06/05/2026

INÊS CARDOSO

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Tortura de farda


O que já se conhece do inquérito que investiga tortura nas esquadras do Rato e do Bairro Alto causa arrepios. Agressões físicas "de extrema violência", violações e humilhações a vítimas consideradas particularmente vulneráveis foram registadas em vídeos e partilhadas em grupos de WhatsApp com uma frieza que colide em absoluto com a missão de quem veste uma farda policial. O caso conta já com 24 agentes detidos e poderá vir a envolver novos elementos da PSP que conheciam os episódios, mas não os denunciaram.

Em menos de três meses foram expulsos 20 membros das forças de segurança por "comportamentos desviantes". Um número que deve ser reduzido à sua expressão num universo de cerca de 43 mil elementos, mas que ainda assim mostra o quanto é crucial reforçar a aposta em prevenção e formação. Desde 2021, a Inspeção-Geral da Administração Interna coordena um plano que atua desde o recrutamento e monitoriza as forças policiais em várias frentes, incluindo redes sociais. No ano passado, 85 candidatos a ingressar na PSP e na GNR foram excluídos após o reforço das provas psicológicas que identificam tendências radicais ou agressivas. Este ano, o programa de formação aprofunda matérias sobre discriminação, extremismo e radicalismo, na tentativa de reduzir riscos de condutas ilegais e de proteger tanto agentes como cidadãos.

O comportamento de alguns não pode lançar estigmas sobre o conjunto dos órgãos de polícia, essenciais na proteção das populações, na defesa da legalidade e no respeito pelos direitos humanos. Mas basta um episódio grave, sobretudo quando envolve dezenas de agentes, para minar a confiança nas instituições. Reforçar a vigilância e punir de forma exemplar comportamentos criminais e ilegais é essencial para fortalecer a PSP e a GNR. É também assim que se protege a democracia.

* Jornalista. Directora-geral editorial

IN "JORNAL DE NOTÍCIAS"- 06/05/26

NR: Cá por casa mantemos a confiança nas instituições PSP e GNR embora saibamos que em ambas existem apoiantes do "partido dos desvalidos da extrema direita" em número preocupante. Foram pessoas aceites sem grande critério de selecção. Mas também confiamos no novo ministro do MAI. O carácter demonstrado enquanto Director geral da PJ vai manter-se. 
É confrangedor que em Lisboa cidade onde vivemos não haja polícia nas ruas, todos os dias não há um agente a marcar presença, estão confinados às esquadras, ou então passeiam de pópó sem qualquer precepção do que se passa, porquê?

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