CONSTANÇA CUNHA E SÁ - não é a crise que move os adeptos do Bloco Central, mas sim a crença irracional de que o engº Sócrates é insubstituível.«correio da manhã»
JOSÉ CHARTERS MONTEIRO - o bairro da Bela Vista até resistiu bem a 35 anos de maus tratos. Demolir não resolve, o problema é humano (arquitecto do bairro). «dn»
ALBERTO JOÃO JARDIM - as causas de Sócrates são uma pouca vergonha e a decadência de Portugal.«i»
JAIME SILVA - (a propósito das críticas de Sevinate Pinto), essa crítica de que está tudo atrasado é de quem estava habituado a ter um tapete vermelho neste ministério. (ministro da agricultura)«i»
FRANCISCO LOUÇÃ - (a propósito do BPP) os contribuíntes não podem aceitar o risco de financiar uma dívida se esta for causada por incompetência.«i»
FILANTROPO HONÓRIO - desde a nossa adesão à UE tivemos primeiros ministros sui-generis: um que nunca errava e raramente se enganava, outro apaixonado pela educação mas , como qualquer paixão, desvaneceu-se à primeira contrariedade, a seguir veio um que disse que o País estava de tanga e por isso, rápidamente, foi vestir roupa de marca para a Europa, depois uma passagem fugaz de alguém que anda por aí, este último , pode não se gostar dele, mas aguentou com firmeza calúnias, continua a aguentá-las, e com despudor transforma os seus ministros em secretários técnicos, pois as decisões políticas são todas da sua autoria (pensionista).
Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
19/05/2009
1 - C A R A M B A
CONSELHO SUPERIOR DAS INVESTIGAÇÕES CIENTÍFICAS - o ar de Madrid e Barcelona contém várias drogas em suspensão, entre as quais se destaca a cocaína. As amostras de ar recolhidas ao fim de semana revelam um aumento das substâncias «DN»
PSD - admite entrada da Rússia na UE a longo prazo «DN»
PPM - apoia uma futura adesão de Cabo Verde(?) à UE «DN»
KAMA SUTRA PARA CATÓLICOS - o padre franciscano polaco Ksawery Knotz acaba de editar um livro intitulado Kama Sutra para católicos e segundo o autor destina-se a apimentar a vida sexual dos casais católicos. "durante o interlúdio sexual os casais podem mostrar o seu amor e carícias de todas as formas. Podem empregar os estilos manual e oral refere ainda aquele sacerdote na publicação. O livro foi aprovado pela Igreja Católica Polaca «fonte correio da manhã» COMENTÁRIO DA REDACÇÃO - felizes os catolicos polacos que já não pecam quando fazem um bxochx ou um mixexe.«gandaego»
MÁRIO SOARES - temos assistido que os actuais políticos, dirigentes europeus são todos fracos. Todos eles, no meu entender, em relação aos líderes do passado. Pessoas com pouca preparação e alguns deles com interesses até um pouco suspeitos (afirmações na conferência europeia 'Construir a Coesão Social') «correio da manhã»
PSD - admite entrada da Rússia na UE a longo prazo «DN»
PPM - apoia uma futura adesão de Cabo Verde(?) à UE «DN»
KAMA SUTRA PARA CATÓLICOS - o padre franciscano polaco Ksawery Knotz acaba de editar um livro intitulado Kama Sutra para católicos e segundo o autor destina-se a apimentar a vida sexual dos casais católicos. "durante o interlúdio sexual os casais podem mostrar o seu amor e carícias de todas as formas. Podem empregar os estilos manual e oral refere ainda aquele sacerdote na publicação. O livro foi aprovado pela Igreja Católica Polaca «fonte correio da manhã» COMENTÁRIO DA REDACÇÃO - felizes os catolicos polacos que já não pecam quando fazem um bxochx ou um mixexe.«gandaego»
MÁRIO SOARES - temos assistido que os actuais políticos, dirigentes europeus são todos fracos. Todos eles, no meu entender, em relação aos líderes do passado. Pessoas com pouca preparação e alguns deles com interesses até um pouco suspeitos (afirmações na conferência europeia 'Construir a Coesão Social') «correio da manhã»
OS PUTOS Nova versão
enviado por CARLOS SANTOS
18/05/2009
Á F R I C A - MIA COUTO
Como falamos a democracia?
Mia Couto *
Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam Robert Mugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África. Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano. Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perante dirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação?
Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas se relacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, um zimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidades divinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus.
A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que «Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.
Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedade constrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com regimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos.
Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemática política é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional, exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo «deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias?
O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro.
Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como as línguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios.
Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Sem drama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficos os falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens.
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais.
Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado – já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística: quase todos africanos são multilingues.
Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira.
Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Abril da revista África 21
(Publicado no Ma-Schamba-Blog de José Teixeira)
Mia Couto e as concepções políticas africanas
8 de Maio de 2009
Mia Couto *
Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam Robert Mugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África. Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano. Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perante dirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação?
Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas se relacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, um zimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidades divinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus.
A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que «Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.
Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedade constrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com regimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos.
Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemática política é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional, exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo «deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias?
O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro.
Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como as línguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios.
Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Sem drama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficos os falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens.
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais.
Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado – já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística: quase todos africanos são multilingues.
Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira.
Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Abril da revista África 21
(Publicado no Ma-Schamba-Blog de José Teixeira)
Mia Couto e as concepções políticas africanas
8 de Maio de 2009
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