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Tortura de farda
O que já se conhece do inquérito que investiga tortura nas esquadras do
Rato e do Bairro Alto causa arrepios. Agressões físicas "de extrema
violência", violações e humilhações a vítimas consideradas
particularmente vulneráveis foram registadas em vídeos e partilhadas em
grupos de WhatsApp com uma frieza que colide em absoluto com a missão de
quem veste uma farda policial. O caso conta já com 24 agentes detidos e
poderá vir a envolver novos elementos da PSP que conheciam os
episódios, mas não os denunciaram.
Em menos de três meses foram expulsos 20 membros das forças de segurança
por "comportamentos desviantes". Um número que deve ser reduzido à sua
expressão num universo de cerca de 43 mil elementos, mas que ainda assim
mostra o quanto é crucial reforçar a aposta em prevenção e formação.
Desde 2021, a Inspeção-Geral da Administração Interna coordena um plano
que atua desde o recrutamento e monitoriza as forças policiais em várias
frentes, incluindo redes sociais. No ano passado, 85 candidatos a
ingressar na PSP e na GNR foram excluídos após o reforço das provas
psicológicas que identificam tendências radicais ou agressivas. Este
ano, o programa de formação aprofunda matérias sobre discriminação,
extremismo e radicalismo, na tentativa de reduzir riscos de condutas
ilegais e de proteger tanto agentes como cidadãos.
O comportamento de alguns não pode lançar estigmas sobre o conjunto dos
órgãos de polícia, essenciais na proteção das populações, na defesa da
legalidade e no respeito pelos direitos humanos. Mas basta um episódio
grave, sobretudo quando envolve dezenas de agentes, para minar a
confiança nas instituições. Reforçar a vigilância e punir de forma
exemplar comportamentos criminais e ilegais é essencial para fortalecer a
PSP e a GNR. É também assim que se protege a democracia.
* Jornalista. Directora-geral editorial
IN "JORNAL DE NOTÍCIAS"- 06/05/26
NR: Cá por casa mantemos a confiança nas instituições PSP e GNR embora saibamos que em ambas existem apoiantes do "partido dos desvalidos da extrema direita" em número preocupante. Foram pessoas aceites sem grande critério de selecção. Mas também confiamos no novo ministro do MAI. O carácter demonstrado enquanto Director geral da PJ vai manter-se.
É confrangedor que em Lisboa cidade onde vivemos não haja polícia nas ruas, todos os dias não há um agente a marcar presença, estão confinados às esquadras, ou então passeiam de pópó sem qualquer precepção do que se passa, porquê?


