01/04/2012

16- VULTOS DA CULTURA DA TERCEIRA REPÚBLICA »»» vitorino nemésio


Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva (Praia da Vitória, 19 de Dezembro de 1901 — Lisboa, 20 de Fevereiro de 1978) foi um poeta, escritor e intelectual de origem açoriana que se destacou como romancista, autor de Mau Tempo no Canal, e professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Biografia
Filho de Vitorino Gomes da Silva e Maria da Glória Mendes Pinheiro, na infância a vida não lhe correu bem em termos de sucesso escolar, uma vez que foi expulso do Liceu de Angra, e reprovou o 5.º ano, fato que o levou a sentir-se incompreendido pelos professores. Do período do Liceu de Angra, apenas guardou boas recordações de Manuel António Ferreira Deusdado, professor de História, que o introduziu na vida das Letras.

Com 16 anos de idade, Nemésio desembarcou pela primeira vez na cidade da Horta para se apresentar a exames, como aluno externo do Liceu Nacional da Horta. Acabou por concluir o Curso Geral dos Liceus, em 16 de Julho de 1918, com a qualificação de dez valores.

A sua estadia na Horta foi curta, de Maio a Agosto de 1918. A 13 de Agosto o jornal O Telégrafo dava notícia de que Nemésio, apesar de ser um fedelho, um ano antes de chegar à Horta, havia enviado um exemplar de Canto Matinal, o seu primeiro livro de poesia (publicado em 1916), ao director de O Telégrafo, Manuel Emídio.

Apesar da tenra idade, Nemésio chegou à Horta já imbuído de alguns ideais republicanos, pois em Angra do Heroísmo já havia participado em reuniões literárias, republicanas e anarco-sindicalistas, tendo sido influenciado pelo seu amigo Jaime Brasil, cinco anos mais velho (primeiro mentor intelectual que o marcou para sempre) e por outras pessoas tal como Luís da Silva Ribeiro, advogado, e Gervásio Lima, escritor e bibliotecário.
CASA DAS TIAS -PRAIA DA VITÓRIA

Em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, a Horta possuía um intenso comércio marítimo e uma impressionante animação nocturna, uma vez que se constituía em porto de escala obrigatória, local de reabastecimento de frotas e de repouso da marinhagem. Na Horta estavam instaladas as companhias dos Cabos Telegráficos Submarinos, que convertiam a cidade num "nó de comunicações" mundiais. Esse ambiente cosmopolita contribuiu, decisivamente, para que ele viesse, mais tarde a escrever uma obra mítica que dá pelo nome de Mau Tempo no Canal, trabalhada desde 1939 e publicada em 1944, cuja acção decorre nas ilhas Faial, Pico, São Jorge e Terceira, sendo que o núcleo da intriga se desenvolve na Horta.

Este romance evoca um período (1917-1919) que coincide em parte com a sua permanência na ilha do Faial e nele aparecem pessoas tais como o Dr. José Machado de Serpa, senador da República e estudioso, o padre Nunes da Rosa, contista e professor do Liceu da Horta, e Osório Goulart, poeta.
Em 1919 iniciou o serviço militar, como voluntário na arma de Infantaria, o que lhe proporcionou a primeira viagem para fora do arquipélago. Concluiu o liceu em Coimbra (1921) e inscreve-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Três anos mais tarde, Nemésio trocou esse curso pelo de Ciências Histórico Filosóficas, da Faculdade de Letras de Coimbra, e, em 1925, matriculou-se no curso de Filologia Românica.

Na primeira viagem que faz à Espanha, com o Orfeão Académico, em 1923, conheceu Miguel Unamuno, escritor e filósofo espanhol (1864-1936), intelectual republicano, e teórico do humanismo revolucionário antifranquista, com quem trocará correspondência anos mais tarde.

A 12 de Fevereiro de 1926 desposou, em Coimbra, Gabriela Monjardino de Azevedo Gomes, com quem teve quatro filhos: Georgina (Novembro de 1926), Jorge (Abril de 1929), Manuel (Julho de 1930) e Ana Paula (final de 1931).

Em 1930 transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde, no ano seguinte, concluiu o curso de Filologia Românica, com elevadas classificações, começando desde logo a leccionar literatura italiana. A partir de 1931 deu inicio à carreira académica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde leccionou Literatura Italiana e, mais tarde, Literatura Espanhola.

Em 1934 doutorou-se em Letras pela Universidade de Lisboa com a tese A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

 Les savants se rencontrent dans les mots : [1.º v.] / [Vitorino Nemésio]. — 1972 Maio 12. — [1] p. em guardanapo de papel ; 19 x 18 cm
Autógrafo a esferográfica vermelha, com o último verso e a data a lápis, sobre guardanapo de papel do «RESTAURANTE CHINA, CUISINE CHINOISE, SPÉCIALITÉS, NOVIDADES, RUA ANDRADE CORVO, 7 […], LISBOA». Poema em francês, publicado com título retirado do carimbo do suporte «Cuisine chinoise». — Data entre parêntesis rectos: «[12.V.72]». — Publicado em Limite de idade: poemas. Lisboa: Estúdios Cor, 1972. P. 12, no verso de página com dedicatória a Aurélio Quintanilha.

Entre 1937 e 1939 leccionou na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado, neste último ano, ao ensino na Faculdade de Letras de Lisboa.

Em 1958 leccionou no Brasil.

A 12 de Setembro de 1971, atingido pelo limite legal de idade para exercício de funções públicas, profere a sua última lição na Faculdade de Letras de Lisboa, onde ensinara durante quase quatro décadas.
A Casa mais pequena é um "Império" símbolo da tradição religiosa nos Açores
Foi autor e apresentador do programa televisivo Se bem me lembro, que muito contribuiu para popularizar a sua figura e dirigiu ainda o jornal O Dia entre 11 de Dezembro de 1975 a 25 de Outubro de 1976.

Foi um dos grandes escritores portugueses do século XX, tendo recebido em 1965, o Prémio Nacional da Literatura e, em 1974, o Prémio Montaigne.

Faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa, no Hospital da CUF, e foi sepultado em Coimbra. Pouco antes de morrer, pediu ao filho para ser sepultado no cemitério de Santo António dos Olivais, em Coimbra. Mas pediu mais: que os sinos tocassem o Aleluia em vez do dobre a finados. O seu pedido foi respeitado.

Obra

Vitorino Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista, investigador, epistológrafo, filólogo e comunicador televisivo, para além de toda a actividade de docência.

Levou a cabo, na sua obra, uma transformação das tendências da Presença (que de certa forma precedeu), que garantiu a eternidade dos seus textos. Fortemente marcado pelas raízes insulares, a vida açoriana e as recordações da sua infância percorrem a obra do escritor, numa espécie de apelo, revelado pela ternura da sua inspiração popular, pela presença das coisas simples e das gentes, e pela profunda humanidade face à existência e ao sofrimento da vida humana.

Entre as suas principais obras contam-se:

Poesia
O Bicho Harmonioso (1938)
Eu, Comovido a Oeste (1940)
Nem Toda a Noite a Vida (1953)
O Verbo e a Morte (1959)
Canto de Véspera (1966)
Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976)

 Ficção
Paço de Milhafre (1924)
Varanda de Pilatos (1926)
Mau Tempo no Canal (1944), romance galardoado com o Prémio Ricardo Malheiros;

Ensaio e Crítica
Sob os Signos de Agora (1932)
A Mocidade de Herculano (1934)
Relações Francesas do Romantismo Português (1936)
Ondas Médias (1945)
Conhecimento de Poesia (1958)

 Crónica
O Segredo de Ouro Preto (1954)
Corsário das Ilhas (1956)
Jornal do Observador (1974).

 A Ficção em Vitorino Nemésio
Os trechos de inspiração açoriana são bastante significativos na sua obra notando-se a presença de infantis lembranças, e amores, dores e agoiros de figuras de humildes que nestas páginas ficam vivendo, sob a obsessão circundante do mar, na opinião de Afonso Lopes Vieira. A sua experiência de ilhéu encontra-se presente na sua obra em geral, cuja vida no domínio da ficção se inicia em 1924 com a publicação do volume de contos Paço do Milhafre prefaciada por Afonso Lopes Vieira, e mais tarde rebaptizada com o título O Mistério do Paço do Milhafre, tendo sido publicada em 1949.

Vitorino Nemésio ao longo de toda a sua carreira literária nunca deixou de surpreender os demais. O escritor nos seus romances conseguiu transmitir uma certa originalidade de escrita, sobretudo na descrição dos lugares e no desenho das personagens, e até dar uma certa generosidade humana que se pode presenciar em Varanda de Pilatos, (obra publicada em 1927) e no volume de novelas A Casa Fechada, constituída por três histórias: O Tubarão, Negócio de Pomba e A Casa Fechada Em relação a esta última história, a crítica foi bastante positiva e unânime, tendo sido considerada uma obra excepcional.

Contudo houve uma obra romanesca, mais complexa, variada, densa e subtil que é Mau Tempo no Canal, obra incomparável na literatura portuguesa do século XX. Este romance havia já sido "ensaiado" pela novela Negócio de Pomba, isto é, esta possui muitos aspectos que irão ser tratados a posteriori naquele romance.

Depois de ter escrito Mau Tempo no Canal, pode-se afirmar que Vitorino Nemésio nunca mais voltou aos trilhos do romance. Ele próprio afirma num inédito do seu espólio Morro autor de um romance único. Mau Tempo no Canal corresponde ao momento mais alto da sua vasta produção literária e é uma das obras-primas da literatura portuguesa.

Ao visitar a Horta pela segunda vez, em 1946, escreveu em Corsário das Ilhas: Gosto da Horta como de nêsperas. Tinha saudades do que fui, já nem sei bem como, aqui. Todo o imaginado é mais ou menos frustrado quando o realizamos; mas na Horta não é bem excedido […]. Matriz no alto onde foram as casas do donatário flamengo e que os jesuítas adaptaram, como sempre, cubicular e faustosamente, mais duas ou três igrejas conventuais nos altos; a cada ponta, ou sainte, as paróquias da Conceição e das Angústias, e o mais que é preciso para completar uma cidadezinha airosa alva como uma noiva – Horta, ou seja, trinta anos depois, Nemésio continuava a recordar os primores do acolhimento, a hospitalidade patriarcal, a gentileza em tudo e por tudo.

Outros géneros narrativos
Dentro do género narrativa, para além da obra de ficção, Vitorino Nemésio escreveu e publicou obras de natureza biográfica: desde logo o seu doutoramento tratou a vida de Alexandre Herculano. Escreveu igualmente uma biografia de Isabel de Aragão, a Rainha Santa.

Também escreveu crónicas das viagens que fez ao Brasil, aos Açores e à Madeira e publicou ensaios sobre temas diversos, como temas portugueses e brasileiros, um ensaio sobre Gil Vicente e também crítica de poesia.

A Poesia em Vitorino Nemésio
Nemésio é sobretudo um poeta, tal como ele próprio o afirma, uma vez que escrever poesia foi uma actividade ininterrupta mantida desde 1916 (com o Canto Matinal) até 1976 (Era do Átomo Crise do Homem). Entre as suas principais obras poéticas contam-se:

O Bicho Harmonioso (publicada em 1938)
Eu, Comovido a Oeste (publicada em 1940)
Festa Redonda (publicada em 1950)
Nem toda a Noite a Vida (publicada em 1952)
O Pão e a Culpa (publicada em 1955)
O Verbo e a Morte (publicada em 1959)
Sapateia Açoriana (publicada em 1976)

Na opinião de Óscar Lopes, falando a respeito da poesia nemesiana, ele diz-nos que os volumes de versos se podem agrupar em dois ciclos distintos e que se intersectam na obra Nem toda a Noite a Vida que é o mais heterogéneo de todos.

No primeiro ciclo a temática está relacionada com a insularidade, com a saudade à ilha, à infância, à adolescência, ao pai e ao seu primeiro amor proibido. Toda esta temática está bem visível em O Bicho Harmonioso e em Eu, Comovido a Oeste.

No segundo ciclo já se nota uma transmutação de temas, enveredando para uma temática religiosa e metafísica. Coloca questões acerca da vida e da morte, do ser (devir e permanência do ser), e da busca de sentido para a existência. Por isso o poeta é identificado com a corrente filosófica existencialista. A par desta poesia erudita o poeta cultiva também uma poesia popular profundamente marcada por símbolos de açorianidade, pelo que muitas vezes é acusado de regionalismo literário na sua obra.

Outras actividades

A par da sua actividade literária e de docência, Vitorino Nemésio dava conferências (foi numa das viagens à Espanha para dar uma conferência que acabou por conhecer pessoalmente Miguel Unamuno), colaborava com a RTP (Se Bem Me Lembro), bem como em várias revistas e jornais ( Seara Nova, Presença, O Diabo e Diário Popular), fundou e dirigiu em conjunto com outros jornais e revistas Gente Nova), foi redactor de jornais e assumiu a direcção do jornal O Dia, no fim da sua carreira profissional.

O conceito de Açorianidade
O conceito de "Açorianidade" foi definido por Nemésio em 1932 e, desde então, foi amplamente divulgado em contextos bem diferenciados, desde estudos de âmbito literário a intervenções de ordem política. Naquele ano, por ocasião do V Centenário do Descobrimento dos Açores, afirmou:

"(...) Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; e logo o sentimento de uma herança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.
Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições, com um temperamento e uma forma literária cépticos, - o basco espanhol Baroja, - escreveu um livro chamado Juventud, Egolatria 'O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio'. Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto do mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes (...)
Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quási religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água (...)
(...) Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo - e o tempo é espírito em fieri (...)
Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.
Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba."

Posteriormente, em 1975, em quatro novos textospublicados no Diário Insular, o mesmo foi retomado e aprofundado. É o próprio Nemésio que recorda:

"Outro sintoma linguístico da impulsividade afirmativa dos Açores como etnia ou espaço geográfico originais está no emprego da palavra 'açorianidade'. Quem escreve estas linhas passa por inventor desse vocábulo, há bons quarenta anos. Luís Ribeiro, o insigne etnógrafo e jurisconsulto açoriano de 'Os Açores de Portugal' - opúsculo de grande valia, pela posição de contraste, para o emancipalismo de hoje - foi um dos que generosamente me 'patentearam' por tão pobre criação vocabular. Porque lia então muitos ensaístas espanhóis, incluindo o clássico Pi y Margall de 'Las nacionalidades', decalquei sobre 'hispanidade e argentinidade' (Unamuno) o meu 'açorianidade' ".

IN "WIKIPÉDIA"

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VIEIRA DO MINHO
DISTRITO DE BRAGA


















Vieira do Minho é uma vila portuguesa no Distrito de Braga, região Norte e sub-região do Ave, com cerca de 2 200 habitantes.

É sede de um município com 218,05 km² de área e 12 997 habitantes (Censos 2011), subdividido em 21 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Terras de Bouro, a norte e leste por Montalegre, a sueste por Cabeceiras de Basto, a sul por Fafe, a sudoeste por Póvoa de Lanhoso e a noroeste por Amares.

O ponto mais elevado do concelho situa-se no Alto do Talefe, com a altitude de 1262 metros.

Vieira do Minho localiza-se num local com uma paisagem priveligiada, bem no coração do Minho, como o próprio nome indica.
Vila Portuguesa, sede do Município mais montanhoso do Distrito de Braga, é caracterizada pelas maravilhosas serras que a rodeiam: a Serra do Gerês e a da Cabreira.
A região apresenta inúmeros vestígios arqueológicos, símbolos de presenças humanas bem antigas que escolheram esta zona de idílica beleza natural, árida e de férteis terrenos.
De carácter notoriamente agrícola, ocupando parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês a região de Vieira do Minho tem na sua paisagem e na tradição do seu povo o seu grande encanto. Diversas unidades de turismo rural e de habitação e organização das mais variadas actividades de ar livre aqui têm lugar, e quem aqui vem, decerto promete voltar.
CÂMARA MUNICIPAL
A gastronomia marcadamente Minhota faz as delicias dos seus visitantes, desde a tradicional vitela barrosã, ao cabrito, aos muitos pratos de bacalhau, ao famoso cozido à portuguesa, aos rojões e papas de sarrabulho, ou ao queijo e mel de qualidade.
Na região existem quatro barragens: a barragem do Ermal, a da Caniçada, a de Salamonde e a de Venda Nova.

HISTÓRIA

De origem antiga, como o atestam inúmeros elementos arqueológicos, as freguesias que actualmente integram Vieira pertenceram antigamente a vários concelhos, termos, coutos e vilas, hoje extintos:

Caniçada, Cova, Salamonde, Soengas e Ventosa, pertenceram ao concelho de Ribeira de Soás, deu-lhe foral D. Manuel em 1515;
Parada de Bouro foi pertença do Couto de Parada de Bouro, criado por D. Sancho I, que o deu à famosa Ribeirinha; Cantelães, Eira Vedra, Mosteiro, Pinheiro, Tabuaças, Vieira e Vilarchão, compunham o concelho de Vieira;
Campos e Ruivães eram terras do concelho de Ruivães;
Anjos e Rossas pertenceram ao Concelho de Rossas, a quem D. Manuel concedeu foral em 1514;
Guilhofrei que pertenceu ao concelho de Vila Boa da Roda, com foral de 1514, autorgado por D. Manuel e por último Soutelo e Louredo pertenciam ao Concelho de Lanhoso, que tem foral dado por D. Dinis em 1292.
A antiguidade da ocupação humana das terras que hoje integram o concelho de Vieira do Minho pode ser atestada pelos inúmeros testemunhos arqueológicos que podem ser vistos no concelho, com particular destaque para a área da Serra da cabreira, território ocupado desde a pré-história e as localidades de Salamonde e Ruivães, onde a presença militar de diferentes povos, com destaque para os romanos, atestam o valor estratégico desta área no controle das principais vias de penetração na província. As mamoas, menires, gravuras rupestres , fojos medievais, necrópoles neolíticas, povoações romanas, castros, além de vários utensílios de barro, ferro e outros metais, são exemplos do filão arqueológico da região, bastante subexplorado aliás.

Da época romana, ainda existem vestígios de alguns troços da via XVII do itinerário Antonino que ligava Braga, Chaves a Astorga, e vestígios de antigos povoados dessa época, é exemplo disso o povoado de S. Cristovão - Ruivães

Pela extrema importância na estratégia militar, a região sofreu os efeitos da penetração dos diversos povos que invadiram a península, desde os Suevos aos Romanos, e bem mais recentemente dos exércitos Napoleónicos. De facto, na Primavera de 1809, o concelho foi duas vezes atravessado pelas tropas do marechal Soult: a primeira em 15 de março, em impetuoso avanço a caminho de Braga. A segunda, a 17 de Maio, em retirada precipitada pela ponte da Misarela, no dia exacto em que as forças anglo-lusas de Wellesley chegavam ao alto de Salamonde, com o objectivo, frustrado, de lhes atalhar o passo.

Este seu pendor para o envolvimento na guerra determinou igualmente que Vieira se envolvesse nas guerras liberais, presenciando Ruivães duros combates entre liberais e absolutistas, e pouco depois, em Abril de 1846, Vieira entusiasma-se com o movimento popular da “ Maria da Fonte” onde teve a sua origem e onde habitava o seu mentor: padre Casimiro José Vieira.
CARTA  DE FORAL

Estas breves notas são bem o testemunho da história de Vieira do Minho, feita mais da sua valia estratégica, que da memória dos homens consubstanciada em monumentos e urbes.

A constituição da sede de Concelho foi definida pelo Decreto-Lei Nº22593 de 29-05-1933, no lugar de Brancelhe. Foram então desanexados 11 lugares da freguesia do Mosteiro e 1 de Cantelães, constituindo-se assim a freguesia de Vieira do Minho.


PATRIMÓNIO

ARQUEOLÓGICO

Fojos da Cabreira
Armadilhas de caça
O conjunto monumental designado por Fojos da Cabreira situa-se na linha de cumeada formada por Cortegacinhas, Alto do Seixo, Pau da Bela e Trovão, implantando-se no início da vertente Sul dessa cumeada. A sua área de implantação abrange as freguesias de Anjos, Ruivães, Rossas, Campos e Vilarchão.
O conjunto é constituído por três construções independentes entre si, possuindo, no entanto, características morfológicas semelhantes. Cada uma é formada por dois paredões que convergem para um poço, configurando uma planta em V. A baliza cronológica proposta para os fojos engloba o espaço temporal compreendido entre os finais do século XVII – Fojo do Ribeiro do Fojo e Fojo da Ribeira das Figueiras Bravas - e a segunda década do século XX – Fojo Novo.
 Foi localizado e identificado recentemente um quarto fojo - o Fojo da Alagôa - na zona da Serradela. Este fojo vinha referido na bibliografia como estando destruído.
Os Fojos da Cabreira são armadilhas de caça defensiva, no caso para a captura do lobo. A batida aos lobos era feita a partir da base da vertente Noroeste do Maciço da Cabreira, em direcção aos fojos. A descida da vertente implicava a entrada no fojo, em direcção ao poço onde, uma vez aprisionados, eram abatidos.

Cabanas da Serradela
Abrigos de pastor
Poucos metros a Noroeste das Casas Florestais da Serradela situam-se duas construções, de planta circular e de aparelho construtivo rudimentar. Junto à estrada encontra-se outra cabana, apresentando características construtivas análogas. Tratam-se de abrigos de pastor, de tipologia semelhante aqueles presentes nas serras, um pouco por todo o Noroeste português.

Foram utilizadas pelas populações rurais que enviavam o gado para as serras, muitas vezes em sistema de vezeira. As cabanas protegiam o pastor dos elementos climatéricos que as utilizavam, igualmente, para pernoitar na serra quando assim era necessário.
A cronologia proposta para estes abrigos insere-se na Época Moderna.

Ponte de Campos
Esta ponte faz a passagem sobre o rio Lage, na freguesia de Campos.
Tradicionalmente, a ponte de Campos é referida como tratando-se de uma ponte romana. Na realidade, com base nas características construtivas, sua construção deverá reportar-se à época Tardo - Medieval ou mesmo Moderna.





Pedra Escrita
Arte rupestre/ Marco territorial
A Pedra Escrita situa-se numa zona escarpada, com ampla visibilidade sobre o vale do Turio, onde afloram blocos graníticos. No plano vertical de uma das massas graníticas observam-se gravações, de profundidade variável. 

Os motivos identificados são motivos cruciformes (em cruz), motivos circulares, observando-se, ainda, alguns números e letras de difícil leitura. Coloca-se a hipótese que as sucessivas gravações na rocha testemunhem uma acção continuada de demarcação de limites territoriais.
Com base na data que se encontra gravada – 1790 -, assim como na tipologia dos motivos cruciformes, a cronologia do monumento deverá reportar-se à época Moderna.

MONUMENTOS (alguns)

Alminha da Senhora da Piedade 
LOCAL: Campos








Alminhas de encruzilhada de caminhos, de cariz popular e com destaque para a imagem de Nossa senhora da Piedade.

Casa de Sorilhal em Vieira do Minho
LOCAL:Aldeia
Solar de planta retangular, composta por casa de habitação e capela. As fachadas da casa são simples e sóbrias, em contraste com a fachada da capela que tem vários motivos decorativos.


Estátua de homenagem ao Homem e à Serra em Vieira do Minho

Praça Doutor Guilherme de Abreu
LOCAL: Vieira do Minho

Igreja de São João Baptista em Vieira do Minho
LOCAL: Mosteiro
Também conhecida como Igreja do Mosteiro, tem planta longitudinal de uma só nave, com capela-mor e sacristia. Destaque para o lavabo da sacristia com um excelente trabalho de cantaria.



Hospital de Vieira do Minho
Praça Doutor Guilherme de Abreu
LOCAL:Vieira do Minho
Hospital de planta irregular, composta por corpos justapostos, com uma decoração simples. O facto de a construção do hospital ter demorado muito está patente nalgumas características arquitetónicas de início do século, tendo a sua inauguração tomado lugar 20 anos depois.

Forno Comunitário de Lamalonga
LOCAL: Lamalonga, 







Forno comunitário com cobertura e tendal.

Igreja Matriz de Campos
LOCAL: Campos, Vieira do Minho

Igreja barroca com planta longitudinal de uma só nave. Os elementos decorativos da fachada fazem com que a verticalidade seja mais acentuada.




Museu Etnográfico de Guilhofrei
LOCAL:Assento
Este Museu Etnográfico tem alfaias e engenhos usados em tempos antigos pela população da freguesia e arredores na agricultura, principal meio de subsistência.




Igreja Matriz de Vieira do Minho









Rua Doutor António Luís Reis Ribeiro (EN 304)


AO AR LIVRE

Zona de Lazer de Agra
LOCAL: Agra
 Espaço agradável cheio de ar puro e rodeado de natu reza.

Parque de Merendas de Serradela
LOCAL: Serradela
Parque agradável com bancos e mesas e muita sombra.

Parque Florestal 

Rua Doutor António Luís Reis Ribeiro
LOCAL: Vieira do Minho
Relvado e canteiros bem cuidados e apropriados no contexto em que se situam.

Barco Turístico
LOCAL: Eirós
45 minutos de viagem de barco pelo rio Cávado, no barco Brancelhe. Com capacidade máxima para 47 pessoas, por 4€ cada pode observar as magníficas paisagens serranas dos concelhos de Vieira do Minho, Terras de Bouro e Montalegre.


Parque Florestal da Serra da Cabreira
LOCAL:Pinheiro
O relevo montanhoso, as apelativas albufeiras e os límpidos cursos de água são a melhor riqueza de Vieira do Minho. O Parque Florestal tenta preservar a natureza bucólica da Serra da Cabreira.


Percurso Pedestre da Ponte da Misarela
LOCAL: Aldeia de Sidrós
Percurso pedestre que inicia em Sidrós e termina na aldeia de Salamonde, defronte à orla sul do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Durante o tempo todo vai observar encostas verdejantes, enquadradas nas águas azuis da albufeira de Salamonde. Aconselha-se que faça a caminhada na primavera ou no outono.



Economia
A economia de Vieira do Minho baseia-se na agricultura e na criação de gado, principalmente bovino. Num sistema caracterizado pela policultura, cultiva-se o milho e a batata, e produz-se o vinho verde. 

O pequeno comércio, a indústria de transformação de madeiras, a construção civil e os serviços completam as principais atividades do concelho. O turismo, assente no património ambiental, apresenta enormes potencialidades para o desenvolvimento económico. Este concelho desempenha um papel fundamental na produção energética do país, visto que aqui se localizam quatro aproveitamentos hidroelétricos - barragens da Caniçada, Ermal, Salamonde e Venda Nova.

Projectos Sociais
O Projecto Incluir visa promover a inclusão social de crianças e jovens provenientes de contextos económicos mais vulneráveis, dos 6 aos 24 anos, do Concelho de Vieira do Minho.

Para além das conhecidas áreas de inclusão escolar e educação não formal, da dinamização comunitária e da inclusão digital, esta nova geração, tem mais uma nova área de intervenção: o empreendadorismo e capacitação que visa o “empowerment” dos jovens para que possam ser agentes activos do seu próprio futuro.

Para a concretização destes objectivos o Projecto continua a aposta em acções dentro do espaço escolar, implementando actividades que visem o sucesso escolar e a diminuição do risco do abandono e do abandono escolar efectivo.

Paralelamente desenvolvem-se actividades que visem a melhoria de competências pessoais e sociais dos destinatários, através da dinamização de actividades artísticas e culturais que promovam a sua participação na sociedade e conduzam a um espírito de cidadania activo nos mais jovens. 

Como mecanismo valioso de promoção do sucesso educativo apoia-se também na inclusão digital através da utilização lúdica e recreativa das novas tecnologias da educação, dinamizando um espaço net, situado na Freguesia de Rossas.

O Projecto tem como parceiros privilegiados a Câmara Municipal de Vieira do Minho, a ADIR (Associação Defensores dos Interesses de Rossas), e o Agrupamento de Escolas Vieira de Araújo.

Gastronomia
A cozinha vieirense está profundamente marcada pelos sabores rurais e serranos, e pelo aproveitamento dos produtos endógenos que possibilitam a confecção de iguarias verdadeiramente tentadoras.
No inverno e depois dos presuntos e enchidos estarem secos e curados, o mais afamado manjar tradicional, as Couves com Feijões, recheia as mesas do concelho.

A vitela assada no forno é outro prato clássico da gastronomia vieirense. A carne Barrosã, gado que pastoreia grande parte do ano nos pastos verdejantes da Serra da Cabreira, pode ser degustado nos restaurantes ou adquirida nos talhos da região.

Para completar o cardápio, não podemos deixar de referir outras especialidades da terra que merecem ser destacadas, tais como o Cabrito, o Anho, os Barquilhos, as Rabanadas, o Leite-creme, o Pudim, entre outros.

Artesanato
O artesanato caracteriza-se por uma simplicidade de todo o processo de produção que permite a concentração de uma só pessoa, desde a concepção e desenvolvimento até à contemplação final da obra e seu destino, tornando-se assim o artesão no único responsável pela obra.

O artesanato de Vieira do Minho é caracterizado essencialmente pelo trabalho em cobre. Ainda hoje é possível encontrar algumas oficinas de artesãos que trabalham este metal.

Além do Artesanato em Cobre, existe ainda o artesanato de tecelagem e bordados tradicionais, que conhecem hoje um considerável vigor, tendo vindo a aumentar o número daqueles que a eles se dedicam.

A cestaria apesar de ser uma “arte” menos expressiva no Concelho, também pode ser encontrada em alguns pontos deste Concelho, nomeadamente em Parada de Bouro.


IN:
- WIKIPEDIA
- SITE DO MUNICÍPIO
- http://www.igogo.pt/pontos-turisticos-vieira-do-minho


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VIEIRA DO MINHO

OLHARES



  
vv

 


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19 - DOMINGUICES







m Ainda é muito cedo

 

BOM
 DOMINGO 




n
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A PAIXÃO DE CRISTO


UM FILME DE MEL GIBSON



VEJA EM ECRÃ TOTAL


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