09/09/2011

HELENA CRISTINA COELHO


Imposto para inglês ver


Situações excepcionais exigem medidas excepcionais. E, em cenário de crise, esperam-se acções de emergência. Quando os governos de França e Inglaterra, ainda em 2009, decidiram aplicar uma taxa extraordinária sobre as remunerações variáveis no sector financeiro, agiram motivados por estes argumentos, já com a crise financeira como pano de fundo.

Para rendimentos excepcionais, cria-se um imposto de excepção, terão pensado o presidente Nicolas Sarkozy e o então primeiro ministro britânico Gordon Brown. E se bem o pensaram, melhor o aplicaram.

A ideia de usar esta medida adicional de tributação para reforçar a receita fiscal agradou a muitos governantes europeus, incluindo José Sócrates, que não tardou em importar a ideia para o sistema financeiro português. O Orçamento do Estado para 2010 incluiu então essa medida extraordinária que tributava, em sede de IRC, os bónus e outros rendimentos variáveis de gestores de sociedades financeiras e instituições financeiras. Estas são as regras. Agora vamos a contas.

No Reino Unido, esta tributação aplicada sobre os bónus rendeu aos cofres públicos um montante ligeiramente acima de 2,6 mil milhões de euros. No caso francês, a mesma medida extraordinária resultou numa receita fiscal de 360 milhões de euros. E, em Portugal, surpresa: as Finanças conseguiram amealhar 183 mil euros. Sim, leu bem: foram milhares, não milhões. E bem pode dizer que amealharam, porque um valor assim conta-se como se fossem trocos, que se juntam aos poucos e se guardam num honrado, mas modesto mealheiro. Escusado será dizer que uma receita destas tem um impacto tão grande nas contas do Estado português como um alfinete a servir de bandarilha num touro enraivecido.

Tanto ingleses como franceses perceberam a tempo que uma medida como esta só seria realmente eficaz se não se aplicasse exclusivamente a um pequeno grupo de gestores. Por isso, aplicaram-na a um universo muito mais vasto de profissionais, logo, com maior potencial de rendimentos para tributar. Depois, foram claros a explicar como e onde pretendiam aplicar o dinheiro resultante dessa tributação - no caso de França, destinava-se a uma instituição pública de financiamento à inovação e apoio a pequenas e médias empresas. Por cá, pouco ou nada mudou. E o que se fez, correu mal. O imposto extraordinário foi mais uma arma política do que uma ferramenta fiscal. Deram-se uns tirinhos para o ar, fez-se barulho, mas no final falhou-se o alvo. Privilegiou-se a demagogia do discurso, que defende a tributação sobre os que muito ganham e sobre os bancos que, como afirmou Fernando Ulrich na altura, carregam a culpa da "bagunça" financeira que se instalou. A questão volta agora à baila quando se fala em agravar impostos no sector financeiro. Resta perceber se, a avançarem medidas extraordinárias como esta, elas serão usados com justiça, em que todos contribuem com medidas excepcionais para reagir a uma situação excepcional. Ou se, por outro lado, serão aplicadas como um castigo a alguns afortunados. A excepção, neste caso, não devia fazer a regra.


 Subdirectora

IN "DIÁRIO ECONÓMICO"
07/09/11

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HOJE NO
"i"
 
Câmaras. Governo quer reduzir 
quase 2 mil chefes
Previsão é que poupança ultrapasse os 40 milhões 
de euros por ano. Câmaras escapam à extinção 
e só vão aglomerar-se se quiserem

As câmaras municipais vão ter menos chefes de departamento e de secção. A reforma administrativa, cujas linhas gerais o governo aprovou no Conselho de Ministros de ontem, vai propor uma diminuição do número de chefias em mais de metade.

O executivo vai negociar com a Associação Nacional de Municípios (ANMP) e com a Associação Nacional de Freguesias o pacote a que Miguel Relvas chamou "choque reformista". Nestas negociações vai estar uma proposta de redução de quase 2 mil dirigentes superiores e intermédios. Ao todo, com a redução nas chefias locais, o governo estima uma poupança de pelo menos 40 milhões de euros por ano. O número poderá sofrer ligeiras alterações, resultado das negociações, mas é esta a meta que o governo tem em mente.

De acordo com a matriz negocial que o executivo vai apresentar à ANMP, a que o i teve acesso, o executivo quer uma diminuição das chefias em função do número de habitantes. Assim, por cada cem mil habitantes haverá um dirigente superior. Já no que diz respeito a dirigentes intermédios de primeiro grau (dirigentes de departamento), o rácio será de cem por cada cem mil habitantes. Os chefes de divisão ficam reduzidos a um para cada 5 mil habitantes.

Entre dirigentes superiores e intermédios a ideia do executivo é passar dos actuais 3137 para 1495, ou seja, menos 1642 chefes, cerca de 52% do total. No caso de Lisboa, por exemplo, actualmente existem 12 dirigentes superiores, 39 de primeiro grau e 106 de segundo grau. O número terá de ser reduzido para cerca de metade.

Menos freguesias Por imposição da troika o governo tinha ainda de reduzir o número de autarquias, mas a tesoura do executivo apenas vai chegar às freguesias. O ministro Miguel Relvas disse que as câmaras ficaram de fora da extinção porque o Memorando da troika apenas falar na redução "de autarquias" e não especifica mais. O Memorando é claro: "Existem actualmente 308 municípios e 4259 freguesias. Até Julho de 2012, o governo irá elaborar um plano de consolidação no sentido de reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades."

Às câmaras é dada a possibilidade de, "voluntariamente", proporem a aglomeração ou fusão. Mas a proposta vai figurar apenas no papel, já que com a oposição dos municípios às extinções dificilmente haverá presidentes de câmara a tomarem esta iniciativa.

Além das mudanças no território - com a extinção de cerca de mil freguesias - o governo vai ainda reduzir o número de vereadores. No entanto, para isso é necessário um acordo com os socialistas, dado que a alteração exige mexer na lei eleitoral autárquica.

"Conversaremos com o PS. E eu estou profundamente convencido de que não será difícil encontrarmos pontos de entendimento. A situação do país assim o exige e os autarcas de ambas as forças não deixarão de dar o seu contributo para a mudança", considerou Relvas. A negociações ainda não começaram. 


* Estamos de acordo mas muito preocupados com a colocação dos boys e girls que ainda ocupam estes lugares, será que os vão pôr, coitados, em sítios em que têm de trabalhar? Santa paciência...não há peida que aguente!

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Leonardo Boff 

6 - Sempre Um Papo






Leonardo Boff, pseudónimo de Genézio Darci Boff (Concórdia, 14 de dezembro1938), é um teólogo brasileiro, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. É respeitado pela sua história de defesa pelas causas sociais e atualmente debate também questões ambientais.
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HOJE NO
"PÚBLICO"
 
Estação Baixa-Chiado do metro de Lisboa chama-se agora PT Bluestation
Aquela que é uma das mais emblemáticas estações de metro de Lisboa foi rebaptizada. Baixa-Chiado PT Bluestation é o seu novo nome, graças a uma acção de marketing da empresa que está a gerar controvérsia. 
O Fórum Cidadania Lisboa chama-lhe "prostituição do espaço público" e o Grupo de Amigos de Lisboa fala 
numa "saloiice de muito mau gosto".

O presidente do Metropolitano diz que esta mudança "é um marco na vida do metro, um marco de ruptura, de inovação, de criatividade". Cardoso dos Reis revelou, aliás, que quer alargar esta iniciativa a outras estações: "Esperamos contar com a visão de futuro, o espírito inovador e a ambição de outras marcas", disse o gestor. O Marquês de Pombal pode ser a paragem que se segue.

O Metropolitano recusou divulgar quanto vai arrecadar com esta operação e o presidente executivo da PT também não revelou quanto vai a empresa pagar para ter, durante quatro anos, o seu nome na estação. "É um investimento significativo", limitou-se a dizer Zeinal Bava.

Já o secretário de Estado dos Transportes declarou-se "muito contente com este projecto". Porque, explicou Sérgio Monteiro, "corresponde à vontade do Governo de que as empresas públicas de transportes encontrem formas inovadoras e criativas de gerar receitas", para serem "menos dependentes do Orçamento do Estado".

No caso da Baixa-Chiado, esta iniciativa inclui ainda a disponibilização aos utilizadores de estação de Internet grátis. Além disso, haverá acções diárias (como projecções de vídeo, distribuição de rebuçados ou massagens nas mãos), pelo menos durante um ano, e nas paredes serão projectadas notícias e "informações úteis". Questionado pelo PÚBLICO, o presidente executivo da PT garantiu que essas projecções não incluirão mensagens publicitárias, mas admitiu que a Baixa-Chiado receba "demonstrações de produtos" da marca.

A vereadora da Inovação da Câmara de Lisboa defendeu que "é importante a cidade apostar em projectos inovadores". Questionada pelo PÚBLICO sobre a alteração de nome, Graça Fonseca recusou-se a opinar, dizendo apenas que, "como qualquer situação de patrocínio, é normal que a marca queira estar presente".

Já o vereador do PCP ficou incrédulo com a mudança: "Como? Ai valha-me Deus! Isso é péssimo", reagiu. "Houve uma altura em que o metro convidava os melhores artistas portugueses para fazerem estações soberbas. Agora temos línguas estrangeiras e marcas", lamentou Rúben de Carvalho, que promete levar esta questão "tão marcante na vida da cidade" à próxima reunião da autarquia.

"É de ficar sem palavras", afirmou Paulo Ferrero, do Fórum Cidadania Lisboa, que considera estar-se perante um caso de "prostituição do espaço público". "Dentro em breve, em Lisboa, estaremos todos publicitados", afirmou por sua vez Appio Sottomayor. O olisipógrafo está também contra a utilização de uma palavra em inglês no nome da estação: "A língua portuguesa, pouco a pouco, está a ser enterrada. Faça-se então o funeral", concluiu.

"É uma saloiice desnecessária, de muito mau gosto", corroborou Salete Salvado, do Grupo de Amigos de Lisboa. A representante do colectivo, que integra a Comissão Municipal de Toponímia, lembrou ainda que, "até agora, o metro tem utilizado os nomes dos locais, respeitando a tradição toponímica da cidade". E lamentou que essa prática tenha sido interrompida. "Como querem receber dinheiro, estão a curvar-se", acusou.

"Acho mal. A toponímia não devia ter sido mudada", afirmou por sua vez a historiadora Irene Pimentel, que também faz parte da comissão, onde gostava de ver discutido este caso. Outro dos seus elementos, o musicólogo Rui Vieira Nery, acha que esta "não é uma matéria da competência da comissão". Mas, a título pessoal, reconhece que não tem "simpatia" por ver "o nome de uma empresa associado a um marco da cidade".

"Vejo esta solução de forma muito crítica. Preferia que deixassem os nomes como estão ou que os substituíssem, por exemplo, pelos de grandes figuras da cultura e da ciência", afirmou por sua vez José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores.

Os presidentes das juntas de freguesia de São Nicolau, António Manuel, e dos Mártires, Joaquim Guerra de Sousa, não ficaram incomodados com a notícia de alteração do nome e manifestaram a expectativa de que o patrocínio da PT possa traduzir-se em melhorias no serviço prestado pelo Metropolitano de Lisboa.


* Ainda havemos de ver a Torre de Belém com o nome "Portugueses cake tower", o teatro D. Maria II, como "Second Mary's theater",  para o Marquês de Pombal "Lion Terminator", e, já agora chamar o nosso Primeiro ministro por "Step Rabbit" e o secretário-geral do PS por "Tony Joe Insurance". É bem feito para tanto mentecapto cultural. Só mais uma coisinha, como se diz Zeinal Bava em português???

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DA WEASEL




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HOJE NO
"A BOLA"

Joaquim Evangelista apela 
à defesa do jogador português

Dos 438 jogadores inscritos na Liga durante esta janela do mercado de transferências, 254 são estrangeiros. Presidente do sindicato dos jogadores profissionais de futebol voltou a apelar à defesa dos atletas portugueses.

Joaquim Evangelista fez esta sexta-feira, no Estádio Nacional, o balanço da 9.ª edição do estágio do jogador, promovido pelo sindicato, que acabou por colocar 57 atletas desempregados – 26 na zona norte (48,5 por cento) e 31 na zona sul (57,5), num total de 54 em cada zona.

O dirigente congratulou-se pelos resultados mas lamentou não ter sido possível colocar todos os jogadores.

Em referência ao mercado de transferências que fechou recentemente, Evangelista tornou a apelar às entidades responsáveis, clubes principalmente, que defendam os jogadores portugueses, não apenas os jovens.

A Liga recebeu 438 inscrições, 254 para jogadores estrangeiros (58 por cento) e 184 para portugueses (42 por cento).



* Para além da vergonha que evidenciam estas percentagens, 80% dos jogadores estrangeiros são absolutamente vulgares, o que se passa é a negociata das percentagens das comissões de tranferência que motiva este movimento de jogadores estrangeiros.

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