10/10/2011

BAPTISTA BASTOS



Os retratos próprios e os dos outros

Certa ocasião fui de longada até Barcelos. Depois, caminhei por uma estrada de terra solta e vermelha, bordejada por vinhas de enforcado e árvores cujas copas se uniam. Queria chegar a São Martinho de Galegos, lugar de barristas, com particular evidência para Rosa Ramalho, ou Ramalha, cuja notoriedade se devia, em grande parte, a José Ernesto de Sousa, importante homem de cultura, assinalada por uma curiosidade activa de carácter renascentista.

A obra da Ramalha parecia uma representação das teses surrealistas: harpias, Cristos de várias crucificações, demónios e animais estrambólicos, ciclopes medonhos, mistérios e espantos. Era uma velha pequena, seca, magra, astuciosa. Às páginas tantas da conversa perguntei-lhe o porquê daquelas esculturas, tão estranhas quanto tenebrosas. Disse-me: "Sonho muitas vezes assim. Depois, faço os sonhos no barro."

Podia, agora, recorrer a Freud, e à "Interpretação dos Sonhos", livro que marcou parte da minha geração. Mas Freud dá para tudo, e dá, pelo menos neste momento, para lhe citar a frase: "Os sonhos são desejos recalcados e retratos das possibilidades acaso impossíveis." Retratos, máscaras, persona: as equivalências proporcionam várias leituras. Porém, também permitem entender que todo o retrato é deformado, porque não é total. Melhor do que ninguém, o nosso Columbano esclareceu o lugar procurado nos seus retratos: o sentido da alma.

No entanto, mesmo através dessa procura, toda a arte (pintura, romance, novela, conto, cinema, teatro) dá notícias: notícias do que se passa na acção ou no coração dos homens. Se o universo de Rosa Ramalho, distorcido, por vezes repulsivo, possui ligações com a escrita automática surrealista, também estabelece relações secretas, mágicas, com Dante, com Proust ou, até, noutra extensão, com Wagner. Nenhuma destas afirmações é impetuosa ou leviana, exactamente porque todas as manifestações artísticas do homem correspondem a um diálogo emprestado. Com objectivos semelhantes: o conhecimento da condição humana. A vocação de procura e a tendência obscura para a configuração do retrato aproximado de quem somos, afastam-se das ciências cognitivas porque pertencem aos domínios "irracionais" da criação. Nenhum retrato o é, rigorosamente, porque ninguém é o que julga ser, nem aquilo que os outros presumem. É essa complexidade que constitui a riqueza imensa e inquietante da nossa condição.

Infernos e paraísos, opacidades e claridades; porém, tudo efémero. A máscara do retrato altera-se com o espírito do tempo. Nenhum de nós é o que foi. O que, apressadamente, se designa por "coerência" contraria o próprio fundamento evolutivo. Não é só Darwin e Freud que explicam. Bertrand Russel, na sua "Autobiografia", não se cansou de combater a "coerência", entendida como cristalização e, portanto, antagónica da razão. E a metáfora mais aproximada desta evidência está n' "O Retrato de Dorian Gray": a natureza não se contraria.

De novo, os barros de Rosa Ramalho: frequentemente apodados de abstracções, sê-lo-ão se recusarmos, simultaneamente, a razão e a desrazão, os ilimites da criatividade e os constrangimentos a que a própria criatividade para si cria. No fundo: uma arte com alma, no sentido que Henri Agel atribuiu ao filme: "Le Cinéma a-t-il une âme?"; ou a demanda de todo o artista em acrescentar, ao conhecimento que possuímos do homem, o conhecimento que o artista foi adquirindo ao longo dos anos.

O que subjaz ao retrato é a ideia de que há muito de inacabado, de imperfeito e de horrorosamente oculto na construção humana, inclusive no seu pensamento, ele também uma construção, determinada por momentos. O artista vive entre o Génesis e o Apocalipse e o retrato que dos outros faz (no cinema, no teatro, na pintura, no romance) constitui a angustiada pesquisa de si mesmo. Eis porque o artista não tem de abrir a porta de marfim do inferno, como fez Virgílio, e enviar para o mundo bonanças precárias e ilusões efémeras. Mas, embora duvide da terapia social do seu discurso, não pode eliminar a natureza do seu trabalho criativo, que se baseia na identificação do trágico absoluto e na representação de uma forma particular de consciência.

Creio ser essa "consciência" que liga artistas tão aparentemente díspares como Rosa Ramalho ou Jorge Luís Borges; os barros da velha mulher de São Martinho de Galegos às pinturas perturbantes de Delvaux. Metafísica e razão. A razão metafísica dos sonhos. A matéria (ensinou Brecht) de que são feitos os homens.

Os barros da Rosa Ramalho (ou Ramalha) eram um outro lado da visão pessoal de uma mulher velha, que procurava os nossos olhos para um novo entendimento de uma outra realidade. Talvez sinais ocultos da Criação.


IN "JORNAL DE NEGÓCIOS"
07/10/11

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…e tinha de nascer em Portugal





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HOJE NO
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Crédito malparado sobe 
e atinge novos máximos históricos
As famílias e as empresas continuam a denotar dificuldades em conseguir cumprir com as suas obrigações. O crédito malparado entre as famílias está em níveis nunca vistos e entre as empresas está no máximo desde Agosto de 1998, reflexo da crise económica e do elevado desemprego que assola o País.


Os bancos têm em carteira 10,99 mil milhões de euros de crédito malparado de empresas e famílias, de acordo com os dados preliminares de Agosto divulgados pelo Banco de Portugal.

No caso dos particulares, há dívidas de cobrança duvidosa de 4,5 mil milhões de euros, o que corresponde a 3,21% do total dos empréstimos concedidos. Este é o nível de malparado mais elevado desde que há histórico – Dezembro de 1997.

No segmento de crédito ao consumo, as cobranças duvidosas já superam mesmo os 9%, algo nunca visto. No financiamento para outros fins (que inclui educação e trabalhadores por conta própria) o crédito malparado fixou-se, em Agosto, nos 9%, o que também corresponde ao nível mais elevado desde Maio de 1998.

Só no crédito à habitação é que o nível do malparado é inferior (1,81%), o que ainda assim também representa o nível mais elevado desde que há histórico.

Entre as empresas o peso do malparado sobre o total dos empréstimos concedidos aumentou para 5,57%, o nível mais elevado desde Agosto de 1998.

A actual conjuntura económica está a levar a que muitas empresas tenham dificuldades em conseguir fazer frente às suas despesas. Ao mesmo tempo, o desemprego tem vindo a aumentar, deixando famílias sem alguns rendimentos que tinham. Tudo factores que têm provocado aumento do crédito malparado.


* Convém lembrar que em Portugal o maior caloteiro de todos é o Estado Português!

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12–  OS MESTRES DO DINHEIRO



A história de como os Bancos Privados se tornaram a mais poderosa e infame dominação do mundo.Aborda o papel dos bancos na história e actualmente. Vindo desde a criação das primeiras Casas de Moeda na antiga Roma até hoje em dia. Como os bancos controlam as nações, impelindo-as as guerras e escravidão do povo através de dívidas e juros para paga-las.
O que as principais guerras na Europa e resto do mundo, desde Napoleão a Segunda Guerra Mundial tem em comum?Tudo isso é abordado exaustivamente num documentário mais do que completo sobre a milenar história da nossa escravidão pelo sistema monentário dos banqueiros.

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ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA 
DE LEUCEMIAS E LINFOMAS




Inscreva-se como sóci@ da APLL por apenas € 5/ano. As verbas que recolhidas através dos novos sócios ou donativos revertem integralmente a favor dos doentes: oferecemos pijamas, uma vez que o tratamento de quimio e radioterapia os leva a transpirar imenso, pelo que têm de trocar de pijama várias vezes ao dia; oferecemos um plafond de 200/250 euros/mês, conforme o caso, para compra de medicamentos em farmácia por doentes carênciados, que permitam complementar o tratamento ambulatório - estes casos são analisados pela assistente social do IPO do Porto e remetidos para a APLL.

Dadores de Sangue

As colheitas de sangue podem salvar vidas. Os doentes sujeitos a tratamentos de quimio, rádio e imunoterapia precisam, muitas vezes, de transfusões de sangue aquando do tratamento.

Dadores de Medula

O registo como dador de medula óssea não traz benefícios directos ao dador. No caso de se encontrar um dador compatível com um doente que precise de transplante, o dador poderá, ou não avançar com o processo de dádiva. Nos dias de hoje, o processo é extremamente simples e indolor, podendo ajudar a salvar uma vida.

Associação Portuguesa 
de Leucemias e Linfomas
Clinica Oncohematologia
R. Dr. António Bernardino de Almeida,
4200-072 Porto
Tel. 225 084 000 - ext. 3100 | 93 440 50 12
E-mail: geral@apll.org

Associação Portuguesa Contra a Leucemia
Rua D. Pedro V - nº 128
1250-095 Lisboa
Tel: 213 422 204/05
Fax: 213 422 206
E-mail: apcl@contraleucemia.org | 
Web: http://www.contraleucemia.org

CEDACE – Registo Português 
de Dadores de Medula Óssea
Centro de Histocompatibilidade do Norte
Pavilhão "Maria Fernanda"
R. Dr. Roberto Frias
4200-467 Porto
Tel: 225 573 470
Fax: 225 501 101



HOJE NO
"DESTAK"
 
Onze mortos em acidentes 
de viação no fim de semana


Onze pessoas morreram em 378 acidentes de viação ocorridos no sábado e no domingo na área de jurisdição da GNR, de acordo com os dados provisórios da Guarda.

Nos 169 acidentes registados no sábado morreram seis pessoas e seis ficaram feridas com gravidade.
Os acidentes com mortos ocorreram nos distritos de Braga (1), Coimbra (2), Leiria (1), Santarém (1) e Viseu (1).
No domingo morreram cinco pessoas nos 190 acidentes que ainda fizeram sete feridos graves.
Os desastres com vítimas mortais sucederam em Braga (1), Faro (1), Porto (1) e Santarém (2).
Nos dois dias do fim de semana, 154 pessoas sofreram ainda ferimentos leves nos acidentes registados pela GNR.


* Os selvagens da estrada!!!

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AMOR ELECTRO

A MÁQUINA





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