02/08/2012

MARIANA MATOS





 UM POLÍTICO ASSUME-SE

 Será talvez das melhores obras que li até hoje. Em dois dias, se tanto. Sobre a importância da política.
Um político assume-se, escreveu Mário Soares, assumindo-se.

Os tempos que se avizinham, como também o tempo presente, necessitam de políticos que se assumam. E nestes nossos tempos que devem ser o mais serenos possíveis, os cidadãos terão então capacidade de analisar a força das ideias e a capacidade de trabalho dos representantes do povo ou dos vários partidos políticos, o empenho das associações, a participação da sociedade civil.

Há um passado, que define as pessoas, as organizações, que ajuda a perceber o seu percurso e a coerência das suas posições. Digamos, que tudo se sucede como um apelo à memória, ao trabalho realizado, que legitima ou não o presente dos diversos intervenientes políticos e sociais.
O povo saberá julgar se os actuais candidatos políticos se entregaram à causa pública, no Governo ou na oposição, ao longo deste mandato. Se só aparecem agora, quando há eleições, vestindo a capa de políticos, tirando partido da notoriedade da época.

(Um político assume-se).
Porque surgem nestes tempos, acusações, artigos de jornais bombásticos, greves, reivindicações, críticas aos políticos, e um rol de anomalias colocadas em evidência?
Estarão alguns a aproveitar a festa da democracia apenas para passear vaidades, evidenciar ambições, revelar frustrações e sentimentos mesquinhos, repetindo à saciedade um disco recorrente e gasto contra os políticos e a política?
É verdade que em tempo de eleições há a ideia errada de que a pressão, a chantagem, a greve, o insulto resultam e compensam?
É verdadeira a ideia de que a imprensa está mais permeável e menos criteriosa, apenas olhando para aspectos folclóricos, preferindo a guerra, o insulto, para, em contraponto, e simultaneamente acusar os políticos de baixa qualidade e nível?

São as respostas a estas questões que nos devem permitir votar ou não em determinados candidatos, ignorar outros, de ocasião, prestar atenção a alguns artigos e notícia e pura e simplesmente descartar o lixo que é fruta da época.
Pus-me a pensar nisto tudo, enquanto lia o livro que aborda uma vida de militância activa, com uma linha de orientação, que muitas vezes se ajustou, outras tantas teve que provocar rupturas para ainda outras se adaptar às realidades que não foram nunca estanques. Foram e são (sempre) mutáveis. As realidades.
De Mário Soares. “Um político assume-se, ensaio autobiográfico, político e ideológico.” Livro de 500 páginas que se lê num abrir e fechar de olhos. Bom para as férias.

Disse Antero de Quental numa sala do Casino Lisbonense, em Lisboa, no dia 27 de Maio de 1871, durante a 1.ª sessão das Conferências Democráticas: “Que seria dos homens se, acima dos ímpetos da paixão e dos desvarios da inteligência, não existisse essa região serena da concórdia na boa-fé e na tolerância recíproca! Uma região onde os pensamentos mais hostis se podem encontrar, estendendo-se lealmente a mão, e dizendo uns para os outros com um sentimento humano e pacífico: és uma consciência convicta!”
Não é verdade?
 
(Um político assume-se).



* Por decisão pessoal, a autora
do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

IN "AÇORIANO ORIENTAL"
01/07/12

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AS 100 MELHORES CANÇÕES DOS ANOS 80

(PARA A NME)
 .
Nº19
ATMOSPHERE
.JOY DIVISION




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BOM DIA







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01/08/2012

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 ANÚNCIOS
              RUSSOS













 A Média Markt, grande intermediário europeu de comércio a retalho, decidiu investir em publicidade no "império" russo.
Para isso concebeu um calendário meio erótico recheado de beldades locais e de produtos do ocidente, uma bela simbiose.


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RICARDO ARAÚJO PEREIRA








O homem-lapso 

A troika bem avisou que um dos problemas mais graves do país era a dificuldade de despedir gente na função pública. O mais provável é que todo o povo português se demita antes de Miguel Relvas. 

 Toda a gente devia ter o seu Miguel Relvas. Dá jeito em qualquer ocasião. Um estudante não sabe a resposta a uma pergunta e, para distrair o júri da oral, exibe um Miguel Relvas. Um gatuno entra numa casa e, para entreter os cães, atira-lhes um Miguel Relvas. Uma mulher é apanhada com o amante e, para desviar a atenção do marido, apresenta-lhe um Miguel Relvas. 

Infelizmente, só o Governo tem o privilégio de ter um Miguel Relvas. E o Miguel Relvas do Governo é o melhor de todos os Miguéis Relvas. Trata-se de um Miguel Relvas que, além de conseguir desviar a atenção do que é mais importante no Governo, desvia a atenção do que é mais importante em Miguel Relvas. Miguel Relvas consegue ser Miguel Relvas de si mesmo. Por causa do que Miguel Relvas fez na Lusófona, já ninguém fala do que Miguel Relvas fez ao Público. E, no entanto, os casos relacionam-se em toda a sua esplendorosa relvice. Na altura em que foi confrontado com o facto de, em duas legislaturas seguidas, ter alegado frequentar o segundo ano do curso de Direito, quando na verdade tinha feito apenas uma cadeira do primeiro ano, Miguel Relvas disse que se tratava de um lapso. Quando constatou que a deliberação da ERC não referia a "pressão inaceitável" do ministro, o presidente do organismo disse que se tratava de um lapso. Um lapso a propósito de um homem que tinha incorrido em dois lapsos, com uma cifra final de lapsos que acaba por ascender a três. Esta salsada de lapsos passou sem reparo. É uma orgia de enganos. Um bacanal de equívocos. Uma ménage-a-trois de quiproquós. Merecia mais e melhor atenção.

No momento em que escrevo, Miguel Relvas ainda não se demitiu. Talvez no lapso de tempo que decorre entre a escrita deste texto e a sua publicação, ocorram outros lapsos que o obriguem a demitir-se. Mas não parece provável. Nem, devo dizer, necessário. Um número relativamente alargado de pessoas exige uma demissão, ignorando que já houve várias. Ricardo Alexandre deixou de ser director-adjunto da RDP, Maria José Oliveira deixou de ser jornalista do Público e Fernando Santos Neves deixou de ser reitor da Lusófona do Porto. Quase todos os envolvidos nestes casos abandonaram as suas funções, menos Relvas. 
A troika bem avisou que um dos problemas mais graves do País era a dificuldade de despedir gente na função pública. Agora é possível apostar, na internet, no momento que Relvas escolherá para se demitir. É dinheiro deitado à rua. O mais provável é que todo o povo português se demita antes de Miguel Relvas.



IN "VISÃO"
26/07/12

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AS 100 MELHORES CANÇÕES DOS ANOS 80

(PARA A NME)
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Nº20
PUSH IT
.SALT N'PEPPER



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FIEL AMIGO





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