05/09/2010

MANUEL DIAS LOUREIRO


Ministro de Flag of Portugal.svg Portugal
Mandato: XI Governo Constitucional
  • Ministro dos Assuntos Parlamentares
XII Governo Constitucional
  • Ministro da Administração Interna

Nascimento: 18 de Dezembro de 1951
Aguiar da Beira
Partido: Partido Social Democrata
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Manuel Joaquim Dias Loureiro (n. Aguiar da Beira, 18 de Dezembro de 1951), advogado e político português.
Licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra. Naquela cidade iniciou a sua vida profissional como advogado.
Ocupou diversos cargos em governos portugueses. Ficou ligado ao bloqueio da Ponte 25 de Abril em 1994, ao chamar as forças de intervenção, que com violência fizeram desmobilizar os milhares de populares envolvidos.
Em 2009 foi constituído arguido no âmbito de dois processos sobre negócios que ocorreram em 2001[1]. Foi membro do Conselho de Estado, pedindo para sair em Maio de 2009.[2].

Funções governamentais exercidas

wikipédia

NR:Dias Loureiro está ligado a operações fraudulentas com o BPN e empresas pertencentes ao bancomotivo pelo qual é arguido em processos crime e se demitiu do cargo de Conselheiro de Estado

2 - R O S A S

04/09/2010

MAS QUAL?

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8 - MANDA BRASA

MISS AFEGANISTÃO

MIA COUTO


Vivemos a primeira guerra civil?



Mia Couto
Há duas semanas atrás um amigo meu foi baleado. Mataram-no. Esta frase podia ser um modo chocante de abrir uma crónica. Mas não é. Já não é. Porque ser-se baleado é hoje coisa corriqueira. Os casos de assassinato acumulam-se e começam mesmo a ser do domínio da banalidade.
Depois da morte de um dirigente das alfândegas, retomou-se o triste desfile de assassinato de agentes policiais, capítulo que se pensava já encerrado. A mensagem dos criminosos é clara: são eles que querem mandar. Somos um Estado de Direito, sim. Que para continuar a ser não pode dar guarida – uma espécie de cidadania conferida na sombra – aos que nos matam e que matam o Estado de Direito.
Alguns destes casos de gente assassinada no desempenho das suas funções de Estado ficam em suspenso como se as vítimas fossem condenadas a uma condição de anonimato. Como se ficassem anonimortas. Não basta que elas tenham sido mortas. É como se nunca tivessem vivido. Além da vida que lhes foi roubada, é-nos raptado a nós o luto de uma perda. Mais do que um defunto, a pessoa converte-se em ninguém. Uma pedra de silêncio e poeira sugere a pior das condenações: a anulação da memória. Uma lápide, feita de nada, anuncia: aqui nunca viveu ninguém. E se ninguém morreu, então, não há que dar explicações, não há que prestar contas.   
Escrevo estas linhas amargas no dia em que se comemora o nono aniversário da morte de Siba-Siba Macuácua. A nação espera ainda uma luz esclarecedora, um resultado nem que seja sumário das investigações que se prolongam indefinidamente. Escrevo “a nação espera...” e os meus dedos hesitam. Será realmente que os moçambicanos ainda esperam? Ainda têm esperança que o caso se esclareça? Para o caso do dirigente das alfândegas, Orlando José, quantos esperam? E para outros, vários outros, quantos verdadeiramente esperamos?
De cada vez que um caso policial com esta dimensão simbólica fica por esclarecer o que ocorre é uma espécie de duplicação do crime. Os mortos são re-mortos. E um outro assassinato ocorre dentro de nós. O assassinato na crença da justiça e na esperança de um mundo mais justo. Essas pequenas mortes interiores acumulam-se como um lodo no fundo de lago. Um dia destes olhamo-nos no espelho e já não nos vemos, poluída que está a alma por esses resíduos de descrença e ressentimento. 
A velha máxima do “crime não compensa” parece não se confirmar nem aqui nem no mundo. Pequenas coisas, mas de enorme importância metafórica poderiam ser feitas pelas autoridades. Dou um exemplo: Carlos Cardoso foi um herói na luta contra a corrupção. Porque razão apenas a família e um grupo de colegas e amigos celebram a memória deste combatente? Porque motivo, da elite política nacional, apenas Graça Machel homenageou publicamente este bravo jornalista? Não haveria todo o sentido político em associar politicamente o nome do governo ou dos partidos a este caso exemplar de defesa de um país sem medo? Para quem tanto apela para a participação pública na luta contra o crime organizado, como se explica tanto esquecimento na celebração de alguém que deu a vida nessa mesma luta? 
A guerra com a RENAMO não foi exactamente uma “guerra civil”. Foi um conflito importado de fora, em que forças militarizadas elegeram quase sempre alvos civis, escolhidos sem claro critério político ou ideológico. Hoje, pela primeira vez, grupos civis atacam sistematicamente não apenas outros civis, mas, sobretudo, quem no exercício da autoridade, pretende consolidar uma sociedade regida pela justiça e pela transparência. Esta é uma guerra civil. Silenciosa. Mas mortal.
Estamos, todos nós, no limiar de um destino: ou mudamos a nossa relação com a aceitação desta tão desordenada ordem ou viveremos num país governado pelo medo.
in "O PAÍS on line"
13/08/10
Moçambique

ANA SÁ LOPES


A Europa racista

Olhando a complacência com que lida com a expulsão dos ciganos de França, a Europa pode meter no lixo a "superioridade moral" e os tratados
O embaixador José Cutileiro escreveu, na morte do historiador britânico Tony Judt, que se alguém só conseguisse ler um livro sobre a história da Europa, que lesse o "Pós-Guerra". Judt escreveu muito e extraordinariamente sobre a refundação da Europa com base no esquecimento e em como a ideia bondosa da União Europeia foi construída na tentativa de redenção do mal - para lá dos poderosíssimos interesses económicos que realmente desencadearam a originária comunidade do carvão e do aço, a pré-história dos "27".

Depois de 1945, as Alemanhas - Leste e Oeste - integraram calmamente os apoiantes do nazismo e prosseguiram as suas vidas com naturalidade e rápido sucesso económico a Oeste. A grande Noruega, o exemplo da civilização e do modelo social europeu, aceitou com tranquilidade a invasão hitleriana: o III Reich não precisou de enviar para Oslo muitos funcionários ocupantes, os próprios noruegueses assumiram a causa. Churchill enfrentou duas provas para fazer da Inglaterra um símbolo antinazi - é hoje talvez a única nação europeia "purificada" neste capítulo, mas à custa de duras penas: o sentimento antijudaico na Grã-Bretanha era imenso no povo e nas elites políticas e podia ter corrido tudo muito mal.

Da França de Vichy estamos conversados: Mitterrand, eleito em 1981 pela grande coligação de esquerda, dos comunistas aos trotskistas, também lá tinha estado a cumprir um papel de funcionário obediente. Muitos anos depois do fim da guerra, onde Estaline teve um papel fundamental na derrota de Hitler, os regimes do Pacto de Varsóvia continuavam generalizadamente anti-semitas, (houve grandes proclamações a Leste contra o "cosmopolitismo", que era uma maneira de dizer judeu) e o sentimento disparou quando os Estados Unidos começaram a apoiar Israel.

Isto passou-se tudo há tão pouco tempo que parece um feito incrível ter-se conseguido aprovar a Carta de Direitos dos Cidadãos da União, a livre circulação, e todos os bons sentimentos e esperanças escritos nos tratados da "Europa dos Cidadãos".

A deportação - palavra que a Europa conhece e aceitou tão bem - em França dos ciganos romenos, junta-se às iniciativas de Berlusconi e até de países insuspeitos como a Suécia (o "nosso" modelo). A Europa pode meter no lixo a sempre propagada "superioridade moral" e os tratados. A complacência com que está a lidar com o assunto - já foram deportados quase 1000 de França - é um sintoma de que nos podemos esforçar por fugir da história, mas a história não foge de nós. Horror.

Repórter principal

in "i"
02/09/10