18/06/2013

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HOJE NO
"PÚBLICO"

Cáritas aponta falhanço das políticas de combate à pobreza em Portugal

Instituição da Igreja propõe que se retome "uma economia de serviços tradicionais que foram ultrapassados pelo self-service".

O Estado tem falhado no combate à pobreza, porque a sua actuação rege-se segundo uma lógica assistencialista. A conclusão está contida num estudo promovido pela Cáritas Portuguesa que é apresentado hoje, num seminário sobre Economia Social, Emprego e Desenvolvimento Local, e onde esta instituição oficial da Igreja reclama uma nova geração de políticas sociais capazes de, muito para lá da atribuição de subsídios, responder ao problema do desemprego, cujos números oficiais apontam já para os 17,7%.

Considerando que, entre os novos pobres, se destacam os desempregados que não encontram alternativas no mercado de trabalho, a Cáritas indica mesmo uma bolsa de potenciais negócios ou actividades capazes de gerar trabalho: na vertente ambiental e verde, guias e monitores para rotas e guarda-rios; na vertente florestal e agrícola, tiradores de cortiça e podadores de árvores de fruto e de floresta; na vertente de cuidados à família e domicílios, cuidados de manutenção e vigilância das casas e trabalhos de jardinagem e limpeza.

Trata-se, no fundo, de "retomar uma economia de serviços tradicionais que foram ultrapassados pelo self-service", porque "algumas experiências de sucesso mostram que há algumas oportunidades de negócio que podem responder a necessidades concretas preferencialmente vocacionadas para agregados familiares de rendimentos superiores ou para dar resposta a uma sociedade que envelhece", sugere o relatório.

Intitulado Estratégia para a Promoção do Emprego e a Dinamização do Desenvolvimento Local enquanto Esteios da Inclusão Social, o documento sistematiza ainda projectos de negócio "viabilizáveis no quadro do desenvolvimento local e de programas de inclusão social de cada pessoa". Assim, e em obediência ao propósito de "tornar as pessoas excluídas em protagonistas do seu processo de inclusão", o estudo propõe que as autarquias detentoras de bairros sociais apoiem a criação pelos seus inquilinos de negócios ligados à manutenção e reparação das habitações, de serviços de amas, disponibilizando instalações para o efeito, e de apoios às famílias (cuidar de idosos, limpeza doméstica, culinária, reparações e jardinagem).

Engraxadores e motoristas
Ainda a pensar na inclusão de pobres e desempregados com baixas qualificações, o estudo sugere que estes poderiam encontrar empregabilidade como engraxadores ou funcionários de estações de serviço, "desde que as grandes empresas sejam incentivadas a, no âmbito dos seus programas de responsabilidade social, reequacionar o serviço que oferecem aos clientes, integrando o serviço de abastecimento da viatura e de lavagem manual". Quanto aos engraxadores, o estudo sublinha que se assiste, por exemplo em França, a uma estratégia de revalorização da actividade, com várias empresas a oferecerem este serviço nos eventos que promovem, como feiras e exposições.
Do mesmo modo, "várias oportunidades de venda ambulante podem ser consideradas". "Uma variante pode ser a venda de snacks saudáveis perto de escolas, hospitais e estações de comboios", concretiza o estudo, cujos autores sugerem que cada autarquia defina um modelo deste tipo de equipamento urbano e viabilize uma rede com o "selo" de negócio justo para disponibilizar aos seus desempregados de longa duração.

 A criação da figura do "avô" nas escolas, capazes de garantir a ocupação de desempregados entre os 50 e os 65 anos de idade ao mesmo tempo que se garantia ajuda extra na resolução de problemas de integração e de episódios de violência nos receios, é outras das sugestões. O estudo sugere ainda a venda de serviços de motorista em viatura, a pensar nos idosos que, dispondo de carro, deixaram de o poder conduzir devido à diminuição das suas faculdades.

A partir destas actividades, extensíveis a clusters como a chamada economia verde, a agricultura e serviços sociais, passando pelo envelhecimento populacional, cultura e manutenção e reabilitação urbana, a Cáritas considera que será possível uma acção mais eficaz na redução da pobreza associada ao desemprego e que tem nas baixas qualificações das pessoas um dos denominadores comuns. Tal implicará, contudo, que o país será capaz de superar a ideia de que a economia social deve ser substancialmente financiada, passando a olhá-la como sendo, ela própria, capaz de gerar riqueza privada.

Porque, muitos anos, muitos milhões e muitos planos depois, o risco de pobreza continua a afectar 23,5% da população portuguesa, a Cáritas propõe-se ela própria apostar na solução dos problemas sociais mais do que no socorro a situações de emergência. "Os esforços desenvolvidos em Portugal, quer pela Cáritas quer por outras entidades", conclui o relatório, "têm sido globalmente decepcionantes no que respeita aos resultados alcançados nas acções de combate à pobreza".

* Estamos nesta situação porque o governo continua a permitir que um punhado de pessoas continue a viver à margem da crise, é um conluio.

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CARLA HILÁRIO QUEVEDO

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A paz do fingimento

O primeiro-ministro David Cameron está a ser alvo de acusações de indiferença por ter ido passar férias a Ibiza com a mulher logo depois do brutal homicídio no bairro de Woolwich de um soldado britânico por radicais islâmicos.
O caso, que o Governo tratou como um acto de terrorismo, chocou o país e qualquer pessoa que tenha visto as imagens terríveis do assassino com as mãos ensanguentadas, a falar para uma câmara como se o acto que acabara de cometer fosse plenamente justificado. Perante a barbárie, David Cameron decidiu pegar na família e ir para a praia. Como se esperava, a decisão foi usada politicamente contra ele. Apesar de todas as explicações sobre como está perto de Inglaterra e como é fácil comunicar hoje em dia, ninguém entende a ausência neste momento assustador. Fico surpreendida com o erro de Cameron. Qualquer político profissional sabe que é pago para fingir preocupação. Sem esse fingimento não há paz.

Estupidez narcísica
Li um artigo na Slate sobre um tema que ainda hoje intriga muita gente: o bigode de Hitler. Não é um texto exaustivo, mas ficamos a saber que, no início do século passado, aquele bigodinho que nos parece ridículo era considerado elegante e aristocrático. Era conhecido por ‘escova de dentes’, embora o da sinistra criatura nazi fosse uma versão mais abreviada dos lados do que o original celebrizado pelo Kaiser Guilherme II. Um amigo de Hitler, Ernst ‘Putzi’ Hanfstaengl, aconselhou-o a tirar o bigode porque estava fora de moda, ao que este terá respondido que voltaria a ser moda porque era usado por ele. O mais curioso é que o bigodinho estava associado não só à personagem de Charlie Chaplin, como era também usado por Oliver Hardy, que conhecemos por Bucha (do Estica). É preciso ter um ego do tamanho do mundo para imaginar que o seu bigodito apagaria da história os bigodes das duas personagens mais geniais e divertidas da época.

Infantil e excelente
Reconheço que há qualquer coisa de infantil nesta versão do Grande Gatsby, realizado por Baz Luhrmann (Moulin Rouge, Romeu e Julieta e aquela chatice da Austrália). O luxo, as festas, o guarda-roupa e o romantismo de Jay Gatsby, o fascínio do vizinho Nick Carraway, a menina rica Daisy e até a luxúria do seu marido Tom, tudo parece o mundo dos adultos visto por olhos de adolescentes. O próprio 3D, que se impõe de uma maneira espectacular durante o filme, parece um brinquedo de crianças. Mas o filme também pode ser encantador para os adultos em geral, como foi para mim. Gatsby está feito com ternura, ironia e inocência dramática. Mas o filme não é perfeito. Tive de me abstrair de Carey Mulligan, uma das actrizes menos interessantes que surgiram na última década. Mas, mesmo com ela, e apesar dela, vale a pena ver esta versão opulenta do Grande Gatsby com um Leonardo DiCaprio no seu melhor, sem aquela intensidade cansativa a que nos habituou.

Onde menos se espera
Membros em topless do grupo feminista ucraniano FEMEN invadiram a final do programa Germany’s Next Top Model apresentado por Heidi Klum. No corpo tinham escrito a tinta ‘Heidi Horror Picture Show’ e acusavam a organização de se servir da indústria da moda para promover a prostituição. No seu extremismo, as FEMEN tocaram num aspecto importante para o feminismo mais conservador, que rejeita a objectificação da mulher, que é contra a prostituição e a pornografia. O ponto é simples: a exploração sexual não é aceitável. Não tenho nada contra esta visão do mundo, pelo contrário, embora não tenha antipatia por Heidi Klum. Mas, para as FEMEN, que aparecem despidas para chamar a atenção, a decisão individual tem limites. Não cabe a nenhuma mulher decidir pôr o seu corpo à venda. Ninguém tem o direito de ser explorado, vendido e maltratado. Tenho simpatia pelas FEMEN, porque vejo coragem onde outros vêem exibicionismo.

Não posso acreditar
Na quinta-feira, 30 de Maio, houve uma greve do Metro. Sempre que a actividade dos serviços é suspensa, quem sente de imediato os efeitos dos protestos são os clientes da rede de transportes, além dos outros que não têm motorista. Durante aquela manhã houve nas redes sociais vários relatos de pessoas cujos carros tinham sido rebocados. Não tardou que corresse o boato de que era tudo um plano concertado da EMEL. Com a greve, o afluxo de carros em Lisboa tinha aumentado e era visível o rodopio de rebocadores para trás e para a frente na cidade. Mesmo assim, não quis acreditar na interpretação conspirativa que circulava. Não quero imaginar que uma greve de transportes públicos se possa tornar uma oportunidade de lucro. Claro que se alguém me mostrasse os valores arrecadados naquele dia pela EMEL, mudaria de opinião. E se aconteceu o que dizem, a minha ira fará cair raios e pragas de gafanhotos sobre essa empresa impiedosa.

IN "SOL"
11/06/13

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HOJE NO
"DIÁRIO ECONÓMICO"

Porto eleito o melhor destino 
de férias na Europa

Lonely Planet escolhe Porto como o melhor dos destinos de eleição na Europa 2013.

O Porto foi eleito pela Lonely Planet como o melhor dos 10 destinos de férias de eleição na Europa em 2013, em nova distinção internacional promovida pela editora líder mundial na publicação de guias de viagem.
 Segundo informa a Associação de Turismo do Porto (ATP), o Porto e a região do Douro ficou classificada "em primeiro lugar" pelos editores e cronistas de viagens da Lonely Planet, numa lista que inclui ainda Budapeste (Hungria), Moravia (República Checa), Berna (Suíça), Marselha (França), Zagreb (Croácia), Copenhaga (Dinamarca), Cinque Terre (Itália), Islândia do Norte e Irlanda do Norte.
A lista da Lonely Planet para 2013 inclui os destinos que os seus editores classificam como "hot spots" a visitar, assim como cidades já conhecidas, mas que têm agora algo de novo para oferecer. "Nesta sua seleção, a Lonely Planet privilegiou as cidades que, tal como o Porto, oferecem cultura, história e aventuras outdoor, fora do circuito das cidades mais populares europeias e é para nós um enorme orgulho ver o Porto e a região do Douro figurar em primeiro lugar na lista", explica Helena Gonçalves, diretora executiva da Associação de Turismo do Porto.

Segundo a responsável "são distinções internacionais como esta que aumentam a visibilidade do destino e fazem crescer anualmente o número de visitantes estrangeiros". Helena Gonçalves revelou que a Associação de Turismo do Porto apoiou a equipa da Lonely Planet na attualização do seu guia referente ao  Porto e à região do Vale do Douro, "estando prevista para breve uma press trip para a revista Lonely Planet Traveller, tendo como objetivo a publicação de um artigo com cerca de 10 páginas sobre a região do Porto e Norte de Portugal".

* Bom para a economia e turismo nortenhos.

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.VI-TABU

AMÉRICA LATINA
2.Ayahuasca - Santo Daime



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HOJE NO
" CORREIO DA MANHÃ"

Diretores querem anular prova

Em causa estão desigualdades entre alunos dos ensinos público e privado no acesso ao Ensino Superior. 52 mil fizeram exame

O exame nacional de Português do Ensino Secundário, ontem realizado em dia de greve de professores, deve ser anulado de forma a permitir que todos os alunos possam fazer a prova em igualdade de circunstâncias. Em causa está, defende Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, a vantagem dos alunos do ensino privado sobre os do público, as desigualdades entre os cerca de 52 mil alunos que fizeram a prova e a tranquilidade dos 22 500 estudantes que a vão fazer no dia 2 de julho. O Ministério da Educação não comenta.

"Se o Ministério não anular este exame de Português, deveria permitir que todos fizessem a prova no dia 2", afirmou Manuel Pereira ao CM, explicando: "Alunos do privado e do público concorrem pelas mesmas vagas no Ensino Superior. Os do público viveram dias de incerteza, enquanto os do privado souberam sempre que o exame ia ser realizado. Dentro dos alunos do público, uns fizeram o exame com normalidade, outros com barulho e com invasões de sala. Já para não falar nos que não fizeram a prova por falta de professores. Não há igualdade."
Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, reconhece a existência de desigualdades, mas considera injusta a solução: "Seria criar uma injustiça para resolver uma injustiça."
Já a Confederação Nacional das Associações de Pais refere que "faz sentido dar oportunidade aos alunos onde existiram perturbações". "Desde o início que há uma desigualdade entre alunos do ensino público e privado", acrescentou.
Com a adesão à greve a rondar os 93%, segundo dados dos sindicatos dos professores Fenprof e FNE, muitas foram as escolas onde não foi possível realizar o exame ou onde existiram protestos. Em Lousada, tal como em Braga, alunos invadiram salas de aula por não poderem fazer o exame.
Os sindicatos também denunciaram ilegalidades, como a substituição de professores por cozinheiros ou técnicos da fala na vigilância da prova ou a realização de exames em cantinas e ginásios. O ministro da Educação garantiu que as perturbações serão analisadas caso a caso. 

* Era impensável haver no governo alguém que tivesse esta linha de pensamento.

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MILÚ

CANTIGA DA RUA




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HOJE NO
"O PRIMEIRO DE JANEIRO"

Aumento de suicídios e depressões 

O Movimento de Utentes da Saúde acusou hoje o Governo de não acautelar a situação dos utentes durante a crise, reagindo ao relatório do Observatório dos Sistemas de Saúde que refere um aumento dos suicídios e depressões. 

Para o porta-voz do Movimento de Utentes de Saúde (MUS), Manuel Villas-Boas, o relatório que refere que a crise provocou um aumento dos suicídios e das depressões e levou a que muitos portugueses [inclusive um terço dos idosos] não tenham dinheiro para comprar medicamentos, óculos ou aparelhos auditivos é “uma constatação da realidade”.


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde acusa o Ministério de ainda não ter feito um diagnóstico oficial aos efeitos da crise na saúde dos portugueses, num relatório que elogia a capacidade do ministro da Saúde, Paulo Macedo, “gerir os recursos disponíveis” de forma a pagar cerca de metade da dívida acumulada do Serviço Nacional de Saúde (SNS). 

“Chegámos à conclusão que este ministro da Saúde, em vez de procurar resolver os problemas dos utentes, conseguiu arranjar ainda mais problemas. Dá-nos a sensação que não temos um ministro da Saúde mas um pau-mandado do ministro das Finanças”, frisou. No Relatório Primavera 2013, que será hoje apresentado em Lisboa, o Observatório procura “mostrar a situação que se vive neste momento de grave crise”, analisando, entre outros dados, as medidas que foram introduzidas com o Orçamento de Estado para 2012, nomeadamente ao nível dos impostos e da Segurança Social, que resultaram na “redução do poder de compra”. Intitulado “Duas faces da saúde”, o documento apresenta os dois mundos que os autores afirmam existir: O “oficial, dos poderes”, em que “as coisas vão mais ou menos bem, previsivelmente melhorando a curto prazo, malgrado os cortes orçamentais superiores ao exigido pela ‘troika’ e a ausência de estratégia de resposta às consequências da crise na saúde da população” e o “da experiência real das pessoas”. 


O Observatório Português dos Sistemas de Saúde denuncia também a ausência de melhoramentos nos cuidados de saúde primários, apesar de estarem previstos no orçamento para 2012, e critica a escassa oferta de apoios a doentes em fase terminal. “Desde o início da crise que nós sempre dissemos que havia necessidade de uma gestão mais criteriosa, isto para eliminar custos incomportáveis e que seriam perfeitamente passiveis de ser eliminados”, disse o representante dos utentes. No entanto, Manuel Villas-Boas defende que, numa altura de crise, o Governo deveria olhar para os utentes, especialmente os idosos, de uma outra forma.

* E este ministério não é o pior....

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