14 - AZARES
Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
11/05/2011
TENHA UM BOM DIA............
...atenção aos engodos
COMPRE JORNAIS
produzir e qualidade
Calçado exporta 408 milhões
Nos primeiros três meses do ano, as empresas de calçado portuguesas exportaram 408 milhões de euros para 130 países, mostram dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O número representa um acréscimo no volume de exportações de 20% face ao mesmo período do ano passado.
Em comunicado, a APICCAPS – associação que representa o sector – reconhece que o bom desempenho das empresas de calçado nacionais é resultado da feita "nos últimos três anos", através de um investimento da ordem dos 25 milhões de euros. Por ano, o calçado representa um volume de vendas de 1,3 mil milhões, sendo uma das áreas que mais contribui para contrariar o desequilíbrio da balança comercial do País. Actualmente, emprega 32 738 trabalhadores.
"CORREIO DA MANHÃ"
europa amiga...
União Europeia ganha o mesmo
que o FMI no empréstimo a Portugal
que o FMI no empréstimo a Portugal
Portugal pagará um pouco mais de 5,5% ao ano pelos 52 mil milhões da UE e Zona Euro. Pelos 26 mil milhões do FMI, pagará entre 3,25% e 4,25%. Assim sendo, a taxa média do empréstimo rondará os 5%.
Depois de muitas críticas, os parceiros europeus decidiram baixar a taxa de juro cobrada aos países resgatados: ganham agora mais ou menos tanto dinheiro como o FMI, embora continuem a elevar os juros para níveis que, dado o baixo crescimento económico, fazem temer pela sustentabilidade da dívida.
"JORNAL DE NEGÓCIOS"
cabeças rolantes
Pinto Monteiro. O PSD quer a cabeça do procurador-geral da República
Passos não confia em Pinto Monteiro e já o disse várias vezes. A gestão dos processos Freeport e Face Oculta ditará a substituição do procurador
Em Setembro de 2006, quando o magistrado Pinto Monteiro foi nomeado para o cargo de procurador-geral da República, mereceu reacções elogiosas dos partidos da direita. Os anos e alguns processos mediáticos como o caso Freeport e o Face Oculta - ambos envolvendo o nome do primeiro-ministro José Sócrates - fizeram com que o então aplaudido procurador se tornasse no alvo de fortes críticas por parte dos partidos da direita. E, com uma vitória do PSD nas próximas eleições, coligado ou não com o CDS-PP, Pinto Monteiro deverá ser levado a renunciar
"i"
o espectro da jardinagem
Há 2637 empresas isentas de IRC
na zona franca da Madeira
na zona franca da Madeira
A lista das empresas hoje divulgada refere-se ao ano de 2009 e divulga quais são as sociedades que se declararam como beneficiárias desta isenção. As beneficiárias de isenção parcial do pagamento de IRC são muito menos, num total de 68 firmas.
Outras 438 empresas beneficiam de melhores condições fiscais no âmbito do Sistema de Incentivos Fiscais em Investigação e Desenvolvimento Empresarial (Sifid), isto de acordo com o registo de 2009.
Já os benefícios à interioridade são concedidos a 23.561 empresas, enquanto 223 estão registadas como pessoas colectivas de utilidade pública. Por outro lado, estão registadas 714 cooperativas com redução de taxa e 408 estabelecimentos de ensino particular.
No âmbito dos apoios para a criação de emprego, também em 2009, foram atribuídos benefícios fiscais a 2607 sociedades. No imposto sobre veículos, em 2010 foram 7225 as entidades beneficiárias, incluindo empresas, embaixadas, associações e corporações de bombeiros.
Já os apoios ao investimento, por meio de diversos benefícios fiscais, relativos a contratos em vigor até ao final de 2010, incluem 78 sociedades.
"PÚBLICO"
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sporting aliviado
Couceiro está na lista
para a estrutura do futebol do benfica
José Couceiro, treinador do Sporting, é um dos nomes que está na lista de Luís Filipe Vieira, tendo em vista o reforço do departamento de futebol do Benfica. Preparando a nova temporada, depois de um ano desportivo que o próprio admitiu ter sido de fracasso (a Taça da Liga foi o único troféu conquistado), o presidente do clube da Luz idealizou reforçar a estrutura afeta à equipa de futebol.
"RECORD"
e alunos sem escolas...
25 a 40 mil professores ficam sem emprego
Dos 55 mil candidatos aos concursos do ministério, 20 mil procuram emprego e 35 mil estão nas escolas. Para os primeiros as hipóteses são quase nulas e os segundos enfrentam cortes drásticos.
Dos quase 55 mil candidatos aos concursos de contratação a prazo do Ministério da Educação - onde se incluem os que têm hoje um vínculo precário às escolas - pelo menos metade deverá ficar sem colocação no próximo ano lectivo.
Actualmente, a rede pública emprega cerca de 35 mil professores a prazo e a tendência - assumida por sindicatos de professores e por directores - será para reduzir "drasticamente" esse número. Assim, além dos 20 mil professores que hoje já não conseguem entrar no sistema público, muitos outros deverão abandoná-lo a partir de 2011/2012.
A redução será "drástica", dizem os sindicatos. Mas quantos serão ao certo é a dúvida do momento, com as estruturas a avançarem estimativas que variam entre os cinco mil e os 20 mil, dependendo do calendário de execução de algumas das medidas em cima da mesa.
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
aldrabice política
Governo em gestão já inaugurou
mais de 40 obras públicas
mais de 40 obras públicas
Oposição acusa o Governo de “caça ao voto” e de estar a fazer campanha com vaga de inaugurações. Partidos prometem mudar a lei na próxima legislatura.
A caravana governamental não tem dado tréguas aos pneus no último mês. São milhares de quilómetros percorridos pelo País para inaugurar escolas, centros de saúde e outras obras públicas, em contra-relógio até às eleições de 5 de Junho.
De acordo com a contagem do Diário Económico, os vários ministérios já inauguraram 44 obras públicas desde o dia 1 de Abril - depois do Presidente da República ter aceite a demissão do Executivo e convocado eleições - e marcaram presença noutras tantas visitas.
Ontem mesmo, enquanto o secretário de Estado Adjunto da Saúde, Manuel Pizarro, inaugurava mais duas unidades de saúde familiar no Norte, a ministra Ana Jorge estreava outras duas instalações de saúde na região de Lisboa, reservando para a tarde visitas a outras duas instituições. À mesma hora, o seu outro secretário de Estado, Óscar Gaspar, fazia uma "visita informal" ao novo Hospital de Braga.
"DIÁRIO ECONÓMICO"
educar é crescer
'Qualidade não pode ser posta em causa '
O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) apontou 'erros políticos e a resposta titubeante da União Europeia', como responsáveis pela atual crise, afirmando que 'a qualidade da educação não pode ser posta em causa',
João Dias da Silva afirmou que, em termos globais, o memorando assumido pela «troika» e Governo 'conduz a novos sacrifícios e ao agravamento da situação das famílias', e que, no que se refere à educação, 'as medidas até agora anunciadas, pelo seu carácter vago e impreciso, suscitam dúvidas e preocupações',
Dias da Silva afirmou que 'a ligação da autonomia das escolas a mecanismos de financiamento relacionados com os resultados escolares e com o cumprimento dos objetivos que sejam de mera poupança tem de ser inserida numa lógica de subsidiariedade',
O funcionamento da educação e a autonomia 'tem de ter em linha de conta os contextos em que as escolas se inserem e a sua capacidade de intervenção',
Para a FNE é de 'rejeitar', que 'reduções no financiamento das escolas ponham em causa as respostas educativas adequadas, nomeadamente em contextos socioeconómicos mais desprotegidos'.
"O PRIMEIRO DE JANEIRO"
asas da vida
Força Aérea Portuguesa retira vítima
de ataque cardíaco de paquete em alto mar
de ataque cardíaco de paquete em alto mar
A Força Aérea Portuguesa retirou a noite passada um homem de um navio de passageiros, que navegava a cerca de 120 quilómetros da costa, por necessidade de assistência médica, disse, quarta-feira, fonte do Estado-maior da Armada.
O alerta foi dado via telefone do navio "Braemar", de bandeira das Bahamas, para o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa às 20:25 de terça-feira, com pedido de apoio a uma "vítima de ataque cardíaco", precisou o comandante João Fernandes.
A Força Aérea enviou para o navio, que se encontrava a sudoeste do cabo de São Vicente, um helicóptero EH-101 para recolher o idoso holandês de 83 anos, acrescentou o oficial de marinha.
O helicóptero aterrou no terminal do aeródromo de trânsito de Figo Maduro, no aeroporto da Portela em Lisboa, às 00:51 de hoje, "tendo o indivíduo sido transportado para o hospital de Santa Maria", concluiu o comandante.
Os helicópteros da Força Aérea Portuguesa estão sediados na esquadra 751, da base aérea do Montijo, com o lema 'Para que Outros Vivam' já resgataram mais de 2.520 pessoas, de acordo com a placa à entrada das instalações daquele grupo.
"JORNAL DE NOTÍCIAS"
sem espinhas
«Vou lutar pelo pichichi, mas sem obsessão»
- Cristiano Ronaldo
Ronaldo espera ser o melhor marcador do campeonato espanhol, mas sem obsessão, assume.
«Estou bem. É certo que estou a lutar pelo Pichichi, mas sem obsessão», disse Ronaldo, no final da partida, de ontem, ante o Getafe.
Com os três golos apontados ao Getafe, o internacional luso passou a ter 49 golos, contabilizando todas as competições, ultrapassando Puskas como o jogador com mais tentos apontados numa só temporada ao serviço do Real Madrid.
Cristiano Ronaldo está também a dois golos de atingir os números históricos - 38 tentos no campeonato - de Zarra, que vestiu a camisola do Atl. Bilbao, na época de 1950/51 e de Hugo Sánchez, do Real Madrid, na temporada de 1989/90.
Cristiano Ronaldo tem 36 golos apontados no campeonato, os mesmos que são atribuídos pela European Sports Magazine, de que a A Bola faz parte.
No final do jogo, o camisola 7 do Real Madrid deslocou às bancadas do Estádio Santiago Bernabéu e ofereceu a camisola que utilizou a um adepto que tinha sido atingido por uma bola pontapeada por si.
«Queria meter a bola fora e sem querer acertei no adepto. Peço desculpa. Foi sem querer», concluiu.
Com os três golos marcados ao Getafe,Cristiano Ronaldo passou a ter mais cinco que Lionel Messi na luta pelo título de melhor marcador da Liga espanhola.
"A BOLA"
5 – POESIA ETERNIZADA
HERBERTO HELDER
O AMOR EM VISITA
Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.
Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.
E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.
Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.
- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.
Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.
Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.
Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.
Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.
Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.
Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.
Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.
Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.
Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.
As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.
Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.
Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.
De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.
Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.
E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.
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