09/10/2012

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 C L O T H





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HOJE NO
"DIÁRIO ECONÓMICO"

Concessão da ANA chumba no Eurostat, défice de 2012 em risco 

A "decisão preliminar" do Eurostat sobre a intenção do Governo de concessionar a ANA é "negativa". A informação está a ser avançada pelo Expresso online, que cita fonte governamental. Contactado pelo Económico, o Eurostat recusou tecer qualquer comentário, alegando que o dossier não está ainda fechado. O Económico tentou também obter esclarecimentos junto do Ministério das Finanças, que até agora não respondeu.

A concessão da ANA é um dos instrumentos extraordinários que Vítor Gaspar quer levar a cabo para conseguir um défice de 5% este ano. Segundo as contas apresentadas por Nuno Morais Sarmento, secretário de Estado do Orçamento, a concessão da ANA teria um impacto de 0,7% no défice. Morais Sarmento sublinhou na altura que faltava a "luz verde" do Eurostat, mas que a ‘troika' tinha já aceite essa receita extraordinária. Se o Eurostat chumbar a operação, Portugal pode falhar o objectivo do défice para este ano.

Segundo avançou fonte governamental ao Expresso, Gaspar estará por isso disposto a desafiar o Eurostat, avançando com a operação mesmo que haja um chumbo mais tarde.

Contactado pelo Económico, nem a ANA, nem o INE, nem o Ministério da Economia e das Obras Públicas estavam disponíveis para prestar qualquer esclarecimento.

* O governo mete os pés pelas mãos todos os dias, agora já se contradiz quanto ao despedimento dos trabalhadores da função pública, a verdade  é que estes ministros dão mais prejuízo ao país que um novo processo eleitoral e formação de novo governo, a questão é que não há alternativa e o processo eleitoral é feudal.

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VI . O MUNDO


SEM NINGUÉM

3-Águas da destruição


 


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HOJE NO
"CORREIO DA MANHÃ"

Fertagus dá descontos a desempregados 

A empresa Fertagus, responsável pela ligação ferroviária entre a Margem Sul do Tejo e Lisboa, anunciou esta terça-feira o lançamento de uma campanha de descontos para os desempregados nos títulos de transportes 

A Fertagus desenvolveu uma campanha que permite utilizar a linha ferroviária do Eixo Norte/Sul com descontos até 25% nos títulos ocasionais de comboio ou de autocarro (Sulfertagus), bastando para isso apresentar declaração do Instituto do Emprego e Formação Profissional da condição de desempregado.
"Esta campanha reflecte a política interna da empresa e coloca a Fertagus na linha da inovação social, tendo surgido de uma sugestão de um colaborador e valorizada até à sua implementação", refere Cristina Dourado, administradora da Fertagus, em comunicado.
A Fertagus tem ainda a decorrer desde o início de Setembro, para os alunos entre os quatro e os 23 anos, uma oferta de cinco euros no primeiro carregamento do passe.
Para os seniores, além dos habituais 25% de desconto para maiores de 65 anos, a Fertagus oferece um bilhete na aquisição de dois bilhetes para o mesmo percurso.  

* Um bom exemplo de solidariedade que provavelmente gerará receita não prevista. 
Porque outras empresas de transportes não adoptam esta medida??

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 APELO 
AO CONSUMO




















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HOJE NO
"O PRIMEIRO DE JANEIRO"

Comércio obrigado a pagar 
às PME a 30 dias 

O comércio vai ter novos prazos de pagamento e proibição de determinadas práticas restritivas, anunciou hoje a ministra da Agricultura, adiantando que o Governo quer aprovar os diplomas em Conselho de Ministros até ao final deste mês. 

Entre as propostas constam a proibição de impor decisões unilaterais aos fornecedores (como os descontos das grandes superfícies) e obrigação de pagar em 30 dias às pequenas empresas. 

 Assunção Cristas prometeu novidades já em outubro, à saída de mais uma reunião da Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA), afirmando que “a legislação está muito avançada”. 

 O Governo apresentou hoje às entidades com assento na PARCA (representantes dos agricultores, dos industriais e da distribuição) dois diplomas relativos a prazos de pagamento e práticas restritivas de comércio, e pediu às associações que se pronunciem até ao final da próxima semana. 

Os diplomas resultam de uma “síntese” dos vários contributos destas entidades, sendo agora esperados os seus comentários para fazer as afinações que forem necessárias, adiantou a ministra. 

Segundo Assunção Cristas, o que está proposto em termos de pagamentos é um prazo de 30 dias para as micro e pequenas empresas e organizações de produtores, que poderá, no entanto, vir a ser alargado a outras entidades.

* Calma, falta aprovar a lei que ainda é fantasma, regulamentá-la  para poder ser executada e até lá os donos da distribuição já arranjaram engenharia financeira para contornar a lei. 
Alguém se lembra se o "dumping" do Pingo Doce foi devidamente  punido,  havia legislação q.b..

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EKER SOMMER



Ineficácias 
Perdeu-se o norte e quase tudo, até o feriado do 5 de Outubro 

Não gosto de novelas. Nem de ficção nem da vida real. Irrita-me o drama arrastado, o labirinto sem saída, a lágrima sempre prestes a cair, a intriga previsível, a solução adiada. 

Prefiro a ação, o problema resolvido na hora, o touro agarrado pelos cornos. Talvez por isso há dias fiquei surpreendida comigo mesma ao dar por mim agarrada ao pequeno ecrã, completamente entregue à trama da célebre novela inspirada no romance de Jorge Amado, Gabriela. E isso não pela beleza estonteante da protagonista nem pela história dos seus amores com o patrão, mas sim por uma greve de quengas. Sim, isso mesmo, uma greve de quengas ou, se preferirmos num português europeu menos prosaico, de prostitutas. 

A ideia não lembra ao diabo mas está ao nível da genialidade do autor do enredo que, a propósito de uma procissão para fazer chuva em tempo de seca, põe a seco os imponentes coronéis do sítio para que estes aceitem que a Virgem saía à rua com um manto bordado por mulheres da vida e que estas, as ditas quengas, saiam à rua também, acompanhando a Santa e as castas esposas daqueles. 

Tudo junto em romaria, o bem e o mal, a virtude e o pecado, tudo em procissão para que o céu se compadeça, abra as comportas e regue o cacau, o ouro doce em que assenta o poder dos senhores da terra. Quem viu, sabe como foi. As quengas queriam ir, as senhoras dos coronéis não queriam que as quengas fossem. Os coronéis, esses só queriam chuva, pelo que optaram por ficar fora do barulho. 

O galinheiro que se entendesse até porque em guerra de mulheres, ainda mais se entre virtuosas e pecadoras for, não há homem que meta a colher. Nenhuma das beligerantes vergou. Nem a Zarolha, a quenga que em má hora se lembrara de bordar o véu e a quem até já fora prometida uma valente surra pela ousadia. O impasse instalou-se e, enquanto não se resolvesse, não havia procissão nem chuva para ninguém. O coronel dos coronéis compreendeu-o e, como estratega nato que era, percebeu como resolver o imbróglio. Nada mais, nada menos que com uma greve ao sexo. A ideia, com efeito, foi dele e contra os dele, mas até hoje ninguém o soube, já que a política é mesmo assim, um mar de subtis traições onde, pela calada, se urdem acordos e a culpa morre sempre solteira. 

Convocada, pois, a greve, foi só pô-la em prática. Para total e absoluto desespero dos coronéis, verdadeiros garanhões no cio subitamente privados de dar prova da sua macheza ou, no português de Portugal, da sua virilidade. Isto, claro está, porque não se esqueça que, no português do Brasil, as safadezas de cama estão sempre interditas aos santuários das esposas, ventres talhados apenas para conceber futuras gerações de coronéis. E ponto final. 

Resta dizer que a abstinência do corpo pôde mais do que o desejo de chuva, razão pela qual não houve coronel que, solicitado a pronunciar-se sobre a participação das quengas na procissão, não votasse a favor destas e contra a mãe dos seus filhos. E, assim, quem antes lavara as mãos como Pilatos agora metia as mesmas mãos à obra e resolvia a procissão que não tardou a sair com quengas de um lado e senhoras bem casadas do outro e ainda, segundo o que parece, com o assentimento divino que fez cair dos céus a tão cobiçada água, resolvendo a Providência o que fora chamada a resolver. O problema extinguira-se. Eficazmente e para gáudio dos envolvidos.

Confesso que é disto que eu gosto, de eficácia. Mesmo que seja a eficácia de uma greve de quengas. Não gosto do faz de conta e, muito menos, de ilusões. Não gosto de dourar a pílula nem de soluções de 360 graus que deixam tudo exatamente como estava ou pior. Por isso, porque gosto de eficácia e de problemas resolvidos com inteligência, ando fula com a ineficácia deste país que por acaso só tem coronéis para o que não interessa. Nada de novo, é certo, mas nem por isso menos revoltante.
Na verdade, estou cansada do crescente desgoverno do governo, da alienação de alguns governantes que ainda acreditam em cabalas contra si e os seus, da guerrilha oca e oportunista da oposição e até de manifestações populares que de nada adiantam porque não há nada para adiantar. 

Saiam à rua dez, cem ou milhares o resultado é nulo. Simplesmente porque toda a resolução é ineficaz neste Portugal feito à medida da troika. Perdeu-se o norte e quase tudo, até o feriado do 5 de outubro. Restam-nos hoje, como dizia o poeta, a saudade e o mar universal. E, porque não?, acrescento eu, Gabriela, o espaço da ficção onde ainda há homens que tomam decisões eficazes. E resolvem problemas.

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS DA MADEIRA"
05/10/12

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