Cansados de blogs bem comportados feitos por gente simples, amante da natureza e blá,blá,blá, decidimos parir este blog do non sense.Excluíremos sempre a grosseria e a calúnia, o calão a preceito, o picante serão ingredientes da criatividade. O resto... é um regalo
21/12/2010
CUIDADO COM OS ESTAGIÁRIOS
ERA O DIA EM QUE FAZIA 32 ANOS,
O MEU HUMOR NÃO ESTAVA LÁ GRANDE COISA.
NAQUELA MANHÃ, AO ACORDAR, DIRIGI-ME À COZINHA PARA TOMAR O CAFÉ, NA EXPECTATIVA DE QUE O MEU MARIDO DISSESSE:
FELIZ ANIVERSÁRIO, QUERIDA!
MAS ELE NÃO DISSE NEM BOM DIA...
AÍ, PENSEI: É ESTE O HOMEM QUE EU MEREÇO !?
MAS CONTINUEI A IMAGINAR: AS CRIANÇAS CERTAMENTE SE LEMBRARÃO...
QUANDO ELAS CHEGARAM PARA O CAFÉ, NÃO DISSERAM NEM UMA PALAVRA.
SAÍ BASTANTE DESANIMADA, MAS SENTI-ME UM POUCO MELHOR QUANDO CHEGUEI AO ESCRITÓRIO E O MEU ESTAGIÁRIO ME DISSE:
- BOM DIA, DRA., FELIZ ANIVERSÁRIO!
FINALMENTE ALGUÉM SE TINHA LEMBRADO! TRABALHEI ATÉ AO MEIO DIA, QUANDO O ESTAGIÁRIO ENTROU NO MEU GABINETE E ME DISSE:
SABE, DRA. ... ESTÁ UM DIA LINDO LÁ FORA, E JÁ QUE É O DIA DO SEU ANIVERSÁRIO, PODERÍAMOS ALMOÇAR JUNTOS, SÓ EU E A SENHORA. O QUE ACHA?
FOMOS A UM LUGAR BASTANTE SIMPÁTICO, DIVERTIMO-NOS MUITO E, NO CAMINHO DE VOLTA, ELE SUGERIU:
DRA.! COM ESTE DIA TÃO LINDO, ACHO QUE NÃO DEVEMOS VOLTAR JÁ PARA O ESCRITÓRIO. QUE TAL IRMOS ATÉ AO MEU APARTAMENTO, QUE FICA NO CAMINHO, PARA TOMARMOS UMA BEBIDA?
FOMOS ENTÃO PARA O APARTAMENTO DELE, E ENQUANTO EU SABOREAVA UM MARTINI, ELE DISSE: SE NÃO SE IMPORTA, VOU ATÉ AO MEU QUARTO VESTIR UMA ROUPA MAIS CONFORTÁVEL.
TUDO BEM..., - RESPONDI -. FIQUE À VONTADE...
DECORRIDOS MAIS OU MENOS CINCO MINUTOS, ELE SAIU DO QUARTO COM UM BOLO ENORME, SEGUIDO DO MEU MARIDO, DOS MEUS FILHOS, DE AMIGAS, E DE TODO O PESSOAL DO ESCRITÓRIO... TODOS A CANTAR
"PARABÉNS A VOCÊ"!
E LÁ ESTAVA EU, NUA, SEM SOUTIEN, SEM CUECAS, SENTADA NO SOFÁ DA SALA...
É POR ISSO QUE EU DIGO....
"OS ESTAGIÁRIOS SÓ FAZEM MERDA!!!..."
HENRIQUE MONTEIRO
WikiLeaks e a sociedade decente
Basta recuar 30 ou 40 anos para conhecermos segredos muito mais graves do que aqueles que revela o WikiLeaks. Desta vez não há golpes de Estado, chapéus de chuva búlgaros ou troca de espiões.
Sejamos práticos. A censura é uma estupidez e um dos maiores sinais de desorientação e fraqueza. O que alguns países e empresas estão a fazer ao WikiLeaks e ao próprio Assange é totalmente ineficaz, lembra o pior do mundo e dá a entender que algo de tenebroso ainda pode ser revelado.
Também as opiniões sobre a qualidade do jornalismo praticado pelos órgãos de comunicação que têm divulgado as fugas são interessantes, mas discutíveis. Não é verdade que esses jornais sejam apenas correias de transmissão do WikiLeaks; existem equipas a trabalhar e a confirmar o que publicam. Mas tornou-se moda catalogar o que não gostamos como 'não jornalismo'. Peço desculpa, mas a verdade é que nas sociedades abertas não há um só critério para jornalismo. Há múltiplos e de alguns deles não gostamos. Eu posso dizer que há por aí muito de que não gosto.
O mundo da política e da diplomacia ocidental reagem, como uma pessoa apanhada em público de roupa interior, com um misto de agressividade e vergonha, às revelações de telegramas diplomáticos. Porém, aqueles que - como o cidadão comum - estão distanciados desse mundo podem dizer-lhes, sem medo de errar, para terem calma. Tirando um ou outro pecado, um ou outro abuso ou mesmo alguns crimes menores, o que o WikiLeaks revelou até agora é um mundo bastante mais decente do que já foi - pelo menos deste lado do hemisfério.
Imaginemos uma fuga destas há 30, 40 ou 50 anos. Cuba recebia secretamente mísseis da União Soviética, tanques invadiam Praga, espiões utilizavam chapéus de chuva para matar rivais; espiões eram regularmente trocados no 'checkpoint Charlie', em plena Berlim dividida; pequenos países como Granada eram invadidos, presidentes eleitos como Allende eram derrubados, e na América Latina como em África digladiavam-se os países desenvolvidos em esquemas que hoje em dia só conhecemos dos filmes.
Onde estão os assassínios? Onde estão as invasões de países? Onde estão os esquemas tortuosos de apoio a terroristas para combater países terceiros? Onde ficou o apoio a guerrilhas mais ou menos inventadas para minar o poder estabelecido de um país? Onde encontrar ditadores como Mobutu ou Bokassa que gozavam da proteção política e diplomática de grandes potências? Onde está o beneplácito que a França dava à ETA? Onde estão os complexos esquemas da 'pérfida Albion'?
Comparado com o que foi, o mundo está bem melhor. Podemos distender-nos, relaxar-nos e dizer aos nossos filhos: "Sim, são uns hipócritas porque são civilizados. Antes disso eram uns assassinos".
IN "EXPRESSO"
11/12/10
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