15/11/2009

CATARINA DE BRAGANÇA

Pintura de Catarina Henriqueta de Bragança

D. Catarina Henriqueta de Bragança (Vila Viçosa, 25 de novembro de 1638Lisboa, 31 de Dezembro de 1705) foi princesa de Portugal e rainha consorte de Inglaterra e Escócia por seu casamento com o rei Carlos II da casa de Stuart.

Filha do Rei D. João IV de Portugal e da sua mulher a Rainha D. Luísa de Gusmão. Depois da morte da irmã mais velha, a Princesa D. Joana, assumiu o título de Princesa da Beira. Seus irmãos foram os monarcas D. Afonso VI e D. Pedro II de Portugal.


Projectos de casamento

Dois anos depois de aclamado, D. João IV, querendo fortificar e robustecer a soberania e a independência, procurava alianças: um dos meios era casar os filhos com príncipes e princesas estrangeiros. Catarina nem tinha oito anos e já se tratava de a casar com D. João d'Áustria, bastardo de Filipe IV de Espanha; houve idéias de a casar com o duque de Beaufort, neto de Henrique IV de França por bastardia. As negociações ficaram sem resultado. Pensou-se no casamento com Luís XIV, laço habilmente preparado pelo cardeal Mazarino para conseguir, via Portugal, obrigar a Espanha a fazer a paz com a França.


Em vida de D. João IV se trataram destas negociações com actividade, chegando a vir a Lisboa o embaixador francês conde de Cominges. Mazarino, servindo-se do engodo da promessa deste casamento, trouxe Portugal iludido, abandonando-o depois, assinando a paz com a Espanha e o contrato do casamento do rei com a infanta espanhola D. Maria Teresa de Áustria. Em 1661, sendo regente a rainha D. Luísa de Gusmão na menoridade de D. Afonso VI de Portugal, tratou-se novamente do casamento da infanta D. Catarina, sendo escolhido Carlos II da Inglaterra.

O casamento inglês

Em 18 de agosto de 1661 a Rainha declarou em cortes o contrato nupcial, aprovado pelo Conselho de Estado. Seguiu-se um contrato de paz, com artigos muito curiosos, publicado no Gabinete historico, de Frei Cláudio da Conceição, tomo V, pág. 125. Eram entregues à Inglaterra a cidade e a fortaleza de Tânger com tudo quanto lhe pertencesse e a ilha de Bombaim na Índia Oriental, com todas as suas pertenças e senhorios, para ficarem daquele porto mais prontas as suas armadas para socorro das praças do Portugal na Índia.

O contrato foi assinado por el-rei com todas as cerimónias legais da Inglaterra a 23 de junho de 1661, e pelo embaixador Conde da Ponte e Marquês de Sande, Francisco de Melo e Torres, que regressou a Portugal, onde foi recebido com muita satisfação pela regente, e com muito desgosto da parte do povo, pela entrega de Tânger e Bombaim.

Em 28 de abril de 1662 recebeu-se em Lisboa a notícia da realização do contrato, e pouco depois chegou a armada inglesa, que devia conduzir a seu bordo a nova rainha. O general comandante era Eduardo de Montaigne, Conde de Sandwich, revestido com o caráter de embaixador extraordinário. Ela partiu acompanhada do Marquês de Sande, do Conde de Pontével, Nuno da Cunha, Francisco Correia da Silva, e pessoas da corte. Antes de embarcar todos se dirigiram à Sé, onde se celebrou missa solene e Te-­Deum. Houve salvas da artilharia, repiques de sinos, pomposos ornatos nas ruas por onde passava o cortejo, o som das trombetas, charamela e outros instrumentos, tudo contribuía pare abrilhantar a festa dos desposórios reais. Finalmente, a nova rainha entrou no bergantim real, adornado com magnificência, e navegou para bordo da nau capitania Grão-Carlos. Acompanharam as damas D. Elvira de Vilhena, condessa de Pontével, e D. Maria de Portugal, condessa de Penalva.

A armada chegou a Portsmouth a 14 de maio de 1662 e ali a esperava o duque de York, irmão de Carlos II, futuro Jaime II. A rainha, sentindo-se um pouco indisposta, conservou-se alguns dias na cidade. Depois da sua chegada, ela casou em duas cerimónias - uma Católica, em segredo, e uma Anglicana, em público, - no dia 21 de maio. No Gabinete histórico, já citado, à pág. 160, vem a descrição do real consórcio, mas parece ter havido engano nas datas, pois a cerimónia se realizou a 22, segundo artigo publicado no Daily News que o Diário de Notícias transcreveu. Nele se diz que na última viagem a Inglaterra o Rei Dom Carlos mostrou desejos de ver os registos da igreja de São Tomás, de Portsmouth, onde está o assentamento do enlace — na igreja de Domus Dei, local onde hoje está a Garrison Church. Houve alteração no programa da viagem, e el-rei teve de partir para Londres antes do dia destinado à sua visita na paróquia de S. Tomás. O vigário e os outros funcionários da igreja resolveram então mandar fotografar o assentamento e enviar-lho. Devido, porém, à antiguidade do pergaminho a ao desmaiado da escrita, não foi possível obter-se boa fotografia do documento original mas duma excelente copia da certidão, feita em 1880, e pertencente ao museu de Portsmouth, foi tirada fiel reprodução. As duas fotografias, do assentamento original e da cópia, foram encerradas numa pasta de couro vermelho e enviadas para Londres ao rei Dom Carlos. A certidão reza: «0 nosso augusto Soberano Lorde Carlos II, pela Graça de Deus, rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé e a Ilustríssima Princesa D. Catarina, Infanta de Portugal, filha do falecido D. João IV, e irmã de D. Afonso, presente rei de Portugal, foram casados em Portsmouth na quinta feira, vigésimo segundo dia de Maio, do ano do N. Sr de 1662, 14º do reinado de SM, pelo R. R. F. in G. Gilbert, Bispo Lorde de Londres, Deão da Real Capela de Sua Majestade na presença de grande parte da nobreza dos domínios de Sua Majestade e da de Portugal.»

A 30 de Setembro do citado ano de 1662 entraram os esposos em Londres, e desembarcaram numa ponte que se organizara junto do paço, onde os esperavam a rainha-mãe, e toda a corte e nobreza da Grã‑Bretanha. Houve esplêndidas festas e vistosas iluminações.

O casamento havia sido negociado em Londres por D. Francisco de Melo. Em ambiente hostil, manteve a sua fé e conseguiu que o seu marido abjurasse do anglicanismo numa cerimónia particular. Viria a ser a última rainha-consorte católica romana em Inglaterra.

Apreciação

D. Catarina não foi uma rainha popular na Inglaterra por ser católica, o que a impediu de ser coroada. Sem posteridade, deixou pelo menos à Inglaterra a geléia de laranja, o hábito de beber chá, além de lá ter introduzido o uso dos talheres e do tabaco... A sua responsabilidade pela introdução do chá é disputada já que já no ano de 1657, Thomas Garraway o vendia na sua loja de café em Londres na Exchange Alley. Isto aconteceu num período em que a East India Company o estava a vender abaixo dos preços dos Holandeses e o anunciava como uma panaceia para a apoplexia, catarro, cólica, tuberculose, tonturas, epilepsia, pedra, letargia, enxaquecas, parálise e vertigem.

Em Londres, estavam reservados grandes desgostos à rainha porque D. Catarina reconheceu em seu marido carácter muito diferente do que lhe afirmaram. Julgava-o um homem sério e virtuoso, mas era, ao contrário, libidinoso. Em solteiro se entregara sempre a uma vida de libertinagem dissoluta, continuou da mesma forma, casado, sem se coibir, dando nenhuma importância à mulher, chegando ao ponto de nomear para dama da rainha sua amante, miss Palmer, que depois elevou a Duquesa de Cleveland. O procedimento deu origem a graves discórdias, de que resultou o Rei nunca mais procurar sua mulher nem sequer a cumprimentar quando se encontravam. D. Catarina, fazendo esforço, pretendeu ainda chamá-lo a si, tratando benevolamente a favorita, mas nem assim lhe mereceu consideração. Na Biblioteca da Ajuda nas colecções dos manuscritos, há sua correspondência da com seu irmão D. Afonso VI de Portugal e sua mãe Luísa de Gusmão.

Seu dote trouxe a cidade de Bombaim e de Tânger para o domínio britânico, pois Portugal, em busca de apoios contra Filipe IV de Espanha na Guerra da Restauração, a isso se comprometera pelo tratado de paz e aliança assinado em 3 de junho de 1661: obrigava-se o país a pagar dois milhões de cruzados pelo dote da infanta, e transferia para a Inglaterra a posse de Tânger, e do porto e ilha de Bombaim. Além disso, os mercadores ingleses podiam habitar quaisquer praças do reino e gozavam de idênticos privilégios no Rio de Janeiro, na Bahia e em Pernambuco. No caso de os Portugueses recuperarem dos Holandeses a ilha do Ceilão, obrigavam-se a repartir com os Ingleses o trato da canela. Todavia, sua popularidade nos Estados Unidos da América era bastante elevada. Acarinhada pela população local, em sua homenagem foi dado o nome de Queens a um dos cinco bairros da cidade de Nova York.

Catarina nunca deu à luz um herdeiro, apesar de ter estado grávida por várias vezes, a última das quais em 1669. Sua posição era dificil, já que Carlos continuava a ter filhos de suas amantes, mas insistia em que ela fosse tratada com respeito e recusou divorciar-se. Chegou mesmo a ser acusada de maquinar a morte do marido por sugestão do pontífice e outros príncipes católicos. Como seu irmão, já Regente e depois Pedro II de Portugal, mandou como embaixador extraordinário Henrique de Sousa Tavares, marquês de Arronches, fez com que fossem castigados os acusadores, o Rei tornou a ter amor e carinho por ela e morreu, ao que se diz, como verdadeiro católico.

Viuvez e retorno a Portugal

Enviuvando em 16 de fevereiro de 1685, Catarina permaneceu em Inglaterra durante o reinado do cunhado Jaime II e regressou a Portugal no reinado conjunto de Guilherme III e Maria II, depois da Revolução Gloriosa, instalando-se no Palácio da Bemposta.

Embarcou para Lisboa em 29 de março de 1692 e percorreu França e Espanha, entrando pela província da Beira. Entrou em Lisboa em 20 de janeiro de 1693, recebida entre aclamações do povo, indo D. Pedro II esperá-la ao Lumiar, e conduzi-la ao palácio de Alcântara. Mudou a residência para o palácio do conde de Redondo, a Santa Marta; mais tarde ainda foi morar para o palácio dos conde de Soure à Penha de França, e fixou definitiva residência em Belém, no palácio do conde de Aveiras, hoje, paço Real de Belém, pela compra que dele fez D. João V aos fidalgos. Como desejava ter casa sua, resolveu-se a construí-la. O Campo da Bemposta era pouco povoado, tinha terrenos espaçosos, ar saudável e grandes pontos de vista. Os terrenos para o palácio e para a quinta foram comprados a diversos proprietários. No paço recebeu a rainha viúva a visita de D. Carlos, Duque de Áustria, em 1701. Ali tratava todos os negócios do Estado nas duas vezes em que foi regente do reino; a primeira quando em maio de 1704 D. Pedro II partiu para a Beira, à frente do exército, com o arquiduque de Áustria e das tropas aliadas, para dar começo à guerra da sucessão de Espanha. A segunda, algumas semanas em 1705, por motivo de el-rei ter adoecido gravemente. Legou todos os bens ao Rei seu irmão. Na Historia Geneologica, tomo IV, encontram-se quatro medalhas dedicadas a D. Catarina, reproduzidas na Memoria de Lopes Fernandes.

Morreu em Lisboa em 31 de dezembro de 1705 no palácio do Campo Real ou Bemposta. Enterrada no Real convento de Belém ou Igreja dos Jerónimos, o seu corpo foi depois transladado para o panteão dos Braganças em São Vicente de Fora.

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3º CONDE DE CASTELO MELHOR

Luiz de Vasconcellos e Souza, conde de Castelo Melhor.

Luís de Vasconcelos e Sousa (1636 - 1720), 3º conde de Castelo Melhor.

Biografia

Foi nomeado pela Rainha D. Luísa de Gusmão gentil-homem da câmara do jovem rei D. Afonso VI.

«Pelejara como um bravo às ordens do pai, nas arremetidas das fronteiras da Espanha; sua mãe defendera Monção das tentativas dos exércitos filipinos.» (...) Após certa rixa entre vários fidalgos, no jogo da péla, do qual resultara a morte do conde de Vimioso, D. Luís andara por Itália, esperando o esquecimento do caso no qual o consideravam cumpliciado.» Voltou e a mãe era já dama de honor, depois seria camareira-mor. Tinha irmãs recolhidas às Albertas de Carnide e das Janelas Verdes, antes damas da Rainha.» Seu rival na corte foram os conselheiros mais privados da Rainha, o marquês de Marialva, Dom Antônio Luís de Menezes, herói das campanhas do Alentejo, «grande capitão das linhas de Elvas», o secretário de Estado Pedro Vieira da Silva, arguto sucessor de Francisco de Lucena, morto no cadafalso.»

Em 1662, foi concedida casa ao infante Dom Pedro, moreno e robusto, que «partia uma ferradura a frio, torcendo-a.» Foi habitar o paço dos Corte-Real, vizinho ao da Ribeira, e seus gentilhomens de Câmara eram o conde de São Lourenço, o conde de Soure, Rodrigo de Moura Teles, D. Rodrigo de Menezes, Jorge de Melo, João Nunes da Cunha, sendo o sumilher D. Rodrigo da Cunha de Saldanha, chantre da Sé de Lisboa, e o secretário António de Sousa Tavares

Teve ciúmes o irmão rei. «Decidira-se em conselho de regência privá-lo do domínio dos mais favorecidos.» Certa manhã o duque de Cadaval, Luís de Melo, porteiro-mor, seu filho D. Manuel de Melo e o corregedor do crime, Dr. Duarte Vaz de Orta Osório, com alguns arqueiros, tentaram prender António Conti em seus aposentos. O duque o prendeu e «com o irmão e o mais chegado da patrulha», o despachou numa nau para o Brasil. Castelo Melhor ficou furioso, increpou rudemente Cadaval. Teve enorme cólera o rei, ao saber que o navio já ia fora da barra. Era junho. «O rei ordenou a Castelo Melhor ficar mais uma semana de serviço em Lisboa, em vez de se retirar para as sombras de suas quintas»... O conde tentava de apoderar da vontade real. O rei foi pernoitar no seu palácio de Alcântara e ali chamou Sebastião César de Menezes, «sábio letrado e de rijo ânimo, que D. João IV mandara encarcerar na Torre de Belém», alegando ser cúmplice na conjura do marquês de Vila Real. Na prisão, escrevera «Sulligatio in ingratitudinis» e com isso aumentou a fama de erudito. A Rainha o soltara e lhe dera o bispado do Porto. Outro chamado, o conde de Atouguia, filho de D. Filipa de Vilhena, herói da Revolução de 1640, que regressara do governo do Brasil. Aconselharam o rei a pedir à mãe das chancelas do Estado. Já estava composto o triunvirato. Passaram o rei à Torre de São Julião mas a resistência foi desnecessária. O conselho se reuniu no paço da Ribeira, a Rainha mandou o Arcebispo de Targa com carta ao filho, pedindo-lhe reflexão. O filho respondeu querer apenas aliviá-la do papel, pois «segundo as leis do reino, excedera muito os anos destinados à tutoria.» Mas havia dúvidas em obecedê-lo. O triunvirato aconselhava persistência. D. Afonso teria 19 anos em um mês. Na véspera de São João de 1662 entrou em Lisboa com cortejo reduzido e sem pompa, como desejavam seus conselheiros. O infante D. Pedro, convocado, acompanhou o irmão. «A Rainha na cerimônia lhe entregou as chancelas e os régios selos que carregava Pedro Vieira da Silva, e partiu abrigar-se no convento de Xabregas, que mandara edificar.»

Outros cronistas comentam: o afastamento do valido do rei, Conti, soube tornar-se confidente do monarca, afastando a influência da rainha. Residira em palácio, nos aposentos antigamente usados por D. Teodósio. Conhecedora da conspiração, D. Luísa mandou-o chamar dizendo «era menester advertir que, como se desterraban los pequeños se castigarian los grandes». Não desistindo dos seus intentos, o conde conseguiu levar D. Afonso VI para Alcântara, onde convocou todos os fidalgos participando-lhes que o rei resolvera chamar a si o governo, colocando a rainha perante um facto consumado. Houve novos desterros, partindo o padre António Vieira, o duque de Cadaval, seu filho Dom Manuel de Melo, Pedro Vieira da Silva, o conde de Soure, o conde de Pombeiro. Ascendeu ao posto de secretário de Estado António de Sousa de Macedo, grande amigo de Castelo Melhor.

Segundo Veríssimo Serrão em «História de Portugal», volume V, página 48, «revelou a fibra de um verdadeiro estadista. Tinha 26 anos, vivera exilado na França de 1655 a 1657, por suspeitas de haver participado na morte do conde de Vimioso, e no regresso combatera na defesa do Minho, onde ficou gravemente ferido.» Em 1659 recebeu o ofício de reposteiro-mor do Paço. Na crise de 1662, desempenhava as funções também de camareiro de serviço, o que lhe concedia grande valimento na corte.

D. Afonso VI não tardou em galardoar seus préstimos, nomeando-o para o cargo novamente criado de escrivão da puridade», uma espécie de secretário privado. O conde de Atouguia pouco depois se edsligava do triunvirato. Logo o prelado Sebastião César de Menezes receberia ordem de se retirar da corte a duas léguas: foi depois internado no convento da Batalha mas, querendo suas luzes, e limitar suas cóleras, foi nomeado Inquisidor Geral. Ele redobrou porém sua atividades na conspiração contra Castelo Melhor e contra o rei...

«Na tendência centralizadora que a Restauração impunha, o ofício era de molde a concentrar nas mãos do beneficiário a máquina da administração pública». Colaborador direto do monarca, ao conde cabia o exercício de atos públicos e particulares, receber os juramentos de obediência à coroa, seguir D. Afonso VI nos enterros e exéquias das pessoas reais, a correspondência diplomática, as nomeações para cargos da administração, no reino e no Ultramar, as consultas dos Tribunais e conselhos. E foi feliz em escolher para secretário de Estado o doutor António de Moura de Macedo (1606-1682) executor fiel de sua política.

Diz-se que «um profundo mal estar grassava no reino, evido à incúria dos conselheiros de D. Luísa de Gusmão.»

Senhor do poder e tendo conseguido afastar os seus inimigos, o conde desdobrou-se em duas missões:

  1. Assegurar a continuidade do seu governo, pelo que rodeou o infante D. Pedro de gente da sua confiança, embora não o perseguisse - o que seria tolo. Ademais lhe permitia mandar vir anualmente do Brasil sem pagar direitos mil quintais de pau-brasil e o deixou entrar na posse das terras que comprara a irmã, D. Catarina e que pouco depois obtivesse o infante a emancipação.
  2. Reorganizar as tropas portuguesas para expulsar os espanhóis que se tinham apoderado de Évora, com grande exército comandado por João de Áustria. Havia desde início de 1661 notícia da grande invasão que preparavam os espanhóis.

Na guerra da Restauração

Foi feliz, pois sob seu governo se deram as grandes batalhas de 1663 a 1665, e Portugal foi vitorioso na batalha do Ameixial e posteriormente em Montes Claros. Assinou-se o tratado de paz com a Espanha, aceito com grande alívio. A morte de Filipe IV da Espanha, em 17 de setembro de 1665, retirara da cena um actor teimoso que nunca aceitara a «rebeldia» portuguesa. O Tratado de Paz de Madrid foi assinado em 5 de janeiro e ratificado em Lisboa em 13 de fevereiro de 1668. Eram delegados de Portugal o duque de Cadaval, o marquês de Gouveia, o marquês de Marialva, o marquês de Nisa, o conde de Miranda e Pedro Vieira da Silva. O abandono de Ceuta foi um grave erro político, mas a paz fora ganha após 27 anos de incerteza política.

Tendo conseguido a vitória na Guerra da Restauração, Castelo Melhor tentou apoios diplomáticos e buscou casar Afonso VI em França, cujo rei Luís XIV era poderoso. Obteve como noiva Maria Francisca Isabel de Sabóia da Casa de Sabóia, que anos mais tarde o afastará do governo com a ajuda do infante D. Pedro, de quem foi esposa.

Saiu de Portugal, onde a rainha não o deixava regressar, e instalou-se por uns tempos em Paris. Foi a Londres, pedir auxílio a D. Catarina de Bragança, esposa de Carlos II de Inglaterra e irmã do regente, onde permaneceu algum tempo, prestando bons serviços na Corte. Regressou ao Reino de Portugal depois da morte de D. Maria Francisca, tendo-se fixado em Pombal onde era alcaide-mor e comendador. Voltou ao governo sob D. João V.

Foi capitão do donatário da ilha de Santa Maria, nos Açores, de 1667 até 1720

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CASA DO INFANTADO


Criada pelo rei D. João IV em 1654-1655 a Casa do Infantado era um conjunto de bens materiais, propriedades e rendimentos, vasto patrimônio senhorial, em sua maioria confiscados aos apoiantes de Espanha durante o período da Restauração da Independência.

Propriedade do segundo filho do Rei de Portugal (o príncipe que não era o herdeiro da Coroa), tal Infante possuiria assim o título de Senhor da Casa do Infantado ou simplesmente Senhor do Infantado. A medida visava assegurar o mantimento dos filhos segundos, para que vivessem no Reino, e tivessem as suas casas próprias. Procurava-se sobretudo garantir as condições de uma larga descendência paea «perpetuar e dilatar o mais que puder o sangue e família real». Tudo leva a crer que D. João IV estaria já seguro da incapacidade do primogênito (depois Afonso VI de Portugal) para o exercício da realeza. A base da doação foi a cidade de Beja, com o título ducal, que pertencera ao rei D. Manuel I de Portugal. Como esse rendimento não bastava, juntou-se-lhe o senhorio da casa de Vila Real e de Caminha, confiscado em 1641. A doação abrangia as vilas, lugares, castelos, padroados, terras, fotos, direitos e tributos da segunda casa, o que garantia o título de duque de Vila Real para o filho primogênito do Infante D. Pedro. A Casa continuou a receber novas doações da coroa: a quinta de Queluz e suas pertenças; os palácios e casas dos Corte-Real em Lisboa, que haviam pertencido ao 2º marquês de Castelo Rodrigo; a vila de Serpa e seu termo com seus celeiros e os de Moura; as rendas da Ordem Militar de Cristo de que o infante se via nomeado comendador; as lezírias da Golegã, Borba, Mouchões e Silveira, perto do rio Tejo, junto de São Libório, termo de Santarém; e as saboarias do Porto e das vilas e lugares de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes. Outras mercês foram acrescentadas depois de subir ao poder Afonso VI, como a concessão a D. Pedro de obter anualmente 1000 quintais de pau-brasil sem pagamento de direitos; e a compra que o mesmo efetuou a sua irmã, D. Catarina de Bragança, da cidade de Lamego e do paul de Magos.

Assim, «não era apenas a extensão dominial que definia a Casa do Infantado, mas o conjunto dos seus rendimentos numa vasta zona urbana e rural desde Trás-os-Montes ao Baixo Alentejo. A sua principal riqueza era agrícola, mas beneficiava também de interesses marítimos (Caminha, Aveiro) e ribeirinhos. Assim, depois da Casa de Bragança a do Infantado foi a mais abastada do Reino como domínio senhorial.»

Foi sendo enriquecida ao longo dos tempos por forma a dar aos infantes secundogénitos uma fonte de rendimento que lhes permitisse conservar o estatuto que se esperava de um príncipe. De facto, sua enorme riqueza chegou a tornar-se fonte de contendas e discórdias como sucedeu aquando da morte do infante Francisco de Bragança, irmão de D. João V em 1742. Reclamou o outro irmão do Rei, D. António a sucessão na chefia da Casa do Infantado, que viria contudo a ser entregue ao infante D. Pedro filho secundogénito de D. João V, o que muito agravou a relação entre os dois irmãos.

Foram Senhores do Infantado os seguintes Infantes:

Os Reis que foram Senhores do Infantado, não estavam destinados, inicialmente, ao Trono, herdaram a Coroa pelos diferentes motivos acima descritos.

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D. JERÓNIMO DE ATAÍDE

Dom Jerónimo de Ataíde(? — 1665), morreu em 16 de agosto em Lisboa.

Primogénito de D. Filipa de Vilhena e de D. Luís de Ataíde (5.º conde de Atouguia), foi um dos dois irmãos a quem sua célebre mãe armou cavaleiros, enviando-os a combater pela defesa da independência da pátria, tornando-se um dos bravos restauradores como um dos fidalgos que fizeram a revolução do dia 1º de Dezembro de 1640, constando mesmo que foi um dos que entraram nos paços da Ribeira, dirigindo-se aos aposentos de Miguel de Vasconcelos.

Foi comendador de Adaúfe e de Vila Velha de Ródão, na Ordem de Cristo


Cargos ocupados

Fidalgo da Casa Real, seria governador de Peniche em 1640, governador das armas das províncias de Trás-os-Montes em 1649 e 1652, governador geral do Estado do Brasil(14 de dezembro de 1640), governador das Armas do Alentejo em 1659, capitão geral da Armada Real em 25 de junho de 1662, Presidente da Junta de Comércio em 1664, conselheiro da Guerra em 1661 e do conselho de Estado em 1662; gentil-homem da Câmara do rei D. Afonso VI de Portugal.

No Brasil

No governo geral do Brasil recebeu a embaixada dos paulistas que tentou dar fim à guerra entre Pires e Camargos que perturbava a capitania do sul, redigindo a famosa portaria de 24 de novembro de 1655 em que concedia anistia geral. Determinava que os votos dos pelouros para a eleição dos edis fossem organizados por três partidários dos Pires e outros tantos contrários e um neutral. Estes organizadores das chapas seriam não «os cabeças de bando mas sim homens dentre os mais zelosos e timoratos». A constituição das Câmaras Municipais se faria de modo que nelas sempre houvesse um juiz e um vereador de cada um dos partidos em luta, um vereador e o procurador do Conselho neutros. Foi sua provisão recebida com manifestações de júbilo em São Paulo e o rei muito encareceu a decisão de seu delegado, segundo «Ensaios Paulistas», editora Anhambi S.A., São Paulo 1958, página 633.

«Coube-lhe festejar a vitória final das armas contra os holandeses. Reprimiu atos de rebeldia dos Índios, diz «Nobreza de Portugal», tomo II, página 335) e exerceu uma administração modelar, cheia de honestidade e equilíbrio, infelizmente quase circunscrita à capitania da Bahia, porque, a partir da morte de Mem de Sá, os governadores das ouras capitanias foram-se arrogando sucessivas prerrogativas, reconhecendo só teoricamente a hegemonia do Governador-Geral. A dificuldade de comunicações e a extensão do Brasil contribuiam também para estes factos».

Foi sucedido no governo do Brasil por Francisco Barreto de Menezes.

Alguns dados

Quando governava as Armas da província do Trás-os-Montes, repeliu uma invasão espanhola pela fronteira de Chaves.

Está sepultado na capela-mor do convento de Santa Maria de Xabregas, padroado da sua casa.

Casamentos e descendência

Casou duas vezes:

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A RÃ

14/11/2009

A NAIFA

1 - AL-QAEDA

História

Jihad afegã

A Al-Qaeda teve seu embrião na Maktab al-Khadamat (MAK), uma organização formada por Mujahidin que lutavam para instalar um estado islâmico durante a Guerra Soviética do Afeganistão nos anos 1980. A organização foi inicialmente financiada pela CIA. Osama Bin Laden foi um dos fundadores da MAK, juntamente com o militante palestino Abdullah Yusuf Azzam. O papel da MAK era angariar fundos de tantas fontes quanto possível (incluindo doações de todo o Oriente Médio), para treinar pessoas de todo o mundo para a guerra de guerrilha e para transportar os combatentes para o Afeganistão. A MAK foi custeada em sua maioria com doações de milionários islâmicos, mas também foi abertamente auxiliada pelos governos do Paquistão e Arábia Saudita, e indiretamente pelos Estados Unidos, que direcionou grande parte de seu apoio através do serviço de inteligência paquistanês ISI (sigla para Inter-Services Intelligence). Durante a segunda metade dos anos 1980 a MAK era um grupamento relativamente pequeno no Afeganistão, sem combatentes afiliados, apenas concentrando suas atividades no levantamento de fundos, logística, habitação, educação, auxílio a refugiados, recrutamento e financiamento de outros mujahidin.

Depois de uma longa e cara guerra que durou nove anos, a União Soviética retirou suas tropas do Afeganistão em 1989. O governo socialista afegão de Mohammed Najibullah foi rapidamente destituído em favor de partidários dos mujahidin. Com a falta de acordo dos mujahidin na escolha de uma estrutura governamental, sua anarquia sofreu as conseqüências de constantes mudanças no controle de territórios problemáticos, sucumbindo sob alianças insurgentes e discórdias entre líderes regionais.

Ultrapassando os limites do Afeganistão

Perto do fim da Guerra Soviética do Afeganistão, alguns mujahidin quiseram expandir suas operações para incluir alguns esforços islâmicos em outras partes do mundo[carece de fontes?]. Algumas organizações sobrepostas e interralacionadas foram formadas para suportar estas aspirações.

Uma dessas organizações seria eventualmente chamada Al-Qaeda, fundada por Osama bin Laden em 1988. Bin Laden quis estender o conflito para operações não-militares em outras partes do mundo[carece de fontes?]; Azzam, por outro lado, quis manter-se focado em campanhas militares[carece de fontes?]. Após o assassinato de Azzan em 1989, a MAK dividiu-se, com um número significante de membros se juntando à organização do Bin Laden.

Guerra do Golfo: o início da inimizade com os Estados Unidos

Seguindo a retirada soviética do Afeganistão, Osama Bin Laden retorna para a Arábia Saudita. A invasão iraquiana no Kuwait em 1990 pôs em risco o comando da Casa de Saud pelos sauditas, tanto por dissidentes internos quanto pela iminente possibilidade de um futuro expansionismo iraquiano. Face à massiva presença militar iraquiana, os sauditas eram melhor armados, porém defasados em número. Bin Laden ofereceu os serviços de seus mujahidin ao Rei Fahd para proteger a Arábia Saudita do exército iraquiano. Mas do ponto de vista estratégico, fossem os iraquianos expulsos do Kuwait, a Arábia Saudita seria a única ligação terrestre possível para forças internacionais inibirem uma invasão iraquiana.

Depois de muita deliberação, o rei saudita recusou a oferta de Bin Laden e optou por deixar os Estados Unidos e as tropas aliadas montarem acampamento em seu país. Bin Laden considerou a decisão um ultraje. Ele acreditava que a presença de estrangeiros na terra das duas mesquitas (Meca e Medina) profanaria solo sagrado. Depois de criticar publicamente o governo saudita por acolher o exército estadunidense, Bin Laden foi exilado e teve sua cidadania saudita revogada. Logo depois, o movimento que viria a ser conhecido como Al-Qaeda foi formado.

Sudão

Em 1991, a Frente Nacional Islâmica do Sudão, um grupo islâmico que tinha ganhado poder recentemente, convidou a Al-Qaeda à deslocar suas operações para dentro de seu país. Por vários anos, a Al-Qaeda gerenciou vários negócios (incluindo negócios de importação/exportação, fazendas, e empresas de construção) no que pode ser considerado um período de consolidação financeira. O grupo foi responsável pela construção de uma grande auto-estrada de 1.200 km conectando a capital Cartum ao Porto do Sudão. Mas também gerenciou alguns campos onde aspirantes foram treinados ao uso de armas de fogos e explosivos. Em 1996, Osama bin Laden foi convidado a se retirar do Sudão depois que os Estados Unidos impingiu um regime de extrema pressão para que ele sua expulsão, citando possíveis ligações dele com a tentaviva de assassinato ao Presidente Hosni Mubarak do Egito enquanto sua carreata acontecia em Adis Abeba. Há uma controvérsia sobre se o Sudão ofereceu entregar bin Laden para os Estados Unidos antes de sua expulsão. O governo sudanense nunca fez realmente esta oferta, mas estava preparado para entregá-lo à Arábia Saudita, que se recusou a recebê-lo.

Osama bin Laden deixou finalmente o Sudão em uma operação bem planejada e executada, acompanhado por cerca de 200 de seus seguidores e suas famílias, que viajaram diretamente para Jalalabad, Afeganistão, no final de 1996.

Bósnia Herzegovina

A separação da Bósnia da multicultural federação da Iugoslávia e a subseqüente declaração da independência da Bósnia e Herzegovina em outubro de 1991 abriu um novo conflito étnico e quase religioso no coração da Europa.

Na Bósnia e Herzegovina havia várias etnias diferentes, com uma maioria nominal muçulmana, mas com números significantes de outras etnias, como a Sérvia, que é cristã ortodoxa e Croácia, que é católico romana, distribuídas pelo seu território. Ela se constituía em um grande porém fraco componente militar da antiga Iugoslávia, e a desintegração iugoslava acabou deixando alguns sérvios e croatas dentro da Bósnia, suportados pelos seus estados adjacentes emergentes, engajados em um conflito triplo contra a porção Bósnia dominada.

Veteranos árabes radicais da guerra contra os soviéticos no Afeganistão buscavam na Bósnia uma nova oportunidade de defender o Islã. Cercados em dois frontes e aparentemente abandonados pelo oeste, o regime bósnio ansiava aceitar qualquer ajuda que pudesse conseguir, militar ou financeiramente, incluindo a vinda de várias organizações islâmicas, sendo a Al-Qaeda uma delas[5].

Vários associados a Osama bin Laden (mais notadamente, o saudita Khalid bin Udah bin Muhammad al-Harbi, vulgo Abu Sulaiman al-Makki) se juntaram ao conflito na Bósnia[6], mas enquanto a Al-Qaeda deve ter inicialmente visto a Bósnia como uma possível ponte que lhe permitiria a radicalização dos europeus muçulmanos para operações contra outros estados europeus e os Estados Unidos, a Bósnia deve ter sido secularizada por gerações e seu interesse em lutar estava amplamente limitado a assegurar a sobrevivência do estado nascente.

O "Mujahidin da Bósnia" (que compreendia amplamente os veteranos árabes de guerra Afegã e não necessariamente os membros da Al-Qaeda) eram operados como uma ampla força autônoma dentro da Bósnia central. Enquanto sua bravura no combate inicialmente atraiu um pequeno número de bósnios nativos para que se juntassem a eles, sua brutalidade e o crescente número de atrocidade cometidas contra civis chocaram muitos bósnios nativos e repeliram novos recrutas. Ao mesmo tempo, suas tentativas vigorosas em "islamizar" a população local com regras sobre indumentária e comportamentos apropriados foram amplamente repudiadas e desconsideradas. Em seu livro O Jihad da Al-Qaida na Europa: a ligação Afeganistão-Bósnia, Evan Kohlmann resume: "Apesar dos esforços vigorosos para ‘islamizar’ a população muçulmana da Bósnia, os nativos não podiam ser convencidos de abandonar os porcos, o álcool e manifestações públicas de afeto. As mulheres Bósnias persistentemente se recusaram a usar o hijab ou seguir os outros mandamentos para o comportamento feminino, prescritos pelo extremo fundamentalismo islâmico."

A assinatura do Acordo de Washington, em março de 1994, pôs um fim ao conflito Bósnia-Croácia. Enquanto o "Mujahidin da Bósnia" continuou a lutar contra os sérvios, o Acordo de Paz de Dayton de novembro de 1995 acabou com aquele conflito e fez com que os lutadores estrangeiros debandassem e deixassem o país, ficando a ajuda condicionada a isto. Com o apoio do governo da Bósnia, forças da OTAN entraram efetivamente em ação para fechar suas bases e deportá-los. A um número limitado de antigos mujahidin, que tinham ou casado com nativas da Bósnia ou que não puderam achar um país para o qual pudesse ir, foi permitido ficar na Bósnia e eles foram agraciados com a cidadania bósnia. Mas com o fim da guerra na Bósnia, muitos veteranos comprometidos e endurecidos pela batalha já haviam retornado a territórios familiares.

Retorno ao Afeganistão

Após a retirada soviética, o Afeganistão esteve efectivamente sem governo por sete anos, e sofreu com lutas internas constantes entre os antigos aliados, os vários grupos mujahidin e seus líderes.

Durante toda década de 1990 uma nova força começou a surgir. As origens do Talibã (literalmente "estudantes") está em crianças afegãs, muitas delas orfãs de guerra e muitas que haviam sido educadas na rede de escolas islâmicas que expandiu rapidamente (os madraçais) tanto em Kandahar quanto em campos de refugiados na fronteira entre Afeganistão e Paquistão.

De acordo com o livro bem referenciado de Ahmad Rashid, Talibã, cinco líderes do Talibã se formaram em um único madraçal, Darul Uloom Haqqania, Akora Khattak, perto de Peshawar que está situada no Paquistão, mas que era amplamente frequentada por refigiados afegãos. Esta instituição refletia a crença Salafi em seus ensinamentos e muito de seu financiamento veio de doações privadas de árabes ricos, para os quais bin Laden oferecia continuidade. Quatro outras figuras de liderança (incluindo o líder Talibã persseguido Mullah Mohammed Omar Mujahed) frequentaram um madraçal que possuia fundos similares e influenciaram o homólogo em Kandahar, Afeganistão.

Os laços entre os árabes afegãos e o Talibã eram profundos. Muitos dos mujahidin que mais tarde se juntaram ao Talibã lutaram ao lado do guerrilheiro afegão Mohammad Nabi no grupamento de Mohammadi Harkat i Inqilabi na mesma época da invasão russa. Este grupamento também se beneficiou da lealdade de muitos lutadores árabes afegãos.

Os conflitos internos contínuos entre as várias facções e o a falta de leis que se estabeleceu após a retirada soviética permitiram que o crescente e bem-disciplinado Talibã expandisse seu controle pelo território afegão, e assim eles estabeleceram um subterritório o qual chamaram Emirado Islâmico do Afeganistão. Em 1994 conquistaram o centro regional de Kandahar e conseguiram rápidos avanços territoriais logo após, vindo a conquistar a capital Kabul em setembro de 1996.

Após o Sudão deixar claro, naquele ano, que bin Laden e o seu grupo não era mais bem vindo, o Afeganistão controlado pelo Talibã (com conexões pré-estabelecidas entre os grupos, uma maneira similar de encarar os relações mundiais e amplamente isolado da infuência política e militar dos Estados Unidos) garantia uma localização perfeita para o quartel general da al Qaeda.

Cerca de duzentos seguidores de bin Laden e suas famílias partiram de Khartoum para Jalalabad por volta de 1996. Logo em seguida a Al-Qaeda gozou da proteção do Talibã e uma certa legitimidade por parte de seu Ministério da Defesa, apesar de somente o Paquistão, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos reconheceram o Talibã como o legítimo governo do Afeganistão.

Os campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão e na fronteira com o Paquistão podem ter treinado militantes muçulmanos do mundo todo. Apesar da percepção de algumas pessoas, os membros da Al-Qaeda são etnicamente diversos e estão conectados pela sua versão radical do Islã.

Uma rede sempre crescente de apoiadores usufruia desta forma de um refúgio seguro no Afeganistão controlado pelo Talibã, até o grupo ter sido derrotado por uma combinação de forças locais e tropas norte-americanas em 2001. Ainda acredita-se que Osama Bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda estejam em áreas onde a população é simpatizante ao Talibã no Afeganistão, ou ainda em tribos na fronteira com o Paquistão.

Início das operações militares contra civis

Em 23 de fevereiro de 1998, Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri do Jihad Islâmico do Egito instituíram a fatwa sobre a bandeira da Frente Islâmica Mundial pela Jihad contra os judeus e os crusados dizendo que "matar americanos e seus aliados, civis e militares é um dever individual de todos muçulmano capaz de fazê-lo." Apesar de nenhum dos dois possuírem credenciais islâmicas, educação ou estatura para instituírem uma fatwa de qualquer tipo, isto parece ter sido desconsiderado no entusiasmo do momento. Este também foi o ano do primeiro ataque de grande porte atribuído à Al-Qaeda, o bombardeio à Embaixada dos Estados Unidos em 1998 na África do Leste, resultando em um total de trezentos mortos. Em 1999, o Jihad Islâmico do Egito uniu-se oficialmente à Al-Qaeda, e al-Zawahiri se tornou um confidente íntimo de bin Laden.

Ataques de 11 de setembro

Após os ataques de 11 de setembro atribuídos por autoridades à Al-Qaeda, os Estados Unidos começaram a constituir forças militares e a se preparar para atacar o Afeganistão (cujo governo protegia a organização de bin Laden) como resposta. Nas semanas que precederam a invasão dos norte-americanos, o Talibã ofereceu por duas vezes entregar bin Laden para um país neutro para que fosse julgado, com a condição que os Estados Unidos provassem a culpa de bin Laden nos ataques. Os Estados Unidos, entretanto, se recusaram e logo depois invadiram o Afeganistão, e, junto com a Aliança Afegã do Norte, depuseram o governo Talibã.

Como resultado desta invasão, os campos de treinamento do Talibã foram destruídos e muito da estrutura de operação atribuída à Al-Qaeda foi desmantelada, apesar da forte resistência que permaneceu no país e do fato de seus líderes principais, incluíndo bin Laden, não terem sido capturados. O governo norte-americano agora afirma que dois terços dos princiapis líderes de toda Al-Qaeda de 2001 estão sobre sua custódia (incluindo Ramzi bin al-Shibh, Khalid Sheikh Mohammed, Abu Zubaydah, Saif al Islam el Masry, e Abd al-Rahim al-Nashiri) ou mortos (incluindo Mohammed Atef), apesar de alertar que a organização ainda existe e batalhas entre as forças dos Estados Unidos e o Talibã ainda continuam.

Actividade no Iraque

Osama bin Laden primeiro se interessou pelo Iraque quando este país invadiu o Kuwait em 1990 (o que levantou preocupações sobre o secular governo socialista iraquiano incluir em seu alvo a Arábia Saudita, pátria de bin Laden e do próprio Islã). Em uma carta enviada ao Rei Fahd da Arábia Saudita, bin Laden ofereceu mandar um exército de mujahidin para defender a Arábia Saudita[7].

Durante a Guerra do Golfo, os interesses da organização se dividiram entre a rebeldia contra a intervenção das Nações Unidas na região e o ódio ao governo secular de Saddam Hussein, expressões de preocupação pelo sofrimento pelo qual o povo islâmico no Iraque vinha passando.

Bin Laden se referia à Saddam Hussein (e aos Baatistas) como o mal, um adorador do demônio ou capeta, em seus discursos e gravou e escreveu pronunciamentos, pedindo ao povo do Iraque que o depusesse. Durante a invasão do Iraque de 2003, a Al-Qaeda teve um interese formal maior na região e dizem que foi a responsável por organizar e ajudar ativamente a resistência local nas forças de coalizão de ocupação e a democracia emergente. Durante as eleições iraquianas em janeiro de 2005 a Al-Qaeda se responsabilizou por nove ataques suicidas em Bagdá, capital daquele país.

Abu Musab al-Zarqawi, fundador da Jama'at al-Tawhid wal-Jihad e suposto aliado da Al-Qaeda, se juntou formalmente à Al-Qaeda em 17 de outubro de 2004. A organização começou a adotar o nome de "Al-Qaeda na Terra entre os dois Rios: Iraque", ao invés do antigo nome Jama'at al-Tawhid wal-Jihad. Na fusão al-Zarqawi declarou lealdade à Osama bin Laden.

Papéis do Harmonia

Documentos resgatados da Al-Qaeda tornaram-se públicos recentemente, saindo do banco de dados Harmony e viraram assunto de um estudo publicado pelo Ponto Oeste intitulado Harmonia e Desarmonia: Explorando as Vulnerabilidades Organizacionais da Al-Qaeda. (ver link nas ligações externas). Estes papéis dão uma visão interessante da história do movimento, sua organização estrutural, as tensões entre os líderes e as lições aprendidas.

Um escritor da Al-Qaeda concluiu que uma das lições aprendidas é como a influência do pensamento secular Baatista distorce a messagem do Jihad. Ele aconselha o movimento a não permitir que a mensagem do Jihad seja influenciada pela mensagem Baati iraquiana. (ver página 79 do documento citado acima).

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