.
ESTA SEMANA NO
"DINHEIRO VIVO"
Loqr
Startup portuguesa tem solução
contra as fraudes informáticas
Primeira participante nacional e finalista
em aceleradora South by Southwest, nos EUA, desenvolveu tecnologia única
no Mundo para proteger transações.
A informatização de cada vez mais processos
bancários traz benefícios aos consumidores e às instituições, mas só
até ao momento em que algum pormenor de segurança possa falhar e haja
lugar a fraude – e o fenómeno de roubo de identidade tem escalado
exponencialmente. Ricardo Costa, 37 anos, engenheiro informático da
Universidade do Minho, desenvolveu uma solução que combina vários níveis
de segurança e que está prestes a vender para todo o Mundo, a Loqr.
Nos EUA, as fraudes no sistema financeiro custaram 16 biliões de dólares
(cerca de 14,5 mil milhões de euros) a 13 milhões de vítimas, explica o
fundador da startup Loqr. A participação da empresa portuguesa no South
by Southwest (SXSW), em Austin, nos EUA, tendo sido selecionada entre
48 finalistas para participar numa sessão de pitch no próximo dia 12 de
março que escolherá novamente 18 que passam à fase seguinte, no dia 13, é
uma forma de “conhecer o funcionamento da segurança bancária nos EUA,
validar o produto e encontrar parceiros para fazer demonstração e,
também, para vender o produto nesse mercado “.
.
Tudo começou há cerca de ano meio, quando
Ricardo Costa, após ter trabalhado em empresas de segurança informática e
certificação, achou que faltava um produto no mercado. “O que havia era
demasiado complicado ou aborrecido para o utilizador ou não cumpria com
todos os requisitos de segurança que poderíamos ter”, recorda. Chegou à
Startup Braga “apenas com uma ideia que nem nome tinha”, mas foi
selecionado para três meses de aceleração. E a solução desenvolveu-se,
rodeado de cada vez mais colaboradores capazes de fazê-lo – hoje são
sete, a partir de segunda-feira já serão oito.
O que é o Loqr, afinal? Simplificando, é um sistema de segurança que
encarrega o seu smartphone de identificar o utilizador e, depois,
mediante confirmação de todos os parâmetros exigidos (também à medida do
que for definido pelos clientes, que serão os bancos ou instituições
financeiras, inicialmente), passará a autenticar todos os procedimentos
necessários. Essa certificação inclui desde biometria (leitura de
impressões digitais, podendo incluir leitura da temperatura corporal, da
pressão do dedo e, até, da própria circulação sanguínea) a
reconhecimento facil (e é capaz de distinguir gémeos idênticos, assegura
Ricardo Costa), passando por um “algoritmo do próprio telemóvel que é
capaz de identificar o utilizador pelo comportamento”. Tudo encriptado,
de forma à informação não ser acessível a ninguém – nem ao utilizador,
nem à Loqr -, será uma solução “inédita, capaz de garantir a segurança
das transações de forma muito mais segura do que os atuais códigos
enviados por sms ao utilizador, tokens ou outros sistemas”.
O sistema está a ser validado, em Portugal, no Instituto Politécnico do
Porto, junto de 20 mil utilizadores. “Estamos a negociar com dois
bancos, em Portugal, para montar a validação do conceito, o que demora
algum tempo”, anuncia Ricardo Costa. A Loqr está, também, “prestes a
integrar o primeiro revenue-share partner, um parceiro português que
está presente em 30 países e que irá integrar o produto no seu
portefólio de produtos”, além de estar a “negociar com uma consultora
financeira de Londres que trabalha com o mundo todo”, num mercado que
valerá 120 biliões de dólares (109 mil milhões de euros) em 2019.
* É um orgulho haver portugueses com tanta inteligência e coragem, mau grado a maioria dos políticos...
.