em Moçambique (1877-1881)
Com vocação para a área da engenharia, em 1877 conseguiu o lugar de engenheiro auxiliar na expedição a Moçambique que foi chefiada pelo engenheiro Joaquim José Machado e que tinha como objectivo fazer o levantamento das necessidades em matéria de obras públicas daquela colónia e realizar trabalhos preparatórios para a melhoria da rede de estradas e para a criação de um caminho-de-ferro que ligasse Lourenço Marques à fronteira com o Transvaal.

Tendo a seu cargo a realização de trabalhos de engenharia de obras públicas, chegou a Lourenço Marques a 7 de Março de 1877, afirmando-se desde logo como um dos mais importantes técnicos da expedição. Permanecendo em Moçambique até Fevereiro de 1881, altura em que regressou ao Portugal, foi nomeado chefe da secção de Obras Públicas do distrito de Inhambane, região onde, apesar da escassez de meios e das dificuldades técnicas que encontrou, viria a realizar uma obra notável. Simultaneamente foi encarregado de estudar o traçado do caminho-de-ferro de Lourenço Marques à fronteira, obra então considerada prioritária face aos compromissos assumidos com o governo da República do Transvaal. Também teve a seu cargo a construção do quartel da ilha de Inhaca.

Apesar de se encontrar comissão civil, Caldas Xavier não abandonou a sua condição de militar, colaborando nas operações de ocupação da então chamada campanha de pacificação que foram realizadas na região de Inhambane. Distinguiu-se especialmente na repressão da revolta das praças do Batalhão de Caçadores de Inhambane, em 1877, e nas operações de intimidação levadas a cabo durante as negociações com o régulo Zavala, em meados de Outubro de 1879.

Naquela campanha, Caldas Xavier obteve do régulo Zavala o compromisso de não dificultar o estabelecimento efectivo da ocupação nacional naquela região, o que levou ao início da construção de um quartel em Nhagondel, o que permitiu fortalecer a influência portuguesa a sul do Inharrime, na direcção das terras do Império de Gaza, então governado por Muzila.

 A segunda comissão em Moçambique (1883-1886)
Depois de uma curta permanência em Lisboa, durante a qual foi promovido a tenente a 11 de Agosto de 1881, Caldas Xavier voltou a Moçambique em 1883, desta vez como administrador da Companhia de Ópio da Zambézia.

Chegado a Moçambique constatou que pouco fora feito depois do reconhecimento ao Zavala e do início do quartel de Nhagondel que executara na sua anterior comissão. Caldas Xavier iniciou uma luta pela materialização dos seus planos de efectiva ocupação do território a sudoeste de Lourenço Marques, os que só vieram a ter execução em 1884, quando por portaria do governador-geral Agostinho Coelho, foi estabelecido um comando militar ao sul do Inharrime.

Iniciou um vasto plano de desenvolvimento da Companhia de que era administrador, que foi executando metodicamente. Porém, o sistema como fazia o recrutamento do pessoal necessário para os trabalhos da Companhia, provocou a hostilidade dos arrendatários dos prazos vizinhos e a 20 de Junho de 1884, vários desses indivíduos, à frente de centenas de homens armados atacaram a prazo de Massingir, um dos principais centros da Companhia.

Durante aquele ataque foi morto o comandante militar, capitão Victoriano Queirós, os seus filhos e a quase totalidade do destacamento sob o seu comando, escapando apenas o alferes Curado, a quem, por ser casado com a filha de um dos assaltantes, foi poupada a vida, sendo levado pelos atacantes.

Tendo conhecimento dois dias depois do ataque ocorrido em Massingir, Caldas Xavier previu que o mesmo ocorreria contra as instalações da Companhia em Mopeia, onde se encontrava, e imediatamente, com os fracos recursos que possuía, preparou a defesa ajudado por um seu irmão e pelo engenheiro inglês Henderson, funcionários da empresa.

O ataque materializou-se a 11 de Agosto, com os rebeldes a atacarem as instalações durante várias horas. Caldas Xavier e os homens que com ele haviam ficado, pois a maioria fugira ao ter conhecimento das atrocidades cometidas pelos rebeldes em Massingir e na sua marcha devastadora em direcção a Mopeia, conseguiram resistir durante tempo suficiente para que pudessem ser socorridos por uma coluna de 15 comerciantes estrangeiros, acompanhados por cerca de 100 auxiliares africanos, que tinha partido de Quelimane, numa tentativa de salvarem as suas feitorias espalhadas por aquela região.

Batidos no assalto às instalações da Companhia, os rebeldes dispersaram e acabaram por se render ao capitão-mor da Manica, Manuel António de Sousa, entregando-lhe o alferes Curado, que mantinham prisioneiro, e todo o armamento levado de Massingir.

Tendo a Companhia de Ópio da Zambézia passado a ser dirigida por ingleses, em Janeiro de 1886 Caldas Xavier foi forçado a abandonar o lugar que ocupava e regressou a Portugal.

 Comissão na Índia Portuguesa (1887-1890)
Novamente, após curta permanência em Lisboa, Caldas Xavier partiu para as colónias em finais de 1887, desta feita para a Índia Portuguesa, onde iria ocupar o lugar de chefe da fiscalização do caminho-de-ferro de Mormugão, agora já com a patente de capitão.

Na Índia desempenhou, além das funções de inspector-geral do Caminho-de-Ferro de Mormugão, os cargos de chefe da repartição militar de Mormugão e, por pouco tempo, de governador de Diu. Tendo sido promovido a major, regressou a Portugal em 1890.

Terceira comissão em Moçambique (1890-1893)
Mal tinha chegado a Lisboa, nesse mesmo ano de 1890, Caldas Xavier partiu de novo para Moçambique, a convite do engenheiro Joaquim José Machado, com quem havia trabalhado no serviço de Obras Públicas de Lourenço Marques durante a sua primeira comissão naquele território. Desta feita, aproveitando os seus conhecimentos de cartografia e topografia, pretendia-se que integrasse como técnico a comissão de delimitação de fronteiras entre o distrito de Lourenço Marques e a República do Transvaal.

Chegado a Moçambique no período crítico que se seguiu à Questão do Chire e ao consequente ultimato britânico de 1890, foi forçado a um período de inactividade, que se manteve até que Portugal e Grã-Bretanha chegaram a acordo sobre a delimitação das respectivas esferas de influência na África Oriental.

Logo que aquelas questões foram resolvidas, a Comissão iniciou os seus trabalhos. A chefia foi confiada ao engenheiro Freire de Andrade em virtude de Joaquim José Machado ter sido, entretanto, nomeado governador-geral de Moçambique.

No âmbito dos trabalhos da comissão de fronteiras coube a Caldas Xavier proceder ao reconhecimento do rio Limpopo, o que fez com dois meses de avanço sobre a chegada dos seus companheiros da comissão a Lourenço Marques. Em resultado desta viagem de exploração, após o seu regresso a Portugal em 1893, publicou em Lisboa um notável trabalho sobre o Limpopo, no qual chamou a atenção para a necessidade premente de subjugar Ngungunhane, o Gungunhana, então o imperador de Gaza.

Em consequência da posição de força contida no ultimato britânico de 1890 e da submissão portuguesa às exigências britânicas, ocorreram os incidentes de Manica, de que resultou o aprisionamento, por uma força da British South Africa Company, que pretendia estabelecer-se na região, agora reclamada como inglesa, de Joaquim Carlos Paiva de Andrada e do capitão-mor de Manica, Manuel António de Sousa.

Face à onda de indignação popular que aquele facto gerou, a 10 de Dezembro de 1890, realizou-se uma sessão pública da Câmara Municipal de Lourenço Marques, em que foi proposta a organização de uma força, para fazer face ao invasor e expulsá-lo do território que era reclamado por Portugal, tendo Caldas Xavier, que estava presente na sessão, sido indicado para seu comandante.

Caldas Xavier empenhou-se então na organização dessa expedição e após grandes dificuldades foi possível reunir para a integrar um destacamento do Regimento de Caçadores n.º 4, outro do corpo da polícia e uma companhia do batalhão de voluntários, constituído na altura.

A força partiu a 10 de Janeiro de 1891 para a Beira, a bordo do vapor Rovuma, chegando a Macequece, ou Massi Kessi, a 5 de Maio. No dia 11 de Maio a expedição fez um reconhecimento em força às posições inimigas, mas, depois de um dia de luta acesa, foi forçada a bater em retirada. Derrotada no terreno e na frente diplomática, face às concessões entretanto feitas por Portugal à Grã-Bretanha, sem conseguir os esperados resultados, em Agosto, a força retirou para a Beira, vindo a desembarcar em Lourenço Marques, a 4 de Setembro de 1891.

Entretanto, Portugal fora forçado pela Grã-Bretanha a assinar um entendimento sobre os limites das respectivas esferas de influência na região, conhecido pelo Tratado dos Limites Fronteiriços de Manica, pelo qual Portugal cedeu à British South Africa Company amplos territórios para oeste de Macequece, incluindo os campos auríferos de Manica que lhe ficam próximos.

Mesmo assim, Caldas Xavier foi agraciado com o oficialato da Ordem da Torre e Espada, da qual já era cavaleiro, pela acção desenvolvida na malograda expedição a Macequece.

Regressou a Portugal em 1893, tendo na altura proferido diversas conferências e publicado artigos na imprensa sobre a necessidade da ocupação efectiva de Moçambique, à luz dos requisitos da Conferência de Berlim. Tal ocupação implicava a realização de uma campanha militar destinada a subjugar os povos da região, com destaque para os nguni, ou vátuas como na altura eram conhecidos em Portugal, chefiados pelo poderoso Ngungunhane, o que viria a contecer em 1895.

A quarta comissão em Moçambique e o falecimento (1894-1896)
Novamente em missão de delimitação de fronteiras, partiu 1894 para Moçambique, tendo chegado a Lourenço Marques quando se desencadeava a rebelião ronga que pôs em perigo a presença portuguesa naquela região. Durante o cerco à cidade que ocorreu nesse ano, Caldas Xavier desempenhou um lugar destacado na organização da sua defesa.
 Quando chegou a Lourenço Marques o comissário régio António José Enes, era Caldas Xavier, apesar de não se encontrar em missão militar, o mais destacado oficial empenhado na repressão dos povos ronga da região.

Tendo o cerco da cidade sido repelido, foi decidido realizar um reconhecimento à região circundante para determinar o local onde as forças da resistência africana estavam concentradas. Caldas Xavier foi escolhido para comandar essa missão, tendo-lhe sido disponibilizada uma força composta por uma companhia do Regimento de Caçadores n.º 2, uma secção de artilharia de montanha, alguns pelotões de tropas auxiliares africanas do Batalhão de Caçadores n.º 3, e treze homens a cavalo da polícia de Lourenço Marques. A força partiu da cidade na madrugada de 21 de Janeiro de 1894, regressando sem que tivesse entrado em contacto com a resistência.

Atendendo à maneira como as tropas suportaram a marcha, e perante as informações obtidas, como forma de aliviar a pressão do inimigo sobre a cidade, António Enes resolveu mandar ocupar Marracuene, local onde se determinou estar a principal força da resistência.

Com esse objectivo foi organizada uma força composta por três pelotões do Regimento de Caçadores n.º 2, uma força metropolitana recentemente chegada a Moçambique, reforçada por uma bateria de montanha a quatro peças e duas metralhadoras Nordentfeld, uma secção de cavalaria e um pelotão da polícia de Lourenço Marques, e ainda quatro pelotões de tropas auxiliares africanas do Regimento de Caçadores n.º 3, integrando soldados de Angola e da ilha de Moçambique. Ao todo eram 37 oficiais e 800 soldados. O comando da força foi entregue ao major José Ribeiro Júnior, tendo como segundo comandante Caldas Xavier. Contudo, dado que o major José Ribeiro Júnior se encontrava doente, o comando efectivo da força recaiu em Caldas Xavier, que mais uma vez provou a sua capacidade organizadora e espírito de iniciativa.

A expedição partiu de Lourenço Marques a 28 de Janeiro de 1895, adoptando um dispositivo de marcha que facilitava a rápida formação em quadrado, estratégia que havia sido ensaiada como a melhor resposta a nas regiões de savana aberta a um eventual ataque das forças africanas, de longe mais numerosas, mas mal armadas. A formação consistia na formação de um vasto quadrado, com as forças auxiliares africanas no exterior e a artilharia e as metralhadoras nos vértices, deixando as forças europeias protegidas e móveis no seu interior para poderem responder a qualquer brecha que o inimigo abrisse.

A expedição passou a noite de 28 de Janeiro bivacado em Anguane, e chegou a Marracuene pelas quatro da tarde do dia seguinte. Depois de ter permanecido no local durante três dias de tranquilidade, na madrugada de 2 de Fevereiro, a coluna foi violentamente atacada. Neste confronto, que ficou conhecido pelo Combate de Marracuene, o dispositivo em quadrado chegou a ser penetrado pelas forças inimigas, pondo em risco toda a estratégia defensiva que havia sido montada.

Contudo, Caldas Xavier, que comandava a coluna por doença do major Ribeiro, ajudado pelos capitães Roque de Aguiar e Eduardo Costa e os tenentes Paiva Couceiro e Aires de Ornelas, rapidamente conseguiram refazer a face do quadrado que havia colapsado e após hora e meia de descargas cerradas as forças da resistência africana foram repelidas.

Estava consumada a primeira de uma série de vitórias militares que terminariam com a destruição de Manjacaze, a capital do Império de Gaza e o aprisionamento de em Chaimite do poderosos Ngungunhane. Mas, para além de ter sido a primeira grande vitória portuguesa nas campanhas de pacificação de Moçambique, a vitória em Marracuene ficou célebre por ter permitido demonstrar que a estratégia do quadrado, mesmo quando penetrada, era defensável, pois até então, quadrado roto era considerado perdido.

A expedição vitoriosa regressou a Lourenço Marques a 5 de Fevereiro, trazendo à frente Caldas Xavier, pois o estado do major José Ribeiro Júnior tinha-se agravado, tendo desfilado pelas ruas da cidade.

Depois da expedição a Marracuene, e porque Caldas Xavier não estava em comissão militar em Moçambique, mas sim ao serviço do Ministério dos Negócios Estrangeiros, não lhe foi dado comando de tropas. Apesar disso, o comissário régio António Enes, aproveitou as suas qualidades militares e prestígio nas operações seguintes, nomeando-o comandante do Serviço de Etapas, o órgão de apoio logístico e de socorro imediato às colunas empenhadas nas campanhas de pacificação.

Porém, a doença tropical, que há muito o minava, não lhe permitiu muito mais tempo de actividade. Teve de se recolher em casa de uma família amiga de Lourenço Marques numa tentativa de se restabelecer. Tal não aconteceu e Alfredo Augusto Caldas Xavier faleceu, na então cidade de Lourenço Marques, hoje Maputo, vítima de doença contraída em África, a 8 de Janeiro de 1896, poucos dias após a chegada como prisioneiro àquela cidade de Ngungunhane (o Gungunhana), o principal inimigo das pretensões portuguesas no território que viria a ser Moçambique.


WIKIPÉDIA

NR: Por razões técnicas a que somos alheios alguns temas habituais  deste domingo não foram inseridos à hora habitual. Estamos a providenciar o restabelecimento das edições em falta, na hora a que costumavam ser publicados.. As nossas desculpas.
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CASTRO VERDE
DISTRITO DE BEJA



CARACTERIZAÇÃO DO CONCELHO DE CASTRO VERDE
Localização
O Concelho de Castro Verde está situado no coração do “Campo Branco”, por entre as planícies do Alentejo que encostam à serra do Caldeirão. Localizado no distrito de Beja, o concelho de Castro Verde é limitado a Norte pelos concelhos de Beja e Aljustrel, a Sul pelo concelho de Almodôvar, a Este pelo concelho de Mértola e, a Oeste, pelo concelho de Ourique.

Com uma área de 567,2 Km2 e uma população aproximada de 8000 habitantes, distribuída em cerca de uma vintena de localidades de pequena e média dimensão, está dividido administrativamente em cinco freguesias: Casével, Castro Verde, Entradas, São Marcos da Atabueira e Santa Bárbara de Padrões.

Equipado com infra-estruturas de acesso rodoviário de boa qualidade, Castro Verde combina a sua privilegiada localização no corredor de ligação do Norte ao Algarve com a facilidade de acessos a eixos de comunicação fundamentais, como:

Câmara Municipal
 Aeroporto de Beja a 45 Kms, aeroporto de Faro a 100 Kms, aeroporto de Lisboa a 190 Kms e aeroporto de Sevilha a 270 Kms; porto marítimo de Sines a 95 Kms; cidade de Beja a 42 Kms; cidade de Évora a 120 Kms; Estação de Caminho de Ferro a 15 Kms.

No que se refere a carreiras de transporte público, pode dizer-se que todas as localidades do concelho se encontram servidas por este serviço, que as liga, pelo menos uma vez por dia à sede de concelho (exceptuando os fins de semana) e, a partir daqui à rede nacional de Expressos com ligações directas a Beja, Évora, Lisboa e Algarve, para além de Tomar, Coimbra, Porto, Braga e Elvas.

Solos e Orografia
O concelho apresenta uma paisagem pouco acidentada, de baixo-relevo, e com uma altitude média a rondar os 200 metros. 
Marco do município


A cota mais baixa, correspondente a 110 metros de altitude, localiza-se na freguesia de S. Marcos da Atabueira, junto da Ribeira de Cobres a nordeste do concelho, limite com o concelho de Beja. A cota mais elevada é de 288 metros de altitude, geodésico da Urza, próximo do Cerro da Bandeira, na Freguesia de Castro Verde.
Os solos no concelho de Castro Verde são pobres, apresentando em relação à capacidade de uso a seguinte distribuição:

0,05% de solos de classe A; 1,90% solos de classe B; 15,49% de solos de classe C; 40,22% solos de Classe D e 41,95% solos de classe E. Estes números representam uma muito baixa capacidade de uso agrícola, significativas limitações de utilização, em particular no que respeita à histórica produção cerealífera, e elevados riscos de erosão.
Os solos não são aconselháveis à cultura do trigo pois a classe E apenas suporta a vegetação natural ou florestal de recuperação, enquanto que a classe D apenas serve para exploração agro-florestal, nomeadamente nos montados de azinho e sobreiro, com culturas de sequeiro sob coberta. Juntas, estas duas classes, representam 82,17% da área total do concelho. Caracterização do Concelho de Castro Verde Cerca de 50% da área do concelho é constituída por zonas planas e ondulares conhecidas por peneplanície. 

O subsolo da área do concelho é essencialmente constituído por xistos argilosos, grauvaques, arenitos, por vezes com quartzitos e raros vulcanitos, em parte fortemente metamorfoseados e de permeabilidade altamente reduzida.
Os valores de declive no concelho de Castro Verde não têm grande variação sendo que predomina o grupo de declives com variáveis entre os 0% e os 2%. Os declives mais acentuados, superiores a 15%, localizam-se em particular junto às ribeiras de Cobres e Maria Delgada, e no limite com o concelho de Almodôvar, ao longo da Ribeira de Oeiras.

Hidrografia
Caracterização do Concelho de Castro Verde A rede hidrográfica do concelho, para além da ribeira de Oeiras, Ribeira de Cobres e Ribeira Maria Delgada, tem ainda os seguintes cursos de água: Ribeira de Alvacar, Ribeira da Fontinha, Ribeira de Terges, Ribeira da Chada, Ribeira da Sete e Ribeira da Gata.

Meteorologia
A temperatura média anual varia entre os 15,5 e 16º C. Nos meses mais quentes, Junho a Setembro, a temperatura máxima chega a ultrapassar os 43º. No período de Inverno, de Dezembro a Março, a temperatura média ronda os 10º. A precipitação média anual atinge um valor médio próximo dos 500 mm, sendo o período de Novembro a Março quase sempre o mais chuvoso. 

No Verão a pluviosidade é reduzida ou mesmo nula, com particular ênfase nos meses de Julho e Agosto, meses em que a chuva raramente aparece.

Geologia
O concelho de Castro Verde é atravessado por uma das províncias metalogénicas de maior relevância a nível mundial, a Faixa Piritosa Ibérica, onde se podem encontrar jazigos de sulfuretos polimetálicos que, pela sua dimensão e pelos teores em metais neles contidos (Cu, Pb, Zn, SN, Au, Ag, etc.) podem situar-se, dentro do seu tipo, entre os mais importantes à escala mundial. 
Poço de Santa Bárbara

Fruto dessa especificidade geológica, este concelho alberga uma das mais importantes indústrias extractivas do nosso país, razão fundamental para o acréscimo de população de Castro Verde nas décadas de 80 e 90, contrariando a tendência geral das regiões do interior, invertendo a situação de crescimento populacional negativo em que se encontrava desde a década de 40, do século XX.

População
Na base deste crescimento estará a implementação, neste concelho, do Complexo Mineiro de Neves-Corvo. As actividades e serviços a ele ligados, assim como o surto crescente de construção civil e obras públicas que tem marcado este concelho nas últimas décadas, têm sido fundamentais para a consolidação do fenómeno de crescimento populacional no concelho. Paralelamente, é de realçar a oferta de emprego e complementaridade de serviços trazidos para a região com a autonomia financeira das Autarquias Locais, a partir de 1979.

No concelho de Castro Verde, o sector terciário emprega 56,18% da população empregada. Depois vem o sector secundário, com 32,7%, enquanto o sector primário ocupa 11,12%. Esta hierarquia de valores mantém-se genericamente em todo o concelho, excepto em Santa Bárbara dos Padrões, onde o sector secundário é aquele que emprega mais população, indubitavelmente um valor justificado pela proximidade das Minas de Neves-Corvo, e em Entradas, onde o sector primário ocupa mais população que o sector secundário, de uma forma geral justificando-se pelas menores dimensões da propriedade e pela complementaridade do uso dos solos baseada na pecuária e na cultura cerealífera. Caracterização do Concelho de Castro Verde Com uma densidade populacional, em 1991 de 13,7 hab/km2, e em 2001 de 13,4 hab/km2, o concelho tem apresentado nas últimas décadas tendência para a concentração populacional, essencialmente na sede de concelho. Em 1970, a população do concelho era de 9004 habitantes, descendo para 7472, em 1981. Dez anos depois, subia ligeiramente para 7762 habitantes. O último censo, realizado em 2001, registava-se uma pequena descida, fixando em 7603 o número de habitantes do concelho. Destes, 3813 são do sexo masculino e 3790 do sexo feminino.

No ano de 2001, com 4820 habitantes, a freguesia de Castro Verde era a mais povoada, representando mais de 50% da população do concelho. Casével tinha então 365 habitantes, enquanto Entradas 774 habitantes, Santa Bárbara dos Padrões, 1271 habitantes e São Marcos da Atabueira, 373 habitantes.
Contudo, contrariando esta ligeira diminuição populacional, os números da população activa são diferentes e registaram entre 1981 e 2001 uma aumento bem interessante:
Ano de 1981 – 2144; ano de 1991 – 3091; ano de 2001 – 3375.
Paralelamente, a esta subida dos números relativos à população activa, que percentualmente se pode interpretar num acréscimo da Taxa de Actividade de 39,8%, em 1991, para 44,4%, em 2001, assistiu-se a uma descida da percentagem de desempregados, de 11,8%, em 1991, para 11,6%, em 2001.
A taxa de Analfabetismo do concelho atinge ainda números altos, tendo-se, no entanto, assistido entre 1991 e 2001, a uma descida de quase 5%, passando de 20,5% para 15,7% da população. Da população residente o nível de instrução, em 2001, distribuía-se desta forma: Ensino secundário completo, 22,9%; ensino médio e superior, 7,3%.

História
A pré-História da região do Baixo Alentejo remonta a 200 000 a.C., período em que, o território é conhecido por ser o habitat dos neandertais migratórios do Norte da Europa durante o período Paleolítico Inferior. 

Estas culturas continuaram a existir até cerca de 28 000 a.C. quando o homem-de-neandertal enfrentou a extinção, com o seu último refúgio a ser o que é actualmente Portugal.

Esta zona sudoeste da Ibéria foi uma região humanizada por várias culturas. Isto devia-se à sua posição comercial estratégica no Mediterrâneo, com a presença de riquezas minerais abundantes. O povoamento começou com a migração dos Celtiberos para a Ibéria Central no século VI a.C., seguida pela instalação dos Celtici na região do Alentejo. A partir do terceiro século até aos dois últimos séculos antes de cristo estas tribos com uma unidade política básica celtibérica foram substituídas pelo oppidum, um povoado fortificado e organizado com um território definido que inclui os castros (cultura castreja) como subdivisões subordinadas.

Património Histórico
Desde há cerca de 3000 anos que a paisagem da região de Castro Verde é objecto de uma profunda humanização. Marcada pela presença de comunidades humanas que teriam na exploração mineira e na pastorícia as suas principais actividades, desde cedo que aqui se instalam estruturas comunitárias fortemente desenvolvidas, conhecedoras da escrita e com profundos “contactos comerciais" com o Mediterrâneo.
Exemplo do extraordinário desenvolvimento e conhecimento da escrita dessas comunidades, é o famoso Silabário da Espanca, pedra gravada com caracteres de origem fenícia, dos séculos V/IV a.C., e que terá servido como suporte para ensinar um dos mais antigos abecedários conhecidos na Europa, denominado por "Escrita do Sudoeste". Nessa “pedra” estão, na parte superior 27 letras cuidadosamente desenhadas, enquanto na parte inferior existe uma cópia do “alfabeto” em cima lavrado na lousa.

É de sempre que toda esta região se encontra ligada ao mundo mediterrânico. A sua riqueza metalífera está, indubitavelmente, na origem desta realidade histórica, tantas vezes retratada por várias autores. Em particular, porque o concelho de Castro Verde é atravessado pela Faixa Piritosa Ibérica, que se caracteriza pela formação de ocorrências metálicas de fácil exploração, onde abundam o cobre, a prata, o estanho e o ouro. As escavações realizadas no couto mineiro de Neves-Corvo, ou os diversos achados ocasionais referenciados em locais como o Castelo de Montel, são bem a prova da riqueza deste território já profundamente conhecido pelos povos mediterrânicos ainda antes do advento dos “romanos”.

A chegada destes à região traz a multiplicação de vias de comunicação e, em particular, dos chamados castella, cronologicamente datados dos séculos II/I a.C., normalmente associados a estruturas de armazenamento e guarda de metais preciosos, e que se distribuem em particular na região de Castro Verde, estando localizados neste concelho cerca de 65% desses conjuntos edificados.

A proximidade do porto fluvial de Mértola e a importância que as minas de Aljustrel têm para as receitas imperiais, fazem de toda esta região um território particularmente romanizado que poderá estar na origem do nome de Castro Verde, eventualmente um espaço utilizado como acampamento militar.

Para a justificação da origem do topónimo Castro Verde há, pelo menos, duas versões. Uma primeira defende que deriva de Castra Castrorum, a que se juntou o adjectivo verde que significaria o mais novo. Mais consistente é a versão que defende a origem do topónimo do nome Castrum Veteris, o castro mais antigo, em contraposição com um outro que existiria no pequeno planalto onde actualmente se encontra a capela de S. Martinho e que terá sido abandonado na Idade Média. O termo “Castro” deriva de castrum, estabelecimento ou acampamento militar.

Mas é em Santa Bárbara de Padrões que mais fortemente se manifesta a presença romana, através dum testemunho único e de dimensão internacional. 

Junto ao local onde actualmente se encontra a Igreja Matriz, e ao longo de toda a encosta nascente da aldeia, encontra-se um importante povoado de época romana, onde para além dos vestígios dum espaço religioso basilical, se descobriu um depósito de lucernas, cuja cronologia se baliza entre o século I e III d.C., tendo sido recolhidos fragmentos de mais de dez mil lucernas. Uma colecção que pode ser visitada no Museu da Lucerna, localizado em Castro Verde.
Para muitos autores, este local corresponderia ao antigo oppidum de Aranni ou Arandis, referenciado no Itinerário de Antonino como estação intermédia entre Ossonoba (Faro) e Pax Julia (Beja) e distante da primeira daquelas cidades cerca de 60 milhas (aproximadamente 90 quilómetros).
Associado ao processo de romanização e, em particular, a partir do século III d.C., está o aparecimento de estruturas de carácter fundiário identificadas como villae, que se podem associar em termos de funcionalidade aos nossos “montes alentejanos” da primeira metade do século XX, em que, de uma forma simplista, o proprietário procura que a sua propriedade seja auto-suficiente e, ao mesmo tempo, crie excedentes para venda ou troca. 

Em todo o concelho essas propriedades marcam o território e estabelecem uma lógica de ocupação territorial baseada genericamente na auto-suficiência que se estende até à ocupação islâmica, no século VIII d.C.. Lucerna Inicia-se então uma fórmula de ocupação do território distinta, assistindo-se a um aumento generalizado da população, a uma maior concentração populacional e ao natural aparecimento de pequenos núcleos populacionais designados por alcarias. 
 No concelho de Castro Verde e, em particular, na faixa que corresponde administrativamente à freguesia de Santa Bárbara de Padrões, essas alcarias são em grande número e correspondem a pequenas comunidades, tradicionalmente identificadas como clãs, que têm na exploração dos recursos endógenos e, em particular, das ricas pastagens e eventualmente de pequenos afloramentos metálicos, realidades naturais e geológicas que caracterizam os Campos de Ourique. Topónimo que identifica a sudoeste do Baixo Alentejo.

A região de Castro Verde está intrinsecamente ligada ao processo de formação de Portugal e ao fundador. A lendária Batalha de Ourique, em que Afonso I “derrota cinco reis mouros”, tem como pano de fundo o sítio de S. Pedro das Cabeças, localizado a cerca de quatro quilómetros de Castro Verde. Conta a lenda que a batalha decorreu nos dias 24 e 25 de Julho, do ano de 1139, e que a mortandade foi tanta que as águas da Ribeira de Cobres se tingiram de vermelho. No entanto, e apesar da lendária e vitoriosa batalha, a Reconquista cristã só se apodera, definitivamente, desta região no reinado de Sancho II, em meados do século XIII, à volta do ano de 1234, quando é conquistado o Castelo de Aljustrel.

A nova realidade política e religiosa, introduz uma nova estrutura socio-económica na região de Castro Verde. Ainda tendo a criação de gado como pano de fundo, mas dando ao cultivo de cereais uma muito maior importância. O concelho, assim como toda esta região, é então priorado da Comenda de Santiago, que tem como donatários os Duques de Aveiro. O concelho de Castro Verde resume-se à realidade administrativa centrada na actual sede de concelho e das pequenas hortas que a cercam. Casével e Entradas ganham autonomia administrativa. Santa Bárbara de Padrões pertence ao concelho de Padrões. S. Marcos da Atabueira pertence a Mértola. Foral O desenvolvimento da agricultura "extensiva" leva ao reaparecimento das estruturas agrárias, tipo monte alentejano, cuja organização se manteve quase até aos nossos dias. Contudo, a pastorícia assume-se como factor fundamental na vida económica da região. São os Campos de Ourique que nos séculos XVI e XVII são, por natureza, o destino para as invernias dos grandes rebanhos vindos de Castela e da Serra da Estrela, tendo por isso, o fenómeno da transumância, marcado fortemente económica, social e culturalmente o concelho.

Na vila de Padrões realiza-se uma importante feira de gado que irá ser substituída mais tarde pela Feira de Castro, que ainda hoje é tida como uma das mais importantes feiras do Sul de Portugal. Nasce no ano de 1620, por ordem de Filipe II, com o objectivo de que o resultado dos terradegos, ou dos impostos provenientes da venda dos locais de venda nas feiras, fosse utilizado nas obras da Igreja dos Remédios.
O concelho de Castro Verde é então um território diminuto. Entradas, Casével e Castro Verde são concelhos autónomos que têm em D. Manuel I, entre 1510 e 1512, o donatário dos forais que lhes dão a dignidade de cabeça de município. E Castro Verde assume uma importância superlativa ligada à lendária batalha de Ourique, que leva o Rei D. Sebastião, na sua breve passagem pela vila em 1573, a promover a construção da Igreja Matriz, como forma de assinalar o desfecho maior para as hostes cristãs.
Da mesma forma, é do século XVII a Igreja dos Remédios que, marcada por uma rica iconografia regional, guarda os traços de dois pintores fundamentais da imaginária do sul: os pintores Pardalinho e Diogo Magina. 

O concelho de Castro Verde tem no período histórico que medeia o século XVI e o século XIX, um tempo de assinalável riqueza económica que se reflecte, muito particularmente, no número de monumentos religiosos que aparecem representados em todo o seu território administrativo que, à época, se divide em cinco concelhos: Castro Verde, Casével e Entradas como sede de concelho. Santa Bárbara como parte integrante do concelho de Padrões. E S. Marcos da Atabueira como freguesia integrante do concelho de Mértola. Basilica Real Grande A 6 de Novembro de 1836, no âmbito da reforma do Código Administrativo de Passos Manuel, que extingue 466 dos 817 concelhos do reino, são integrados no concelho de Castro Verde os territórios de Entradas, Santa Bárbara e S. Marcos da Atabueira. Casével é então deslocado para o renovado concelho de Messejana. Só a 24 de Outubro de 1855, no âmbito da reforma administrativa de Rodrigo da Fonseca Magalhães, Ministro do Reino de D. Pedro V, quando é extinto o município da Messejana, é que Casével integra definitivamente o Município de Castro Verde.

Castro Verde é um concelho de carácter profundamente rural e assim entra no século XX. E neste mundo de natureza rural, o mundo do sagrado tem na região um tempo de culto imemorial, profundamente representado nos seus templos que se distribuem por toda a área do concelho. Ermidas e capelas, igrejas e pequenos templos. Nessa religiosidade ancestral que caracteriza as populações desta região, esses espaços marcam a paisagem e os séculos. Da mesma forma que se reflecte nas tradições culturais e nos costumes que, ainda hoje, marcam regularmente as manifestações culturais e os rituais das gentes de Castro Verde.

Roteiros Turísticos

Roteiro de Arte Pública
 Em Castro Verde, a arte pública tem sido motivo de opção como factor enriquecedor no ordenamento e valorização do espaço público. Abordando diversas temáticas, a arte pública merece um olhar atento.

Igrejas e Ermidas do Concelho de Castro Verde
 A religiosidade não tem um tempo em Castro Verde. Veste-se no sentir da memória. Há dois mil anos, no sítio da Igreja de Santa Bárbara, ergueu-se um templo onde os crentes deixaram dezenas de milhares de lucernas homenageando os seus deuses. A dois passos do Salto, no limite com o concelho de Mértola, a Senhora de Aracelis continua a acolher a devoção das comunidades rurais da zona. O S. Pedro das Cabeças, próximo dos Geraldos, recorda a lendária Batalha de Ourique. O espírito alimenta-se na memória e na espiritualidade, mas também na imensidão das terras de Castro.

Centro de Educação Ambiental de Vale Gonçalinho em Castro Verde

 


Percursos pedestres no Campo Branco
Os caminhos do Campo Branco abrem-se sem barreiras ao olhar do viajante. Porque o conceito “natureza” nesta região é o fruto de uma interacção perfeita entre o homem e aquilo que o envolve. É uma paisagem milenar vestida por gerações e gerações de gente que fez do Campo Branco o seu sítio. É por isso que esta é uma região de muitos momentos de atracção. 

Onde a tradição e o moderno se conjugam no dia a dia da comunidade. Ao longo de séculos, o homem foi deixando os testemunhos da sua evolução cultural, religiosa, económica e social. Apreende-se esse património nas encruzilhadas destas planuras. Passear, olhar demoradamente, regressar a um pequeno ponto branco no horizonte que, pouco a pouco, se vai transformando em ermida, ou em monte, ou em poço, é descobrir cada pedaço destas terras. Mas a memória também é feita da lenda da Batalha de Ourique e da formação de Portugal. Mas também o é da defesa, estudo e divulgação de espécies de avifauna que, ao longo de séculos, aprendeu a viver, lado a lado, como o homem que lançava a semente à terra. A Liga para a Protecção da Natureza ajuda-nos a descobrir estes percursos, a encontrar pequenos observatórios naturais, a descortinar no suave bater de duas asas, o pássaro que rasga a linha do horizonte. Aventure-se nos “Percursos Pedestres no Campo Branco”.

Património Cultural
Grupo Coral Castro Verde é uma terra de encontros. É o ponto de encontro de todos os caminhos que há séculos e séculos construíram e constroem as planuras e serras do ocidente peninsular. Gentes calcorreando caminhos atrás dos gados; mineiros procurando na terra o brilho dos metais; gentes lançando a semente à terra do seu sustento.

Neste mosaico social e económico, Castro Verde construiu e constrói a sua cultura, os seus hábitos, as manifestações do seu património de raízes imemoriais. Expressões visíveis no seu artesanato, nas feiras, no saber estar destas gentes campaniças. Mas é o cante que reflecte um dos traços culturais mais genuínos do concelho, onde sempre se cantou de modo muito próprio, traduzindo uma oralidade muito rica. Agora o cante é dinamizado pelos grupos corais, que organizados em associações procuram dinamizá-lo, de forma a transmitir às novas gerações os sons únicos deste cantar de Castro. Ainda é possível ouvi-lo ao final da tarde em algumas tabernas, nas ocasiões em que o petisco e o convívio o proporcionam.Viola Campaniça
E se o “cante” é um dos mais puros reflexos do património cultural desta região, a viola campaniça, instrumento cordiforme, tem aqui um dos seus últimos redutos e depositários da memória musical dos descendentes dos instrumentos de cordas medievais. Utilizada para acompanhar o cante de despique e baldão, bem como algumas modas campaniças, o seu som oferece emoções únicas e diferentes. Outrora era instrumento utilizado nos bailes populares.

Ao longo de todo o ano, são estes e outros “bailhos” uma forma de reencontro da comunidade castrense. Na Pinha, na Semana Santa, nos Santos Populares, nas festas religiosas ou nas simples comemorações de aldeia. Mas a Feira de Castro continua a ser o ponto de encontro destas culturas musicais transtaganas, mescladas num sabor de Sul que pouco a pouco os tempos vão apagando. Contudo, aqui ainda resiste um certo exotismo que nos oferece, em particular, o sábado e o domingo da feira. Feira centenária, foi criada em 1620/1621 por Filipe III, com o intuito de reverter as receitas do terradego (imposto por ocupação de espaço na feira), na construção ou restauro da Igreja das Chagas do Salvador, agora os Remédios, que a tradição dizia ter sido mandada construir por D. Afonso Henriques. O pedido dos castrenses foi atendido pelo rei filipino, mas removendo a feira que se realizava então na Vila de Padrões. E a feira foi-se construindo ao longo dos séculos assente numa lógica profundamente comercial para toda a região sul. “Quem vai à Feira de Castro /E se apronta tão bonito /Não pode acabar a Feira /Sem entrar no bailarico /Sem entrar no bailarico /A modos de bailação /Ai que me deu um fanico /Nos braços de um manganão…”. É esta melodiosa envolvência que Paulo Abreu e Rui Veloso imortalizaram numa canção bem recente, que ainda veste a Feira de Castro dos dias de hoje. Ali tudo se vende. Roupa, plásticos, loiça, cadeiras de verga, as últimas novidades “made in china”, produtos hortícolas, frutos secos e artigos regionais. A feira é um leque interminável de cores, de vozes, de falares num rendilhado quantas vezes ininteligível. A Feira de Castro é o espaço de reencontro. Entre a tradição e a modernidade. O ontem e o hoje. As gentes de hoje trazendo as memórias de ontem. E aqui, a tradição oral que a Feira invoca, renasce no cante ao baldão, no cantar ao desafio, nas expressões tradicionais de transmissão do património imaterial. O concelho de Castro Verde carrega nas suas vivências este património da idade dos homens. E é dessa memória que faz os novos caminhos. Um largo caminho que começa quando os primeiros povos mediterrâneos chegam aqui em busca dos minérios destes campos de cobre, estanho, ouro e prata. 
Ramal da Mina de Neves Corvo
Os mesmos metais nobres que entre o século I a.C. e o século III d.C. os romanos exploraram na região, levando-os a construir uma impressionante grelha de pequenos entrepostos em todo o território, os castella, e que ainda hoje se assumem como referentes paisagísticos no suave ondulado destas terras. Castelo do Vale de Mértola, Castelo das Juntas ou o Castelo das Amendoeiras, são alguns desses sítios que entretanto terão sido reutilizados como villae agrícola. Mas do processo de romanização, o Castelo Velho do Cobres é, sem dúvida, a grande estrutura amuralhada que marca a ocupação protohistórica no concelho de Castro Verde. A riqueza das pastagens do “Campo Branco” e, em particular, das terras da região de Castro Verde, leva ao aparecimento de pequenos aglomerados agro-pastoris em particular no território dos concelhos de “Entradas”, “Padrões” e Castro Verde. E é com os processos de transumância dos séculos XV/XVIII, que todo o concelho vai ganhar uma personalidade económica de invejável pujança, que leva ao aparecimento de um importante conjunto de edifícios religiosos, demonstrativo da importância social deste “concelho” na estrutura sócio-económica da região.

Artesanato
O concelho de Castro Verde tem no seu espaço geográfico um conjunto de actividades que contribuem para a riqueza do mosaico artesanal do Alentejo. O artesanato é aqui um hino às mãos.
Aqui, o cadeireiro ainda encontra no buínho o melhor material para criar o entrelaçado para o melhor dos assentos. A tecedeira, ao som da velha cantiga do tear, continua a transformar a lã em mantas e em meias. 

Há artesãos que fazem réplicas dos objectos reais do quotidiano socioeconómico de outros tempos, em miniaturas de beleza fascinante. Há rendas, meias de linha e tapetes de tipo Arraiolos. Novas ceramistas moldam o barro com as cores do Alentejo. E, a crescer, há aventuras na construção da rara Viola Campaniça. 
As mãos são um instrumento fundamental no reino dos velhos ofícios. As mãos sensíveis do moleiro apuram a finura do trabalho da mó na farinha que, acompanhada de outros ingredientes, há-de sentir as mãos de quem ainda a transforma no pão alvo que cresce no velho forno com cheiro à esteva, que serviu para aquecer as suas paredes seculares.
As mãos das boleiras guardam os segredos das queijadas de requeijão e dos folhados de gila, tal como as cozinheiras, de alguns restaurantes, conhecem os milagres das ervas aromáticas na comida da nossa terra. O Posto de Turismo de Castro Verde ajuda-o a descobrir o mundo das nossas mãos, do artesanato, da gastronomia... incluindo as mãos de outros tempos, as mãos que fizeram monumentos e costumes. Programas diversos mediante solicitação.

Museus

Tesouro da Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição
A Basílica Real de Castro Verde é um templo imponente que marca de forma bem visível o núcleo urbano da vila. O seu altar - mor é revestido a talha dourada e o interior coberto por riquíssimos painéis de azulejos do século XVIII que retratam a Batalha de Ourique, episódio lendário ligado à fundação da nacionalidade.

O título de Basílica Real foi concedido por D. João V em homenagem à vitória do primeiro rei de Portugal – D. Afonso Henriques – sobre os cinco reis Mouros, ocorrida no dia 25 de Julho, dia de Santiago, corria o ano de 1139.

Na Basílica Real de Castro Verde pode também visitar o Tesouro da Basílica, núcleo museológico de arte sacra, onde se podem apreciar algumas das alfaias religiosas mais importantes do concelho, com especial destaque para a Cabeça-Relicário de São Fabião (Casével) e a Custódia da própria Basílica.

Este Tesouro está integrado na rede de núcleos de arte sacra do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.

Museu da Lucerna
O Museu da Lucerna abriu no ano de 2004 e oferece-nos uma colecção única de Lucernas de época romana (Século I-III d.C.), descobertas em 1994, na localidade de Santa Bárbara dos Padrões. 
 Os milhares de lucernas trazidos à luz do dia durante os trabalhos arqueológicos, permitiram preparar e agora mostrar ao público um conjunto único desses utensílios de iluminação, decorados com os mais diversos motivos. Desde cenas da vida quotidiana ao universo mitológico da Antiguidade, passando por representações de animais a simples objectos. O Museu, para além das exposições temáticas e temporárias que oferece ao visitante, pretende ser também um centro de estudo de Lucernas. Este é um projecto de parceria entre a Cortiçol - Cooperativa de Informação e Cultura de Castro Verde e o Município de Castro Verde.

Moinho de Vento
Recuperado em 2003, pela Câmara Municipal de Castro Verde, o moinho do Largo da Feira voltou a moer, depois de inactivo durante mais de 60 anos. 

Com moleiro residente, pretende ser uma peça viva do conceito museológico que a autarquia desenvolve. As visitas podem acontecer sempre que o moinho se encontre a funcionar ou o nosso moleiro esteja por ali próximo. As visitas de grupo podem ser marcadas antecipadamente no Posto de Turismo.

Núcleo Etnográfico do Monte das Oliveiras
O Monte das Oliveiras é uma exploração agro-pecuária que continua a ser o testemunho vivo da vida num monte alentejano, estrutura habitacional de funções agrícolas que marca a paisagem alentejana. 

Para além do quotidiano da vida do monte, o visitante pode ainda usufruir de uma visita ao pequeno núcleo etnográfico, constituído pelos objectos e memórias das vivências dos proprietários. O Monte das Oliveiras alberga nas suas imediações a maior colónia de Cegonha Branca da região.

Património Natural
Breve caracterização do Património Natural do Concelho de Castro Verde
Com uma paisagem pouco acidentada, de vegetação parca, solos xistosos e terras claras, a região de Castro Verde é o coração do Campo Branco. 

O coberto vegetal esclerófilo, de folhagem dura, caracteriza-se por manchas raras de azinheiras, alguns sobreiros e pequenas cercas de olival.

Aqui e ali, pequenas linhas de água rasgam a morfologia padronizada na planície deste concelho. 

Duas pendentes caracterizam a região de Castro Verde, fazendo correr as águas de Inverno para o Guadiana e para o Sado. Duas bacias hidrográficas marcadas, a primeira, pelas ribeiras de Cobres e Maria Delgada, Terges e Oeiras; a segunda, pelos barrancos da Gata, do Montinho e das Almoleias.

Os sistemas cerealíferos extensivos e as pastagens seminaturais que caracterizam o concelho de Castro Verde, têm marcado sistematicamente, e durante centenas de anos, o território natural do concelho.

Padrão de ocupação do solo muito particular, terra limpa, com rotações de cereais e pousios longos. Neste habitat pseudo-estepário, adaptaram-se várias espécies de aves, hoje na sua maioria em vias de extinção.

A Abetarda, a verdadeira rainha da estepe, o Sisão, o Cortiçol de Barriga-Preta, o Penereiro-das-Torres, o Grou, o Rolieiro, a Cegonha Branca, entre muitas outras, compõem a riqueza do mosaico natural, que está momentaneamente protegido pelo Projecto Biótopo Corine.

O Plano Director Municipal de Castro Verde, publicado em 1993, consagra legalmente a interdição na área do Biótopo Corine, mais de 2/3 da área do concelho, à instalação de florestas de crescimento rápido, apontando-se para a recuperação da agricultura tradicional. Procura-se assim compatibilizar o uso da terra com a preservação da natureza, muito particularmente, da sua avifauna.

Neste contexto o Programa Zonal de Castro Verde veio consagrar apoios importantes aos agricultores que viabilizam a estratégia preconizada no P.D.M., e cujos resultados são hoje particularmente visíveis, não apenas na protecção das espécies, mas igualmente na salvaguarda dos terrenos delgados da região. Desta forma, a área do Biótopo de Castro Verde, classificada como Z.P.E., no âmbito da Directiva 79/409/CEE, integrando a Rede Natura 2000, aguarda neste momento a definição dos seus instrumentos de gestão.

A riqueza natural do concelho, em especial ao nível de avifauna, e os trabalhos de conservação desenvolvidos (Plano Zonal) tem sido apontada como exemplo a nível europeu. Também aqui a Liga Para Protecção da Natureza (LPN), tem vindo a desenvolver uma importante actividade, nomeadamente na aquisição de propriedades, que constituem reservas biológicas, e onde decorrem projectos de conservação de habitats e salvaguarda das espécies ameaçadas.

Clima
Tipicamente mediterrânico, com duas estações bem definidas:
O Inverno, frio e pouco chuvoso. E o Verão, quente e seco. A temperatura média anual ronda os 15,8 graus. Com grandes amplitudes térmicas, as temperaturas atingem máximos, no Verão, acima dos 43º, enquanto no Inverno, as mínimas, descem abaixo dos 0ºC. A Precipitação é irregular, podendo sofrer grandes variações de ano para ano. A época do ano mais chuvosa é a que medeia os meses de Novembro a Março, com valores médios mensais de 80 mm3. A época do ano mais seca é o período de Junho a Agosto, com valores médios nunca superiores a 15mm3.

Relevo e Geologia:
Metade da área do concelho é constituída por zonas planas e onduladas (peneplanícies) muito extensas. A variação altimétrica varia entre os 110 e os 289 m. Aqui abundam os xistos e os grauvaques, para além de alguns afloramentos de quartzíticos. O concelho é atravessado na zona sul e poente por um complexo vulcano-sedimentar de Faixa Piritosa de elevado teor de Cobre e Estanho.

Unidade Paisagística:

1) Estepe Cerealífera Mediterrânica – 82% da área do concelho;
2) Montado de Sobro e Azinho – 13% da área do concelho;
3) Matas – 4% da área do concelho;
4) Zonas Húmidas – junto a linhas de água e pequenas albufeiras.

Alguma Fauna Representativa:
1) Répteis:
Cobra-rateira – Malpolon monspessulanos
Cobra – ferradura – Coluber hippocrepis
2) Batráquios:
Sapo – Discoglossus galgon
Rã – verde – Rana perezi
3) Mamíferos:
Geneta – Genetta genetta
Javali – Sus scrufa
Lebre – Lepus campensis
Coelho Bravo – Oryctolagus Cuniculus
4) Aves:
Abetarda – Otis tarda
Sisão – Tetrax tetrax
Peneireiro das Torres – Falco naumanni
Rolieira – Coracia garrulus
Á guia Caçadeira – Circus pygargus

Alguma Flora representativa:
1) Esteva – Cistus ladanifer
2) Rosmaninho – Lavandula Luisieri
3) Tojo – Ulex curopaeus
4) Oliveira – Olea europaea
5) Azinheira – Quercus rotundifolia
6) Sobreiro – Quercus suber 

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BOM DOMINGO